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A IDENTIDADE

Publicado por Robson dos Reis Silva | 26/08/2017 - 00:00

Todo o cidadão que se preza organiza sua vida a partir de sua identidade mediante uma documentação no Registro Geral que defina e estabeleça essa sua identificação. Só será reconhecido como cidadão mediante essa documentação fornecida pelo poder constituído. Vida difícil acontecerá para quem perder ou não tiver em mãos essa exigência legal. Não será reconhecido e nem aceito como cidadão.

Contudo, para ser verdadeiramente homem ou mulher não será suficiente essa identificação. Existem outras normas que precisam ser observadas e obedecidas. São normas que orientam e asseguram um identidade pessoal e humana. Mesmo não tendo registro civil todo o ser humano possui um atestado de filho querido de Deus. Isso mediante sua fé e sua adesão ao amor generoso de Deus.

Essa identidade não consta nos cartórios. É uma identidade registrada no coração. E se revela mediante gestos e comportamentos. A identidade cristã é uma realidade diferente das demais. Será reconhecida tão somente por aquelas pessoas que generosamente se dispõem trabalhar junto  aqueles e aquelas que se encontram excluídas do convívio social.

Junto a esses seres humanos reconhecemos nossa real identidade. São eles que nos ajudam a construir nossa historia de seres ricos em bondade e em generosidade, atentos às carências e dificuldades, prontos em disponibilizar as riquezas do coração e realizar a felicidade e o bem estar humano e espiritual desses irmãos.

Mesmo que a pergunta: “Quem sou eu?” continue inquietando tantas mentes, quem corajosamente decidiu trabalhar com esses seres humanos que perderam sua identidade, terá em seu coração a alegria de poder diminuir o sofrimento e abrir caminhos de luz e de alegria.

Essas são pessoas ricas em amor, fortalecidas em sua fé e preciosas em sua caridade e no desempenho de sua missão cristã. Terão o prazer de celebrar alegremente novos sonhos e novas realizações. Terão a satisfação de ver a seu lado e no mesmo caminho esses seres humanos enriquecidos pelas conquistas de solidariedade fraterna.

São pessoas que, apesar das limitações físicas e sociais, agora sentem e partilham o orgulho de se declararem filhas de Deus, irmãs em Jesus Cristo e participantes de uma família muito alegre e muito feliz. Agora têm um nome, têm um endereço e um objetivo. Sabem para onde estão indo e sabem em quem confiar.

Existem outras pessoas que infelizmente não têm a mesma sorte. Continuam perambulando pelos caminhos tortuosos e acidentados da vida buscando saber quem são, para onde estão indo, o que buscar e como se definir. Essa realidade perdura e machuca muitos corações e fere muitas consciências. Triste indefinição e escabrosa perspectiva de futuro.

Convenhamos que o mundo não contribui e não favorece vida fácil e segura. Somente o espírito de fé , que se encontra no íntimo do coração, poderá garantir vida feliz. Esse espírito precisa ser assumido e trabalhado em favor do ideal que cada qual deseja realizar.

Essa será a identidade que se manifestará a partir da experiência pessoal de se deixar amar por Deus. O registro civil socializa. O registro cristão diviniza.

Sobre o autor
Frei Venildo Trevizan
Sacerdote. Nasceu no ano de 1939 em Paraí-RS. Filho de Ângelo Trevizan e Carmela Richetti.