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Mais um fim de ano se aproxima

Publicado por Frei João Carlos Romanini | 01/01/2017 - 11:37

O ritmo do tempo, mesmo acelerado, deve ser como bela peça musical que vai se incorporando ao repertório de nossos hinos

 

Nossa história e, dentro dela o nosso viver e conviver, tem um ritmo que cada vez parece mais acelerado. Todos se queixam que o tempo passa cada vez mais rápido. Não se sabe bem se é a idade que avança, se são as ocupações que aumentam cada dia mais e não nos deixam sentados no tempo. Enfim, começa ano e termina ano com uma rapidez espantosa. Parece que foi ontem o abraço de “Feliz Ano Novo” e já estamos nos preparando para repetir esse cumprimento.

Geralmente são maiores as lamentações de que o tempo passa do que as alegrias de somarmos mais vida aos anos que se vão. E pior disso acontece quando as pessoas, por verem o tempo correr, fogem para o vazio, achando que não adiante plantar porque não se consegue colher e nem realizar plenamente os próprios sonhos. O ritmo do tempo, mesmo acelerado, precisa ser acolhido como a mais bela peça musical que vai fazendo parte do repertório de nossos hinos.

Refletindo melhor, como é importante começar e terminar o ano! Quanta gente começa e não vê o final. Quantos acidentes no percurso! Mas, também, quantas oportunidades nos são oferecidas para construir, com elegância divina, o edifício da nossa existência.

A chegada do fim de ano confirma que o caminho é irreversível. Passam as horas, passam os dias, passam os meses, passam os anos. O tempo passa e nele nós também passamos. Porém, se os calendários vão sendo substituídos por outros, nós continuamos passando sem substituição, porque não somos simples moradores do tempo, mas, na medida que somamos anos à vida, necessitamos somar mais vida aos anos e caminhar rumo à plenitude, na eternidade.

Na cultura consumista que nos envolve, também corremos o risco de achar que, ao consumir coisas, também se possa ir consumindo com a vida. E a vida não nos é dada para ser consumida, mas para ser construída com o passar dos anos.

Uma das grandes causas de frustrações e decepções humanas é ceder à tendência de tornar a vida descartável, como se o amanhã não nos cobrasse o investimento de sua qualificação.

Se o passado é a herança que vamos acumulando e a escola que vai nos ensinando, o presente é a oportunidade que necessitamos administrar como um tesouro envolto em vaso de barro. Somos chamados a nos alegrar e encantar com o tesouro, porém não podemos esquecer seu cuidado para que o vaso não rompa e o tesouro se perca, irremediavelmente.

Mais uma vemos estamos chegando ao fim do ano. Esse fim não vem fechar as portas da vida, mas carrega consigo as chaves do novo que vai se abrir para a nossa liberdade responsável. A luz de Cristo é a mesma do passado, mas o trecho do caminho é novo para o futuro. Se cansamos com o trajeto percorrido no ano que finda, certamente não nos faltarão as energias do Espírito para renovar o nosso vigor no empreendimento de uma nova jornada.

 

Sobre o autor
Frei Luiz Turra

Frei Capuchinho da Província do Rio Grande do Sul . Há muiots anos é Articulista do Jornal Correio Riograndense, pároco da Paróquia Santo Antônio em Porto alegre. Compositor com varios Cds lançados pelas Paulinas.