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Cultivar o novo

Publicado por Comunicação Brasil Central | 06/01/2018 - 00:01

O passado é um arquivo feito de acontecimentos, palavras e obras frutos de decisões e realizações. Não poderá ser considerado algo perdido. Ele deixa suas lições e seus ensinamentos. Não poderá jamais ser desprezado e muito menos apagado. Ele faz parte da historia, seja ela individual, seja ela familiar, ou seja ela coletiva.

Sempre permanecerá algo de valor em sua trajetória. E esse algo de valor se tornará razão e fundamento para novas iniciativas, novas atitudes e novos empreendimentos. E quem tiver bom senso saberá respeitar a diversidade de pensamentos e de ideologias. Saberá conviver com essas diferenças e criará um conteúdo muito pessoal de conceitos e de idéias que irão definindo seu modo de conceber a vida em seus valores e em seus dons.

Não perderá tempo com lamentações. Não se limitará em reprovar comportamentos diferentes dos seus. Saberá respeitá-los. Não condenará maneiras diferentes das suas em interpretar filosofias e ideologias. Saberá criar um conteúdo sólido de princípios e de conceitos que o distinguirão dos demais e o projetarão no cenário humano e social.

Esse seria o perfil ideal para o homem e para a mulher que se vêem frente a perspectivas de sucesso e de realização em seus projetos de vida e de ação. Mas sempre se encontrarão necessitados de complementação. Sozinhos não conseguirão alcançar plenamente seus ideais,mesmo porque sempre haverá a necessidade de comparar suas ideias com outras, suas iniciativas com as de  outros, e seus projetos com os demais.

E ainda será preciso vestir a veste da humildade e da simplicidade para concretizar seus planos de vida. É bom lembrar que nenhum ser humano conseguirá sobreviver isolado da comunidade. Mesmo que o ambiente aparentemente não lhe favoreça espaço e conteúdo para seus planos, ainda assim será preciso respeitar e procurar algo com que completar seus anseios de felicidade.

Essa procura poderá inquietar muitas consciências. Poderá provocar crises existenciais. Essa procura poderá levar a ver pela frente o novo, mas o antigo ainda pesará em sua personalidade. Poderá desejar desfazer-se dos velhos conceitos de moral, de crenças e até do próprio Deus, mas a consciência não libera. Permanecem marcas, às vezes cruéis, que não permitem viver com plena liberdade.

O novo modo de pensar, a nova maneira de viver uma religião, o novo modo de conviver e de conduzir uma família poderá perturbar e inquietar. Será preciso uma dose muito forte de prudência e de paciência.

Prudência para não se deixar enganar por certas promessas mágicas de cura e libertação. A paciência para caminhar um passo após o outro. Não precipitar decisões. Não aceitar proposta qualquer. Não se deixar impressionar por supostos milagres.

Nada mais saudável do que aceitar e respeitar o passado. Nada mais sábio do que amar o passado da maneira que aconteceu e as marcas que deixou. Amando esse passado pessoal saberemos amar e cultivar o novo que poderá inquietar mais do que o antigo, mas será assumido como missão e tarefa permanente. Feliz e abençoado Ano Novo.

Sobre o autor
Frei Venildo Trevizan
Sacerdote. Nasceu no ano de 1939 em Paraí-RS. Filho de Ângelo Trevizan e Carmela Richetti.