Necrologia

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Frei Ludovico Strzelecki (Casemiro)

18/07/1926
04/09/1993

Nascido em 18 de Julho de 1926 em Carlos Gomes-RS. Filho de Ladislau Strzelecki e Marta Stawinski. Professou em 18 de Janeiro de 1945 (Flores da Cunha-RS) e ordenado sacerdote em 23 de dezembro de 1951 (Garibaldo-RS). Trabalhou diversos anos no Rio Grande do Sul na Pastoral paroquial e depois dedicou-se às Missões Populares. Em 1979, transferiu-se para a Província do Brasil Central e exerceu seu ministério em diversas cidades, mas Faleceu no ano de 1993 em Barbacena-MG de infarto fulminante, contando 67 anos, 48 de vida religiosa e 41 de presbítero. Foi sepultado no jazigo dos Capuchinhos em Hidrolândia-GO.

Frei Norberto Bruno De Carli

12/04/1920
09/09/1996

12.04.1920 - Capodístria/Itália
09.09.1996 - Curitiba/Paraná

Frei Norberto era filho de Umberto De Carli e Luigia Gandusio. Nasceu aos 12 de abril de 1920, em Capodístria, diocese de Trieste, na Itália. Eram em dois irmãos: Umberto e Norberto. Ambos tornaram-se sacerdotes capuchinhos. Foi batizado aos 3 de junho de 1920 e crismado em junho de 1927, também em Trieste. Recebeu a primeira Eucaristia aos 10 de agosto de 1927, em sua terra natal.

Após uma primeira experiência no seminário de Capodístria, ingressou para o seminário de Rovigo aos 02 de agosto de 1932, sendo o diretor Frei João de Pescantina. Sua vestição foi aos 01 de agosto de 1936, em Bassano del Grappa, tendo como mestre de noviciado Frei Romualdo de Soava. Professou temporariamente aos 02 de agosto de 1937 e, perpetuamente, aos 14 de setembro de 1941. Recebeu os ministérios de leitor (21.03.1942) e de acólito (19.06.1943), sendo ordenado sacerdote (21.05.1944), pelas mãos do Cardeal de Veneza, Adeodato Piazza, na igreja Nossa Senhora da Saúde. Celebrou sua primeira missa solene aos 04 de julho de 1947, em Capodístria.

No dia 21 de outubro de 1947, com o navio Campana da Societé de Navigation de Marseille, embarcou em Gênova, para o Paraná, juntamente com os freis Crispim de Vigorovea, Cleto de Maserà, Valério de Pescantina, Gilberto de Badia Polestine, Donato de ênego, e Germano de Lion. Chegou ao Paraná aos 12 de novembro de 1947.

Durante os 49 anos que aqui viveu trabalhou nos seguintes lugares: Joaquim Távora (1948; 1955-1958) onde encontrou muitas dificuldades com a maçonaria local, Barra Fria (1949), São Lourenço d'Oeste (1949), Laurentino (1950), Curitiba-Mercês, (1950-1955; 1985-1996), Uraí (1959), Cruzeiro do Oeste (1960); Ponta Grossa-Imaculada (1961-1964; 1969; 1971), Bandeirantes (1965), Ponta Grossa-Bom Jesus (1966-1968), Siqueira Campos (1973-1985). Nestes lugares exerceu as funções de reitor de seminário, professor de Teologia Moral, vice-superior, superior local, vigário paroquial, pároco, capelão dos Maristas, missionário popular e capelão hospitalar.

Em 1985 viajou à Itália para assistir a morte e a sepultamento de sua mãe, lá permanecendo durante sete meses.

Escrevia muito ao seu irmão capuchinho, Frei Humberto De Carli: de 1947 a 1996, 262 cartas. Em suas cartas descrevia seus trabalhos nos diversos lugares, lembrava sua mãe, falava de sua saúde, alongava-se em considerações sobre a política nacional, sobre a Igreja e outros problemas do continente sul-americano. Aos 22 de maio de 1994, celebrou seus 50 anos de vida sacerdotal. seu irmão Frei Umberto veio da Itália para participar desta celebração jubilar. Em 1995 escrevia, por exemplo, que "sinto o desejo de cantar, ao mesmo tempo, o Te Deum e o Nunc dimittis". Em 1996, ano de seu falecimento, escreveu ainda onze cartas a seu irmão.

No dia 7 de setembro de 1996, após o almoço e durante a conversa com os freis, sentiu-se improvisamente mal, vindo a falecer no refeitório da Cúria provincial.

Frei Norberto era um frei simples, humilde e de muita oração. Gostava de brincar com os freis. Com os fiéis era muito reservado e prudente. Era amigo do confessionário, sabendo entender os que o procuravam para algum conforto humano e espiritual. Era sério nas horas sérias e sabia rir com os que se alegravam. Não gozava de boa saúde: a sinusite o acompanhou por dezenas de anos. Sabia escutar os freis e era muito conciliador, dando razão a todos. Sabia calar e engolir quando necessário. Era companheiro de todos os freis e tinha boas amizades com leigos, deixando saudades em todos os lugares por onde passou, exercendo seu apostolado.

Não gostava de ser aplaudido e nem de exercer o cargo de Superior. Era homem austero e de coração dócil. Gostava de estar bem informado e lia muito. Gostava de comunicar e partilhar as boas novidades. Soube conservar a tradição e buscar o novo. Optou pelo uso sistemático da batina e soube desfazer-se da barba. Era amante do silêncio, mas entre nós era extrovertido. Não recusava os trabalhos de limpeza da louça, na cozinha do convento e, por própria iniciativa, levava duas vezes por dia o lixo da cozinha para o lixeiro da horta. Normalmente lavava as próprias roupas e não gostava de incomodar a ninguém. Os conselhos evangélicos de obediência, pobreza e castidade, sem dúvida, foram o tripé de sua vida de consagração a Deus e neste campo teve toda a admiração e a estima de todos os freis.

Escreveu uma sua biografia até 1968, na qual aparecem interessantes fatos desde sua viagem ao Brasil e com notícias históricas sobre os diversos lugares onde trabalhou.

Permanece entre nós, o seu exemplo de fé, doação, resignação na doença, bondade, cortesia e fidelidade na vocação. As exéquias foram realizadas no dia 9 de setembro na capela do convento Santo Antônio, em Butiatuba-Almirante Tamandaré, PR, com a presena de Frei Atílio Galvan, Ministro Provincial, de Frei Florio Tessari, ex-Ministro provincial de Veneza, de muitos freis, diversos ex-alunos, amigos e fiéis. Seus restos mortais repousam no cemitério dos Frades Menores Capuchinhos, em Butiatuba.

Frei Gino Tinazzi

03/02/1922
15/09/2010

* 03.02.1922 – Verona/Itália

† 15.09.2010 – Conegliano/Itália

Frei GINO TINAZZI, filho de Baltasar Tinazzi e Libera Pezzo nasceu em Valdiporro, município de Boscochiesnuova, diocese de Verona, Itália, aos 03.02.1922.

Entrou no seminário de Rovigo aos 18.08.1933. Dia 19.07.1938 recebeu o hábito capuchinho em Bassano dei Grappa com o nome de Frei Baltasar, sendo mestre frei Romualdo de Soave. Emitiu os votos tempo­rários aos 20.07.1939 em Bassano e os votos perpétuos aos 28.05.1944, em Veneza, sendo o celebrante frei Ciemente Vicentini, vigário provincial. Foi ordenado sacerdote aos09.09.1945 pelo bispo capuchinho Dom Goméiio S. Cuccarollo, na majestosa basíli­ca paladina do Santíssimo Redentor.

Após sua ordenação, consideradas também suas qualidades intelectuais, os superiores enviaram a Roma onde obteve o mestrado em teolo­gia pela Universidade Gregoriana e mestra­do em Sagrada Escri­tura pelo Instituto Bíblico.

Retomando à Província Vêneta, frei Gino foi designado professor de Sagrada Escri­tura aos nossos teólogos de Veneza e de­senvolveu este serviço por onze anos. Frei Raimundo Ambrosi, seu ex-aluno e mais tarde ministro provincial assim escreveu sobre Frei Gino: “Recordo seus anos como professor em Veneza, o seu exemplo de bondade e de oração, sua amabilidade, o serviço alegre a qualquer necessidade dos confrades".

Desde o início de sua vida sacerdotal

No Paraná - Frei Gino queria ser mis­sionário, mas somente mais tarde foi atendido. Foi designado para nossa Província, aqui chegando no dia 01.07.1976. Nesta circunscrição exerceu seu apostolado nas seguintes localidades: Vera Cruz do Oeste (1976-1979); Santo Antônio da Platina (1980- 1986). Nestas fraternidades prestou o serviço como vigário paroquial e capelão do Asilo, em Santo Antônio.

Aos 19.06.1986, por motivos de saúde, regressou à Província Vêneta e mais tarde, de 1989 a 1993, trabalhou no Acre, ficando à disposição do bispo de Cruzeiro do Sul.

Retorno - Retornou definitivamente à Itália, em 1993, sendo destinado confessor no convento de Ásolo. Ali foram muitos os sacerdotes e os fiéis que, atraídos por sua cordialidade e por seu sorriso, subiram a colina onde se encontra aquele convento para buscar misericórdia e alívio no sacramento da confissão ou na direção espiritual. Homem de poucas palavras, mas sempre de confiança e de otimismo. Frade de paz e de serenidade foi presença tonificante na fraternidade. Era animado por profunda caridade e mansidão. A oração prolongada lhe deu energia para ser verdadeiro frade menor. Amante da natureza, tinha o dom de maravilhar-se por tudo o que é belo e que reevoca a grandeza da bondade criadora de Deus. No horto conseguiu cuidar um pedacinho de terreno, onde cultivou, com afeto, diversas ervas aromáticas que ele regularmente recolhia.

Em Ásolo Frei Gino permaneceu pratica­mente até o fim. Seu estado de saúde agra­vou-se repentinamente e logo foi conduzido à enfermaria de Conegliano, onde faleceu no dia 15.09.2010. Contava 88 anos de idade, 71 de vida religiosa e 65 de sacer­dócio e 14 de missionário no Brasil.

Foi sepultado em Vadiporro, sua terra natal, ao lado do seu irmão frei Ézio, também sacerdote capuchinho.

Frei Celestino Coletti

21/02/1923
15/09/2010

* 21.02.1923 – Veneza/Itália

† 15.09.2010 – Conegliano/Itália

Frei CELESTINO (Luciano Coletti), filho de Mario Coletti e Tereza Dolce nasceu na ilha de Giudecca, em Veneza, Itália, aos 21.02.1923. Foi cris­mado pelo patriarca La Fontaine.

Entrou no seminário aos 13.09.1936 em Rovigo. Recebeu o hábito capuchinho em Bassano dei Grappa aos 03.10.1940, sendo mestre frei Romualdo de Soave. Emitiu os votos temporários aos 04.10.1941 em Bassano e os perpétuos aos 08.12.1945, em Veneza. Foi ordenado sacerdote aos 13.03.1948, na Basílica do Santíssimo Redentor, em Veneza por Dom João leremich, bispo auxiliar. Celebrou a primeira missa solene aos 04.04.1948 neste mesmo

No Paraná - Aos 22.10.1949, partiu da Itália, embarcando no navio Anna Costa com frei, Elias Zulian. Desembarcou em Santos aos 09.11.1949. Chegou ao Paraná aos 12.11.1949. Aos 25.03.1958 incardinou-se em nossa Província.

Frei Celestino exerceu o sacerdócio em nossa Província nas seguintes localidades: São Lourenço do Oeste, (1949-1951; 1975- 1981); Butiatuba(1952; 1955); Engenheiro Gutierrez (1953); Ponta Grossa: Imaculada Conceição (1954; 1958-1959); Cinzeiro do Oeste (1954); Bandeirantes (1956-1957); Ponta Grossa: Bom Jesus (1959-1963); Laurentino (1964- 1972); Londrina (1973-1974); Curitiba: Cúria Provincial (1982-1984).

Nestes locais exerceu o seu aposto­lado como vigário paroquial e pároco, educador nos seminários, secretário e ecónomo provincial, guardião, arquivista, 1o e 2o defi­nidor provincial (1970-1975). Durante estes longos anos que trabalhou em nossa Província eram os tempos difíceis. Inicial­mente viajou a cavalo para anunciar o Evangelho, administrar os sacramentos e Iniciar novas comunidades. São numerosas as igrejas, as capelas construídas e as obras que realizou. Confirmando sua dedi­cação apostólica, duas cidades reconhe­ceram seus trabalhos, conferindo-lhe o título de cidadão honorário: Laurentino, em 1964 e São Lourenço do Oeste, em 1974.

Retorno - Aos 27.12.1984 retornou definitivamente à Província Vêneta. Lá, fez parte da fraternidade da casa de oração e do noviciado. Em 1993 chegava ao convento de Mestre. Atendia as confissões. Em toda parte demonstrava seu caráter veneziano e sua característica alegria brasileira. Assumiu o serviço de arquivista provincial, mostrando- se diligente, organizado e competente. Com seu cachimbo (relíquia do Brasil) estudava e organizava documentos e cartas antigas. Conservava o passado para que orientasse o futuro.

Após brevíssima doença, faleceu em Conegliano, aos 15.09.2010, com 87 anos de idade, 70 de vida religiosa e 62 de sacerdócio e 35 de missionário em nossa Província. Foi sepultado no cemitério de Conegliano.

Frei Estanislau Tomás Hella

19/09/1981

19.12.1913 - Curitiba/Paraná
19.09.1981 - Curitiba/Paraná

Frei Estanislau nasceu aos 19 de dezembro de 1913, em Curitiba, no Bairro do Pilarzinho. Recebeu a formação cristã na família e no colégio das Irmãs de Abranches, onde fez o curso primário. Com 28 anos de idade decidiu procurar os capuchinhos para consagrar sua vida a Deus como Francisco de Assis. Entrou no Seminário em Butiatuba aos 29.07.1941. Iniciou o postulantado aos 24.09.1941. Iniciou o noviciado aos 07.12.1942. Emitiu a profissão temporária aos 08.12.1943 e a perpétua aos 08.12.1946, perante o celebrante e superior dos capuchinhos, Frei Barnabé Ivo Tenani.

Logo a seguir a obediência religiosa destinou-lhe sobretudo o serviço da cozinha nas maiores casas de formação: Mercês (1943-1946; 1953-1957; 1965-1966; 1969-1981), Butiatuba (1947-1952; 1959-1960), Siqueira Campos (1961-1962), Capinzal (1963-1964), Ponta Grossa-Bom Jesus (1966-1968).

Durante estes anos dividiu sua vida entre a cozinha e a igreja, no serviço sempre alegre de louvor a Deus e alegria dos confrades na fraternidade. Tinha consciência de quanto este serviço é indispensável para o bem estar dos irmãos e, por isso faziao com a perfeição no melhor estilo de que só ele era capaz. Além de servir os frades como cozinheiro, foi instrutor dos irmãos leigos, assistente dos seminaristas, companheiro do Ministro provincial, assistente dos neo professos, porteiro por 22 anos em Curitiba e sacristão. Com outros freis, participou de campanhas de alimentos em favor dos seminários em diversos lugares do norte do Paraná.

Nada o alterava. Sempre sereno, alegre, pontual. Quando ocorria uma festa na fraternidade, além de melhorar a qualidade na quantidade, ainda completava o encontro à mesa com a música romântica de seus programas de gaita de boca.

Quando a saúde já não recomendava este tipo de trabalho, Frei Estanislau trocou o calor do fogão com o calor da amizade na portaria do convento das Mercês. Aí, por mais de 15 anos, mesmo castigado pela doença diabete, flebite e complicações cardíacas manteve sempre o mesmo ritmo de trabalho e fidelidade no vaivem do dia a dia desta tarefa. Todos sabem quanto era hospitaleiro com leigos e religiosos que procurassem nossa casa das Mercês.

Além destas atividades em que Frei Estanislau teve notoriedade pela vivência do seu carisma franciscano de ser e servir, destacou-se também em seus 38 anos de vida consagrada, nas funções de sacristão, esmoler, instrutor dos irmãos não clérigos no pós noviciado, assistente no seminário e irmão auxiliar do Ministro provincial.

Frei Estanislau teve a alegria de participar das cerimônias de beatificação de Frei Leopoldo de Mandic, aos 2 de maio de 1976, na Praça de São Pedro, em Roma, com os freis Miguel Botaccin e Bernardino Tomat. Naquela oportunidade, visitou a Província Veneta e os principais santuários da Itália.

Terminou sua missão aos 68 anos de idade, falecendo placidamente no Hospital Nossa Senhora das Graças, em Curitiba, aos 19 de setembro de 1981. Deixou uma folha corrida exemplar para os seus irmãos.

Não teve outras ambições senão ser fiel ao carisma de sua vocação religiosa franciscana com muito amor, alegria, simplicidade, humildade e perseverança, alimentadas pela oração e caridade fraterna.

Com o canto Noite Feliz, como ele pedira, foi sepultado no cemitério de Butiatuba.

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