Necrologia

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Frei Jacinto Bernardo Govasky

23/04/1930
06/06/1991

23.04.1930 - Butiatuba/Paraná
06.06.1991 - Curitiba/Paraná

Faleceu no dia 6 de junho de 1991, no convento Nossa Senhora das Mercês, em Curitiba. Foi encontrado morto em sua cama, às 17h40 por frei Norberto De Carli. Chamado o médico, este constatou o óbito e deu como causa «insuficiência respiratória». Seu corpo foi velado por confrades, parentes e amigos, na igreja das Mercês. Na missa de sepultamento, mais de 20 confrades concelebraram sob a presidência de frei Moacir Busarello, Ministro provincial. Os parentes, amigos e frades da região lotaram a igreja. Frei Moacir falou do sofrimento suportado por frei Jacinto nos últimos anos por causa da doença. Seu corpo foi sepultado no cemitério de Butiatuba. Estava com 61 anos de idade.

Frei Jacinto nasceu aos 23 de abril de 1930 em Butiatuba. Após ter feitos seus estudos no seminário de Butiatuba, iniciou o noviciado no mesmo local (05.01.1947). No ano seguinte, fez sua primeira profissão (02.02.1948) nas mãos de Frei Henrique de Treviso e, durante seus estudos em Curitiba, sua profissão perpétua (15.08.1951) na igreja das Mercês, tendo como celebrante Frei Casimiro Czelusniak.

Antes de sua ordenação, passou um período em tratamento nas fraternidades de Engenheiro Gutierrez (1953), Barra Fria (1954), Ponta Grossa-Imaculada Conceição (1955), Santo Antônio da Platina (1955). Após ter recebido as ordens menores e o diaconato (este na capela do Lar das Meninas, em 1956), Dom Manuel da Silveira d'Elboux, arcebispo de Curitiba, ordenou-o sacerdote (26.05.1956) na igreja catedral.

Logo após a ordenação, trabalhou como professor nos seminários de Engenheiro Gutierrez (1956-1958) como professor, assistente do seminário e de Butiatuba (1958) com as mesmas funções. Dedicou-se intensamente em atender a vasta região de Itaiacoca (Ponta Grossa) e Reserva durante vários anos (1959-1975). Prosseguiu sua atividade em Santo Antônio da Platina (1976-1978), Florianópolis (1980-1981), Umuarama (1985) e, finalmente, nas Mercês.

Durante 11 anos atendeu os sertões de Reserva e Itaiacoca, muitas vezes no lombo de cavalo. Era homem de oração e reflexão. Com freqüência podia ser encontrado rezando. Aliás, escrevia a um amigo: "Nunca rezei e meditei tanto em minha vida como o faço agora em meu quarto". Quando falava do seu sofrimento (muitas dores) acabava sempre dizendo: "Jesus sofreu bem mais do que eu! E olha que o Homem era bom".

Era músico profissional, do gênero erudito e pertencia à Ordem dos Músicos do Brasil. Compositor e maestro, fundou vários corais, com mais de 300 composições. A última ele terminou três dias antes de morrer: a Missa "Saúde dos enfermos". Quatro missas de sua autoria foram traduzidas para o polonês. Com o coral de Ponta Grossa apresentou-se inúmeras vezes em Ponta Grossa, Curitiba, Lapa, Castro, Pirai do Sul e na TV canal 4. Gostava de cantar e apresentava-se, em público, como solista. Admirava e amava as óperas dos grandes compositores italianos.

Nos longos anos que atendeu o sertão de Itaiacoca (Ponta Grossa), muitos amigos gostavam de acompanhálo nessas maratonas de até 150 km, em terreno montanhoso, de difícil acesso e obrigando-o a utilizar cavalos. José da Silva, era um desses amigos: "Frei Jacinto nunca deixou de atender, ou de estar no local, no dia e horário pré marcado. O povo da região tinha por ele uma grande admiração, por sua simplicidade e a maneira de transmitir a Palavra. Apesar das grandes dificuldades, Frei Jacinto nunca reclamou, pois a todo momento se dedicara à sua vocação e sua missão de levar o evangelho. Conhecia a todos os membros das comunidades".

Um seu colega de seminário, Frei Luiz Alves de Souza lembra que «Frei Jacinto era muito comunicativo e alegre desde criança. Não tinha complexos pela sua pouca estatura. Seu otimismo tirava das provações motivos de hilaridade. Quando alguém lhe vinha com lamentaçes, dizendo 'se não fosse isso, se fosse aquilo outro...: costumava dizer: "Ah, bonitinho: se minha mãe fosse rainha da Inglaterra eu seria príncipe de Gales!".

Desde 1986, quando foi operado do fêmur, andou sempre de muletas e com fortes dores. Por isso, passava a maior parte do tempo no quarto. Aos 22 de maio de 1991, sofreu desmaio e teve forte hemorragia. Não soube direito o que tinha. Mas sabia sofrer sem se queixar. Morreu como sempre quis: sozinho e em silêncio, "pra não dar trabalho para ninguém".

Frei Dom Agostinho Sartori

29/05/1929
06/06/2012

* 29.05.1929 - Linha Bonita/Ouro-SC

+ 06.06.2012 - Pato Branco-PR

JOSE BENITO SARTORI nasceu aos 29.5.1929, em Linha Bonita, município de Campos Novos, hoje, Ouro-SC, filho de Antônio Sartori e Dosolina Rech. Eram 11 irmãos. Aos sete anos, seu pai resolveu vender a propriedade no interior e foram morar em Ouro, município de Capinzal-SC. Moravam próximos da pequena Capela de Nossa Senhora dos Navegantes, padroeiro do local até hoje. José Benito começou a frequentar a igreja, onde conheceu melhor frei Constantino Gozzo de Cellore. Deixou-se empolgar pela liturgia, gostava dos cantos e foi se afeiçoando cada vez mais ao frei.

Aos 9 anos, aceitou o convite de frei Constantino para morar na casa paroquial e, aos 13.04.1939, ingressou no seminário de Butiatuba-PR. Após um ano de seminário, sua mãe faleceu e não pode participar do sepultamento.

Cursou o primário em sua terra natal. No Seminário de Butiatuba completou o ginásio. Vestiu o hábito capuchinho e recebeu o nome de frei Agostinho de Capinzal, nesse mesmo lugar aos 24.12.1944. Emitiu a primeira profissão religiosa aos 25.12.1945. Cursou filosofia e teologia no convento Nossa Senhora das Mercês, em Curitiba-PR. Durante estes estudos, fez a profissão perpétua em Curitiba-PR aos 15.8.1951. Recebeu o Diaconato aos 29.3.1952, sendo ordenado sacerdote em 15.8.1952, por Dom Manoel da Silveira D’Elboux, também na igreja das Mercês.

A seguir, trabalhou em Irati (1952) e no Seminário Santa Maria em Irati (1953) e em Butiatuba (1954), onde lecionou filosofia. Em Curitiba (1955-1958) continuou lecionando filosofia aos freis estudantes e dirigiu pequena revista vocacional chamada “Jardim Seráfico”.

Em 1956, foi notário do Tribunal Eclesiástico da Arquidiocese de Curitiba.

Nos anos 1958 a 1961 cursou Direito Canônico na Pontifícia Universi­dade Gregoriana, em Roma. A seguir, prestou estes serviços: professor e diretor dos estudantes capuchinhos do curso filosófico e teológico, prefeito dos estudos (1961-1965), defensor do vínculo matrimonial (1962) na arquidio­cese de Curitiba e subsecretário da CNBB do Paraná (1964-1967). De 1964 a 1967, serviu a CRB do Paraná como secretário executivo e Presidente e, em 1968, eleito presidente da Conferência dos Capuchinhos do Brasil. Na condu­ção da CRB demonstrou dinamismo, entusiasmo, segurança, equilíbrio e competência naquele difícil tempo de atualização das congregações religiosas. Estas e outras qualidades demonstrou-as também em seus trabalhos com a CNBB do Paraná. “Soube agir muito bem organizando o Regional Sul II, como seu primeiro Secretário Executivo”, escreveu Dom Pedro Fedalto.

Os capuchinhos do Paraná e Santa Catarina o ele­geram como superior maior, que então se chamava Comissário Provincial, aos 25.10.1966. Em 1968 participou do Capítulo Geral dos Capuchinhos, em Roma, quando houve ampla revisão das Constituições, sendo promulgadas “ad experimentum”. Foi nesse período que Frei Agostinho, ajudado pelo Ministro Provincial da Província-mãe de Veneza (Frei Justo de Vigorovea), preparou a documentação com a qual o Comissariado Provincial passou a ser Província regular da Ordem. Retomou desse Capítulo Geral com o documento da elevação à Província e de sua nomeação, aos 9.11.1968, como primeiro Ministro Provincial, e confirmado no cargo aos 19.01.1970, durante o primeiro Capítulo Provincial da Província do Paraná e Santa Catarina.

Frei Agostinho foi o superior do período de transição: tinha acabado o Concílio Vaticano II e logo surgiu o grande movimento de atualizações na Igreja e na vida religiosa. Dotado de ótima inteligência e vastos conhecimentos, programou cursos e encontros, chamou conferencistas para apresentarem os novos temas do Vaticano II. Soube fazer uma transição relativamente calma diante das questões “quentes” daquele tempo. Com tenacidade e visão crítica do momento histórico, a presença de frei Agostinho, como superior, foi providencial para conduzir a caminhada do então Comissariado e, depois, da Província com segurança, sem atropelos e sem grandes hesitações.

Em 1967, 1968 e 1969, promoveu intercâmbio de estudo de filosofia e teologia com as Províncias de São Paulo, Minas Gerais e Bahia. Nossos teólogos foram para São Paulo (1967-1968) e alguns filósofos de São Paulo, Minas Gerais e Bahia vieram ao nosso convento Bom Jesus onde fizeram o curso filosófico. Em Siqueira Campos, em 1968, vieram alguns irmãos da Província do Rio Grande do Sul. Tentou intercâmbio de seminaristas do clássico com os de São Paulo em Nova Veneza-SP, mas a experiência não teve êxito.

Frei João Daniel Lovato, durante seus quatro períodos de Ministro Provincial, teve muitos contatos com Dom Frei Agostinho. Sempre o convidou para participar de nossos Capítulos Provinciais e até lhe ofereceu, quando bispo emérito, um lugar para residir nas Mercês, mas ele preferiu permanecer na Diocese.

Bispo - Um mês após sua eleição para Ministro Provincial, aos 26.2.1970 foi nomeado Bispo de Palmas- PR, com grande transtorno para nossa Província. Sagrado bispo em nossa igreja das Mercês em Curitiba (26.4.1970), tomou posse de sua diocese de Palmas aos 14.5.1970. Permaneceu à frente da Diocese até 24.8.2005, quando passou a ser bispo emérito. Antes somente chamada Palmas, esta diocese passou a chamar-se diocese de Palmas-Francisco Beltrão-PR.

Atividades - É muito difícil resumir 35 anos de atividades episcopais (1970-2005) de Dom Frei Agostinho em poucas linhas. Distinguiu-se nestas áreas: 1. Área educacional: Instituições de Ensino Superior em Palmas (FACIPAL,UNICS e hoje IFPR), Dois Vizinhos (VIZIVALI) e Barracão(FAF); 2. Área assistencial e pastoral: Escola de integração social de Palmas (Eispal), Lar dos Velhinhos Nossa Senhora das Graças em Palmas, Casa de formação Divino Mestre de Francisco Beltrão, Seminário de Filosofia Bom Pastor de Francisco Beltrão, Seminário Diocesano Jesus de Nazaré em São João, Catedral de Palmas, Concatedral de Francisco Beltrão; 3. Santuários Nossa Senhora de Fátima, de Nossa Senhora Aparecida, de Nossa Senhora da Salete, de Nossa Senhora da Saúde; 4. Organizou as paróquias em sete Decanatos; 5. Ordenou mais de cento e quarenta sacerdotes e diáconos e dois Bispos: Dom Luiz Vicente Bernetti, OAD e Dom José Antônio Peruzzo. 6. Área da comunicação: Fundou as rádios, Club AM de Palmas, Rádio Horizonte FM de Palmas, Rádio Difusora América de Chopinzinho e Rádio Onda Sul FM de Francisco Beltrão, estas rádios compõem a Rede Bom Jesus de Comunicação; 7. Fundou, em 1985, o boletim diocesano “Até que...” 8. Foi responsável pela Pastoral Rural no Regional Sul 2 da CNBB. 9. Bispo acompanhante da CRB do Paraná. 10. Bispo referencial da Pastoral da Criança do regional Sul 2, entre inúmeras atividades que desempenhou nos seus 35 anos à frente da Diocese de Palmas-Francisco Beltrão.

A escritora Lucy Salete Bortolini Nazaro faz esta síntese: “Dom Agostinho criou a Pastoral da criança, demonstrou preocupação com efetivas realizações na área do cuidado às crianças carentes e ao idoso, empenhou-se na fortificação da Diocese e de seus diocesanos, criou a Casa de Formação para o clero, religiosos e leigos, ampliou e edificou seminários, santuários, dedicou-se à área educacional do sudoeste, ampliando a atuação do CPEA (Centro Pastoral, Educacional e Assistencial Dom Carlos) e das Faculdades, iniciadas por Dom Carlos em Palmas, cujo projeto inicial finalizou com uma Universidade Federal (...). São inúmeras as realizações de Dom Agostinho’’.

Falecimento - Desde 2005, Dom Frei Agostinho viveu em Palmas como bispo emérito. Aos poucos foi acometido por achaques: Parkinson, Alzheimer, diabete, insuficiência renal, sendo hospitalizado por diversas vezes. Faleceu em consequências de falência de órgãos, especialmente de pneumonia aos 06.06.2012        no Hospital São Lucas de Pato Branco- PR. Contava com 83 anos de idade, 67 anos de vida religiosa; 60 anos de vida sacerdotal, 42 anos de vida episcopal dos quais 35 como bispo diocesano de Palmas.

Com a presença de nosso Ministro Provincial (Frei Cláudio Sérgio de Abreu), de diversos freis da Província, de bispos, sacerdotes, religiosos/as e fiéis, após a missa exequial na Catedral de Palmas, foi sepultado aos 08.06.2012        no cemitério daquela cidade.

Pronunciamentos: “Dom Agostinho sempre foi um exemplo de bispo comprometido com os desafios de seu tempo’’ (Roberto Requião); “Soube, com habilidade, estabelecer a comunhão com todos, incentivou vocações sacerdotais, ordenou muitos sacerdotes, crivou novas paróquias (...)” (D. Pedro Fedalto); “Lutou contra a unanimidade dos grandes proprietários em defesa dos pequenos agricultores, dos índios e dos pobres. Difícil lembrar-se de outro que tenha sido tão correto, tão digno, tão firme e tão amigo como dom Agostinho Sartori’(pe. Lessir Bortoli); “Dom Agostinho foi o grande pioneiro da renovação conciliar de toda a Igreja no Paraná”(D. Albano Cavallin); “Dom Agostinho nos deixou um edificante exemplo, através de seu incansável ministério” (D. Orani João Tempesta).

Frei Francisco Costella

29/01/1932
07/06/2013

Nasceu no dia 29 de Janeiro de 1932, em Veranópolis-RS. Filho de Victório Costella e Rosa Mattiello Costella.

Professou no dia 25 de janeiro de 1952, em Flores da Cunha-RS e Ordenado Sacerdote no dia 20 de dezembro de 1958 em Porto Alegre-RS.

Na Província do Rio Grande do Sul trabalhou especialmente na Formação, como professor, Diretor e Reitor em Veranópolis e Marau.

Na Província do Brasil Central exerceu o serviço de secretário do Bispado (Prelazia) de Coxim-MS, coordenador da Pastoral Vocacional, do Centro de Evangelização Emaús e organizador e Reitor do primeiro seminário Diocesano em São Gabriel do Oeste-MS, da mesma Prelazia. Trabalhou ainda na Pastoral Paroquial em Rio Verde-MS, Brasília-DF, Goiânia-GO, Piracanjuba-GO, Anápolis-GO e Rio Verde-GO. Foi também secretário do CEFEPAL no Rio de Janeiro, Definidor e Secretário Provincial (Brasil Central). Fez muitos cursos no Brasil e no exterior.

No final do ano de 2012 realizou exames de rotina e foi constatado um pequeno tumor cancerígeno no estômago. No início do ano de 2013 foi a Brasília para tratamento quimioterápico e cirúrgico. No mês de maio foi realizado o procedimento cirúrgico e o quadro clínico agravou-se, vindo a falecer, no ano de 2013 em Brasília-DF (hospital Universitário), de choque séptico, Pneumonia, Broncoaspiração, Insuficiência renal aguda e Neoplasia maligna do estômago.

Contava com 81 anos de vida, 61 de Consagração religiosa e 54 de Sacerdócio. De família numerosa (17 irmãos), 4 eram capuchinhos e uma religiosa Franciscana. Foi velado em Brasília-DF na noite do dia 07 e celebrada Missa de corpo presente presidida pelo Ministro Provincial Frei Cláudio Fumagalli e outros Sacerdotes, religiosos(as), postulantes e leigos. A pedido da família, seu corpo foi transladado e sepultado na terra natal (Veranópolis-RS) na tarde do dia 09, no jazigo dos capuchinhos no cemitério municipal.

Era um frade determinado, de forte personalidade, muito zeloso, disponível e estudioso. Destacava-se também nas homilias e na Pastoral da reconciliação e aconselhamento.

Frei Guilherme João Potratz

24/06/1931
14/06/2014

* 24.06.1931 – Jaborá/SC

† 14.06.2014 – Butiatuba/PR

Frei Guilherme João Potratz filho de Júlio Potratz e de Clorinda Cazarim, nasceu em Jaborá-SC, aos 24.06.1931, lugar que pertencia à Diocese de Lajes-SC, hoje de Joaçaba-SC. Ali também foi batizado aos 18.08.1931 por frei Dimas Wolf, OFM. O bispo diocesano de então, Dom Daniel Hostin, OFM, crismou-o ao 16.02.1935 na capela de Jaborá-SC. Na capela de São Roque, município de Jaborá, recebeu a primeira eucaristia aos 17.08.1943.

Durante o período dos cursos de filosofia e teologia, frei Guilherme emitiu a profissão perpétua aos 25.04.1960, na igreja Nossa Senhora das Mercês, em missa presidida por frei José Vitalino Galvan. No mesmo período foi recebendo as ordens sacras: Leitorato (17.03.1962, em Curitiba), Acolitato (12.08.1962, em Ponta Grossa), Diaconato (30.03.1963 em Curitiba). Finalmente, foi ordenado presbítero aos 21.12.1963, na igreja Nossa Senhora das Mercês, por Dom Jerônimo Mazzarotto, bispo auxiliar de Curitiba-PR. Celebrou sua primeira Missa solene junto a seus familiares e parentes em Céu Azul-PR aos 29.12.1963.

Além dos estudos normais para o presbiterato, participou de curso de Franciscanismo no Cefepal, de renovação pastoral e bíblica, da terceira idade e do curso do CEBI.

Fraternidades e encargos - Frei Guilherme residiu nos seguintes lugares, após sua ordenação presbiteral: Curitiba, (1964); Santo Antônio da Platina, (1965-1966); Butiatuba, (1967-1968); Siqueira Campos, (1969-1981); Ponta Grossa, São Cristóvão, (1982); Boa Vista da Aparecidinha, (1983); Rio Branco do Sul, (1984-1985); Bandeirantes, (1986); Cap. Leônidas Marques, (1987); Butiatuba, (1988); Missionário (1988-1996); Reserva (1996-1997); Foz do Iguaçu, (1998- 1999); Curitiba, Casa de Oração (2000); Convento N. Sra. das Mercês, Curitiba, (2001-2003); Foz do Iguaçu (2003-2005); Ponta Grossa na paróquia Bom Jesus, (2006-2008); Florianópolis, (2009-2011); Joinville, noviciado (2012-2014).

Nestes lugares assumiu estes encargos: vice mestre dos noviços, orientador espiritual dos noviços, mestre de noviços, vice superior e vice-diretor dos irmãos, professor, guardião, ecónomo local; vigário paroquial, pároco, missionário popular.

Nas paróquias, diante de dívidas, não media esforços e sacrifícios para deixar tudo em dia.

Mesmo doente e hospitalizado, tomou-se a alegria dos doentes que o rodeavam e apreciavam suas atitudes. Expandia alegria e otimismo. Dizia: “Quem brinca morre; quem não brinca também morre! ”; “Os outros têm que ver em nós que somos alegres e felizes em nossa vocação”.

Louvamos a Deus pelos seus quase 83 anos de vida, 57 anos de vida capuchinha e 50 anos de vida presbiteral.

Frei Luiz de Cimitile

04/09/1837
15/06/1902

04.09.1837 - Cimitile/Itália
31.10.1902 - Cimitile/Itália

Frei Luiz de Cimitile (Michele Mercogliano) nasceu em Cimitile (Província civil de Nápoles) aos 4 de setembro de 1837. ra filho de Felice Mercogliano e Maria D'Amore. Entrou na Ordem Capuchinha na província de Nápoles, recebendo o hábito no dia 24 de dezembro de 1854, em S. Agnello di Sorrento com o nome de Frei Silvestre de Cimitile. Foi admitido à profissão aos 9 de dezembro de 1855, neste mesmo local e os votos perpétuos, aos 15 de abril de 1858. (Não se sabe por que trocou o nome de Silvestre para Luiz). Foi ordenado sacerdote aos 8 de dezembro de 1861.

Chegou ao Brasil em janeiro de 1865, como missionário apostólico, acompanhado pelos padres: Frei Jerônimo de Montefiore e Frei José Maria de Loro. Esteve um ano no Rio de janeiro, onde os capuchinhos tinham a sede do Comissariado Geral das Missões junto à Corte. Era Comissário Geral, nesta época, Frei Caetano de Messina. A ele cabia a tarefa, de acordo com os funcionários do Império, de destinar seus confrades às diversas regiões da Missão.

Assim, por sugestão do então ministro da Agricultura, o conselheiro Jesuíno Marcondes de Oliveira e Sá, paranaense de nascimento, Frei Luiz foi designado para aquela província, «onde, à disposição da Presidência da mesma Província que se entendendo com Frei Timóteo de Castelnuovo o empregara na Catequese e Civilização dos índios».

No Paraná, Frei Luiz chegou aos 9 de janeiro de 1866, na colônia militar de Jataí, e mais precisamente no aldeamento de São Pedro de Alcântara, ficando não mais de um ano,, o tempo suficiente para ganhar, com Frei Timóteo, a necessária experiência que enriqueceu nos posteriores trabalhos a ele confiados. Isto nos leva a crer que, no contato com o velho mestre Frei Timóteo, tenha-se familiarizado com a língua dos nativos.

Por mais de dez anos esteve Frei Luiz no Aldeamento de São Jerônimo. Retornando a São Pedro de Alcântara, foi enviado por Frei Timóteo, no início de 1876 para dirigir o novo Aldeamento de Santo Inácio do Paranapanema, fundado no lugar da histórica redução jesuítica de Santo Inácio-Mini.

Sobre os belicosos caingangues, Frei Luiz deixou uma pequena mas preciosa monografia, publicada em Curitiba (1882) sob o incentivo do então Presidente Carlos Augusto de Carvalho, com o título: Memória dos costumes e religião da numerosa tribo dos Camés que habitavam a Província do Paraná. O valor desta obra é indiscutível. "Cabe a Frei Luiz o mérito de ter sido o autor da primeira monografia de caráter etnográfico, em língua portuguesa, sobre os caingangues do Paraná" (F. Loureiro).

Trabalhou por 10 anos no Aldeamento de São Jerônimo da Serra, levandoo à prosperidade. Este homem de «têmpera dinâmica, enquanto conseguia a escola e realizava a instrução religiosa, realizou um plano de obras: construção de casas, estradas, canalização de água, que deram ao aldeamento um grande progresso; ao mesmo tempo ampliou a agricultura, procurou o número dos primitivos e de famílias civilizadas. Em 1880 São Jerônimo contava mais de 400 índios já convertidos e semicivilizados» (Metódio da Membro)

O dinamismo de Frei Luiz não se limitou a São Jerônimo, centro catequético, mas expandiu sob o aspecto agrícola e social, numa das mais vigorosas realizações com a fundação da «Colônia Dantas Filho», altamente elogiada pelas autoridades brasileiras de então.

Em 15 de janeiro de 1881 Frei Luiz deixou São Jerônimo e foi a Guarapuava para realizar outras misses.

Em 1882 viajou para a Itália, com intenção de trazer mais missionários. Por um ano dirigiu os trabalhos na construção da Catedral de Curitiba, de novembro de 1883 a outubro de 1884. A seguir, o governo encarregou-lhe um importante trabalho em Santa Catarina: trabalhar com os os colonos italianos de Urussanga, apaziguando os índios Botocudos que haviam atacado a dita colônia, tendo massacrado alguns emigrantes. Havia um clima de guerra entre os índios e os colonos. Frei Luiz havia conseguido alguns indiozinhos botocudos (quatro meninos e uma menina). Batizou-os em Desterro (atual Florianópolis), para ver se conseguiria atrair índios adultos por meio deles. No início não obteve nenhuma aproximação. Decidiu ficar em Urussanga com os colonos. Por fim, tornou-se líder dos imigrantes e dos índios. Ali construiu a igreja matriz. Esteve em Santa Catarina até 1887. Estava relativamente bem quando recebeu uma daquelas inesperadas transferências para a Amazônia. Não aceitou, alegando cansaço e falta de saúde. Voltou, então para a Itália.

Em Roma foi nomeado diretor do Colégio Missionário São Fidélis.

Faleceu em sua cidade natal, com 65 anos de idade, aos 15 de junho de 1902.

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