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Solidariedade

Publicado por Frei Venildo Trevizan | 08/09/2018 - 00:01

Louvamos as pessoas que vivem alegres e otimistas apesar de tantas contrariedades e tropeços. Louvamos as pessoas que vivem satisfeitas apesar das dificuldades que enfrentam e dos problemas que as envolve. Louvamos tantas pessoas heróicas que não se deixam abater pelos momentos amargos que passam. São pessoas que olham para frente. São pessoas que acreditam na superação. São pessoas que confiam em suas capacidades e na graça de Deus.

O mundo está repleto de possibilidades. E cada ser humano vive cercado dessas possibilidades. Tanto para a verdade quanto para a falsidade existem tendências possíveis. Tudo irá depender da escolha feita e da opção assumida. Ninguém está totalmente livre. Ninguém poderá se considerar imune dessas tendências. E não precisa ter medo.

Tudo nesse mundo é possível desde que cada qual tenha pleno uso da razão. E mesmo no uso livre do raciocínio pode acontecer que hajam pessoas que não aceitem certas verdades e não se submetam a certos princípios. Julgam-se independentes e livres em suas escolhas. Essa liberdade é real, mas necessita ser coerente com aquilo que deverá concretizar na verdade e no bem que são valores soberanos.

O Mestre dos mestres foi surpreendido por um gesto inusitado. Enquanto pregava à multidão, “trouxeram-lhe um homem que era surdo e mal podia falar; e pediram que impusesse as mãos sobre ele. Levando-o à parte, longe da multidão, Jesus tocou com os dedos os ouvidos e com a saliva tocou-lhe a língua. E o homem ficou curado” (Mc.7,31-35)

Este gesto não foi apenas para cumprir uma norma. Mas a demonstração da solidariedade de Deus para com aquelas pessoas que, por si mesmas, não conseguem ter acesso à verdade e aos bens que constituem a dignidade humana. O homem era surdo isto é, não usufruía das coisas belas e grandiosas. Vivia à margem da sociedade e dependia de ações alheias.

Esse homem representa aqueles que se fecham no egoísmo e no comodismo, indiferentes aos apelos de tantos e tantas que necessitam de uma palavra amiga e de um gesto cristão. Lavam as mãos e empurram a responsabilidade a outros. São profundamente surdos que toleram as estruturas que geram injustiças, miséria, sofrimento e violência.

Esse homem surdo-mudo representa aqueles e aquelas incapazes de acolher a palavra de Deus. Vivem fechados aos projetos e desafios de Deus. Vivem pensando em construir sua vida de acordo com seus planos egoístas e auto-suficientes. Não querem ser incomodados e nem perturbados. Querem o isolamento e a distancia dessas situações que clamam por justiça.

Por outro lado, penso no gesto do Mestre em abrir os ouvidos ao surdo e a desatar sua língua. Um gesto que revela um Deus solidário com os que sofrem. Um gesto que se torna apelo a nós todos de tambem sermos solidários com aqueles e aquelas que não conseguem por si um lugar de respeito e de convivência fraterna.

Esse gesto lembra e desafia a quem se considera normal a se transformar em ponte entre irmãos que vivem prisioneiros da “surdez” e a proposta libertadora do Mestre e Senhor Jesus.

Sobre o autor
Frei Venildo Trevizan
Sacerdote. Nasceu no ano de 1939 em Paraí-RS. Filho de Ângelo Trevizan e Carmela Richetti.