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Frei Rogério - Capuchinho

Publicado por Frei Antonio Eraldo | 17/06/2015 - 10:48

Parabéns Frei Rogério!

1925 – 16 de junho – 2015!

 

 

O seu nonagésimo natalício, ganha um colorido especial, pois, diante do irrenunciável dom dos Irmãos, a sua família – não aquela de sangue, mas a do espírito, digo, Ordem dos Frades Menores Capuchinhos – celebra os jubileus natalícios de dois “FELIZES”, ou “FELIZARDOS”, baluartes da benemérita Reforma Capuchinha; o quingentésimo aniversário do nascimento de SÃO FÉLIX DE CANTALICE, conhecido como o “Ás” da Ordem; e o tricentésimo aniversário de nascimento de SÃO FÉLIX DE NICOSIA.

 

No Ano dedicado à Vida Consagrada, poder celebrar os seus 90 anos, nas efemérides jubilares de estrelas de tamanha grandeza é, realmente, uma bênção. PARABÉNS!

 

Do ponto de vista da Fraternidade Franciscana, não dá para deixar passar em branco, o aniversário de um Irmão que chega à venerável idade dos seus 90 anos. Frei Rogério, você superou a perspectiva do Salmista ao proclamar que: “Pode durar setenta anos a nossa vida, e os mais fortes talvez cheguem a oitenta” (Sl. 89,10).  Frei Rogério – Irmão mais velho e Decano da nossa Província – você é bem-aventurado, por ter superado a concepção do Salmista e a perspectiva dos 80 anos de vida para os “mais fortes”. Você chegou aos 90! Parabéns!

 

O nosso homenageado nascido na Itália, lá viveu apenas os primeiros 28 anos da sua invejável longevidade; enviado ao Brasil como Missionário, desembarcou no Rio de Janeiro aos 14 de novembro de 1953; Porém, no Brasil, vive ha 62 anos. O Brasil é a sua Pátria por adoção. Em seus 62 anos de Vida Missionária percorridos nos Estados do Maranhão, Pará, Amapá, Ceará e Piauí, tanto no campo do magistério quanto da pastoral ordinária e extraordinária, frei Rogério brinda-nos com um legado de experiências, acumuladas e registradas, prontas, se fosse o caso, para organizarmos uma biblioteca virtual. Por feito tão especial e, com preito de fraterna gratidão lhe parabenizamos e lhe agradecemos.

 

MAGISTER E PASTOR!

 

Recolhendo a memória da sua vasta experiência como “sumo magister”, o encontramos no ensino de disciplinas humanísticas, científicas, filosóficas e teológicas. Foi “lente” em Varese, Messejana, Guaramiranga, Parnaíba e Belém, alcançando um raio de 25 anos de magistério, dentro das nossas Casas de formação. Quanto ao seu curriculum pastoral, o encontramos engajado por 11 anos ininterruptos na Pregação das Missões Populares, nos Estados do Nordeste brasileiro. De 1965 a 1981 o encontramos como Desobrigante e Animador das CEBs. De 1970 a 1974, foi Coordenador de Pastoral da Prelazia de Carolina; de 1970 a 1980, foi Defensor do Vínculo e Consultor Diocesano em Carolina. Foi Vigário rural de Coquelândia e Cidelândia, então Prelazia de Carolina.

 

Assessorou o Movimento de Cursilhos de Cristandade em Belém, Macapá, Primavera e Capanema; a isso some-se uma enorme lista de pregações, retiros, novenários, conferências, seminários, formação. Em 2004, Dom Paulo Ponte, Arcebispo de São Luís, o nomeou Exorcista Arquidiocesano.

 

De igual modo, quero, além disso, fazer ecoar nesse público refeitório, em nome de toda a Província, o múltiplo agradecimento pelos serviços que frei Rogério prestou junto à Cúria Provincial como Secretário, Bibliotecário e Arquivista. Foram muitos anos de árduo e competente trabalho, realizado no seu peculiar e eficaz silêncio. Outrossim, lhe agradeço pela perseverante tarefa de Confessor da Igreja do Carmo, onde, fiéis dos mais distantes rincões do Maranhão, do Brasil e do Mundo, o procuraram na certeza de encontra-lo na austera oficina de distribuição do Perdão de Deus! E, lhes digo que, pelos penitentes de outros Países que atualmente integram a longa fila dos seus penitentes, podemos, seguramente, lhe conferir o título de Confessor Internacional. Por tanto bem dispensado nos 90 anos de sua feliz existência, lhe agradecemos gozosamente.

 

Além desta ampla folha de serviços engajou-se na Pastoral de Juventude, Movimento Familiar Cristão, Pastoral Carcerária, Pastoral Vocacional, Comissão de Pastoral da Terra e Conselho Indigenista Missionário. Foi Coordenador da Pastoral Indigenista Missionária nos Estados do Maranhão e Goiás. E o seu engajamento nas Pastorais Sociais e nas CEBs levou o SNI – serviço nacional de informação – a espioná-lo como perigoso ao regime militar.

 

 

SUA VEIA DE ESCRITOR!

 

 Mas, apesar de tanto trabalho ainda encontrou tempo para escrever. Em 1962, a partir de sua convivência com o povo do sertão, escreveu sua primeira obra literária: “Dez anos no Polígono da seca”. Dez anos mais tarde, em 1972, com base na sua rica experiência junto às CEBs, escreveu: “Uma experiência a caminho”. Em 1981, conhecedor da Religiosidade Popular dos migrantes do Vale do Tocantins escreveu: “Aqueles que não têm voz”. Em 1994, traduziu as seguintes Obras: “Missão indígena no Araguaia e Tocantins”, de frei Savino de Rímini; “Missão indígena do Tapajós”, de frei Pelino de Castro Valva; “Missão indígena em Cuiabá”, de frei Mariano de Bagnaia; “Missão indígena no Mato Grosso”, de frei Antonio de Molinetto.

 

E, por último, como prova da sua alcunha de “homem de estudo”, compilou os antigos livros de Tombo do Convento do Carmo e lhe deu o profético título: “Acordando palavras dormidas”, cobiçado pelos vizinhos da Academia de Letras do Maranhão.

 

Frei Rogério sempre foi um frade estudioso; a “Rogeriana”, pupila de seus olhos é a prova do seu gosto pelo estudo. Dedicado ao estudo acurado e à pesquisa investigativa, e sem dar tréguas à sua sede de conhecimentos, na ocasião do seu Ano Sabático, entre 1985/86, frequentou o Instituto Bíblico de Jerusalém, na qualidade de aluno de arqueologia bíblica. Tanto sacrifício para melhor servir ao Reino de Deus!

 

Lembro-me que, em certa ocasião, passando por Belém, o ex Padre Geral Frei Flávio Roberto Carraro, falando aos Estudantes de Teologia e Filosofia, entre outras coisas, disse: Vocês que são a esperança da futura Província, ou rezem como o frei Elias, ou trabalhem como o frei Liberato, ou estudem como o frei Rogério. O Padre Geral apontava-nos o frei Rogério, “ao vivo e em cores”, como exemplo a ser seguido quanto ao estudo.

 

FREI ROGÉRIO, por tudo o que foi dito nessa singela homenagem, e o que ficou nas evidentes lacunas do discurso, servir-nos-á, unicamente, para fazer ecoar a nossa homenagem fraternal na singular ocasião do seu nonagésimo aniversário de sua FELIZ existência. Parabéns!

 

Frei Deusivan Santos Conceição, OFM. Cap.

Ministro Provincial

 

 

Sobre o autor
Frei Deusivan

Minitro Provincial