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10º Texto: Seguimento

Publicado por Frei Rubens Nunes da Mota | 23/03/2018 - 00:01

Chegamos ao último texto sobre experiência de Deus e chamado vocacional. Terminar refletindo sobre o seguimento é falar de caminhos e, sobretudo, de pessoas que caminham como seguidores das propostas de Jesus. Seguir é peregrinar, é sermos pessoas capazes de sair de si, para caminhar, em seguir caminhos já construídos, ou de ser desbravadores de novos caminhos – descobrimos uma dinâmica diferente diante da vida. Pois o movimento de cada passo se dá na trajetória do caminhar.

Inspiração para o seguimento

Aqui lembramos aquele que quis fazer caminho em nosso caminho, que se fez caminho para que nós caminhássemos não mais como caminheiros em busca de qualquer caminho, mas como caminheiros que caminham em busca da terra prometida. Por assim dizer, Deus Pai sai de si para nos chamar a participar de sua vida e sua glória. E essa participação se fez aos que nos antecederam e se faz, no hoje de nossa vida, por meio do nosso cotidiano. Pois lembramos que nosso Deus Pai quis ser fala viva por meio de seu Filho Jesus (Hb 1,1). E o Filho nos mostra o caminho, fazendo-se caminho que nos leva ao Pai.

É Jesus que nos apresenta a grande novidade de vivermos um seguimento radical, ou seja, uma conduta nova como discípulos/as que seguem o mestre com um novo jeito de ser e viver.

Lembramos o evangelista Marcos que nos apresenta o chamado dos primeiros discípulos, como um convite aberto a todos os que ouvem a Palavra de Jesus. Simão e André deixaram a profissão; Tiago e João deixaram a família, Mc (1,16-20). Então, seguir a Jesus implica em deixar as seguranças que possam impedir o compromisso de uma ação transformadora.

Em Lucas, Jesus ainda nos lembra: ”Do mesmo modo, portanto, qualquer um de vós, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo!” (Lc 14, 33).

Exigências do seguimento

Algumas exigências são necessárias para o seguimento. Para abrir em vista da proposta do Evangelho, a renúncia é uma das exigências do seguimento de Jesus de Nazaré. Tal seguimento não se dá de qualquer modo, mas segundo algumas exigências que o caracterizam. Quando falamos em renúncia no seguimento a Jesus de Nazaré estamos nos referindo ao valor da liberdade. Não se trata de renunciar por renunciar, mas tendo em vista a liberdade de filhos e filhas de Deus. O seguimento nos assegura a plena liberdade, e para que esta exista, é preciso renunciar a tudo o que impede a realização plena do seguimento.

Falando para grandes multidões que o acompanhavam, Jesus exige o desapego em relação ao pai, à mãe, mulher, filhos, irmãos, irmãs e até à própria vida. Além disso, pede, ainda, que cada um carregue a sua cruz e caminhe atrás dele. O que ele está querendo dizer com isso? Será que está pedindo para desprezarmos aquelas pessoas que nos são mais queridas? Será que a nossa vida perde a sua importância quando decidimos seguir Jesus? É preciso nos colocar como discípulos e discípulas, que se colocam diariamente, de ouvidos atentos, para ouvir o mestre, e dele encontrarmos respostas para nossos questionamentos.

Olhando para Jesus, percebemos que ele fala para grandes multidões. Certamente, muitas pessoas se entusiasmaram com seu jeito de ser. Ele surpreendia a todos, dada a sua origem humilde. Muitas outras se escandalizaram com ele, principalmente os ricos e poderosos. Para os pobres foi motivo de alegria e de libertação. As multidões acompanhavam-no, mas não o seguiam. Porque não o seguiam, se o que ele falava os movia internamente? Certamente porque segui-lo sempre foi missão de poucos.

Seguimento no discipulado missionário

O documento de Aparecida nos lembra de que, o caminho de formação do seguidor de Jesus lança suas raízes na natureza dinâmica da pessoa e no convite pessoal de Jesus Cristo, que chama os seus pelo nome e estes o seguem porque conhecem sua voz. O Senhor despertava as aspirações profundas de seus discípulos e os atraía a si, maravilhados. O seguimento é fruto de uma fascinação que responde ao desejo de realização humana, ao desejo de vida plena. O discípulo é alguém apaixonado por Cristo, a quem reconhece como mestre que conduz e acompanha (DA:277).

No processo de formação, no seguimento de Jesus, como discípulos/as e missionário/as, o DA destaca cinco aspectos fundamentais que aparecem de maneira diversa, em cada etapa do caminho, mas que se complementam intimamente e se alimentam entre si:

1º O Encontro com Jesus Cristo: Aqueles que serão seus discípulos já o buscam (cf. Jo 1,38), mas é o Senhor quem os chama: “Segue-me” (Mc 1,14; Mt 9,9). É necessário descobrir o sentido mais profundo da busca…
2º A Conversão: É a resposta inicial de quem escutou o Senhor com admiração, crê nele pela ação do Espírito e decide.

Em fim seguir Jesus não é fácil. Não encontramos facilidades e comodidades no seu seguimento. O caminho de Jesus é ardoroso e exige, além das renúncias, coragem e audácia. Pessoas medrosas e que não ousam além do necessário não servem para seguir Jesus. O seguimento de Jesus se dá no caminho do trabalho incessante que constrói outro mundo possível. Quem está satisfeito com as realidades do mundo presente e nele procura, isolada e individualmente, ser feliz, não serve para ser discípulo de Jesus. O autêntico discípulo do divino Mestre permanece insatisfeito com a situação do mundo.

Jesus é o caminho e cada pessoa faz parte desse caminho, não apenas olhando para o céu, mas andando pelas estradas da vida, procurando transformar as realidades, tornando-as um sinal do Reino, com o rosto de Deus.

E ser seu amigo é ir após ele, mudando sua forma de pensar e viver, aceitando a cruz de Cristo, consciente de que morrer para o pecado é alcançar a vida.

3º O Discipulado: A pessoa amadurece constantemente no conhecimento, amor e seguimento de Jesus Mestre, se aprofunda no mistério de sua pessoa, de seu exemplo e de sua doutrina.
4º A Comunhão: Não pode existir seguimento de Cristo, fora da comunidade. Como os primeiros cristãos, que se reuniam em comunidade, vivendo o amor de Cristo na vida fraterna. 
5º A Missão: O discípulo, à medida que conhece e ama o seu Senhor, experimenta a necessidade de compartilhar com outros a sua alegria de ser enviado, de ir ao mundo para anunciar Jesus Cristo, morto e ressuscitado, e tornar realidade o amor e o serviço na pessoa dos mais necessitados, em uma palavra, construir o Reino de Deus.
Terminamos o primeiro módulo sobre a experiência de Deus e chamado vocacional. Esperamos que estes textos possa ter ajudado você em seu discernimento vocacional em vista de um projeto de vida que tenha em vista o Reino de Deus e sua Justiça.

QUESTÕES:

Sobre o seguimento, reflita:

A – O seguimento de Jesus se faz por meio de um caminho sem renúncias.
B – Para sermos seguidores de Jesus é preciso acolher o seu chamado e nos colocarmos a caminho com ele.
C – Quando falamos em renúncia no seguimento de Jesus de Nazaré estamos nos referindo ao valor da liberdade.

É correto afirmar que:

A – Somente os adultos são chamados a viver o seguimento de Jesus.
B – Ser discípulo de Jesus é viver a radicalidade do evangelho no cotidiano da vida.
C – Somente os sacerdotes vivem o seguimento de Jesus Cristo.

Ampliando a reflexão em vista do discernimento:

A – Os seguidores de Jesus buscam descobrir o sentido mais profundo da vida.
B – Conversão; Discipulado, Comunhão e Missão; São frutos daqueles que caminham com Jesus.
C – Tornar-se discípulo de Jesus é viver num comodismo, sem atitudes de mudanças radicais.

 

Referências:

O caminho de Jesus: exercícios espirituais / Pe. Pius T. Sidegum…-Porto alegre: Pacartes,2012.
CELAM. Documento de Aparecida. São Paulo: CNBB, Paulinas, Paulus,12º ed. 2011
BIBLIA SAGRADA.São Paulo:Paulus,1990.

Sobre o autor
Frei Rubens Nunes da Mota

Rubens Nunes da Mota, irmão leigo consagrado. Nasceu no ano de 1971, em Montalvânia-MG. Filho de Joaquim Nunes da Mota e Flozina C. da Mota Nunes.

Profissão

Psicólogo (terapeuta de família sistêmico)

Cargo que exerce atualmente

Assessor nacional para os temas de psicologia, juventudes e vocação.

Formação

Bacharel em Teologia pelo IFITEG-GO (Instituto de Filosofia e teologia de Goiás); Graduação em Psicologia e pós-graduação/psicologia pela UCG-GO (Universidade Católica de Goiás) e Mestrado/psicologia da Universidade Católica de Brasília (UCB).

Livro Publicado

Juventudes - O exercício de aproximação (Ano: 2011)