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8º Texto: Disposição

Publicado por Frei Rubens Nunes da Mota | 09/03/2018 - 00:01

Neste oitavo texto vamos falar sobre a disposição ao seguimento. Para isso será necessário empenhar-se na oração, nos estudos e nos trabalhos em uma área educativa, comunicativa e muita vontade e disposição de servir ao Senhor da Messe. Fazendo um caminho de experiência e aprendizagem para refletir a compreensão de uma Fé renovadora atingindo o objetivo de um caminho a ser seguido. Também é importante o conhecimento e abertura para edificar a vida sob a espiritualidade, sendo um bom operário na messe e construtor de uma civilização de paz e amor.

Somos convidados e convidadas a olhar para Cristo que é amor, que vive nos esperando para nos amar, e Ele acredita que somos capazes de mudar, dia após dia, que podemos ser seres promotores de vida e vida em abundância e dispor de uma oração pessoal e transparente. Esta oração faz parte de dispor um tempo a contemplar a beleza da vida, os momentos bons e ruins e junto completar plenamente os momentos ruins porque são eles que nos ensinam a ser capazes de crescer, de amadurecer e destinar o olhar ao pai que é criador, um olhar ao pobre que é irmão e a natureza que também é vida e junto com esta visão nos tornarmos uma família.

Além da oração, a capacidade de aprender a se educar enquanto homem, mulher, jovem, pessoa humana que tem vontade de aprender e superar, cada passo, buscando a santa vocação que está dentro de nós, guardada, muitas vezes, a sete chaves não querendo escutar a voz do coração que fala alto, que grita e pede para sairmos, buscarmos a realização, viver, e não ficarmos fechados só no conhecimento. Deus quer ser vida em nós, quer realizar os nossos sonhos, desejos e, o principal, retirar o medo que carregamos conosco, o que nos provoca a dizer, muitas vezes, um não, e nem sempre é esta resposta que queremos dar. Como diz na Vita Consecrata nº106.

“Se sentirdes o chamado do Senhor, não o recuseis! Entrai antes, corajosamente nas grandes correntes de santidade, que foram iniciadas por santas e santos insignes no seguimento de Cristo”.

“Cultivai os anseios típicos da vossa idade, mas aderi prontamente ao projeto de Deus sobre vós, se ele vos convida a procurar a santidade na vida consagrada”.

 “Admirai todas as obras de Deus no mundo, mas sabei fixar o olhar sobre aquelas realidades que jamais terão ocaso”.

“O terceiro milênio aguarda a contribuição da fé e da inventiva de uma multidão de jovens consagrados, para que o mundo se torne mais sereno e capaz de acolher a Deus, e nele, todos os seus filhos e filhas”.

Nos passos do Mestre Jesus, com atenção ao próprio processo

E nesta busca constante de me conhecer, de caminhar e dar passos onde somente eu posso dar, mas caminhando com outros/as eu me olho, eu me espelho em Jesus que é a nossa força, nosso sustento, nosso alento, nossa luz; por isso buscamos na palavra de Deus, na oração contínua e na Eucaristia, o vigor e as graças necessárias para continuar servindo a Deus e aos irmãos e irmãs com alegria, coragem, esperança e disposição, pois não é fácil seguir esse Deus que nos ama e que nos quer corajosos na fé.

Vamos tentar olhar para nosso interior, nos dedicar um pouco ao nosso chamado de vida. Com quem estamos dispostos a servir, a viver e a nos realizar? Quando falamos de vida a proposta é de nos observar a todo instante, nos encontrar, nos localizar, argumentar as nossas opiniões e defendê-las. A disposição nos mostra um mundo de realizações, de dedicação, disposto a tornar real o agora, fazer acontecer.

Na procura do discernimento da vocação, a pessoa é conduzida por motivações e disposição. Motivações muitas vezes inconscientes, o que, talvez, com a ajuda de um educador ou psicólogo “atento” se possa descobrir ou interpretar. Outras são conscientes ou, pelo menos, poderão aparecer mais facilmente, através da reflexão e, sobretudo, do diálogo e do confronto com um orientador ou um grupo.

Uma orientação mais séria e aprofundada neste campo só pode nascer de um contato aberto e prolongado com as pessoas interessadas.

Parece-nos prudente que tais disposições, bem como a autenticidade das motivações, sejam verificadas, através de um período de reflexão e tirocínio. Através dele o vocacionado deve ter condições para verificar, com seus orientadores, a solidez de sua motivação e escolha. A pressa, ao contrário, poderia facilmente levar a conclusões falsas e ilusórias, que mais tarde se revelariam frágeis e prejudiciais.

Compreendo os sinais do chamado vocacional

Motivos

São razões claras e conscientes que uma pessoa tem, para decidir-se por uma disposição a uma vocação e justificá-la perante os outros.

Motivações

São razões mais complexas de onde os motivos conscientes e juízos de valores da pessoa mesclam-se com suas necessidades inconscientes e, juntos, levam a uma decisão.

São forças internas que emergem, regulam, sustentam nossas ações mais importantes. São as causas mais profundas do comportamento humano. Podem explicar melhor os próprios motivos da decisão.

Para terminar vamos falar sobre o amor e a disposição entre as pessoas, que consiste em não buscarem os outros estímulos, principalmente pela necessidade inconsciente de serem aceitas, benquistas, confirmadas, gratificadas, tranquilizadas. Estão menos impedidas ou freadas para se abrirem para o dom da fé. Em outras palavras: além de serem capazes de "amor de concupiscência” (amar o outro por aquilo que me oferece), estão em condições de amar com um "amor de benevolência" (querer bem ao outro por aquilo que é; querer o verdadeiro bem do outro). E fazendo todo esse caminho, vamos percorrer o caminho do amor, do conhecimento e do discernimento vocacional.

Questões:

  1. Qual é o sentido de dispor-se a um propósito?
  2. Qual o seu olhar diante dos temas Oração e disposição?
  3. Qual o seu propósito de vida?
  4. O que são motivos e motivações para você?
  5. Quais são seus estímulos para a vocação? 

 

Referências:

Vita Consecrata nº106.
Google.
Dicionário Aurélio.
GUIA PEDAGÓGICO DE PASTORAL VOCACIONAL (CNBB, nº 36), Paulinas, São Paulo, 1983.
OLIVEIRA, J. L. M., Teologia da Vocação – Temas Fundamentais, Loyola, São Paulo, 1999.

Sobre o autor
Frei Rubens Nunes da Mota

Rubens Nunes da Mota, irmão leigo consagrado. Nasceu no ano de 1971, em Montalvânia-MG. Filho de Joaquim Nunes da Mota e Flozina C. da Mota Nunes.

Profissão

Psicólogo (terapeuta de família sistêmico)

Cargo que exerce atualmente

Assessor nacional para os temas de psicologia, juventudes e vocação.

Formação

Bacharel em Teologia pelo IFITEG-GO (Instituto de Filosofia e teologia de Goiás); Graduação em Psicologia e pós-graduação/psicologia pela UCG-GO (Universidade Católica de Goiás) e Mestrado/psicologia da Universidade Católica de Brasília (UCB).

Livro Publicado

Juventudes - O exercício de aproximação (Ano: 2011)