Necrologia

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Frei Mateus Ribeiro da Silva

06/10/1923
04/08/2009

* 06.10.1923, Pouso Alegre-MG;

+ 04.08.2009, Curitiba-PR

Às 15h de 4 de agosto de 2009, na UTI do Hospital Nossa Senhora das Gra­ças, Curitiba-PR, faleceu Frei Mateus Benedito Ribeiro da Silva. Filho de Sebastião Fortunate Ribeiro e Maria Izabel da Silva Ribeiro, Frei Mateus nasceu aos 06.10.1923 no sítio Ser­ra de Santo Antônio, em Pouso Alegre-MG Pertencia a uma família de 12 irmãos/ãs, dos quais chegou a co­nhecer somente oito. Foi batizado (21.10.1923) e crismado (20.04.1924) em Pouso Alegre-MG. Fez sua pri­meira comunhão em 1937 no santu­ário de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida-SP. Após o falecimento de sua mãe (1936), com seu tio mudou-se para o Paraná, em Pinhalão, ca­pela de Tomazina. No Natal de 1938, a convite de Frei Irineu Giacon de

Pádua aceitou o convite de ir para o seminário. Passou alguns dias na casa paroquial de Tomazina e, aos 15.01.1939 chegou ao seminário Santo Antônio em Butiatuba-PR.

Completados os estudos, vestiu o hábito aos 23.12.1944, recebendo o nome de Frei Mateus, em Butiatuba, onde era o noviciado. Feita a profis­são temporária 25.12.1945, foi para o convento das Mercês, em Curitiba- PR, onde iniciou e terminou os cur­sos de filosofia e teologia (1946-1951). Durante seus estudos, emitiu a profissão perpétua (14.05.1949) nas mãos de Frei Inácio de Ribeirão Preto (mais tarde eleito bispo), sendo or­denado presbítero aos 22.12.1951 em nossa igreja das Mercês pelo ar­cebispo Dom Manuel da Silveira D’Elboux.

Frei Mateus exerceu seu minis­tério sacerdotal nas seguintes paró­quias: Jaguariaíva (1951), Tomazina (1951,1965), Santo Antônio da Platina (1953), Bandeirantes (1955), Joaquim Távora (1956), Ponta Grossa (1958, 1979), Cruzeiro do Oeste (1961), Uraí (1963), Umuarama (1964), Céu Azul (1966,1969), Siqueira Campos (1970, 1999,2002), Cap. Leônidas Marques (1973, 1978), Rio Branco do Sul (1980), Reserva (1981,1987,1990), Itapoá (1994,1998,2003), São Lourenço do Oeste (1992), Lebon Régis (1997). Desde 2004 até seu faleci­mento permaneceu no convento Nossa Senhora das Mercês, Curitiba-PR, em tra­tamento de saúde. Nos últimos anos, vivia em cadeira de rodas, totalmen­te dependente da ajuda dos Freis e enfermeiros.

Aceitou a ajudar a Vice-província do Amazonas durante três anos (1984- 1986), trabalhando com índios em Benjamim Constant e em outros lu­gares daquela Vice-província.

Ajudou na capelania dos ferroviá­rios (1959-1960), em Ponta Grossa, viajando com vagonetes ou de trem para visitar as turmas de trabalhado­res ao longo da ferrovia. Enfrentou as dificuldades de atendimento na gran­de paróquia de Reserva-PR durante quatro anos e em outros lugares, onde, a pedido dos superiores, subs­tituiu Freis.

Durante a missa exequial, sole­nizada com comentários e cantos, algumas pessoas comentaram a vida de Frei Mateus: Um dos ministérios que Frei Mateus mais exerceu em sua vida foi, sem dúvida, o ministério da Reconciliação e do perdão, porque ele acreditava que Deus era amor para todos. Dedicou à Província e ao Reino de Deus 65 anos de trabalhos evangelizadores em muitas paróqui­as, nas quais conquistou grande cir­culo de amizades, que ele as culti­vava com carinho. Soube viver inten­samente sua vida religiosa e sacer­dotal, sabendo comunicar simplici­dade, dedicação e a alegria franciscana.

Os representantes da paróquia de Itaperuçu-PR muito agradeceram o trabalho de Frei Mateus quando ain­da a atendia como capela de Rio Branco do Sul com admirável espíri­to de sacrifício. A vida de Frei Mateus, desde criança até seu falecimento, não foi fácil e teve que superar mui­tas dificuldades, explicaram seus fa­miliares. Seus amigos e conhecidos o consideram como grande diretor espiritual, que sabia compreender, animar e transmitir lições de vida. Foi exemplo de vida de humildade e era uma alegria recebê-lo e com ele fa­lar.

Em todos os lugares, Frei Mateus mostrou-se pastor, onde visitava e animava seus irmãos de fé. Estimu­lava muito a necessidade de encontrar-se, de falar com simplicidade e de animar-se mutuamente na vivência da fé. Amava seu sacerdó­cio e o povo, que sabia demonstrar- lhe o merecido carinho pelo bem que fazia. Quem o conheceu, soube co­lher sua mensagem de simplicidade e valorizar tudo quanto realizou.

Frei Mateus distinguiu-se tam­bém pelo incentivo que prestava às vocações. Animava e encorajava os novos candidatos á vida religiosa. Em sua simplicidade, comunicava ale­gria, espírito fraterno e sabia trans­mitir a bondade e o amor de Deus. Na celebração de seus 50 anos sa­cerdotais (9.12.2001), Frei Mateus resumiu sua vida dizendo que tinha feito somente três trabalhos: “Durante esses anos, realizei praticamente três tipos de trabalhos. Primeiramente, fui auxiliar do capelão da Estrada de ferro do Paraná e Santa Catarina’’. Por dois anos, “viajei em vagonetes ou em velocímetros de Curitiba até Para­naguá". Nessas viagens, atendia as famílias das turmas de ferroviários, rezando missas e administrando os sacramentos. Seu segundo trabalho: “Fui vigário paroquial e nunca fui pá­roco. Trabalhei em 33 lugares sem contar aqueles onde fiquei um mês ou 15 dias”. Seu terceiro trabalho foi ter auxiliado os Freis do Amazonas “tra­balhando com tribos indígenas", como deixou por escrito. Após resumir sua vida, dizia Frei Mateus: “Quero dizer que, nestes 50 anos sacerdotais, fui sempre disponível à obediência do Ministro Provincial e nunca disse “não" a nenhuma transferência. Creio que Deus me fez um frade itinerante por natureza”.

Na oração do Pai Nosso, o celebrante lembrou que, quando pe­queno, Frei Mateus foi um dos que lhe despertaram o amor a Deus e facili­tou o germinar da vocação religiosa. No final da Missa, Frei Darci Catafesta agradeceu a presença dos familiares e parentes de Frei Mateus e todos os que o ajudaram durante o longo e pe­noso calvário que passou em seus úl­timos anos, quando dependia com­pletamente dos Freis e enfermeiros. Frei Itamar José Angonese, Definidor Pro­vincial, fez a encomendação com as orações do ritual. A procissão até o cemitério foi acompanhada por pre­ces e cantos, enquanto lentamente o féretro subia até o cemitério dos Freis, onde todos acompanharam a bênção do túmulo, dada por Frei Pedro Cesário Palma, Definidor Provincial. Às 16h, sob o olhar dos Freis, de familiares, parentes e amigos, o féretro desceu ao túmulo, onde os restos mortais de Frei Mateus repousarão em nosso ce­mitério da Ressurreição.

Frei Gilberto Motter (José Matola)

09/07/1914
06/08/1989

Nasceu no dia 09 de Julho de 1914 em Caxias do Sul-RS. Filho de Luiz Matola e Vectoria Matola (Foi registrado como José Matola, mas ao pé do registro de nascimento consta a assinatura do pai como Luigi Motter. Nas certidões de Batismo e Crisma consta José Motter). Professou no dia 02 de Fevereiro de 1936 em Flores da Cunha-RS e ordenado sacerdote no dia 18 de Janeiro de 1942 em Garibaldi-RS. No Rio Grande do Sul trabalhou em Lagoa Vermelha, Veranópolis, Soledade, Rio Grande, Pelotas, Barros Cassal e administrador das granjas São José e Fátima. No Brasil central atuou por 30 anos sempre em Rio Verde-MS, Coxim-MS e Alcinópolis-MS. Faleceu de infarto na capela da casa paroquial de Coxim, em 1989, com 75 anos, 52 de vida religiosa e 47 de Presbítero. Muito querido e amado pelo povo local, lá foi sepultado. Posteriormente seus restos mortais foram transladados para Rio Verde-MS. Incansável trabalhador (na pastoral, lavoura, criações, mecânica e construção). Viveu uma radical pobreza. Zeloso, Austero, de refeições parcas, sem confortos (morou um período longo na torre da Igreja de Coxim), sempre de sandália e hábito. Exigente nos princípios, mas bondoso e compreensivo. Foi um guerreiro. Permitia-se, como lazer, a caça e a pesca esportiva.

Frei Honório Destéfani

23/05/1935
09/08/2007

* 23.05.1935 – Rodeio/SC

† 09.08.2007 – Curitiba/PR

Honório, o terceiro filho do casal César Destéfani e Ida Stolf, nasceu aos 23.05.1935, em Rodeio, SC, sen­do batizado no dia seguinte. Quando ele tinha dois anos de idade sua fa­mília mudou para Três Casas (hoje Nova Petrópolis), no município de Joaçaba e ali foi crismado aos 28.10.1938. Mais tarde a família regressou a Rodeio e ali recebeu a pri­meira eucaristia aos 21.06.1943.

Estudos primários e seminário - Honório iniciou o curso primário em 1944, em Rodeio. Ingressou no Se­minário Santo Antônio, em Butiatuba aos 11.05.1946. No mês seguinte foi transferido para o Seminário de Bar­ra Fria, SC, onde terminou o curso primário. Neste seminário de Barra Fria, iniciou o curso ginasial em 1947 e no ano seguinte, com os demais seminaristas, retornou ao seminário de Butiatuba. Seus diretores foram os Freis Nereu Bassi e Carlos Benetti (em Barra Fria); em Butiatuba, Freis Luís de Lapa (1947), Salvador Casumaro (1948) e Gaspar de Fellette (1949-1951).

Noviciado - Aos 17.01.1952 ini­ciou o noviciado em Butiatuba, PR, recebendo o nome de Frei Cândido de Rodeio. Emitiu os primeiros votos aos 18.01.1953, nas mãos do mes­tre de noviços, Frei Germano de Lion.

Filosofia e teologia - Termina­do o noviciado, Frei Cândido iniciou o curso filosófico em Butiatuba e o com­pletou no ano seguinte, no convento das Mercês, em Curitiba, em dezem­bro de 1955. Emitiu a profissão per­pétua aos 08.12.1956, na igreja de Nossa Senhora das Mercês, nas mãos de seu irmão, Frei Dionysio Destéfani. Também nas Mercês fez o curso teológico nos anos 1956 a 1959. Diversos foram seus diretores: na filosofia, Freis Carlos Benetti (1953), Eugênio Nickele (1953-1954), Lúcio de Asolo (1955); na teologia, Frei Bernardo Felippe (1956-1959). De dezembro de 1959 até o final de mar­ço de 1960, fez o curso de pastoral, no mesmo convento das Mercês, em Curitiba, sendo orientador Frei Cle­mente Vendramim.

Ordens sacras, sacerdócio - Na igreja de Nossa Senhora das Mercês re­cebeu o Leitorado aos 16.03.1957 e o Acolitado aos 06.4.1957, pelas mãos de Dom Manuel da Silveira d’Elboux, arcebispo de Curitiba. Aos 22.2.1959, o mesmo arcebispo conferiu-lhe o Diaconato, no seminário diocesano de Curitiba e a ordenação sacerdotal, aos 19.12.1959, na igre­ja das Mercês. Celebrou a primeira Missa solene na terra natal (Rodeio), a12.1.1960.

Estudos - Quando ainda estuda­va filosofia e teologia realizou alguns cursos básicos como música (violi­no, órgão, piano, harmónio, compo­sição musical, pintura e arquitetura). Durante o ministério sacerdotal realizou outros cursos, quase todos orientados para a pastoral. Em julho de 1964, participou do curso para o Mun­do Melhor, em Chapecó, SC, orienta­do por Frei Venâncio, capuchinho do Rio Grande do Sul. Em janeiro de 1966 frequentou o curso de Renovação Conciliar, com o pe. Caramuru, em Curitiba. Em julho do mesmo ano, prosseguiu o curso de Renovação Conciliar com o pe. Marcos Bach, em Ponta Grossa, PR. A terceira etapa deste curso de Renovação Conciliar completou-a em janeiro de 1967, com Frei Eliseu Lopes, em Ponta Grossa. Cursou Missionologia, em Porto Ale­gre, RS, de março até 16 de junho de 1968. Participou do curso CERNE, RJ, de três cursos de Parapsicologia e do curso de Psicologia evolutiva e diferencial.

Ministério sacerdotal:

Vigário paroquial e professor- Frei Honório começou o ministério sacer­dotal em Siqueira Campos, PR, como vigário cooperador. Dali foi transferido para o Seminário Santa Maria, em Enge­nheiro Gutierrez, PR, onde lecionou música, história, geografia e religião. Aos sábados e domingos, atendia as capelas da paróquia de Irati. Por determinado tempo, assumiu a assis­tência espiritual do Colégio das Irmãs franciscanas, próximo ao seminário e, desde 1961, ajudava, quando ne­cessário, o grupo de missionários populares. Permaneceu no Seminá­rio de Engenheiro Gutierrez até 18.01.1964. Nessa data foi transferido para São Lourenço d’Oeste, SC, assumindo o tra­balho pastoral com alegria e entusi­asmo. Com um jipe visitava as cape­las, permanecendo até semanas sem regressar à sede. Na igreja matriz atendia a cruzada eucarística, lecio­nava religião nas escolas, regia o co­ral e outros setores paroquiais. Vivia satisfeito com seu apostolado. Aos 17.01.1965, foi transferido para o pré-seminário de Laurentino, SC, como diretor dos seminaristas e coadjutor na pastoral paroquial. Aos 18.01.1966, recebeu uma transferência que mar­cou um grande período de sua ativi­dade pastoral.

Missionário popular - Aos 18.01.1966 foi nomeado diretor dos missionários, transferindo-se para Ponta Grossa, com sede no conven­to Bom Jesus. Em 1968, a sede da equipe missionária mudou-se para o convento da imaculada Conceição, em Ponta Grossa, onde melhoraram as condições de trabalho para os missionários. Assumindo esse encar­go, árduo e exigente, quis melhorar os conhecimentos nesta área pasto­ral. Com essa motivação, de março de 1968 até 15 de junho do mesmo ano, frequentou um curso de Missionologia, em Porto Alegre-RS. Retomando, continuou como diretor do grupo missionário. Renovou com­pletamente o esquema de pregações. Materialmente, a equipe missionária cresceu adquirindo novos aparelhos de som e carros. Reestruturou o livrinho das Missões. Foi um período de grande atividade e de projeção. A equi­pe missionária era tão conhecida que, normalmente, havia um elenco de umas 30 paróquias esperando pe­las Missões. Pregou missões em mais de cem paróquias. Dedicou es­pecial atenção aos cursos para as lideranças cristãs. Após dez anos de intensas atividades, solicitou um des­canso.

Dois Vizinhos - Aos 31.01.1974, Frei Honório recebeu o mandato de ser vigário da paróquia de Dois Vizi­nhos, na diocese de Palmas, até então, aos cuidados dos padres diocesanos. As dificuldades eram tantas que os frades estavam decidi­dos a abandonar a paróquia, o que, felizmente, não ocorreu: carros em péssimas condições, situação eco­nômica lastimável, salão paroquial destruído por um vendaval... Aos pou­cos, os bons resultados surgiram. O salão paroquial foi reconstruído. A paróquia começou modificar, toman­do-se uma das melhores da diocese, segundo a afirmação de dom Agosti­nho Sartori, bispo diocesano. As melhorias evidenciavam-se em diver­sos setores do apostolado. Nesse período áureo (1978), Frei Honório e cinco líderes da paróquia viajaram para a Prelazia de Grajaú, Maranhão, onde ministraram cursos de lideran­ças cristãs. Em Dois Vizinhos, com um grupo de Associados, foi o mentor e batalhador para organizar e lançar ao ar a Rádio Educadora, que oficial­mente iniciou suas atividades aos 05.08.1988. Enquanto permaneceu em Dois Vizinhos, projetou e edificou 20 construções entre capelas, salões comunitários e a casa paroquial da paróquia “Imaculada Conceição”, na cidade sul. Aos seus cuidados este­ve o desmembramento e a formação dessa nova paróquia.

Santo Antônio da Platina - Aos 04.02.1980 foi transferido para esta cidade. Frei João Estevão Costa, que era o pároco, estava hospitalizado e com câncer (faleceu aos 28.02.1980). A seguir, Frei Honório foi nomeado o novo pároco. Dedicou-se intensamen­te em formar as Lideranças. Progra­mou nova fase espiritual, pastoral e financeira. Fortaleceram-se as lide­ranças paroquiais. Foram criados os conselhos para catequese e liturgia. Surgiram grupos de reflexão, de jo­vens, de promoção humana e social. Organizaram-se os setores urbanos e as respectivas capelas. Especial apoio mereceu o Movimento Famili­ar Cristão. Após três anos de esfor­ços, a paróquia assumiu novos aspetos. Tornou-se o Centro Diocesano do MFC e Frei Honório foi eleito membro da Coordenação Diocesana de Pastoral.

Reformou a casa paroquial e o centro catequético, com a compra dos relativos móveis, inclusive para a igreja. Envolvido com tantas ativida­des, caiu num estresse que o obri­gou a submeter-se a um tratamento de 40 dias, longe da paróquia. Após o restabelecimento, retomou as ati­vidades. Iniciou a “Festa do Milho”, na paróquia. Colaborou com a Pre­feitura local para a recuperação de escolas no interior. A Prefeitura for­necia o material e ele conseguia a mão de obra com as pessoas da comunidade. Ambos (José Afonso Júnior, prefeito, e Frei Honório) passa­vam dias dirigindo e ajudando os tra­balhos. Desta maneira, recuperaram quase todas as escolas do municí­pio. Por isso, o povo e as autorida­des concederam-lhe o título de "Ci­dadão Honorário Platinense, pelos relevantes serviços prestados à Co­munidade”.

Definidor provincial- No capítulo provincial de 1984, foi eleito definidor provincial. Aos 04.01.1985transferiu- se para a cúria provincial, em Curitiba. Em razão de sua experiên­cia, assumiu a secretaria de pasto­ral da Província. Durante três anos, organizou encontros e cursos em quase todas as paróquias da Provín­cia. Elaborou apostilas e questioná­rios para o setor pastoral. Passava dias nas paróquias, ajudando nos tra­balhos e organizando palestras aos frades e aos leigos. Organizou a Se­

cretaria de Pastoral centralizada na cúria provincial.

São Lourenço d’Oeste - Aos 21.01.1987, ainda como definidor pro­vincial, Frei Honório assumiu a paróquia de São Lourenço d’Oeste. Programou oito linhas de ação: conselhos, catequese, liturgia, juventude, grupos de reflexão, promoção humana e so­cial, dízimo. No perímetro urbano fo­ram implantados 31 setores, que fun­cionavam nas oito linhas da paróquia. Um grupo ativo e dinâmico prestou- lhe excelente colaboração. No final de 1990, a paróquia contava com 300 ministros da eucaristia (dos quais, 51 também ministros do batismo e ma­trimônio), 650 catequistas, 280 equi­pes de liturgia, mais de mil grupos de reflexão, funcionamento da promo­ção humana, do centésimo e de ou­tras iniciativas paroquiais.

Cruzeiro do Oeste - Em dezembro de 1990 foi transferido para Cruzeiro do Oeste-PR. A permanência nessa cidade foi até o final de 1991. Como vigário paroquial, visitava todas as capelas. Enquanto isso, o pároco vi­ajou à Itália e não retomou mais para Cruzeiro.

Laurentino - Em janeiro de 1992, mudou-se para Laurentino. Além de ser um campo pastoral mais tranquilo, encontrava-se perto da casa da mãe e do irmão Graciano, gravemen­te enfermo com um câncer, que logo veio a falecer. Nesta paróquia, inicial­mente enfrentou diversas dificulda­des, superadas por causa de sua tenacidade. Convocou lideranças, apresentando-lhes o novo plano pas­toral. Começou a formação de seto­res no perímetro urbano. Toda a pas­toral começou funcionar em todos os 21 setores. Com a renovação da pas­toral, diversas obras materiais foram surgindo na igreja matriz e nas cape­las. A seguir foi transferido para Marmeleiro.

Marmeleiro - Foi transferido para esta cidade em 1996, com dois confrades. Visitaram comunidades e capelas. Introduziram o plano pasto­ral com oito linhas, nas capelas e setores urbanos. Aos poucos, come­çou a nova caminhada, crescendo material e espiritual. No entanto, o grupo carismático não aceitou a re­novação pastoral. As intrigas cresce­ram e, no final, os três Freis deixaram a paróquia. Ajudou, por pouco tem­po, as paróquias de Santo Antônio da Platina e de Umuarama.

Rio do Oeste - Frei Honório per­maneceu apenas 9 meses nessa pa­róquia. Nesse breve período, reuniu as lideranças e os ministros da eucaristia, visitou as capelas e conse­guiu implantar as oito linhas pasto­rais, por ele usadas. Dedicou-se na formação dos ministros da eucaris­tia, batismo e testemunhas qualifica­dos para o matrimônio. Residia nos fundos da igreja matriz, em salas úmidas e sem sol. Fazia a limpeza e sua comida. Em consequência dis­to, começou a sentir alergia, dificul­dade de respiração, que o obrigava a dormir no sofá. Certo dia, quando vi­sitava a capeia Ribeirão do Café, des­maiou. Um casal presente levou-o apressadamente ao hospital, em si­tuação difícil. Foi preciso levá-lo a Curitiba e foi o início de sérias dificul­dades de saúde para ele. Nesse tem­po de tratamento, conseguiu escre­veu seu livro Reconstrói minha Igreja (que foi publicado), no qual explica suas oito linhas de trabalho pastoral.

Arapongas-Em parte restabele­cido, assumiu a paróquia Santo de Arapongas, informado de que seria por dois anos porque a diocese pla­nejava reassumi-la. Chegou a esta cidade em fevereiro de 2001 e sua estadia foi marcada por “fortes sofri­mentos e alegrias”. A incontinência, provocada pela cirurgia, diabetes em hipo e hiperglicemia, respiração difí­cil e o transplante de uma veia na perna dificultaram seu trabalho. Ape­sar disso, reorganizou as linhas pas­torais da paróquia e fez diversas melhorias na igreja matriz, nos dois salões paroquiais. A paróquia foi de­volvida à diocese aos 29.12.2002. No dia seguinte, Frei Honório foi para o convento das Mercês e escreveu: “Foi um dos momentos tristes de minha vida”.

Convento das Mercês - De 2003 até 2007, Frei Honório permaneceu no convento das Mercês, em Curitiba e, não obstante os contínuos tratamen­tos de saúde, dedicou-se intensamen­te em atender as confissões e orien­tar espiritualmente os fiéis que, diari­amente, o encontravam no confessi­onário da igreja matriz deis Mercês.

Doenças - Quando estava em Rio do Oeste-SC teve forte crise as­mática, obrigando-o a tratamento in­tensivo em Curitiba. Recuperado foi para Arapongas, onde as dificuldades do diabetes começaram a crescer. Por falta de circulação teve transplante de veias nas duas pernas. Veio para o convento das Mercês, em Curitiba, onde permaneceu até seu falecimen­to. Este período foi um calvário de doenças que se agravam paulatina­mente. Começou a perder a visão. O diabetes apresentava variações mui­to grandes. Diversas vezes entrou em hipoglicemia, que o obrigava a inter­nar-se com urgência em hospitais. Seus rins estavam comprometidos e, a partir de julho de 2006, teve que submeter-se à hemodiálise (três ve­zes por semana) até o falecimento. Sofreu um processo de alucinações que o obrigou a permanecer na UTI quase um mês. Após o falecimento de sua mãe (8.6.2007), passou qua­se dois meses internado no Hospital Evangélico, com várias complica­ções. As dores nas pernas iam cres­cendo por causa de inflamações de nervos, provocadas pelo diabetes. Nas últimas semanas tinha sinais evi­dentes de gangrena nos pés, aumen­tando-lhe as dores. Devido a tantas dores por todo o corpo, tornou-se um problema movimentá-lo. No dia 9 de agosto de 2007, às 9 horas e meia da manhã, no Hospital Evangélico de Curitiba, Frei Honório faleceu placida­mente.

Às 15h de 10.8.2007, a missa exequial foi celebrada pelo Ministro Provincial na capela da fraternidade de Butiatuba. Estavam presentes Freis das casas vizinhas, dos grupos de retiro da Casa de Oração (Curi­tiba) e do noviciado (Joinville), diver­sos familiares, amigos e representan­tes de Arapongas e Santo Antônio da Platina participaram dos ritos fúne­bres. Após a encomendação final, foi conduzido ao nosso cemitério e se­pultado sob olhar de muitos frades, familiares e amigos.

Frei Jerônimo Gresele (Francisco)

14/10/1907
11/08/1980

Nascido no dia 04 de Outubro de 1907 em Flores da Cunha-RS. Filho de Giácomo Gresele e Angela Farinella. Professou no dia 24 de Fevereiro de 1924 em Flores da Cunha-RS e ordenado sacerdote no dia 06 de Dezembro de 1932 em Porto Alegre-RS. No Rio Grande do Sul exerceu o Ministério em Garibaldi, Maximiliano de Almeida, Veranópolis, Caxias do Sul, Ipê, Ibiraiaras e nas missões populares. Trabalho três anos em Portugal. No Brasil Central atuou em Sidrolândia, Camapuã e Campo Grande. Faleceu, vítima de edema pulmonar, no ano de 1980 em Campo Grande-MS, onde está sepultado. Estava com 73 anos, 56 de vida religiosa e 47 de presbítero. Exímio orador, empolgava-se nas pregações e discursos, atraindo a atenção de todos. Inteligente e perspicaz. OBS: Nasceu no dia de São Francisco e faleceu no dia de Santa Clara.

Frei Bento Vasco Sanson

07/06/1941
13/08/2001

07.06.1941 - Palmeira/Paraná
13.08.2001 - Curitiba/Paraná

Frei Bento, filho de Tibúrcio Vasco e de Elísia Sanson Vasco, nasceu aos 07 de junho de 1941 em Rio de Areia (Volta Grande, Palmeira), Paraná. Foi batizado pelo Padre Teodoro Matessi aos 24.08.1941 na capela de Rio de Areia, e crismado ao 10.08.1964 em Palmeira. No Faxinal dos Vieiras (Palmeira), recebeu a primeira comunhão aos 07.10.1951.

Após ter feito alguns trabalhos e servido o exército no 13 Regimento de Infantaria em Ponta Grossa (20.06.1960 a 10.03.1961), entrou no seminário de Engenheiro Gutierrez, Paraná, a 01.03.1963, onde fez o postulado para irmão religioso. Aos 05.01.1964 iniciou o noviciado em Siqueira Campos, Paraná, sendo mestre de noviços Frei Bonifácio Piovesan. Por falta de saúde, interrompeu seu noviciado. Transcorrido certo tempo para tratamento, pediu para retornar e foi aceito como Terceiro Franciscano, ficando ao serviço do convento das Mercês, em Curitiba (1968-1976).

Durante o período em que esteve em Curitiba, aproveitou para terminar os estudos ginasiais (1973-1976) no Colégio Estadual Professor Guido Straube. Em seguida, foi para o seminário Santa Maria de Engenheiro Gutierrez onde, nos anos 1977-1979, freqüentou o curso colegial.

Vestiu o hábito pela segunda vez a 01.12.1979, no convento das Mercês, sendo mestre Frei João Daniel Lovato. No ano seguinte, professou nesse mesmo convento aos 02.12.1980, diante do Ministro provincial, Frei Adelino Frigo. Emitiu sua profissão perpétua aos 18.05.1994 em nossa fraternidade de Butiatuba, na presença do Ministro provincial, Frei Adelino Frigo.

Terminado o noviciado, Frei Bento permaneceu na Cúria provincial, em Curitiba, para os serviços gerais da casa (1980-1983) e no convento das Mercês, como porteiro (1984-1985). Continuou colaborando com as fraternidades de diversas casas: em Butiatuba, como hortelão e porteiro (1986), em Engenheiro Gutierrez (1987), na casa de praia em Itapoá (1988) prestando serviços gerais. Atendeu os freis doentes no convento das Mercês (1978-1994, 1997-1998) e na Cúria provincial (1995-1996) por anos seguidos. Acompanhou o Ministro provincial em diversas viagens pela Província e confeccionou muitas batinas para os noviços e os demais frades.

Nos últimos anos, impedido de fazer outros trabalhos por causa da doença, dedicou-se em confeccionar terços e outros objetos religiosos. Em Curitiba, onde passou boa parte de sua vida, muitas pessoais o conheciam e ele procurava manter essas amizades com visitas recíprocas. Frei Bento foi uma pessoa que muito sofreu em seu físico com a hepatite B e também no aspecto psicológico. Percebia-se nele grande vontade de vencer sua doença, tomando muitos cuidados pessoais.

Desde 1997 até seu falecimento, quase sempre esteve em tratamento na Cúria provincial e no convento das Mercês para superar as dificuldades que lhe criava seu complicado caso de hepatite. Por alguns anos permaneceu na longa fila para receber um transplante de fígado. Como não chegasse sua vez, seu estado físico chegou a tal ponto que não teria suportado mais tal cirurgia. Por diversas vezes foi internado em hospitais para superar fases agudas de sua doença. Segundo o depoimento de médicos que o atenderam em sua fase final, seu fígado tinha desaparecido por completo e provocado um câncer que lhe invadiu também o estômago, provocando-lhe hemorragias e o desenlace final.

Aos 7 de agosto de 2001, frei Bento Vasco Sanson internou-se, pela última vez, no hospital Nossa Senhora das Graças, em Curitiba, Paraná. No convento, seu estado era de fraqueza geral e mostrava-se indisposto à alimentação. Sua última internação deveu-se à uma hemorragia. No hospital, enfraqueceu rapidamente e sua fisionomia demonstrava que seu fim estaria próximo. Faleceu às 18h15 de 13 de agosto de 2001, tendo ao seu lado Frei Serafim de Oliveira. Mas, no mesmo dia, tinha sido visitado por diversos frades que com ele falaram, embora ele respondesse por sinais ou com voz muito débil. O ecônomo provincial (Frei José Gislon) tomou todas as providências necessárias e, pelas 22 horas, o corpo de Frei Bento se encontrava em nossa igreja Nossa Senhora das Mercês, em Curitiba. Segundo o certificado de óbito, Frei Bento faleceu de «insuficiência hepática, hepatocracionoma, cirrose hepática, hepatite por vírus B».

A missa de corpo presente foi celebrada na igreja Nossa Senhora das Mercês, em Curitiba, presidida pelo Ministro provincial (Frei João Dom Lovato) e concelebrada por mais 17 sacerdotes, além de freis das fraternidades de Ponta Grossa, Céu Azul, Florianópolis, Butiatuba, Almirante Tamandaré, Vila Nossa Senhora da Luz, Equipe missionária, Cúria provincial e convento das Mercês. Os bancos da igreja das Mercês ficaram lotados de fiéis.

Na homilia, o celebrante traçou as linhas gerais do falecido, enriquecidas por pensamentos de outros freis e fiéis presentes na igreja. Frei Bento, apesar de suas limitações, mostrou-se perseverante, persistente e constante desde o noviciado. Por motivos de saúde, teve que deixar o noviciado. Mas, não desistiu. Passados alguns anos, retornou com a mesma constância, refazendo o noviciado, encaminhando-se à vida consagrada. Alimentou forte devoção à Virgem Maria e boa parte de sua vida dedicou-a em fazer terços marianos. Além dos trabalhos em diversas fraternidades, preocupava-se com os outros e com os pobres. Demonstrou-se bom e atencioso enfermeiro quando cuidava dos frades doentes. Segundo testemunhos, seus familiares reconhecem nele uma fora especial em diversos momentos de suas vidas. As famílias, que o conheceram, afirmaram que perderam um amigo com o qual aprenderam o sorriso cristão e o da amizade. Era estimado por muitas pessoas do bairro das Mercês, onde passou grande parte de sua vida.

Está sepultado em Butiatuba. 

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