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Compaixão

Publicado por Frei Venildo Trevizan | 03/02/2018 - 00:01

Por mais que o ser humano se empenhe jamais conseguirá eliminar completamente o sofrimento da face da terra. As doenças físicas e psíquicas poderá controlar. Até mesmo as doenças do espírito poderá contornar. Mas a dor que se aloja na alma só mesmo uma atitude heroica poderá diminuir sua força. Porém, permanecerá uma cicatriz que remédio algum poderá eliminar por completo. Alma ferida é alma sofrida.

Essas situações sempre acompanharam e acompanharão o ser humano em sua trajetória por esse mundo. Cresce a cada dia o numero de consultórios de psicanálise e de outras modalidades de análise e de orientação dos sentimentos e das emoções. E deixam sempre mais claro que o ser humano dependerá de forças sobrenaturais e espirituais.

Por mais que a ciência evolua e se desenvolva sempre permanecerão incógnitas questionando esse conhecimento humano. E a ansiedade, a angústia e tantas outras situações poderão ser amenizadas quando recorrerem a ambientes onde se trabalha a partir de forças sobrenaturais, sempre sob a luz da fé no poder de Deus.

Quando o ser humano entender e assumir essa atitude de confiança em Deus, certamente encontrará mais forças para lidar com essas suas limitações. E encontrará caminhos mais seguros para seu restabelecimento. Não será pela magia. Será pela fé.

O Mestre dos mestres deixou muito claro em sua peregrinação nesse mundo. Por onde passasse sempre encontrava pelo caminho pessoas portadoras de deficiências, tanto físicas quanto espirituais. A todas socorria e auxiliava na recuperação de sua dignidade e na certeza de sua nova maneira de viver.

E isso era tão real que seus seguidores ficavam encantados e diziam a ele: “Todos te procuram!” Mesmo assim jamais demonstrara cansaço. Sempre encontrava forças para atender a todos. Não parava. Andava pelas aldeias e pelas casas socorrendo a todos com seu sorriso e sua presteza. Não deixava ninguém abandonado.

Assumiu decididamente o sofrimento do povo. Estava convicto de que essa seria sua missão. E o povo ficava encantado e feliz. Pois a tradição concebia que a doença e o sofrimento seriam castigos de Deus e frutos do pecado. Daí a razão de todos recorrerem aos profetas e a outros místicos para aplacarem a ira divina e recuperarem a dignidade perdida.

Essas situações envolviam todas as classes e crenças. Por mais que conseguissem controlar e dominar os problemas de saúde e de relacionamento com os demais, ainda assim permanecia um vazio na alma. Se não soubessem viver em harmonia e confiança com Deus, não conseguiriam a tão desejada paz de espírito e alívio em sua consciência;

Hoje sabemos que o viver humano só terá sentido enquanto estiver em sintonia com o viver de Deus. Essa dependência será a maneira mais nobre de construir e realizar os sonhos mais simples, os ideais mais nobres e os projetos mais sublimes.

E será nessa sintonia com Deus que cada qual entenderá o quanto é maravilhoso ocupar a mente e o coração com os sentimentos que engrandecem e enobrecem o existir. Entenderemos que somente Deus se compadece verdadeiramente e vem em socorro de quem se encontra caído em alguma doença ou até mesmo em algum pecado.

Sobre o autor
Frei Venildo Trevizan
Sacerdote. Nasceu no ano de 1939 em Paraí-RS. Filho de Ângelo Trevizan e Carmela Richetti.