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Aos Mestres

Publicado por Comunicação Brasil Central | 14/10/2017 - 00:01

Todos guardamos em nossa lembrança o nome de nossos professores. Guardamos especialmente os da infância, os que nos iniciaram nas letras e nos conhecimentos. Guardamos os ensinamentos e as atitudes. Guardamos o jeito nobre de nos acolher e atender. Numa única sala atendiam alunos de diversas etapas. E cuidavam de cada um com a devida atenção.

São marcas que distinguem e aprimoram a personalidade e o caráter. São lembranças que revigoram e fortalecem o amor ao estudo, a aplicação nas tarefas e a seriedade nos compromissos. São sementes lançadas com o carinho de um mestre e cultivadas com a destreza de um artista. E os frutos perduram alimentando realidades que até hoje deixam um sabor de alegria e de felicidade.

A sociedade de hoje não entende isso. Infelizmente a sintonia entre mestre e discípulo deu lugar em muitos ambientes à competição e a ameaças. Não há mais discípulos e mestres. Há alunos e professores. Mesmo que os professores se empenhem heroicamente em transmitir conhecimentos e atitudes de nobreza e de honradez, a sociedade joga na mente dos alunos um espírito de violência contra tudo o que tentar levar ao equilíbrio e ao bem senso.

Principalmente a partir do momento em que foi reduzido o espaço para o ensino religioso e para o cultivo da fé constatamos o aumento da frieza ante a dignidade e o valor da pessoa humana. Faliram o respeito e a obediência à autoridade em nossas escolas. O que manda não é a educação, mas a ameaça; não é a disciplina, mas a violência. E muitas escolas se transformaram em verdadeiras praças de guerra.

Falta Deus em nossas escolas. Falta Deus na mente e no coração de muitos professores. Falta Deus em muitas famílias. Lembremos o que um dia o Mestre dos mestres nos disse: “Quanto a vocês, não queiram que os chame de mestre, pois um só é o mestre de vocês e vocês são todos irmãos” (Mt.23,8). Esta verdade está sendo difícil de ser acolhida e ser cultivada em nossas escolas e em nossas comunidades.

A frieza e a indiferença estão invadindo nossa sociedade. As coisas de Deus estão perdendo o espaço para as coisas do mundo. A fé e a oração estão sendo substituídas pelo lazer e pelos divertimentos. O espírito de sacrifício saiu de moda. E a mente humana está sendo constantemente perturbada entre o que seria valor moral e o que seria satisfação pessoal.

 Essa perturbação e essa inquietude estão abalando as estruturas espirituais do ser humano a tal ponto que são muitos os que se interrogam em busca de uma resposta para saber o que seja o certo , o que seja o ético, o que seja o pecado, o que seja do agrado de Deus.

Esses são desafios que se encontram no íntimo de todo o ser humano. E os que sentirem na pele esses desafios, possivelmente encontrarão dificuldades em elucidá-los. E os demais continuarão nesse mundo da frieza e da indiferença.

Contudo, creio na esperança de dias melhores. Creio que o mundo voltará seu olhar para Deus e com ele no coração transformará esse ambiente frio em ambiente de amor, de ternura e de uma alegre fé.

Sobre o autor
Frei Venildo Trevizan
Sacerdote. Nasceu no ano de 1939 em Paraí-RS. Filho de Ângelo Trevizan e Carmela Richetti.