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ACOLHIDA E PERDÃO

Publicado por Robson dos Reis Silva | 09/09/2017 - 00:00

A convivência humana se depara com muitas maneiras de cultivar um relacionamento. Nem todos interpretam da mesma maneira. Cada qual tem seu temperamento e sua personalidade. Será difícil a convivência se não houver respeito pelas diferenças e perdão para as fraquezas. É preciso que haja muito amor ao próximo.

Infelizmente é comum constatar que o relacionamento entre as pessoas se orienta mais pelos defeitos do que pelas qualidades. Em lugar de elogios vem as cobranças. Em lugar da solidariedade surge a desconfiança. Em lugar do amor coloca-se o julgamento. E esse julgamento é feito a partir do interesse egoísta de buscar tão somente aquilo que favorece a satisfação pessoal

A partir disso surge uma constante disputa entre as pessoas. Em lugar de acolher quem tenha a infelicidade de cometer algum erro, joga sobre o infeliz todas as maldiçoes do mundo querendo vê-lo fracassado e destruído. Parece existir mais alegria pelo fracasso do que pelo esforço em se refazer. Torce para que aconteça o pior. Não percebe que isso poderá ser fruto de um ciúme doentio e de uma inveja não curada.

Querer o fracasso de quem pensa diferente é no mínimo uma covardia.. Esquece que errar é humano, mas perdoar é divino. Esquece que tambem sua vida é frágil e sua personalidade é limitada. Esquece que seus conceitos nem sempre são os melhores e os mais produtivos. Esquece que sua fé necessita de constante renovação e aprofundamento. Esquece que também é humano sujeito ao erro e ao pecado.

Bom seria que o mundo entendesse a mensagem que o Mestre dos mestres transmitiu a todos os povos e a todos os credos ao dizer: “Se teu irmão pecar contra ti, vai corrigi-lo, mas em particular, a sós contigo! Se ele te ouvir, tu ganhaste o teu irmão” (Mt.16,15).

Essa é a pedagogia mais profunda que alguém possa cultivar para reconquistar a quem se perdeu em seu modo de conviver com os demais. Mostra não concordar com o erro. E mostra principalmente que a correção enobrece quando for realizada na acolhida fraterna e em ambiente reservado. A verdadeira correção não se faz por decretos ou por leis punitivas, mas por gestos de um coração sábio e acolhedor.

Não adianta temer violências. É preciso celebrar a acolhida e o perdão. É preciso ser mais sensível ao sofrimento de tantos que estão se perdendo pelos caminhos da violência, seja sentimental ou seja material. É preciso resgatar o espírito cristão da solidariedade para com os que sofrem, do respeito com os marginalizados, do incentivo aos que pararam pelo caminho, da esperança aos que se sentem fracos em suas opções e objetivos.

Vamos acreditar que ainda é possível realizar a comunhão de todos os credos e nações num único amor e numa grande alegria do congraçamento a partir da acolhida e da reconciliação entre todos.

Tudo pode acontecer. Mas precisa acontecer no campo da solidariedade e da partilha fraterna. Precisa acontecer através de gestos humanos de acolhida a tantos corações feridos pela solidão e pela sensação do fracasso na vida sentimental ou espiritual.

Sobre o autor
Frei Venildo Trevizan
Sacerdote. Nasceu no ano de 1939 em Paraí-RS. Filho de Ângelo Trevizan e Carmela Richetti.