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6º Texto: Oração e Intimidade

Publicado por Frei Rubens Nunes da Mota | 23/02/2018 - 00:01

Neste sexto texto tentaremos percorrer um caminho que te inspire a estreitar seus laços de intimidade com Deus. Cuidando do relacionamento pessoal com Ele, dedicando tempos para Oração e cultivo da vida na comunidade eclesial podem ajudar enormemente neste processo.

Vejamos algumas pistas para este caminho:

Venha comigo! “Ele, porém, retirava-se para o deserto e ali orava” (Lc 5,16).

Convido você a vir comigo ao encontro. Não precisa sair de onde você está. Basta aceitar o convite e deixar ser conduzido/a a uma experiência gostosa que precisamos fazer. Venha! Sinta-se à vontade, confortável, se entregue. Use sua imaginação, pense que encontro é esse, diga estou pronto/a.

Mesmo que você não esteja entendendo direito, esse primeiro passo é indispensável para o nosso encontro. Fique tranquilo e tranquila! Este é um mistério possível. Este encontro vai acontecer dentro de você por que é em você que se encontra o Criador.

Coloque-se na presença do Pai, em nome de Jesus, e que ele envie o seu Espírito Santo para que essa experiência seja única.

Agora que você escolheu este caminho, sinto-me felicíssimo por você se sentir chamado/a, motivado/a, seduzido/a e preparado/a pelo Senhor para executar tão doce tarefa: de descobrir o sabor gostoso da intimidade com Deus. Por isso é importante saber o que é realmente Oração.

A oração como dom de Deus.

De onde falamos nós, ao rezar? Das alturas de nosso orgulho e vontade própria, ou das “profundezas” (SL130,1) de um coração humilde e contrito? Quem se humilha será exaltado. A humildade é o fundamento da oração. A humildade é a disposição para receber gratuitamente o dom da oração.

“Se conhecesses o dom de Deus!” (Jo 4,10). A maravilha da oração se revela justamente aí, à beira dos poços aonde vamos procurar nossa água. É aí que Cristo vem ao encontro de todo ser humano. Ele é o primeiro a nos procurar e é Ele que pede de beber. Jesus tem sede. Seu pedido vem das profundezas do Deus que nos deseja. A oração – quer saibamos ou não, é o encontro entre a sede de Deus e a nossa. Deus tem sede de que nós tenhamos sede dele (CIC 657).

A oração como Aliança.

É o coração que reza. Se o coração está longe de Deus, a expressão da oração é vã. A oração cristã é uma relação de Aliança entre Deus e a pessoa humana em Cristo. Oração é a ação de Deus e do homem. Brota do Espírito Santo e de nós, totalmente dirigida para o Pai, na união com a vontade humana do Filho de Deus feito homem. Na nova Aliança, a oração é a relação viva dos filhos de Deus com seu Pai infinitamente bom, com seu Filho, Jesus Cristo e com o Espírito Santo. A graça do Reino é a “união de toda a Santíssima Trindade com o espírito pleno”. A vida de oração desta forma consiste em estar habitualmente na presença do Deus, três vezes Santo, e em comunhão com ele.

Vocação Universal à Oração.

Deus é o primeiro a chamar a pessoa humana. Ainda que o homem esqueça seu Criador ou se esconda longe de sua face, ainda que corra atrás de seus ídolos ou acuse a divindade de tê-lo abandonado, o Deus vivo e verdadeiro chama incessantemente cada pessoa ao encontro misterioso da oração. Essa atitude de amor fiel vem sempre como resposta a esse amor fiel. À medida que Deus se revela e revela o homem a si mesmo, a oração aparece como um recíproco apelo, um drama de Aliança. Por meio das palavras e dos atos, esse drama envolve o coração e se revela através de toda a história da salvação.

A revelação da oração no Antigo Testamento se insere entre a queda e a elevação do homem. Entre o chamado doloroso de Deus a seus primeiros filhos: “Onde estás?…Que fizeste?” (Gn 3,9-13), e a resposta do filho único ao entrar no mundo: “Eis-me aqui, eu vim, ó Deus, para fazer a tua vontade”. A oração, dessa forma, está ligada à história dos homens, é a relação com Deus nos acontecimentos da história. É, sobretudo, a partir das realidades da criação que se vive a oração.

Na Plenitude do Tempo.

O evento da oração nos é plenamente revelado no Verbo que se faz carne e habita entre nós. Procurar compreender sua oração, por meio daquilo que suas testemunhas nos anunciam dele no Evangelho, é aproximar-nos do Santo Jesus como da sarça ardente. Contemplar o Verbo Encarnado na oração, depois ouvir como Ele nos ensina a orar, para conhecer, enfim, como Ele nos conduz.

O Filho de Deus, que se tornou Filho da Virgem, aprendeu também a rezar segundo seu coração de homem. Aprendeu as fórmulas de oração com sua mãe, que conservava e meditava em seu coração todas as “grandes coisas” feitas pelo todo-poderoso. Jesus ora antes dos momentos decisivos de sua missão: antes de o Pai dar testemunho dele por ocasião do Batismo e da transfiguração e antes de realizar, por sua Paixão, o plano de amor do Pai. Jesus ora antes da missão dos Apóstolos: antes de escolher e chamar os Doze, antes que Pedro o confesse como “Cristo de Deus”. Antes das ações salvíficas que realiza a pedido do Pai. Jesus muitas vezes se retira, na solidão, na montanha, de preferência à noite, para orar. Ao orar Jesus nos ensina que o caminho nos leva ao Pai. Várias formas de rezar nos deixam mais próximos de Deus.

Na intimidade com Deus

No desenvolvimento espiritual, um grupo de oração é importante por vários motivos. Um dos inúmeros motivos é o poder da oração em grupo, outro é o apoio que recebem os iniciantes e a fortaleza na fé que vão adquirindo os veteranos. Além do mais, a simples troca de experiências e o compartilhar as dificuldades, no plano da espiritualidade, fazem com que seus membros sintam que não estão sozinhos. Entretanto, mesmo orando em grupo, precisamos viver um momento de individualidade, apenas com Deus, um momento pessoal e interior.

Prepare-se “Hoje, se ouvires a sua voz, não endureçais o coração”. (SL 95)

A arte de orar desafia os limites da mente, do corpo, do tempo, do espaço e até de vida carnal. Viver a espiritualidade em sua plenitude é dom, mistério, graça e beleza. Quando vivenciamos o desabrochar de nossa intimidade com Deus em nossa vida, quando buscamos encontrar a Deus com sinceridade e obstinação, automaticamente vamos aprendendo a subir montanhas.

“Perseverai na oração, vigiando com ações de graças” ( Cl 4,2).

Estou feliz. “Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina” (Cora Carolina).

Esta é a etapa final deste texto. Sinto a brisa leve e doce da felicidade irradiando seu coração de uma forma toda especial. Venha Comigo! “Ele, porem, retirava-se para o deserto e ali orava” (Lc 5,16)

Questões

1) Sobre a intimidade na oração, reflita:

A - A oração consiste em fazer pedidos.
B - A oração é a relação viva dos filhos de Deus com o Pai infinitamente bom, com seu Filho Jesus Cristo e com o Espírito Santo.
C - Oração é ficar só com Deus.

2) Como devemos ir ao encontro de Deus?

A - Com uma multidão de pessoas e muita agitação.
B - Ir em grupos ou mesmo só, em um lugar afastado, em uma montanha.
C - A oração é um impulso do coração, é um simples olhar lançado ao céu, um grito de reconhecimento e amor no meio da provação ou no meio da alegria.

3) Sobre a pessoa de Jesus, como ele orava?

A - Jesus orava somente no meio da multidão.
B - Jesus orava somente no templo.
C - Jesus se retirava, na solidão, na montanha a noite para orar.

 

Referências

Aurélio, Dicionário da Língua Portuguesa.
Catecismo da Igreja Católica, Edição Típica Vaticana, Edição Loyola.
Simone Pereira, Descobrindo o caminho da espiritualidade, Edição Paulus.
Bíblia Sagrada, Edição Pastoral (Paulus).

Sobre o autor
Frei Rubens Nunes da Mota

Rubens Nunes da Mota, irmão leigo consagrado. Nasceu no ano de 1971, em Montalvânia-MG. Filho de Joaquim Nunes da Mota e Flozina C. da Mota Nunes.

Profissão

Psicólogo (terapeuta de família sistêmico)

Cargo que exerce atualmente

Assessor nacional para os temas de psicologia, juventudes e vocação.

Formação

Bacharel em Teologia pelo IFITEG-GO (Instituto de Filosofia e teologia de Goiás); Graduação em Psicologia e pós-graduação/psicologia pela UCG-GO (Universidade Católica de Goiás) e Mestrado/psicologia da Universidade Católica de Brasília (UCB).

Livro Publicado

Juventudes - O exercício de aproximação (Ano: 2011)