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Conexão liberta!

Publicado por Frei João Carlos Romanini | 27/05/2015 - 17:51

Conexão liberta!

Durante séculos o conhecimento e a informação estiveram nas mãos das classes mais favorecidas em renda. O acesso privilegiado tanto à leitura e à escrita literária contribuiu para a exclusão das camadas populares menos favorecidas. Desde os filósofos da Grécia Antiga — Platão em sua obra A República e Aristóteles em sua Poética — justifica-se o privilégio de classes e o processo de exclusão das camadas populares. No Brasil o acesso à educação e à formação não foi diferente. Hoje, libertar-se deste contexto é uma missão.

A partir do contexto que promoveu privilegiados em outro vítimas de exclusão social e cultural são possíveis duas conclusões. Numa, é preciso reconhecer a pouca influência que o livro teve na vida de pessoas econômica e culturalmente desfavorecidas. Noutra se percebe que aquém do colonizador europeu, detentor da habilidade de leitura e da escrita ou do cânone ocidental, o livro é produto de um discurso superior. Nisto evidencia-se uma realidade do leitor das camadas mais populares, cujas relações culturais em nada se figuravam com o padrão europeu. Para estes, a situação parece ter se perdido da importância do acesso ao conhecimento, à cultura.

Contudo, na sociedade atual a informação e a cultura são matéria-prima, produto de mais-valia. Há quem pregue que ter acesso à informação e ao saber é poder. Vê-se no alvorecer do século XXI que o debate sobre o desenvolvimento do mundo sustenta-se sobre a principal base, a informação. Então, com acesso à informação são possíveis discussões acadêmicas, debates em políticas públicas, afiançar fóruns, audiências, criar cultura midiática, alcançar conceitos precisos, inovar o universo vocabular, vencer o analfabetismo, compreender tabus, desfazer preconceitos e mitos que impeçam os avanços com a inclusão social.

Em razão desse poder, a informação como saber move o mundo. É o agente da história. Isto é real e possível. Mas, uma reflexão crítica permite compreender que a superação da exclusão das camadas populares passa pela democratização do acesso do cidadão à informação. Portanto, ao saber. Para tanto, implica abrir caminhos para o conhecimento através da leitura e da disponibilização de novas tecnologias de informação que promovam a inclusão digital das camadas populares. Ademais, criar o hábito da leitura e proporcionar o conectar-se à internet também liberta.

Sobre o autor
Miguel Debiasi

Miguel Debiasi, é membro da Província dos Freis Capuchinhos do Rio Grande do Sul,  Mestre em Filosofia e Teologia  Autor  de textos, artigos e crônicas. publicou o livro Teologia da Tolerância – um novo modus vivendi cristã, publicado em 2015 pela ESTEF, Escola de Espiritualidade e Teologia Franciscana. Atualmente é pároco da Paroquia Cristo Rei de Marau e Conselheiro do Governo Provincial, eleito no dia 04 de setembro de 2014.