Necrologia

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Frei Carlos Aristides Benetti

01/05/1922
02/11/2001

01.05.1922 - Curitiba/Paraná
02.11.2001 - Curitiba/Paraná

Frei Carlos foi o oitavo filho de Carlos Benetti e Justina Rasera, nascido em Curitiba a 1 de maio de 1922, segundo diz em sua autobiografia, da qual usaremos os dados. Família numerosa e acolhedora. Seu pai foi um dos pioneiros em Curitiba a ter um caminhãozinho. Chama sua mãe "incansável com seu amor e paciência", membro do Apostolado da Oração e da OFS. Frei Carlos lembrou sempre de sua primeira comunhão (6.1.1933), que o marcou e a aponta como germe de sua vocação religiosa e sacerdotal, da qual nunca duvidou. Após dois meses (5.3.1933), entrava no seminário dos freis capuchinhos, primeiramente em Curitiba e depois em Butiatuba.

Confessa que desde o seminário teve proteção sensível e tangível de Nossa Senhora e seu sacerdócio foi marial. Ordenado no dia da Imaculada Conceição, em quase todos os lugares onde trabalhou tinham como padroeiro um dos títulos da Virgem Maria.

Iniciou o noviciado na Província paulista, em Piracicaba, aos 4.2.1937 e, no ano seguinte (11.2.1938), no mesmo dia em que o Papa Pio XII iniciava seu pontificado, pronunciou seus votos temporários. Durante o curso de teologia, em Curitiba, emitiu seus votos perpétuos (2.5.1942). Enquanto recebia as Ordens maiores e menores, preparava-se ao sacerdócio "o porto dos meus sonhos".

Com "o coração em festa,a igreja cheia de parentes, amigos e seminaristas de Butiatuba", Frei Carlos foi ordenado presbítero aos 8 de dezembro de 1944, em nossa igreja de Nossa Senhora das Mercês, em Curitiba, pelo arcebispo Dom Ático Eusébio da Rocha. "Agora sou outro", diz Frei Carlos. Frei Inácio Dal Monte, que na mesma igreja lhe deu a primeira comunhão, foi seu paraninfo na primeira missa solene (10.12.1944), celebrada também neste templo.

Trabalhou em Butiatuba (1944-1946, 1953-1954), Curitiba (1947, 1952, 1955, 2000-2001), Barra Fria (1947), Ponta Grossa (1948), Ponta Grossa (Bom Jesus, 1961-1965), Ponta Grossa (Imaculada Conceição, 1966), Cruzeiro do Oeste (1966-1969), Tomazina (1970-1979), Florianópolis (1980-1999).

Aos 7 de setembro de 1948 partiu para Roma onde estudou filosofia."Que festa o bacharelado no primeiro ano, a licença no segundo ano e a festa da Tese "O pensamento filosófico do padre Ivo de Paria" depois de dois anos de pesquisas, elaboração e apresentação", diz Frei Carlos. Retornou à Província aos 23 de maio de 1952. Além de dar aulas, cuidou, por oito anos, de Campo Magro, onde construiu o Educandário da Boa Pastora e onde "vivi momentos inesquecíveis de minha vida sacerdotal", exclama Frei Carlos.

Com a inauguração do convento Bom Jesus em Ponta Grossa (7.3.1961), Frei Carlos lecionava filosofia para nossos estudantes, religião no Colégio São Luiz e trabalhava na horta com os freis. Em 1966, passou do convento Bom Jesus para a paróquia Imaculada Conceição, como pároco, onde concluiu o salão paroquial.

Em Cruzeiro do Oeste (1966-1969), além do trabalho pastoral, comprou ferro, cimento e iniciou a nova e atual igreja. Numa viagem de retorno de Curitiba, sofreu um acidente rodoviário perto de Tuneiras. Quebrou o fêmur e duas costelas, trincou o braço direito e a cabeça ficou cheia de estilhaços. Renunciou seu cargo, tratando-se em Curitiba, nas Mercês.

Em Tomazina trabalhou dez anos (1970-1979) como pároco. Construiu 10 igrejas rurais e 10 salões para reuniões. Em uma viagem à Itália, trouxe as relíquias de Santo Inocêncio Mártir que, aos 11 de novembro de 1975, chegaram em Tomazina, trazidas por um helicóptero.

Aos 30 de dezembro de 1979 chegava em Florianópolis, onde assumiu a capelania do Hospital de Caridade (1.1.1980) e, a partir de 1985, atendeu os tuberculosos e portadores de HIV do Hospital Nereu Ramos, as crianças do Hospital Infantil, os pacientes do Hospital Universitário. "Quanto aprendi junto aos leitos hospitalares, que lições de fé, resignação e vontade de viver e melhorar", concluiu Frei Carlos.

Por causa do diabetes, sofreu bastante nos últimos tempos, com tratamentos intensos em Florianópolis e em Curitiba, onde teve um derrame que o deixou prostrado e inconsciente. Durante este estado, tornou-se necessário, além da traquiostomia, amputar-lhe uma perna por causa de uma gangrena. Frei Francisco Miguel da Silva, enfermeiro responsável, com seus confrades cuidaram de Frei Carlos dia e noite, pois era completamente dependente.

Há quase dois anos se encontrava na cama, imobilizado e, segundo alguns médicos, inconsciente. Aos 19 de novembro de 2000, enquanto estava internado no hospital Nossa Senhora das Graças, em Curitiba, teve forte derrame, que o deixou inconsciente. Houve a necessidade até de fazer uma traquiostomia para não se afogar. Nos dias que antecederam seu falecimento, esteve internado duas vezes por causa de fortes hemorragias. No dia 1 de novembro tinha retornado do hospital ao convento, após esse tratamento. E, esta noite, às 2h15, faleceu.

Durante a missa de exéquias, falou-se que Frei Carlos era muito devoto à Nossa Senhora; dedicava-se à oração; a todos atendia com carinho; muito sensível; demonstrou grande bondade; amava os freis e a Província, o seu sacerdócio, a vida religiosa; pastoralmente, dedicou-se intensamente ao povo cristão; por muitos anos lecionou filosofia aos nossos estudantes e participava da fraternidade formativa; nos últimos anos dedicou-se especialmente em cuidar dos doentes, como capelão de hospitais em Florianópolis. Foi religioso de muitas amizades e aberto às realidades da vida. Trabalhou de maneira significativa pelas vocações. Um frei muito afetuoso e sensível e de grande ardor na vida sacerdotal. Sua invejável cultura obteve-a através de cursos, leituras e de assíduo amor ao estudo. Está sepultado em Butiatuba.

Frei Ângelo Costella

03/07/1939
05/11/2014

Frei Ângelo Costella, 75 anos,  faleceu às 8 horas da quarta-feira, 5 de novembro de 2014. Estava hospitalizado há mais de 15 dias com quadro de anemia e consequência de permanecer acamado e quase imóvel por mais de ano.

Desde 30 de julho de 2013 era membro da Fraternidade Imaculada Conceição/Casa de Saúde São Frei Pio, de Caxias do Sul.

Às 14 horas  do dia 05/11/2014 é celebrada missa de corpo presente na capela da Casa de Saúde São Frei Pio, em Caxias . Após, o corpo é  trasladado para Vila Flores, onde, as 17h30, é velado na igreja Matriz Santo Antônio.

A missa e os ritos de despedida é celebrada na amanhã  da quinta-feira 06/11/14, às 9h30, seguidos de sepultamento no jazigo dos Capuchinhos no Cemitério Municipal de Vila Flores.

 

Registro
Frei Ângelo iniciou seu histórico de enfermidade quando sofreu um AVC hemorrágico na madrugada do dia 5 de maio de 2013, na Fraternidade São Judas Tadeu, em Porto Alegre. Hospitalizado na emergência do Hospital São Lucas (PUC), não chegou a perder totalmente a consciência, a memória e a fala, mas perdeu o movimento do braço e perna do lado esquerdo. Permaneceu quatro dias na UTI, devido às alterações contínuas da pressão, dos batimentos cardíacos e do diabetes.

Poucas horas depois de ter ido para o quarto teve uma hidrocefalia, que o levou a um estado inconsciente, embora não propriamente coma. A bolsa de água que se formou junto à parte craniana junto com o sangramento provocado pelo AVC hemorrágico acabou provocando reações descontroladas, exigindo a colocação de um dreno no crânio. Foi para a UTI inconsciente, apenas com mínimas reações. Nessas condições acabou tendo uma infecção pulmonar. A bactéria que causou infecção também afetou o funcionamento dos rins, tendo que se submeter a hemodiálise. Saindo da UTI manteve um quadro estável.

No dia 17 de junho sofreu nova intervenção cirúrgica para desobstruir a válvula de drenagem do líquido do cérebro, retornando à UTI. Apesar do procedimento, o líquido continuou retido, prejudicando o estado geral.
A pressão alta combinada com diabetes descontrolado foi minando a capacidade de reação. Ao completar 50 dias de internação o estado permanecia grave e de difícil prognóstico.

Com quase dois meses de hospital, debilitado, com anemia, pressão arterial descontrolada, com necessidade de hemodiálise, alimentando-se apenas por sonda já não reagia à comunicação nem ao reconhecimento. Seu quadro passou de grave a gravíssimo.

Nesse longo período de hospitalização, os confrades da Fraternidade São Judas Tadeu, de Porto Alegre, com Frei Adelar, capelão do Hospital São Lucas, e outros freis, familiares e membros da comunidade paroquial São Judas revezaram-se no cuidado e na presença constante. As equipes médicas (neuro, nefro e clínica) do Hospital da PUC também tem se dedicado ao máximo.

Desde o dia 30 de julho de 2013, Frei Ângelo passou a integrar a Fraternidade Imaculada Conceição, em Caxias do Sul, e esteve sob cuidados da equipe da Casa de Saúde S. Frei Pio.


Informações pessoais
Filho de José Costella e Assunta Gasparin Costella, nasceu em 3 de julho de 1939, em Fagundes Varela. Entrou no seminário seráfico de Vila Flores, em 1949, e ingressou na fraternidade capuchinha com a vestição do hábito, em janeiro de 1957, em Flores da Cunha.

No convento Sagrado Coração de Jesus, de Flores da Cunha, fez o noviciado em 1957, com a profissão dos votos em 25 de janeiro de 1958. Recebeu a ordem do diaconato em Porto Alegre, em setembro de 1967. Em 10 de dezembro do mesmo ano, foi ordenado presbítero pelo arcebispo Dom Vicente Scherer, na matriz Santo Antônio do Partenon.
No seu itinerário formativo percorreu o ciclo normal de estudos nos seminários capuchinhos de Vila Flores, Veranópolis, Ipê e Marau. Já os estudos superiores os fez em Ijuí, onde bacharelou-se em Filosofia pela então Faculdade de Ciências e Letras de Ijuí (Fafi) e Teologia na Escola de Teologia da Província, no Convento São Lourenço de Bríndisi, em Porto Alegre.

Nos primeiros anos de sacerdote cursou o ISPAC (Instituto de Pastoral) e o curso do Movimento Mundo Melhor (MMM), em 1974, seguido do Curso Nova Imagem da Paróquia (NIP), em Buenos Aires. Em razão desses cursos foi o coordenador do Movimento Mundo Melhor no sul do Brasil.

Dedicou seus 35 anos de vida presbiteral à pastoral paroquial, dos quais 33 como pároco. Durante 14 anos esteve servindo à Paróquia Santo Antônio, em Porto Alegre; por dois anos esteve à frente da Paróquia de Fátima, em Santa Maria (1982-83); dez anos na Paróquia São Pedro, em Garibaldi (1984-1993), cinco anos na Paróquia São Sebastião, em Praia Grande, SC (1994- 1998), quatro anos na Paróquia N. Sra. dos Navegantes, em Tramandaí (1999-2003), cinco anos na Paróquia Sagrado Coração de Jesus, bairro Harmonia, em Canoas (2004-2008) e de 2009 a maio de 2013, à frente da Paróquia São Judas Tadeu, de Porto Alegre.

Nas fraternidades capuchinhas onde viveu quase sempre integrou a Equipe de Animação Fraterna, em geral na função de guardião.
Sempre foi uma pessoa muito calma, discreta e de espírito conciliador. Cativava as pessoas pelo sorriso, pela atenção e pela bondade e sabia cultivar as amizades, sendo sempre uma alegre companhia em todos os momentos.

Frei Venâncio Pivatto (João José)

24/06/1912
10/11/1978

Nasceu no dia 24 de Julho de 1912 em Veranópolis-RS. Professou no dia 10 de Fevereiro de 1929 (Flores da Cunha-RS) e ordenado sacerdote no dia 08 de Agosto de 1937 (Garibalsi-RS).

No Rio Grande do Sul trabalhou em Lagoa Vermelha, Marau, Porto Alegre e Santa Maria e Caxias do Sul, como Professor, Diretor dos estudantes a na Pastoral. Foi Definidor Provincial e Provincial por dois mandatos. Esteve estudando em Roma e no Brasil foi animador e divulgador do Movimento “Mundo Melhor”, atuando também na CNBB e CRB Sul 3. Em 1973 foi transferido para Brasília-DF, onde sempre trabalhou.

Faleceu no ano de 1978, no Distrito Federal, onde está sepultado, vítima de câncer. Estava com 66 anos, 49 de vida religiosa e 41 de Presbítero. Alegre, expansivo, grande orador, primou pela simplicidade.

Frei Jerônimo Bontorin

13/04/1926
12/11/1999

13.04.1926 - Colombo/Paraná
12.11.1999 - Curitiba/Paraná

Frei Jerônimo Bontorin nasceu aos 13.04.1926 em Morro Grande, Colombo, filho de Gregório Bontorin e Ermelina Poli. Recebeu o batismo (25.04.1926) na paróquia de Nossa Senhora. do Rosário em Colombo, e foi crismado (27.07.1927), em Colombo, por Dom João Francisco Braga. Na mesma matriz de Colombo, fez sua primeira eucaristia (19.03.1935) com o passionista padre Alberto.

Entrou no seminário de Butiatuba aos 30.03.1941, quando Frei Santes Zuccher era diretor. Iniciou o noviciado aos 24.12.1945, na mesma casa de Butiatuba, sendo seu mestre Frei Gaspar Zonta de Fellette. Professou temporariamente aos 29.12.1946, nas mãos de Frei Henrique de Treviso.

Durante seus estudos de filosofia e teologia no convento Nossa Senhora das Mercês, em Curitiba, emitiu sua profissão perpétua (18.02.1950), recebeu todas as Ordens menores na Igreja das Mercês e na Catedral metropolitana. O arcebispo de Curitiba, Dom Manuel da Silveira d'Elboux, conferiu-lhe o diaconato (22.09.1952) e o sacerdócio em nossa igreja das Mercês aos 21.12.1952. Celebrou sua primeira missa solene aos 28.12.1952 em Campina dos Pintos, Paraná.

No campo do apostolado trabalhou em muitos lugares: Uraí (1954-1958; 1960-1962), Siqueira Campos (1958-1960; 1966), Bandeirantes (1962-1963), Engenheiro Gutierrez (1964), Florianópolis (1964-1965), Curitiba (1966, 1973-1974, 1989, 1998-1999), Ponta Grossa (1967), Céu Azul (1968-1969), Umuarama (1970), Santo Antônio da Platina (1971, 1986), Londrina (1971-1973), São Domingos (1975), Rio Brando do Sul (1976-1978, 1981), Campo Magro (1979), Tomazina (1980-1981), Jataizinho (1994-1998).

Trabalhou na formação com os noviços como vice-mestre em Siqueira Campos e, em Engenheiro Gutierrez, por breve tempo como diretor dos irmãos leigos. Desempenhou também os cargos de superior, vice-superior e ecônomo local em algumas fraternidades.

Pregou muitas novenas e diversos retiros. Em Santo Antônio da Platina assumiu dois programas pela rádio local. Em Uraí, Paraná, construiu seis capelas rurais e concluiu a igreja matriz. Em Céu Azul, Paraná, edificou mais três capelas rurais.

Nos dois últimos anos, que os viveu no convento de Nossa Senhora das Mercês em Curitiba, Frei Jerônimo definhava aos poucos e até pedia para não ter trabalhos fora. Mas continuava dando bênçãos e fazendo exéquias. Levantava muito cedo e passava horas rezando na pequena capela do convento. Gostava de ler os documentos da Igreja e apreciava conhecer as atividades da Igreja.

Aos 10.11.1999, pela uma hora da madrugada, Frei Jerônimo saiu de seu quarto com um corte na testa, resultado de uma queda que tivera em sua cela. Atendido pelos freis Francisco Miguel da Silva e Cácio Roberto Petekov, foi levado ao hospital. A médica prestou-lhe os primeiros socorros, mas por causa do corte na testa, chamou um cirurgião plástico, que lhe aplicou 24 pontos no corte. A médica plantonista encaminhou Frei Jerônimo para a UTI a fim de fazer exames dos sinais vitais.

Nesses exames constataram um enfarte da coronária direita e um coágulo no coração que, naturalmente, agravou a situação clínica.

No entanto, durante todo o dia 10 de novembro, Frei Jerônimo permaneceu consciente. Frei Pascoal Benedetti, superior do convento das Mercês e o pároco da paróquia de Nossa Senhora Aparecida administraram-lhe a Unção dos Enfermos.

À meia-noite de 11 de novembro, Frei Jerônimo entrou em estado de coma. Os médicos do hospital telefonaram ao convento das Mercês pedindo autorização para fazer uma craniotomia, porque uma hemorragia cerebral provocou dois coágulos no cérebro. O Ministro provincial, Frei João Daniel Lovato, consentiu na cirurgia.

Desde esse momento, Frei Jerônimo permaneceu em coma profundo até o seu falecimento às 13h de 12.11.1999, no hospital São Vicente. às 19h do mesmo dia, o corpo de Frei Jerônimo Bontorin era trazido em nossa igreja Nossa Senhora das Mercês onde foi celebrada a primeira missa com a presença de todos os freis do convento das Mercês (onde ele vivia), da paróquia das Mercês e, da Cúria provincial, o Vigário provincial (Frei Davi Nogueira Barboza) e o segundo Definidor provincial (Frei Pedro Cesário Palma). às 9h, houve mais uma missa de corpo presente na igreja das Mercês, presidida por Frei Messias Vicente Rodrigues.

Seu corpo seguiu para Butiatuba, onde continuou a vigília de orações na capela de nosso cemitério. A missa exequial foi celebrada na frente da capela de nosso cemitério, presidida pelo Ministro provincial, Frei João Daniel Lovato, e concelebrada pelo Vigário provincial e outros freis presentes.

Alguns de seus parentes e familiares manifestaram que Frei Jerônimo foi um verdadeiro pai para eles, dando-lhes coragem e sempre convidando-os a permanecerem unidos. Nas visitas familiares, tornava-se um apóstolo das crianças, tentando transmitir-lhes sempre algumas mensagens evangélicas. Através dele, seus familiares aprenderam ser irmãos dos freis capuchinhos. Um deles, convidado pelo frei, permaneceu pouco no seminário, mas agora atua como catequista em sua paróquia.

Acentuou-se seu amor por duas grandes virtudes capuchinhas que ele procurou viver: a simplicidade e a pobreza. Amava pobreza e a simplicidade. Era austero consigo mesmo e exigente também com os outros. Era um religioso de assídua oração, de amor à Eucaristia. Devoto da Virgem Maria e dedicado à meditação da Palavra de Deus. Amava e respeitava muito a Igreja e a Hierarquia eclesiástica. Era um religioso de fé comprovada e serena. às vezes, enquanto escrevia os batizados nos livros registros, dizia, com fé, que todas as crianças que tinha batizado um dia estariam no céu. Sempre incentivava seus interlocutores à coragem e à fé.

Frei Jernimo amava a vida religiosa e sacerdotal. Demonstrava espírito de minoridade em servir e atender as pessoas e também disponibilidade quando os superiores precisavam dele.

Após o belo e sugestivo canto do Trânsito de São Francisco, foi levado à sepultura. 

Frei Miguel Morandi

04/02/1945
12/11/2016

Frei Miguel tinha 71 anos e faleceu no sábado  12, às 5 horas, no Hospital Pompeia, em Caxias do Sul, em consequência de falência de vários órgãos.

Havia sido hospitalizado em meados de outubro, passou do quarto para a Unidade de Cuidados Intensivos (UCI) e, poucos dias depois, foi transferido para UTI, devido a infecção pulmonar grave e insuficiência renal aguda. Nos últimos dias o estado continuava grave e, ainda na UTI, vinha recebendo apenas medidas de conforto.

Frei Miguel era irmão capuchinho, tendo feito a profissão na Ordem em 1968. Na Província do Rio Grande do Sul sua atividade principal a de enfermeiro e cuidador de confrades enfermos.

Nos anos 1970, tratou-se de hepatite, nos anos 1980 e 1990 fez dois tratamentos para controle de tuberculose, passou por cirrose hepática, degeneração cerebral e hidrocefalia, fez implante de válvula e superou um câncer no céu da boca.  Nos últimos dez anos, também, fez duas cirurgias para colocação e troca de próteses no quadril, cirurgia de próstata devido a câncer e, no início passado mês de outubro, angioplastia abdominal e em uma das pernas.

Na biografia de frei Miguel Morandi, desde a profissão dos votos na Ordem como irmão capuchinho, após o ano de noviciado realizado em 1967, no Convento de Flores da Cunha, foi designado para vários serviços fraternos, como horticultor, cozinheiro e porteiro em diferentes fraternidades da Província. Em Porto Alegre, de 1973 a 1975, também foi ministro da Eucaristia.

Como enfermeiro, de forma calma e paciente, desempenhou sua missão nos conventos de Flores da Cunha, São Lourenço de Brindesi, de Porto Alegre, Lagoa Vermelha (no Hospital São Paulo, durante 11 anos), e de Caxias do Sul, e, de forma emergencial, em qualquer casa, convento ou hospital onde um confrade estivesse precisando de cuidados em seu tratamento ou recuperação de saúde. Como enfermeiro provincial, residiu no Convento Imaculada Conceição e na Casa Provincial, em Caxias do Sul, desde 1987.

Segundo uma crônica biográfica manuscrita, entre muitos outros confrades que estiveram aos cuidados de frei Miguel, nos mais diferentes conventos e hospitais, estão freis Exupério de La Compôte, Francisco Deon, Lucas Bassani, Tarcísio Peccinini, Cassiano Giacomet, Francisco Polentês, Efraim Sperandio, Casimiro Zaffonato, Samuel Bertin, Aparício Tedesco, Vitor Danielli, Nicolau Lucian, Bras Rodegheri, Armando Grizon, Benício Collet, Urbano Polli, Cosme Gradaschi, Pio Boscheco, Nicásio Muraro, Ambrósio Tondello, Serafim Boschetti, Júlio Bianchi, Lauro Reginato, Ricardo Aresi, Teófilo Antoniazzi, Sabino Giongo, Egídio Celuppi, Juvênciop Angonese, Angélico Aresi e Raimundo Simonetto.

A partir do ano 2000 passou a integrar a Comunidade da Casa São Frei Pio, onde, até os últimos meses, ocupava-se em vários serviços, respondendo, por exemplo, pela preparação da lenha para o fogão; quando não tinha nada a fazer, confeccionava terços para a equipe dos freis missionários e se deliciava fazendo o som ambiente na Casa São Frei Pio.

Em 1973, no Instituto Vicente Palotti, em Porto Alegre, fez curso de auxiliar de enfermagem (reconhecido pelo MEC), mas também fez vários cursos rápidos nas áreas de contabilidade, radiotécnica, marcenaria, culinária, horticultura, apicultura, treinamento do Movimento de Criatividade Comunitária, segurança contra incêndio e atualização em assepsia hospitalar, no Grupo Hospitalar Conceição. Os estudos fundamentais os fez na escola municipal da Capela São Paulo, em Flores da Cunha e nos seminários de Vila Flores, Veranópolis e Ipê.

Ingressou no Seminário de Vila Flores em 1959 e, no Convento de Flores da Cunha fez o Postulado (1965-1966) e o Noviciado (1967). Primogênito de 12 irmãos/ãs, dos quais três já falecidos, era filho de Antônio Morandi e Adelina Bet (também falecidos), tendo nascido em 4 de fevereiro de 1945.

Em 1968, como pós-noviço, frei Miguel, junto com outros seis freis da Província – entre eles frei Wilson Pasquali -, participaram de uma experiência de formação religiosa, cultural e profissional continuada para irmãos, em Siqueira Campos, PR. Era um projeto realizado em conjunto com o então Comissariado do PR/SC, previsto para durar três anos, onde praticou alfaiataria, marcenaria e atividades com grupo de catequese; o grupo da Província do RS, no entanto, por diversos fatores, desistiu após o primeiro ano.

Frei Miguel sempre foi uma pessoa calma, de fala mansa, movimentos lentos e compassados, sorriso fácil, despreocupado com a vida (tanto que não tinha preocupações com a própria saúde, apesar de graves enfermidades), mas sempre atencioso como enfermeiro e cuidador.

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