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A missão

Publicado por Frei Venildo Trevizan | 20/01/2018 - 00:01

Uma das tarefas consideradas sagradas de um embaixador é exercer a missão de representar o país junto a outro país. Essa representação deverá ser exercida com seriedade, competência e fidelidade, pois é uma missão para pessoas de extrema confiança do Governo.

Existe ainda uma outra missão. Essa será confiada a quem aceitou ser inscrito em alguma comunidade cristã. É, sem dúvida, tão ou mais sagrada do que representar um país. Ela envolve pessoas comprometidas com a verdade e a justiça provindas dos ensinamentos divinos.

Essa é a missão de representar Deus no mundo. E precisa ser exercida com seriedade, prudência e fidelidade. E quem aceitar assumir essa missão terá que corresponder àquilo que Deus na sua infinita sabedoria lhe confiar. Não poderá ser de maneira qualquer. Será marcada e conduzida com a devida seriedade e equilíbrio, maturidade e fé. Não poderá ser para qualquer ser humano, mas para quem se comprometer em viver de acordo com a palavra do Mestre e Senhor.

Foi ele que, em certa ocasião, “caminhando à beira do mar da Galileia, viu Simão e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores”. E lhes disse: “Sigam-me e eu farei de vocês pescadores de homens” (Mc. 1,16-17) Então, eles deixaram tudo, aceitaram o convite e seguiram o Mestre.

Algo muito sério chama nossa atenção: eles provavelmente pouco conheciam a respeito de quem os chamava. Assim mesmo não perguntaram para onde iria levá-los, nem o que ou quanto ganhariam e nem como iriam viver. Tocados por aquele chamado e iluminados por aquela presença, não pensaram duas vezes. Deixaram tudo e o seguiram.

Homens corajosos. Homens acostumados ao trabalho duro e pesado. Homens marcados pelas noites de tempestades colocando em constante perigo suas vidas. Homens sofridos e batalhadores. Não duvidaram. Aceitaram e assumiram a missão de lançar suas redes em outros mares. Não em águas de peixes, mas em águas mais profundas onde encontrariam homens afundados na pobreza, no abandono, passando fome, buscando esperanças.

Deixaram tudo e seguiram o Mestre e Senhor com a missão de anunciar a Boa Nova do Reino de Deus. Tarefa difícil e desafiadora a ser trabalhada em meio a uma sociedade infestada de anúncios incitando a tudo ver com os olhos da ganância e do prazer. Uma missão que irá provocar perseguições, prisões e martírios.

Essa missão desafiará a fé cristã, a honra pessoal e a dignidade de ser fiel ao chamado do Deus bom e misericordioso. Desafiará o amor e fidelidade em nossas famílias. Desafiará a fé e a perseverança de nossa juventude. Desafiará a inocência de nossas crianças.

Essa missão terá que enfrentar a frieza e a indiferença de nossos governantes que perderam a moral e a confiança do povo mais esclarecido. Será uma luta heroica entre o bem dos inocentes e o mal dos perversos.

Sobra uma esperança nobre e santa em que o ser humano perceba tudo isso e saiba eleger para si dignidade, fidelidade e amor profundo ao Reino de Deus.

Sobre o autor
Frei Venildo Trevizan
Sacerdote. Nasceu no ano de 1939 em Paraí-RS. Filho de Ângelo Trevizan e Carmela Richetti.