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RECONHECER O BEM

Publicado por Robson dos Reis Silva | 23/09/2017 - 00:00

Alegrar-se com o bem que outros realizam é, sem dúvida, uma qualidade reservada a quem possui um coração generoso e desprendido de seus interesses. O único interesse consistirá em sentir-se feliz ao ver bem sucedidos aqueles que lutam e se esforçam, mesmo em meio a dificuldades, mas não desistem daquilo que desejam concretizar.

Saber valorizar os mais fracos, os mais demorados em suas tarefas sem perder o bom humor. Agir com paciência diante daqueles que demoram entender o que é preciso ser feito. Saber que nem todos possuem a mesma capacidade. Nem todos tem os mesmos talentos. Nem todos conseguem ter a mesma visão.Tudo ver com alegria no coração.

Por isso o mundo é bonito. Esse mundo habitado por uma variedade infinita de talentos e de iniciativas. É um colorido de dons e de criatividades. Mesmo que aparentemente não apresente as qualidades desejadas, mesmo assim estará contribuindo de alguma forma para a felicidade da humanidade.

Seja qual for a maneira de pensar e de interpretar a realidade do dia a dia, será feliz quem souber colocar-se em sintonia com o pensar de Deus. Como bem revela o profeta Isaias: “Procurai o Senhor, enquanto é possível encontrá-lo, chamai por ele enquanto está perto. Que o malvado abandone o mau caminho, que o perverso mude seus planos e cada um volte para o Senhor.” (Is.55,6-8)

Esse apelo continua vivo e verdadeiro em nossos dias. A verdade precisa ser aceita, assumida e declarada publicamente. Há um relaxamento geral quanto aos valores morais. No relacionamento familiar as pessoas procuram o mais cômodo e o mais fácil. Não aceitam ter que renunciar a certos interesses egoístas para vivenciar a comunhão alegre e feliz entre irmãos.

Nesse relacionamento infelizmente existe mais inveja do que gratidão. Existe mais ciúme do que colaboração. Dificilmente emitimos elogios pelo que outros fazem como nós fazemos, ou até melhor do que nós. Perdemos ricas oportunidades de exercitar as virtudes da humildade, da sabedoria e da convivência na partilha de dons.

O relacionamento entre as pessoas, até mesmo em família, tornou-se praticamente apenas comercial. São raras as atitudes de admiração pelo bem que outros realizam. São raros os gestos de elogio por certas iniciativas assumidas e concretizadas com êxito. Transparece mais o ciúme do que a alegria em admirar as conquistas dos irmãos.

E nossa sociedade continua sendo manipulada por interesses egoístas, por relacionamentos virtuais e muito pouco afetivos. Cada qual cria para si um casulo de proteção egoísta. Dificilmente permitirá o acesso aos demais. Prefere isolar-se em seu mundo e caminhar a seu modo. Chega ao ponto de criar para si uma figura própria de Deus ou de alguma outra divindade para garantir sua segurança espiritual.

Com certeza sua mente viverá em constante crise de fé, pois a matéria não satisfaz mente alguma. Só a paz do coração garantirá a certeza de ser feliz.

Sobre o autor
Frei Venildo Trevizan
Sacerdote. Nasceu no ano de 1939 em Paraí-RS. Filho de Ângelo Trevizan e Carmela Richetti.