Santos

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01 Bem-aventurado Juliano do Vale de Istria
01/05/2017

Sacerdote da Primeira Ordem (+1349). Seu culto foi aprovado por São Pio X no dia 23 de fevereiro de 1910.

 

Juliano nasceu na família Parenzo-Pola, na segunda metade do século XIII. Jovem ainda sentiu a vocação para o estado religioso, deixou o mundo e foi recebido na Ordem dos Frades Menores. Ele recebeu o hábito religioso no convento vizinho de São Miguel Arcanjo, situado em uma montanha solitária, habitado por monges antes camaldulenses e fundado pelo mesmo São Romualdo abade. Neste convento, sob a província da Dalmácia, Juliano trabalhava para a sua perfeição mediante a observância da Regra de São Francisco. Ele era um homem de intensa oração e dura penitência, constituindo-se em modelo, exemplo e admiração de seus confrades e concidadãos.

Ordenado sacerdote e possuindo excelentes qualidades de doutrina, interrompeu os prazeres da vida contemplativa para evangelizar os povos e lutar contra a heresia galopante na bela paisagem de Istria, promovendo a paz e extinguindo a rivalidade entre guelfos e gibelinos.

Juliano, como São Francisco, soube admiravelmente conciliar a vida de solidão com o apostolado. Após períodos de oração ia até as cidades e povoados para desarmar os irmãos guerreiros e aumentar a vida evangélica que irmana a todos em nome de Cristo. Sua vida foi exemplar por sua piedade e caridade para com o próximo. Em suas peregrinações apostólicas fazia crescer nas pessoas a devoção a Jesus Eucarístico, o Crucificado e a doce Mãe celestial. Determinado a parecer tolo e fraco para o mundo, viu nos insultos uma oportunidade providencial para ganhar algum mérito para o repouso das almas do Purgatório. Sua palavra profundamente popular  encantou multidões. O segredo do entusiasmo despertado por sua pregação era o ardente amor a Jesus, cujo nome estava sempre em seus lábios, e sua filial devoção à Santíssima Virgem.

Na pobreza de seu convento, muitas vezes resgatado por Deus com milagres, nunca fechou seu coração para os pobres, os quais tinha uma generosidade sem limites. Sua santidade e caridade atraíram para si e para seus confrades o carinho, a devoção e o reconhecimento de um número crescente de fiéis. Ele morreu no convento de São Miguel Arcanjo em sua terra natal, dando testemunho de santidade, no ano de 1349 e foi enterrado lá. Foi representado com uma auréola sobre a cabeça, uma cruz na mão direita e o livro do Evangelho, à esquerda. Em 1418, após os franciscanos deixaram o convento de San Miguel, os habitantes de Parenzo habilmente roubaram o corpo do beato Juliano, que foi levado com honras à igreja colegiada do Vale do Istria. Seu culto continuou ininterruptamente através dos séculos.

Do livro “Santos Franciscanos para cada dia”, edição Porziuncola.

02 Bem-aventurado Vivaldo de São Geminiano
02/05/2017

Ermitão da Terceira Ordem (1250-1320). Aprovou seu culto São Pio X no dia 13 de fevereiro de 1908.

 

Vivaldo (nome variante é Ubaldo), eremita da Toscana, nasceu em São Geminiano até meados de século XIII. Veio da família nobre de Stricchi, dentro da qual, de acordo com o historiador Frei Mariano de Florença, Vivaldo cresceu piedosa e devotamente. Ele teve a alegria de estar com um sacerdote exemplar, o Beato Bartolo São Geminiano, do qual se faria um carinhoso discípulo, imitando suas virtudes heroicas. Bem-aventurado Bartolo tinha 52 anos quando, em 1280, foi atacado por lepra. Teve que desistir da paróquia e ser confinado no leprosário de Cellole, perto de San Geminiano.

Vivaldo decidiu acompanhar seu mestre, oferecendo conforto e ajuda na doença. Assim começou um apostolado de caridade não só para o padre santo, mas também para os outros leprosos. O heroico enfermeiro com a fé admirável, no lugar de miséria e dor da colônia de leprosos, tornou-se um anjo de consolação, dedicando-se com grande devoção a ajuda do mestre santo e os outros pacientes. Durante 20 anos, o discípulo esteve ao lado do mestre e aos 72 anos o beato Bartolo voou para o céu em meio a muita dor.

Vivaldo, em seguida, amadureceu seu plano de se retirar para o eremitério de Boscotondo de Camporena. Ele tomou o hábito franciscano terciário e retirou-se para um lugar solitário. Desde então, o mundo não o veria mais e seria esquecido por todos. Depois de 20 anos, a morte revelará uma nova vida, imutável e imortal, cheio de glória e de luz.

Sua morte foi calma e serena. Consumido pelas penitências, calmamente exalou o seu espírito. Na terra caiu o seu corpo como um precioso dom e fonte de graças. O ano era 1320 e ele tinha 70 anos de idade. Na sua morte, os sinos de Montaione badalaram. Em devoto cortejo, cantando hinos e salmos ao som de hinos alegres, os habitantes da região se dirigiram para o eremitério onde encontraram o corpo sem vida do ermitão com as mãos em atitude de oração e pressionando o crucifixo. Foi transportado nos ombros para Montaione entre hinos e invocações. Seu corpo foi sepultado na igreja local e venerado com culto público pelos habitantes de Montaione e arredores. Próximo de seu eremitério, no século XVI, os frades construíram um convento.

Do livro “Santos Franciscanos para cada dia”, edição Porziuncola.

03 Bem-aventurada Petronila de Troyes
03/05/2017

Virgem religiosa da Segunda Ordem (+1355). Concedeu ofício e missa em sua honra Pio IX em 11 de maio de 1854.

 

Petronila era descendente dos Duques de Troyes. Jovem, ainda, renunciou a todos os títulos de nobreza que lhe cabiam por herança e descendência, e ingressou no Mosteiro de Clarissas de Provins.

Seu exemplo atraiu muitas jovens ao Mosteiro de Marcel, filial do Mosteiro de Longchamps, que observava a Regra da Beata Isabel de França. Em pouco tempo, tornou-se um modelo de humildade e renúncia que atraiu várias irmãs. Depois fundou um novo Mosteiro de Clarissas na diocese de Beauvais, no lugar chamado Monte do Céu. Por sua solicitude maternal foi escolhida como Abadessa.

O Mosteiro tornou-se em pouco tempo um lugar de paz e harmonia. Muitas jovens pediram o hábito de Santa Clara. Até mesmo a rainha Joana de Valois ou Joana da França (1343- 1373), filha de João II, rei da França, e de sua primeira esposa, Bona de Luxemburgo, que se casou com Carlos, o Mau, Rei de Navarra, gostava de passar naquele Mosteiro, horas e até dias de oração pois dizia: “Aqui sinto a paz invadir meu espírito”.  Joana da França morreu em Évreux, feudo de seu esposo em 3 de novembro de 1373, aos 30 anos de idade. Pediu para ser enterrada no Mosteiro.

Petronila foi abadessa por oito anos, mas deixou o cargo e viveu durante onze anos, em estado de recolhimento, vindo a falecer no dia 1º de maio de 1355. O Papa Pio IX, em meados do século XIX, aprovou o seu culto. Sua festa é no dia 1º de maio.

04 Bem-aventurado Ladislau de Gielnow
04/05/2017

Sacerdote da Primeira Ordem (1440-1505). Aprovou seu culto Bento XIV em 11 de fevereiro de 1750.

 

Ladislau nasceu em Gielnow, na Polônia, e foi batizado com o nome de João. Realizou os estudos de Filosofia e Teologia na Cracóvia e teve dois ilustres condiscípulos: São João Câncio e o Bem-aventurado Simão de Lipnica. Sentindo-se chamado para a vida religiosa, abandonou tudo e entrou na Ordem dos Frades Menores no convento de Cracóvia. Em 1º de agosto de 1457, depois do ano de noviciado, teve a alegria de emitir sua profissão religiosa e, depois de alguns anos de intensa preparação, foi consagrado sacerdote. Dedicou-se à pregação com entusiasmo e muito vigor. Percorreu cidades e povos anunciando o reino de Deus. Sua eloquência viva e atraente era glorificada pela santidade e por prodígios. As turbas se aglomeravam em torno do seu púlpito e retomavam o caminho da virtude.

Eleito em várias ocasiões Ministro Provincial, visitou a pé os 24 conventos a ele submetidos; esteve duas vezes na Itália, onde tomou parte no Capítulo Geral da Ordem. Ao voltar para a sua pátria, pregou assiduamente por oito anos e escreveu obras religiosas, poesias e cantos. Compôs as “Ordenanças” de sua Província, que foram aprovadas em 28 de maio de 1498 no Capítulo Geral de Urbino. Durante seu governo enviou missionários à Lituânia e Rússia, a fim de converter os hereges e cismáticos. Inúmeras foram as conversões.

A seráfica pobreza de Ladislau era grande: contentava-se com o necessário, queria conventos, hábitos e posses que não que não maculassem da vida franciscana. Pregava com tanto fervor as verdades da fé, que parecia um Santo Antônio de Pádua redivivo. Depois de suas pregações eram executados cantos religiosos compostos por ele mesmo.

Polônia, católica por excelência, sempre teve sofrimentos em sua história. Também enfrentou guerras promovidas pelas nações limítrofes. O Bem-aventurado Ladislau, para obter a proteção divina sobre sua pátria, pregava ao povo a penitência e organizava procissões penitenciais.

Devotíssimo da Santíssima Virgem, inculcava a recitação diária da coroa franciscana. O povo acudia devoto a esta prática. A Virgem Santa aparecia-lhe várias vezes com o Menino Jesus em seus braços. Na sexta-feira Santa de 1505, enquanto pregava a paixão de Cristo, ao chegar na descrição da flagelação, entrou em êxtase. O povo admirou entusiasmado o santo religioso que, apenas voltando em si, sentiu que se lhe acabaram as forças. Era este o anúncio da morte próxima. Depois de um mês de sofrimentos suportados com resignação, expirou serenamente, era 4 de maio. Por sua intercessão foram alcançadas muitas graças e curas milagrosas. Ele está entre os patronos de Polônia e Lituânia.

Fonte: “Santos franciscanos para cada dia”, edizioni Porziuncola

05 Bem-aventurado Benvindo de Recanati
05/05/2017

Religioso da Primeira Ordem (1200-1289). Concedeu ofício e Missa em sua honra Pio VI no dia 17 de setembro de 1796.

 

Benvindo nasceu em Recanati, nas Marcas, em 1200, da família Mareri. Era religioso da Ordem dos Frades Menores no convento franciscano em sua cidade natal, atingindo a mais alta perfeição na fidelidade absoluta à Regra dada por São Francisco.

Passou sua vida no trabalho manual humilde e em constante união com Deus. Ele fez do ofício de cozinheiro do convento uma oportunidade para, através de êxtases místicos, dar voos mais altos do qualquer poeta. Desde o começo de sua vida religiosa foi aplicado na prática de humildade e penitência. Em uma fidelidade inviolável ao franciscanismo encontrou os meios para chegar rapidamente ao ápice da perfeição.

A Eucaristia foi o objeto de sua adoração e amor. A vida oculta de Jesus no sacrário foi o livro no qual o bom frade veio para aprender o ardente amor a Deus e ao próximo, o desprezo das coisas do mundo, a fidelidade aos deveres de seu estado, o amor ao silêncio, à oração e à vida oculta.

Um dia, depois de acender o fogo na cozinha, durante os primeiros preparativos para a refeição principal, o bem-aventurado Benvindo ia à igreja para participar da Santa Missa. A contemplação do mistério divino o levou ao êxtase; seguiram-se outras Missas e ele permaneceu imóvel por várias horas em seu Deus.

Após o êxtase, ele lembrou-se do almoço a ser preparado para os seus confrades, saiu rapidamente reprovando-se pelo esquecido. Com grande alegria encontrou tudo preparado. Deus havia querido assim recompensar o seu servo fiel.

Outro dia, durante um transe, o Menino Jesus descansou em seus braços. Suas conversas eram mais celestiais do que terrenas. Aos 89 anos, chegou finalmente a morte tão esperada para ele, a qual haveria de liberar sua alma dos laços do corpo, permitindo contemplar eternamente a Deus, o Sumo Bem.

Ele morreu no convento de Recanati no dia 9 de maio de 1289. Os milagres que ilustraram o túmulo do Bem-aventurado propagaram o seu culto.

Fonte: “Santos franciscanos para cada dia”, edizioni Porziuncola

06 Bem-aventurado Bartolomeu de Montepulciano
06/05/2017

Sacerdote da Primeira Ordem (+1330). Aprovou seu culto Leão XIII no dia 24 de junho de 1880.

 

Bartolomeu Pucci-Franceschi nasceu em Montepulciano, na Toscana, filho de Puccio de Francisco, nomes que foram unidos para formar o apelido familiar.

Em sua juventude, casou-se com Milla, filha do capitão Tomás de Pécora, de quem teve quatro filhos. Quando eles atingiram a maioridade, e estava com 45 anos, resolveu deixar os filhos e as riquezas fazendo-se pobre de Cristo (1330) e ingressando entre os Irmãos Menores do convento de São Francisco de Montepulciano.

As crônicas exaltam sua memorável renúncia à família e ao rico patrimônio, sua caridade para com os pobres nos tempos de carestia, e vários milagres. O Senhor lhe havia inspirado consagrar-se a seu serviço e ele, dócil à divina chamada, proveu ao porvir de seus filhos e com o consentimento de sua mulher se fez religioso irmão.

Na vida de convento chegou a ser modelo de perfeição. Durante a oração era levado a êxtases. Se achava tão pequeno e pobre que não se atreveu a ser sacerdote, mas os superiores o impuseram e, depois de um tempo de estudos filosóficos  teológicos, foi ordenado sacerdote e de imediato se entregou humilde e devotamente ao sagrado ministério com fervor e santa vida.

Também era tanta sua humildade, que havia desejado viver ignorado de todos. Seu amor pelo próximo e especialmente pelos mais pobres era grande. Por suas orações a miúdo Deus multiplicou o alimento para sua comunidade e a favor dos necessitados.

Frequentes aparições da Santíssima Virgem, de anjos e de santos o enchiam de tanta alegria que parecia já estar no paraíso. Foi para toda a comunidade modelo de observância da Regra de São Francisco, do espírito de pobreza, de castidade e de penitências com as quais martirizava seu corpo. Bartolomeu adormeceu serenamente na paz dos justos em 6 de maio de 1330.

Foi sepultado na igreja de São Francisco, onde permaneceu até 1930. Logo foi trasladado para a igreja de Santo Agostinho.

Fonte: “Santos franciscanos para cada dia”, edizioni Porziuncola

07 Bem-aventurado Eduardo José Rosaz (Félix Eduardo José)
07/05/2017

Bispo da Ordem Franciscana Secular, Fundador das Irmãs Franciscanas Missionárias de Susa (1830-1903). Beatificado por João Paulo II em sua visita pastoral a Susa em 14 de julho de 1991.

 

Eduardo José Rosaz nasceu em Susa aos 15 de fevereiro de 1830, filho de Romualdo e Josefa Dupraz. Aos 16 anos ficou órfão e com duas irmãs menores a seu encargo, pois os irmãos maiores viviam longe da família. Sua saúde era de uma debilidade geral, devendo periodicamente fazer tratamento com seu irmão médico, por isso viajava frequentemente. Fez amizade com o bispo Antonio Odone, quem o acolheu no Seminário local e logo o transferiu por motivos de saúde, para Massa Marítima. Ordenou-se sacerdote aos 10 de junho de 1854.

Quando buscava a forma de chegar a uma entrega total ao serviço de seu ministério, entendeu que podia combinar a missão de presbítero com a espiritualidade de São Francisco de Assis. Optou por fazer-se terceiro franciscano, junto com outros amigos. “Desta maneira encontrou um método e uma escola, que o faria sacerdote secular à maneira de Francisco”. Cultivou numerosas amizades, que o ajudaram nesse caminho. Sua vida espiritual foi enriquecida com a amizade que cultivou com outros santos sacerdotes, como São João Bosco, São José Cafasso, São João Maria Vianney.

Em 1854 regressou definitivamente a Susa; foi nomeado cônego da catedral de Susa. Ali atuará como confessor e catequista, celebrando a missa matutina para as pessoas que iriam em seguida para o trabalho. Em 1856 acolheu as primeiras mulheres desamparadas, dando o início assim ao Retiro, casa esta que acolhia mulheres abandonadas. Estabeleceu o mês de Maria, como momento para catequizar os adultos. Iniciou igualmente um intercâmbio de serviços entre os sacerdotes da região.

Com frequência empreendeu peregrinações a pé aos santuários significativos. Exerceu o papel de capelão dos cárceres, reitor do “Colégio Cívico” e do Seminário Diocesano em 1874. Tudo quanto recebeu de herança e títulos investiu nas obras apostólicas. Seu apostolado e toda sua vida tiveram a marca da caridade, da pobreza, da hospitalidade e da prudência. Renunciando a sua origem burguesa e acomodação, viveu na pobreza e não poucas vezes teve que “recorrer à mesa do Senhor” para sustentar suas obras e inclusive para seu próprio sustento. Em 08 de dezembro de 1874, três das mulheres de seu Retiro receberam o hábito da Terceira Ordem Franciscana, e então, começou a Congregação das Irmãs Franciscanas Missionárias de Susa. Eleito bispo de Susa em 26 de dezembro de 1877, recebeu a ordenação episcopal em 24 de fevereiro de 1878.

Em 8 de outubro de 1882, as irmãs tomam posse da Casa Mãe, que é festejado com um almoço para 247 pobres. Fundou ainda o semanário “Il Rocciamelone”, em 1º de abril de 1897, que atualmente tem o nome de “La Valsusa”. Em 15 de junho de 1899 abençoou solenemente a estátua da Virgem para colocar em cima do Rocciamelone (3.600m de altura). Distinguiu-se por sua abnegação, zelo, mansidão e humildade. Morreu em 3 de maio de 1903.

Fonte: “Santos franciscanos para cada dia”, edizioni  Porziuncola

08 Imaculado Coração de Maria
08/05/2017

A devoção ao Coração de Maria começou já no início da Igreja, desenvolvendo-se na Idade Média. Com as aparições em Fátima, ganhou grande destaque. A devoção ao Coração de Maria está associada à devoção ao Coração de Jesus, pois esses Dois Corações se uniram no Mistério da Encarnação, Paixão e Morte do Verbo Encarnado.

Honrar o Coração de Maria é honrar o Coração que foi preparado por Deus para ser uma digna morada do Espírito Santo, que formaria a seu tempo o Redentor no ventre imaculado da Virgem Maria.

Esta devoção ao Coração de Maria é devoção à própria Mãe de Jesus. É também veneração dos santos sentimentos e afetos, a ardente caridade de Maria para com Deus, para com seu Filho e para com todos os homens, que lhe foram confiados solenemente por Jesus agonizante.

Assim, louvamos e agradecemos a Deus por nos haver dado por Mãe e intercessora Aquela que acreditou.

No dia 8 de maio, ao meio-dia, recita-se a súplica à Bem-aventurada Virgem do Rosário. A mensagem de Fátima pede: oração, penitência, vida cristã, recitação do Rosário, pureza de costumes, vida de adesão ao Evangelho.

09 Santa Catarina de Bolonha
09/05/2017

Virgem da Segunda Ordem (1413-1463). Canonizada por Clemente XI no dia 22 de maio de 1712.

 

Filha de Benvenuta Mamolim e de Giovani Vigri, Catarina nasceu em Bolonha no ano de 1413. Foi educada na corte de Ferrara, como dama de companhia de Margarida, filha de Nicolau III, marquês D’Este, a serviço de quem estava seu pai como diplomata. Aos treze anos de idade, após ter ficado órfã de pai e depois do casamento de Margarida com Roberto Malatesta de Rimini, Catarina decide-se pela vida religiosa.

Foi exatamente na corte de Ferrara, num ambiente moralmente deturpado, que a semente da vocação religiosa germinou no coração de Catarina. Deixando a mãe, uma irmã e um irmão, ingressou num mosteiro de Terciárias Agostinianas (1427) aos catorze anos. Era uma comunidade fundada por uma grande dama de Ferrara, tia Lúcia Mascaroni que na época a dirigia. Durante sua permanência na corte de Ferrara, Catarina mantivera estreito contato com os Frades Menores da Observância no convento do Santo Espírito, onde recebia a orientação espiritual que solidificou o seu desejo de servir a Deus.

Percebendo que a comunidade na qual ingressara não vivia com radicalidade evangélica sua opção, sentia cada vez mais o anseio de que de comum acordo passassem a viver a Regra de Santa Clara, e que tivessem a orientação dos Observantes, cujo testemunho de vida sempre a impressionara. Com o apoio sincero e confiante da senhora Lúcia Mascaroni, depois de inúmeras dificuldades e vicissitudes motivadas por divisões internas do grupo de mulheres que viviam então no Mosteiro Corpus Christi, mas por influência decisiva de Catarina, adotam finalmente a Regra própria de Santa Clara.

O Papa Eugênio IV, em uma bula de abril de 1431, enviou algumas Clarissas de Mântua para que formassem as componentes da nova comunidade clariana, estimulando a exata observância da Regra no seu primitivo rigor, atendendo assim às santas aspirações de Catarina e das suas companheiras. Depois de algum tempo de aprofundamento neste estilo de vida – o que considerou como o seu noviciado – Catarina professou em 1432, com dezenove anos, a Regra de Santa Clara, pela qual tanto lutara.

Catarina era de saúde muito delicada, mas esquecia-se complemente de si mesma, impondo a si mesma os trabalhos mais pesados e difíceis para poupar as demais. Desempenhou muitas funções a serviço de sua comunidade, entre elas a de padeira e de enfermeira. Foi exemplar na humildade e na obediência, em meio a inúmeras tentações de rebelião e de desespero, durante boa parte de sua vida em Ferrara. Era sempre pródiga na caridade para com suas irmãs.

Dotada de uma inteligência e de uma sensibilidade e perspicácia únicas, destacou-se como grande escritora, poetisa, pintora e mística do renascimento italiano. Seu estilo literário é original, precioso para o estudo da própria língua italiana da época, no dialeto de sua região. Jamais quis aceitar o ofício de abadessa em Ferrara, mas foi longamente mestra de noviças. O seu livro “As Sete Armas Espirituais” é uma síntese belíssima de sua pedagogia espiritual.

Na perspectiva de realizar uma nova fundação em Bolonha, Catarina foi escolhida como abadessa, na véspera da partida das fundadoras, em cujo grupo ela já  se contava. O temor em relação à difícil missão que o Senhor lhe pedia fez com que adoecesse gravemente naquela noite, tanto que pensavam as Irmãs que não sobreviveria. Mas na manhã seguinte, como por um milagre, partia com quinze companheiras para Bolonha, numa viagem memorável, em carruagem adaptada como clausura, que o povo acompanhava ou aclamava com júbilo. É o ano de 1456. Em pouco tempo o número de Irmãs em Bolonha se vê multiplicado.

A fama de santidade de Catarina atrai muitas jovens. A própria mãe de Catarina e sua irmã se fazem clarissas. O Mosteiro Corpus Domini de Bolonha torna-se um verdadeiro centro espiritual naquela cidade de douta cultura. O número de Clarissas rapidamente chega a sessenta. Dentre as mais fiéis colaboradoras que Catarina teve no trabalho de implantação do ideal de Santa Clara, estão as Bem-aventuradas: Giovana Lambertini (+1476), Paula Mezzavaca (1426-1482) e Iluminata Bembo (+1496).

Todas elas ingressaram em Ferrara, antes da observância da Regra de Santa Clara; participaram do grupo que fundou o Mosteiro de Bolonha e foram exemplares em seu testemunho de vida. Iluminata foi a primeira biógrafa de Santa Catarina. Seu manuscrito “Espelho de Iluminação” conserva-se atualmente no Mosteiro Corpus Domini de Bolonha, com as obras pessoais de Catarina: As Armas necessárias às batalhas espirituais, Breviário, Tratado sobre o modo de comportar-se nas tentações, Regras de vida religiosa, Louvores e dovoções, Cartas, Louvores espirituais e poesias, todos manuscritos autógrafos, alguns inéditos.

A partir de 1461, Catarina passa por períodos sucessivos de grave doença, até sua morte a 9 de março de 1463. Foi beatificada pelo Papa Clemente VII. Em 1712, Clemente XI declarou-a santa. Seu corpo se conserva incorrupto, em perfeito estado de conservação e flexível, na Igreja do Mosteiro Corpus Domini. Está  sentada, com a Regra de Santa Clara nas mãos. É um dos casos mais interessantes na história!  A festa de Santa Catarina se celebra no dia 9 de maio.

10 São Félix de Nicósia - Capuchinho
10/05/2017

Religioso da Primeira Ordem (1715-1787), com culto público aprovado por Leão XIII em 12 de fevereiro de 1888.

 

Jaime Amoroso nasceu em Nicosia (Sicília) em 05 de novembro de 1715. Filho de um paupérrimo sapateiro, aprendeu e exerceu a arte da sapataria na firma Ciavarelli, até a idade de 28 anos, desta maneira foi o principal sustentáculo da família. Ao ingressar na Ordem dos Frades Menores Capuchinhos foi destinado ao convento de Nicosia, onde foi hortelão, cozinheiro, sapateiro, enfermeiro, porteiro e sobretudo esmoleiro até o dia de sua morte.

Felix, havendo crescido em uma família bem modesta se destacou pela pureza de costumes. Aceitava pacientemente as grandes humilhações que seu guardião lhe empunha sistematicamente para provar sua humildade. Submeteu-se voluntariamente aos jejuns, vigílias e rigorosas penitências.

Em contatos diários com o povo, era generoso em dar bons conselhos. Fez prodígios que lhe mereceram a fama de taumaturgo. Alimentou um amor ardente à Virgem Dolorosa e à Eucaristia.

Sentia-se verdadeiramente feliz por ter realizado a sua vocação franciscana. Com efeito, durante o dia, carregava, certamente as esmolas, que aumentaram rapidamente, porém, durante à noite, o melhor leito, de palha fresca e suave era para o asno, porque Felix renunciava a gostosa ração de palha em favor de seu companheiro de trabalho. Este era um segredo entre ele e o asno.

No convento, Frei Felix era conhecido sobretudo pela sua obediência. Tinha 72 anos e na agonia, em 31 de maio, pediu a visita do padre guardião. “O que desejas, filho?, perguntou-lhe o superior. A bênção dos moribundos? Também essa, respondeu Frei Félix. Mas, antes, meu pai, peço a obediência, não somente para viver, como também para morrer”. Esta foi a grande lição que o antigo sapateiro deixou para os capuchinhos do convento de Nicosia.

A 12 de Fevereiro de 1888, o Papa Leão XIII beatificou-o, em São Pedro, no Vaticano. Foi canonizado por Bento XVI aos 23 de outubro de 2005.

 

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Fr. Giuliano Ferreni, OFM. Fr. José guilhermo Ramírez, OFM.  Editorial Franciscana

11 São Inácio de Laconi - Capuchinho
11/05/2017

Religioso da Primeira Ordem (1701-1781). Foi canonizado por Pio XII no dia 21 de outubro de 1951.

 

Santo Inácio de Láconi, o segundo numa família de nove irmãos, nasceu em Láconi, na Sardenha, a 17 de novembro de 1701. Foram seus pais Matias Peis Cadello e Ana Maria Sanna Casu, pobres de bens materiais, mas ricos de fé. Desde pequeno se distinguiu pela sua bondade e piedade; sendo ainda adolescente, praticava contínuas mortificações e rigorosos jejuns.

Tinha 18 anos quando ficou gravemente doente e fez, então, a promessa de se fazer capuchinho se viesse a curar-se. Mais tarde, escapou a outro perigo mortal e nessa altura cumpriu a sua promessa. A 3 de novembro de 1721 foi a Cagliari e apresentou-se no Convento dos Capuchinhos de Buoncammino.

Recusado inicialmente por causa da sua frágil constituição física foi, finalmente, admitido. Vestiu o hábito religioso dos Capuchinhos no Convento de São Bento a 10 de Novembro de 1721. No final do ano do noviciado, foi transferido para o Convento de Iglesias, onde recebeu o ofício de dispenseiro, sendo, ao mesmo tempo, encarregado de esmolar na campanha de Sulcis.

Depois de passar durante 15 anos por diversos conventos, Inácio foi enviado para Cagliari, para o Convento de Buoncammino, recebendo aí o encargo de confeccionar os hábitos para os religiosos e depois, a partir de 1741, o ofício de pedir esmola naquela cidade – um ofício, então, considerado de grande importância e responsabilidade.

Cagliari foi, assim, durante 40 anos, o campo do seu maravilhoso apostolado, desenvolvido com um amor imenso no meio dos pobres e dos pescadores. Era venerado pelo encanto da sua virtude e pelos milagres que ia realizando até ao ponto de ser chamado por todos como “Padre Santo”. Um testemunho daquele tempo, nada suspeito e que mostra a grande veneração de que era geralmente rodeado o humilde capuchinho, é-nos oferecido pelo pastor protestante, José Fues, que vivia naquele tempo em Cagliari.

Numa carta escrita a um seu amigo da Alemanha, assim se exprimia: “Vemos todos os dias a pedir esmola, perambulando pela cidade, um santo vivo que é o irmão leigo capuchinho que, com vários milagres, conquistou a veneração de todos os seus compatriotas”.

Converteu-se numa figura típica, quase insubstituível naquela cidade da Sardenha que, precisamente naquela altura, tinha passado para o domínio da casa de Savoia. Pedia esmola nos bairros pobres, ao longo do porto, nas tavernas e nas lojas. Pedia e dava ao mesmo tempo. Por um lado, dava qualquer ajuda para socorrer os necessitados e, por outro, também um exemplo, uma boa palavra, um conselho, uma recomendação a apontar a virtude.

Conhecido por todos, por todos era respeitado e amado. Ia vendo as gerações sucederem-se em torno do seu próprio hábito, as crianças a converterem-se em homens e os homens a ficarem velhos. Somente ele não mudava. Sempre nos mesmos lugares, sempre atento à sua missão, sempre com a mesma humildade e caridade, a mesma simplicidade e bondade.

Tendo perdido a visão em 1779, passou os últimos anos de vida em intensa oração até ao dia da sua gloriosa morte, que teve lugar em Cagliari, a 11 de maio de 1781.

Fonte: “Santos franciscanos para cada dia”, edição Porziuncola

12 São Leopoldo Mandic - Capuchinho
12/05/2017

Sacerdote da Primeira Ordem (1866-1942). Canonizado por João Paulo II no dia 16 de outubro de 1983.

 

São Leopoldo Mandic nasceu em Castelnovo de Cátaro da Dalmácia, na Iugoslávia, a 12 de maio de 1866, numa família croata. Os pais, profundamente religiosos, educaram-no nos mais elevados sentimentos em relação a Deus e aos homens.

Quando tinha 16 anos, sentindo-se chamado a trabalhar pelo regresso dos orientais à unidade com a Igreja Católica, deixou a sua casa paterna e decidiu entrar na Ordem dos Capuchinhos, em Bassano del Grappa, a 2 de Maio de 1884.

A 20 de setembro de 1890 foi ordenado sacerdote em Veneza. Convencido que o Senhor o chamava a um grande ideal, pediu, com insistência, aos seus superiores que o deixassem partir para o Oriente a fim de poder dedicar a sua vida à reunificação na Igreja Católica dos cristãos ortodoxos. Porém, as suas precárias condições de saúde não lhe permitiram e teve, assim, de se submeter à vontade dos seus superiores e passou, então, por diversos conventos, entregando-se ao ministério das confissões até que, em 1909, foi destinado ao Convento de Santa Cruz, em Pádua, para atender de forma estável o sacramento da Reconciliação. Ali permaneceu até a morte.

Uma pequena cela junto à igreja converteu-se no campo do seu maravilhoso apostolado: o sacramento da Reconciliação. Este divino ministério foi, nas mãos de São Leopoldo, uma eficaz arma de salvação para as almas no seguimento pelos caminhos de Deus. Ali, se mantinha a atender as pessoas durante todo o dia, sem uma hora de descanso, sem gozar jamais de quaisquer férias, não obstante o tórrido calor do verão e o intenso frio do inverno – na celazinha que servia de confessionário nunca teve aquecimento!

Muito depressa, aquela despida cela se converteu em farol luminoso que atraía almas sem conta, necessitadas de paz e de conforto. Para todos, São Leopoldo tinha palavras de perdão, de paz, de estímulo para o bem. Somente o Senhor sabe quantos foram os penitentes que se vieram ajoelhar aos seus pés durante quarenta anos. Quanto bem ali realizou e tudo no silêncio mais absoluto e no mais profundo recolhimento. Nenhuma propaganda em volta dele.

Pedia ao Senhor que pudesse fazer todo o bem possível, mas que ninguém o soubesse. E foi ouvido, porque, nem os jornais, nem qualquer outro meio de propaganda se ocuparam dele. Somente Deus deveria ser glorificado na sua humilde pessoa. Sempre envolto em sofrimento, suportou tudo para a salvação das pessoas que se aproximavam dele. A tudo isso acrescentava ainda penitências ocultas. Não descansava mais de quatro horas por noite.

Em cada uma das pessoas que se aproximava dele via o seu Oriente. Era devotíssimo da Eucaristia. Costumava dizer: “Oh! Se os nossos olhos pudessem ver o que acontece sobre o altar durante a Missa! A nossa pobre humanidade não poderia suportar a grandeza de tamanho mistério (…)”. Era filial e intenso o seu amor à Virgem Maria, a “Padroeira Bendita”.

Chegou aos 76 anos. Um tumor no esófago prostrou-o na manhã de 30 de julho de 1942, no momento em que se preparava para celebrar a Eucaristia. Naquela manhã, ele mesmo se converteu em vítima sobre o altar do Senhor. As suas últimas palavras foram uma invocação a Nossa Senhora da qual tinha sido sempre devoto.

As vozes e a convicção de todos era que tinha morrido naquele momento um santo. Começaram a invocá-lo para obterem conforto e graças do Céu. O seu corpo, sepultado numa capela junto ao seu confessionário, foi encontrado incorrupto.

A 2 de maio de 1976, durante o Sínodo da Evangelização, o Papa Paulo VI beatificou-o, em São Pedro, afirmando, nessa altura: “Que o nosso Beato saiba chamar ao sacramento da Penitência, a este, certamente, severo tribunal, mas não menos amável refúgio de conforto, de verdade, de ressurreição para a graça e de exercício para a autenticidade cristã, muitas almas para lhes fazer experimentar as secretas e renovadas alegrias do Evangelho no colóquio com o pai, no encontro com Cristo, na consolação do Espírito Santo”.

13 Bem-aventurados João de Cetina e Pedro Dueñas
13/05/2017

Religiosos, mártires da Primeira Ordem (1380-1397). Clemente XII aprovou o seu culto a 26 de agosto de 1731.

 

João de Lourenço, nascido em Cetina (Aragão – Espanha), depois de haver estado a serviço de um nobre senhor, levou vida eremítica nas cercanias de Murcia. Voltando para Aragão tomou o hábito franciscano entre os Frades Menores de Monção. Terminados os estudos no convento de São Francisco, em Barcelona, ordenou-se sacerdote, dedicando-se com êxito à pregação. Ao chegar a notícia do martírio de São Nicolau Tavelic e companheiros, em Jerusalém (1391), foi a Roma para solicitar de Bonifácio IX licença para ir à Terra Santa. O Pontífice lhe negou essa graça, porém, concedeu-lhe a faculdade de pregar o Evangelho entre os infiéis.

Voltando para a Espanha em 1395, Frei João se dirigiu para Córdova, destinado ao novo convento de São Francisco do Monte e levou uma vida de contemplação. Ali se reuniu com Frei Pedro de Duenãs (Palência).

Pedro nasceu em Duenãs (Espanha) e muito jovem ingressou na Ordem dos Frades Menores na qualidade de religioso leigo. Tinha uns dezoito anos e há pouco havia se consagrado ao Senhor com a profissão religiosa quando aceitou com muito entusiasmo a proposta de Frei João de Cetina para ser seu companheiro na árdua missão de evangelizar os mouros. Foi muito contente, também pelo fato de Frei João de Cetina ter sido seu mestre durante o noviciado.

Obtida a licença de seus superiores para ir pregar o Evangelho aos mouros de Granada, os dois entraram na cidade no dia 8 de janeiro de 1397, domingo. Alegraram-se sobremaneira por poder pregar a fé em Cristo a tantos pobres infelizes irmãos. O objetivo de sua missão era sublime: anunciar a fé em Cristo aos sarracenos. Mas logo foram aprisionados e conduzidos à presença do juiz. Este os interrogou a respeito de sua missão. Os religiosos responderam firmemente que tinham ido a Granada com o fim de anunciar a fé em Cristo e exortá-los a abandonar a religião de Maomé. O juiz riu-se de suas pretensões e pensou que fossem loucos. Aconselhou-os que, se quisessem salvar a própria vida, abandonassem imediatamente a cidade. Os intrépidos defensores da fé insistiram na necessidade de abraçar a fé cristã porque é a única verdadeira. João, movido por divina inspiração, propôs-lhes a prova de fogo, porém o juiz não aceitou; deu ordens para que fossem conduzidos à casa de algum cristão, a fim de que fossem logo afastados da cidade. Depois de algum tempo de silêncio, apareceram novamente nas praças públicas anunciando a fé cristã. Os sarracenos não tardaram em levantar-se contra eles, acusando-os novamente no tribunal como perturbadores do povo e blasfemos contra o seu grande profeta.

Os ardorosos apóstolos da fé, que pressentiam morte próxima, quiseram preparar-se pela confissão e bênção do coirmão português Pe. Eustáquio, capelão dos mercadores cristãos, e logo serenamente se apresentaram ao juiz. Foram condenados à prisão junto com os escravos cristãos para o cultivo dos vinhedos. A vida dos religiosos foi um verdadeiro e prolongado suplício. Mas estavam bem felizes em estar sofrendo por Deus, que morreu pela salvação da humanidade. Nos dias festivos, Frei João instruía na fé seus companheiros de prisão, alguns dos quais haviam deserdado da fé ou estavam vacilantes. Celebrava a missa numa pobre e estreita habitação com grande satisfação, que se fortaleciam na confiança em Deus, que proclama felizes os que sofrem por causa da justiça.

A prisão dos dois confrades durou mais de dois meses. De dia eram obrigados ao trabalho extenuante, e de noite, no cárcere, depois de um breve sono, dedicavam-se à oração. Pelos muitos padecimentos Frei Pedro enfermou gravemente por três semanas, entre a vida e a morte, com febre altíssima. Finalmente sarou e com isso alegrou-se, pois esperava dar a Deus o testemunho supremo de seu incondicional amor com o martírio, conforme sempre havia desejado. No segundo domingo de Páscoa o bem-aventurado João pronunciou um vibrante discurso aos cristãos e aos muçulmanos, explicando o Evangelho do Bom Pastor. Delineou a figura do Bom Pastor comparando-a com Maomé, o falso Pastor. O juiz chamou os missionários e os interrogou longamente. Nem com promessas, nem com ameaças conseguiu demovê-los de sua fé. Então se lançou furioso contra o Beato João e o golpeou terrivelmente na cabeça e ordenou imediatamente que fosse decapitado.

O juiz espera que o jovem Frei Pedro de dezoito anos, ante o corpo exânime de seu mestre, mudasse de parecer, abjurando a fé cristã para abraçar a de Maomé. Com promessas de dinheiro e de prazeres ele procurou demovê-lo, mas por fim irritado, cortou a cabeça do jovem mártir com um golpe de cimitarra. Era o dia 14 de maio de 1397.

Depois de alguns anos suas relíquias foram resgatadas por uns mercadores catalanenses e enviadas aos conventos franciscanos de Sevilha e de Córdova, e à Catedral de Vich. Em 1583, a Província Franciscana de Granada os escolheu como seus patronos.

Fonte: “Santos franciscanos para cada dia”, edição Porziuncola.

15 Bem-aventurada Humiliana de Cerchi
15/05/2017

Penitente da Terceira Ordem (1219-1246). Seu culto foi aprovado por Inocêncio XII no dia 24 de julho de 1694.

 

Humiliana nasceu em Florença em 1219, filha de Oliverio de Cerchi, descendente de antigos senhores de Ancona no Vale de Sieve. Em tenra idade perdeu sua mãe, foi educada por sua madrasta Ermelina de Cambio de Benzi, consaguínea de São Felipe. Em 1234, quando, todavia, não tinha dezesseis anos, por vontade de seus parentes, foi dada como esposa a um nobre, num matrimônio de interesse. Viveu no matrimônio cinco anos, e teve duas filhas. Espelhou-se no exemplo de sua parenta Ravenna, que dava a todos um admirável exemplo de piedade cristã.

Em 1239, aos vinte anos, ficou viúva, renunciou a parte de seus dotes para saldar as dívidas deixadas pelo marido e se dedicou com amor à educação de suas filhas. Decidiu viver em castidade e rechaçou as propostas de um novo casamento. Várias vezes pediu às clarissas de Monticelli para ser admitida entre elas, mas não teve resultado. Resignada a viver no mundo, se colocou sob a direção do franciscano Bem-aventurado Miguel de Alberti, progredindo na contemplação de Jesus crucificado. Em 1240, na Basílica de Santa Cruz recebeu o hábito franciscano da penitência: foi a primeira terceira florentina, seguida por uma série de santas mulheres.

Em 1241 pediu e obteve do Papa a autorização de viver separada na torre dos Cerchi, próxima da Piazza della Senhora. Também neste isolamento sofreu perseguições e contrariedades. Privada de seus bens, agradeceu a Deus e passou a fazer penitência. Distribuiu aos pobres o pouco que restou. Foram muitos os carismas com que foi favorecida por Deus: êxtases, espírito profético e  virtudes taumatúrgicas.

Faleceu no dia 19 de maio de 1246 com a idade de 27 anos e foi sepultada na igreja de Santa Cruz.

Fonte: “Santos franciscanos para cada dia”, edição Porziuncola.

16 Santa Margarida de Cortona
16/05/2017

Penitente da Terceira Ordem (1247-1297). Canonizada por Bento XIII no dia 16 de maio de 1728.

 

A penitência marcou a vida de Margarida que nasceu em 1247, em Alviano, Itália. Foi por causa de sua juventude, período em que experimentou todos os prazeres de uma vida voltada para as diversões mais irresponsáveis.

Margarida ficou órfã de mãe, quando ainda era muito criança. O pai se casou de novo e a pequena menina passou a sofrer duramente nas mãos da madrasta. Sem apoio familiar, ela cresceu em meio a toda sorte de desordens, luxos e prazeres. No início da adolescência se tornou amante de um nobre muito rico e passou a desfrutar de sua fortuna e das diversões mundanas.

Um dia, porém, o homem foi vistoriar alguns terrenos dos quais era proprietário e foi assassinado. Margarida só descobriu o corpo alguns dias depois, levada misteriosamente até ele pela cachorrinha de estimação que acompanhara o nobre na viagem. Naquele momento, a moça teve o lampejo do arrependimento. Percebeu a inutilidade da vida que levava e voltou para a casa paterna, onde pretendia passar o resto da vida na penitência.

Para mostrar publicamente sua mudança de vida, compareceu à missa com uma corda amarrada ao pescoço e pediu desculpas a todos pelos excessos da sua vida passada. Só que essa atitude encheu sua madrasta de inveja, que fez com que ela fosse expulsa da paróquia. Margarida sofreu muito com isso e chegou a pensar em retomar sua vida de luxuria e riqueza. No entanto, com firmeza conseguiu se manter dentro da decisão religiosa, procurando os franciscanos de Cortona e conseguindo ser aceita na Ordem Terceira.

Para ser definitivamente incorporada à Ordem teria que passar por três anos de provação. Foi nesta época que ela se infligiu as mais severas penitências, que foram vistas como extravagantes, relatadas nos antigos escritos, onde se lê também que a atitude foi tomada para evitar as tentações do demônio. Seus superiores passaram a orienta-la e isso a impediu de cometer excessos nas penitências.

Aos 23 anos, Margarida de Cortona, como passou a ser chamada, foi premiada com várias experiências de religiosidade que foram presenciadas e comprovadas pelos seus orientadores espirituais franciscanos. Recebeu visitas do anjo da guarda, teve visões, revelações e mesmo aparições de Jesus, com quem conversava com frequência durante suas orações contemplativas.

Ela percebeu que o momento de sua morte se aproximava e foi ao encontro de Jesus serenamente, no dia 22 de fevereiro de 1297. Margarida de Cortona foi canonizada pelo Papa Bento XIII em 1728 e o dia de sua morte indicado para a sua veneração litúrgica.

17 São Pascoal Bailão
17/05/2017

Religioso da Primeira Ordem (1540-1592). Canonizado por Alexandre VIII no dia 16 de outubro de 1690.

 

Nasceu  em  Torre Hermosa, no reino de Aragão,  na Espanha, filho de  Martinho Bailão e Isabel Jubera,  a 16 de maio de 1540, festa de Pentecostes, chamada de Páscoa cor de rosa, daí chamar-se Pascoal.  Provinha de uma família numerosa, pobre e humilde, na qual se vivia, no entanto, profundo espírito religioso, devido à mãe que era devotíssima da Eucaristia.  Biógrafos dizem também que era muito generosa em dar esmolas aos pobres.

Pascoal não pôde frequentar a escola porque seu pai precisava que ele cuidasse do rebanho, serviço que executou com grande dedicação até mesmo quando este encargo lhe era ocasionalmente conferido por um ou outro pastor.  Executando seu trabalho distante do povoado e da igreja, passava horas inteiras em oração, privando-se de alimentos para dominar ou adestrar seu corpo. Era desses que tinha o hábito da flagelação. Longe do ruído, nas montanhas, cuidando das ovelhas tinha tempo para rezar, meditar, louvar a Deus e venerar Maria. De trato amável nos relacionamentos, com sua doçura e serenidade, conquistou a  amizade de muitos pastores que encontrava nas alturas dos montes e  nos vales da Andaluzia e entre os quais começou seu primeiro apostolado com simplicidade e ardor sincero.  Procurava pastagens das quais pudesse ver uma igreja em que se conservava a Eucaristia para adorá-la enquanto seus rebanhos pastavam, como confidenciou ao companheiro de trabalho que haveria de dar este testemunho 18 anos depois de sua santa morte.

Quando completou 18 anos, em Monteforte del Cid, veio a conhecer os franciscanos do convento de Santa Maria de Loreto.  Pensava em poder realizar seu sonho de se tornar religioso. Como isso ainda não lhe era possível  aceitou de realizar o trabalho de pastor junto a um rico  proprietário de ovelhas,  Martino Garcia, que lhe dava a permissão de frequentar o Santuário Mariano e residir junto ao convento franciscano.  Enquanto pastoreava não muito distante do convento caía em êxtase  ao som do sino que anunciava a elevação no momento da consagração . Por fim, a 2 de fevereiro de 1564, já com fama de santidade, pode vestir o hábito  franciscano e, no ano seguinte, fazer sua profissão religiosa no convento dos frades alcantarinos de Orito, onde permaneceu até 1573,  dedicando-se a tarefas muito humildes, de modo particular ao mister de porteiro.

Muito estimado pela vida de austeridade que levava e favorecido por dons do Espírito Santo, entre os quais do dom da sabedoria infusa, o iletrado Pascoal – que tinha aprendido a ler enquanto pastoreava o rebanho e depois conseguiu apenas escrever alguma coisa, era  procurado por pessoas eruditas que vinham se aconselhar com ele.  De 1573 até 1589, sua vida transcorreu em diferentes conventos da província de Alicante, passando depois  para a Província de Castellon, no convento de Vila Real.

A obediência o obrigou a fazer uma longa e perigosa viagem até Paris.  O Ministro Provincial da Espanha, em 1576, necessitava comunicar-se com urgência com o Ministro Geral da Ordem Cristóvão de Cheffontaines.  O dito Ministro sabia bem que era difícil uma viagem no tempo das perseguições calvinistas. Na verdade, Pascoal foi muito hostilizado e insultado.  Em Orleans quase veio a morrer depois de uma discussão a respeito da Eucaristia. Esta não foi a única investida contra o frade menor antes que ele chegasse ao seu destino e entregasse  a correspondência que levava para o Ministro Geral.  Voltando desta viagem escreveu um livro com sentenças (pensamentos), um pequeno tratado ou compêndio sobre a Eucaristia. Falava, é claro, da presença real de Jesus neste sacramento e também dos poderes transmitidos ao  Papa.

Mereceu ele receber o cognome de “teólogo da eucaristia”,  não somente por ter resolvido as questões dos adversários na França, mas também pela coletânea de escritos que deixou a respeito do Sacramento da Eucaristia que foi sempre o centro de sua intensa vida espiritual e a marca mais  evidente de sua vida.  Estando sempre à disposição dos confrades e dos que batiam à porta do convento, Pascoal, além disso, continuava a infligir-se penitências e com isto debilitou sua saúde até o limite de capacidade de resistência.

Os últimos anos de vida de Pascoal se transcorreram no convento de Vila Real, em Valência, exercendo sempre o ofício de porteiro e de esmoler, muito estimado por toda a população, de modo especial pelos mais simples e pelas crianças. Todos queriam receber a bênção do frade ao lhe darem uma pequena oferta. Tudo ia sendo assim feito até o dia em que exercendo seu ministério de esmoler perdeu as forças.

Compreendendo que estava próxima a sua morte correu ao seu encontro. De fato, veio a falecer  no convento do Rosário, a  17 de maio de 1592, solenidade de Pentecostes, com a idade de 53 anos.  Foram muitos os que vieram dar o último adeus ao piedoso frade.  Os biógrafos contam, que durante a celebração da missa de exéquias, no momento da elevação do cálice e da patena, seu corpo já enrijecido pela morte reabriu os olhos para fixar o pão e o vinho da eucaristia  dando assim seu último testemunho de apreço pelo Santíssimo Sacramento.

Sua santidade foi confirmada por muitos milagres que espalharam sua fama por todo o mundo católico. Vinte e seis anos depois, no dia 29 de outubro  de 1618, era proclamado bem-aventurado (beato) por Paulo V e a 16 de outubro de 1690,  canonizado por Alexandre VIII. O Papa Leão XIII, no dia 26 de novembro de 1897, proclamou-o patrono das devoções eucarísticas e, pouco depois, também dos congressos eucarísticos internacionais.

Os restos mortais de São Pascoal Bailão, venerados em Vila Real, foram profanados e espalhados durante a guerra civil espanhola (1936-39). Parcialmente recuperados  foram restituídos à cidade de Vila Real em 1952.

As imagens do santo sempre o representam próximo a um ostensório  Uns vinte pequenos tratados de sua autoria falam de seu profundo amor pela Eucaristia.

(Tradução livre da obra  Frati Minori Santi e Beati, publicação da Postulação Geral da Ordem dos Frades Menores, 2009, p. 253-255)

18 São Félix de Cantalício - Capuchinho
18/05/2017

Religioso da Primeira Ordem (1515-1587). Canonizado por Clemente XI no dia 22 de maio de 1712.

 

Félix de Cantalício foi uma das mais populares e mais características figuras da Roma do século XVI. Nasceu na aldeia de Cantalício, pequena povoado no sopé dos Apeninos, próximo de Rieti, em 1515. Até aos 30 anos, trabalhou no campo, como agricultor, viajando, depois, para Roma, não para gozar dos divertimentos da gente da cidade nem para melhorar sua condição de pobre e humilde.

Entrou como religioso na Ordem dos Frades Menores Capuchinhos e, a partir de 1547, até à sua morte em 1587, dedicou- se a pedir esmola de porta em porta no Convento de São Nicolau, hoje chamado de Santa Cruz dos Luccesi. Passava pelas ruas de Roma, com o seu áspero e pobre hábito, pedindo esmola, não só para o Convento, mas também para os pobres e para os doentes.

A todo aquele que lhe dava qualquer coisa dizia sempre: Deo gratias – Graças a Deus! Aos que não lhe davam nada, dizia também: Deo gratias. Por isso, bem depressa começou a ser conhecido pelo nome de Frei Deo gratias. São Filipe de Néri, o apóstolo florentino dos romanos, tornou-se o seu grande amigo. Quando São Filipe o encontrava na rua, pedia-lhe publicamente conselhos e ensinamentos.

A simplicidade espontânea e popular de frei Félix rodeava-o de gratificante admiração. São Carlos Borromeu tinha-o em grande consideração, como muitos outros prelados que reconheciam naquele inculto, mas tão espiritual capuchinho, uma capacidade intelectual extraordinária. Predisse a Sisto V que este seria Papa e aconselhou-o a comportar- se dignamente quando o fosse. Viram-se muitas púrpuras cardinalícias e dignidades prelatícias a inclinar-se diante daquele aldeão, vestido de hábito capuchinho.

Félix tinha temperamento místico. Dormia apenas 3 horas por dia. O resto da noite consagrava-o, na igreja, à oração, na contemplação dos mistérios da vida de Jesus. Comungava todos os dias o Corpo do Senhor. Nos dias santos era seu costume fazer a peregrinação às Sete Igrejas de Roma ou, então, visitava os doentes nos diversos hospitais da cidade. Alimentou sempre terna devoção para com Nossa Senhora que lhe apareceu muitas vezes e lhe entregou o Menino Jesus que ele estreitava amorosamente nos braços.

Morreu aos 72 anos, no dia 18 de maio de 1587, arrebatado numa visão de Nossa Senhora. A sua sepultura, na igreja da Imaculada Conceição dos Capuchinhos de Roma, converteu-se em lugar de peregrinação. Foi canonizado por Clemente XI, a 22 de maio de 1712.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, edição Porziuncola

19 São Crispim de Viterbo - Capuchinho
19/05/2017

Religioso da Primeira Ordem (1668-1750). Canonizado por João Paulo II em 20 de junho de 1982.

 

São Crispim nasceu em Viterbo de uma humilde família, a 13 de Novembro de 1668. Recebeu no batismo o nome de Pedro Fioretti. Eram seus pais Ubaldo e Márcia que lhe deram uma profunda e cuidadosa educação cristã. Frequentou os primeiros anos da escola. Apesar da sua frágil constituição física, logo se começou a impor penitências voluntárias. O seu primeiro trabalho foi o de aprendiz de sapateiro.

Desejoso de levar uma vida austera e de se consagrar a Deus, a 22 de Julho de 1693, foi admitido no noviciado dos Capuchinhos em Palanzana, junto à sua terra natal. Feita a profissão religiosa, logo a seguir, foi destinado ao Convento de Tolfa, como ajudante de cozinha.

A sua personalidade de asceta, o seu estilo de cantor do bom Deus e de Nossa Senhora, bem depressa mostraram aquilo que iria ser. Amante da pobreza, dotado de espírito generoso e sensível às manifestações da alegria, cheio de caridade e de atenções fraternas para com os pecadores, os pobres, os encarcerados e as crianças abandonadas, sabia tornar-se útil e agradável nos mais variados ofícios. Era, ao mesmo tempo, encarregado do quintal, enfermeiro, cozinheiro e ainda ia pedir esmola de porta em porta.

Jovial por temperamento e por coerência com o ideal franciscano, sabia fazer amar a virtude e consolar os que sofriam. Com simplicidade edificante, entoava canções, compunha e recitava poesias. Levantava pequeninos altares a Nossa Senhora, sua Mãe e Senhora dulcíssima. A um seu irmão que lhe chamava a atenção por este seu modo de ser e de se comportar como inconveniente para o estado religioso, ele respondia: Eu sou o arauto do grande Rei. Deixai-me cantar como São Francisco. Estes cantos farão bem ao espírito de quem me ouve. Sempre, é claro, com a ajuda de Deus e da sua grande Mãe.

A sua confiança sem limites na Divina Providência e a sua união com Deus foram muitas vezes premiadas com milagres e carismas. Era procurado por prelados, nobres e sábios que lhe pediam conselhos, porém, nunca mudou a sua atitude simples e modesta.

Durante 40 anos pediu esmola, de porta em porta, em Orvieto e arredores, procurando os meios necessários de subsistência para a sua comunidade e para os necessitados da “grande família de Orvieto”. Neste trabalho praticou obras notáveis no campo da assistência e no campo religioso, sobretudo com os doentes, os encarcerados, as mães solteiras, as famílias pobres, as pessoas desesperadas. Homem de paz, no meio dos seus irmãos, no seio das famílias, entre os cidadãos, entre o povo e a autoridade civil ou religiosa e, tudo isto, sempre com uma santa alegria.

Devotíssimo do Santíssimo Sacramento e de Nossa Senhora, foi cumulado de sabedoria celeste que o levava a ser consultado, como se disse, por homens da cultura.

Desgastado pelo trabalho e pelas penitências, passou os últimos anos da sua vida em Roma, no Convento da Imaculada Conceição, na rua Vittorio Veneto.

O Cardeal Trémouille, embaixador do rei de França, encontrando-se gravemente doente, pediu que lhe chamassem o nosso santo que o curou com a sua oração. De outra vez, quando o Papa Clemente XIV tomava parte na eucaristia da igreja dos Capuchinhos, um dos seus camareiros foi acometido de dores gravíssimas. Era frequente suceder-lhe este fenômeno. Médico algum conseguia descobrir a cura para o seu mal. São Crispim levou-o diante do altar de Nossa Senhora e a cura foi instantânea. No dia 19 de maio de 1750, com 82 anos de idade, entrega santamente sua alma ao Pai.

19 São Teófilo de Corte
19/05/2017

Sacerdote da Primeira Ordem (1676-1740). Canonizado por Pio XI no dia 29 de junho de 1930.

 

São Teófilo de Corte é considerado o grande promotor dos Retiros Sagrados, nos quais os religiosos fazem pelo menos duas horas de orações em comum, levantam-se à noite para as matinas e observam jejum durante quatro quaresmas, ou seja, quase, meio ano.

Nascido em Corte, na Ilha da Córsega, em 1676, Biagio de Signori entrou com 17 anos para os Capuchinhos, passou depois para os Frades Menores Observantes, entre os quais ficou, assumindo o nome de Teófilo (amigo de Deus).

Esteve em Roma, onde fez os estudos de Filosofia, e em Nápoles, onde concluiu os estudos de Teologia e  foi ordenado sacerdote no convento de Santa Maria la Nova em 1700. Destinado ao ensino, renunciou para viver doze anos com são Tomás de Cori – que o influenciou muito – no convento lacial de Civitella San Sisto (hoje Bellegra) nos Montes Prenestinos.

Aí foi padre guardião. Andou, anunciado a mensagem evangélica em toda a região da Sabina e a área de Subiaco. Depois, para restabelecer a presença franciscana da Ilha da Córsega, a Ordem pensou  nele.

Assim voltou à ilha natal e tornou-se padre guardião da nova fundação de Zúani. Mais tarde foi chamado a Roma e ainda a Civitella San Sisto, desta vez como superior. Por fim, em Fucecchio, na Toscana, onde faleceu, aos 64 anos, no convento por ele fundado em 19 de maio de 1740. Foi proclamado santo em 1930.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, de Frei Giulliano Ferrini e Frei José Guilhermo Ramirez, OFM, edição Porziuncola

20 São Bernardino de Sena
20/05/2017

Sacerdote da Primeira Ordem (1380-1444). Canonizado por Nicolás V em 24 de maio de 1450.

 

Na Itália, Bernardino nasceu na nobre família senense dos Albizzeschi, Albertollo de Albizeschi e Raniera de Avveduti, em 8 de setembro de 1380, na pequena Massa Marítima, em Carrara. Ficou órfão da mãe quando tinha três anos e do pai aos sete, sendo criado na cidade de Sena por duas tias extremamente religiosas, que o levaram a descobrir a devoção a Nossa Senhora e a Jesus Cristo.

Depois de estudar na Universidade de Sena, formando-se aos 22 anos, abandonou a vida mundana e ingressou na Ordem de São Francisco, cujas regras abraçou de forma entusiasmada e fiel. Apoiando o movimento chamado “observância”, que se firmava entre os franciscanos, no rigor da prática da pobreza vivida por são Francisco de Assis, acabou sendo eleito Vigário Geral de todos os conventos dos franciscanos da observância.

Aos 35 anos, começou o apostolado da pregação, exercido até a morte. E foi o mais brilhante de sua época. Viajou por toda a Itália ensinando o Evangelho, com seus discursos sendo taquigrafados por um discípulo com um método inventado por ele. O seu legado nos chegou integralmente e seu estilo rápido, bem acessível, leve e contundente, se manteve atual até os nossos dias. Os temas frequentes sobre a caridade, humildade, concórdia e justiça, traziam palavras duríssimas para os que “renegam a Deus por uma cabeça de alho” e pelas “feras de garras compridas que roem os ossos dos pobres”.

Naquela época, a Europa vivia grandes calamidades, como a peste e as divisões das facções políticas e religiosas, que provocavam morte e destruição. Por onde passava, Bernardino restituía a paz, com sua pregação insuperável, ardente, empolgante, até mesmo usando de recursos dramáticos, como as fogueiras onde queimava livros impróprios, em praça pública. Além disso, como era grande devoto de Jesus, ele trazia as iniciais JHS – Jesus Salvador dos Homens – entalhadas num quadro de madeira, que oferecia para ser beijado pelos fiéis após discursar.

As pregações e penitências constantes, a fraca alimentação e pouco repouso enfraqueciam cada vez mais o seu físico já envelhecido, mas ele nunca parava. Aos 64 anos de idade, Bernardino morreu no convento de Áquila, no dia 20 de maio de 1444. Só assim ele parou de pregar.

Tamanha foi a impressão causada por essa vida fiel a Deus que, apenas seis anos depois, em 1450, foi canonizado. São Bernardino de Sena é o patrono dos publicitários italianos e de todo o mundo. Entre suas obras mais lidas estão “Sermões”, publicada em Latim.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, de Frei Giulliano Ferrini e Frei José Guilhermo Ramirez, OFM, edição Porziuncola

21 São Ivo da Bretanha
21/05/2017

Sacerdote da Terceira Ordem (1253-1303). Canonizado por Clemente VI no dia 19 de maio de 1347.

 

Yves Hélory (Helori ou Heloury) era filho de Helori, lorde de Kermartin e Azo du Kenquis. Nasceu nas proximidades de Treguier, na Baixa Bretanha, conhecida região da França, no dia 17 de outubro de 1253. Era, pois de família da pequena nobreza e recebera apurada educação, humana e cristã.

Sua mãe, dizia-lhe:  “Meu filho, procura viver sempre de tal maneira, que venhas a ser um santo”. Após a conclusão dos primeiros estudos em sua terra natal, sob a orientação de um jovem sacerdote, Ivo foi enviado em 1267, a tenra idade de 14 anos, à já prestigiada Universidade de Paris, onde estudou Artes Liberais e Teologia. Dentre os seus mestres estava o Doutor Angélico, o prodigioso Santo Tomás de Aquino. Ivo também presenciou conferências do grande São

Boaventura, dele aprendendo o espírito franciscano. Posteriormente, o futuro santo foi para Orléans em 1277, onde se especializou em Direito Civil e Direito Canônico. Depois de anos de estudos, durante os quais brilhou entre seus colegas, voltou para Bretanha.

Em 1280, convidado a ser o conselheiro jurídico e juiz eclesiástico, trabalhou primeiramente como juiz episcopal na arquidiocese de Rennes, cidade capital do Ducado da Bretanha, por quatro anos, e depois em Tréguier. Competia-lhe julgar  todo tipo de litígios, processos matrimoniais, de contratos e heranças, salvo os processos criminais.

Em 1824, seu Bispo o convenceu de receber a Ordenação Sacerdotal, permitindo-lhe manifestar seus dotes de pregador e de reitor de igreja. Também decidiu fazer-se terceiro franciscano, vestindo o hábito da penitência. Concomitantemente como sacerdote e terceiro franciscano, advogado e juiz (o que era possível naqueles tempos em virtude de não vigorar a atual estrita distinção funcional), Ivo multiplicava suas atividades, semeando sua fama, por toda a Bretanha, com um contingente crescente de pessoas que se socorriam a ele. Até milagres já eram atribuídos a ele em vida.

Em suma, a defesa intransigente dos injustiçados e dos necessitados deu a Ivo o título de “advogado dos pobres”, título esse que continuou merecedor ao se tornar sacerdote, e ao construir um hospital, onde cuidava dos enfermos com suas próprias mãos.  Eis outra faceta de Ivo: Frade Franciscano.

Alimentando-se apenas de pão e água, passando a noite em vigília de estudo e oração, não deixava, todavia de percorrer longos caminhos, para encontrar os que dele precisavam. Pregando, orientando, consolando, escutando, reconciliando, decidindo, distribuindo seu dinheiro aos pobres, atendendo os doentes, erigindo uma casa para abrigar  os abandonados, levando à sepultura os mortos, Ivo conseguia a admiração, apreço e respeito dos seus contemporâneos.

Ivo de Kemartin morreu de causas naturais na França em 19 de maio de 1303, aos 50 anos de idade. Seu corpo foi sepultado na Catedral de Tréguier, onde é objeto de devoção do fiéis até hoje. É um dos santos mais populares no Norte da França e patrono dos advogados.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, de Frei Giulliano Ferrini e Frei José Guilhermo Ramirez, OFM, edição Porziuncola

22 Bem-aventurado João Forest
22/05/2017

Sacerdote e mártir da Primeira Ordem (1471-1538). Leão XIII aprovou seu culto

 

João Forest nasceu em 1471, provavelmente em Oxford, na Inglaterra. Aos dezessete anos vestiu o hábito dos Frades Menores, em Greenwich. Nove anos mais tarde, ele foi estudar Teologia em Oxford e depois foi ordenado sacerdote e voltou para o convento de origem. Do cardeal Wolsey recebeu o encargo de pregar na igreja de St. Paul, em Londres, e ao mesmo tempo foi escolhido pela rainha Catarina de Aragão, primeiro como capelão, em seguida, como um confessor.  Ele gozava da estima e amizade de Henrique VIII até o divórcio com Catarina.

João Forest, como guardião do convento, disse a seus confrades em um capítulo da fraternidade de 1532 que o rei queria suprimir a Ordem Franciscana na Inglaterra. Do púlpito da igreja de St. Paul pregou vigorosamente contra o divórcio, defendendo a validade do casamento em discussão e se pronunciou contra o capelão Thomas Cromwell e indiretamente contra o rei. A condenação papal de 1534 enfureceu Henrique VIII, que suprimiu os conventos dos franciscanos e ordenou aos frades que se dispersassem por outros conventos. Nesse tempo, Beato João é encontrado na prisão de Newgate, onde fica até 1534.

Em 1538, João estava no convento dos Conventuais, em Smithfield. Naquela espécie de confinamento pôde manter com a rainha Catarina, com a sua dama de companhia Elisabeth Hammon e com o Bem-aventurado Tomás Abeckl uma correspondência que ainda está preservada, pelo menos em parte.

Ele também escreveu um tratado contra Henrique VIII, que usurpou o título de chefe espiritual da nação. Este tratado irritou o rei, que ordenou a sua prisão. Levado a tribunal, foi condenado à fogueira.

A execução ocorreu em Smithfield, em 22 de maio de 1538. No local do suplício, foi convidado a se desculpar com o rei e fazer juramento de fidelidade, mas o mártir resistiu impávido e fez uma belíssima profissão de fé. Ele foi amarrado pelas costas e jogado nas chamas. Morreu rezando e invocando o nome do Senhor. Tinha 67 anos.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, de Frei Giulliano Ferrini e Frei José Guilhermo Ramirez, OFM, edição Porziuncola

23 Bem-aventurado João do Prado
23/05/2017

Sacerdote e mártir da Primeira Ordem (1560-1631). Beatificado por Bento XIII no dia 24 de maio de 1728.

 

Bem-aventurado João do Prado passou à história dos Frades Menores como o restaurador das Missões Franciscanas no Marrocos.

João nasceu em Mogrovejo, Espanha, em 1560, de pais nobres. Ele interrompeu seus estudos na Universidade de Salamanca para vestir o hábito religioso entre os Frades Menores de Rocamador em  16 novembro de 1584 e, no ano seguinte, em 18 de novembro, fez sua profissão.

Pregador fervoroso e um bom teólogo, ele participou das polêmicas sobre a Imaculada Conceição. Desempenhou os ofícios de guardião em vários conventos, mestre dos noviços e duas vezes foi Definidor (conselheiro). Por suas virtudes e dons foi escolhido para governar a Província Franciscana de São Diego, erigida em 1620.

Sob o seu governo tentou a restauração da missão franciscana em Marrocos. De fato, em 1630 foi destinado a Marrakesh, capital de Marrocos, para atender espiritualmente aos escravos cristãos. Obtido o salvo-conduto do sultão e a nomeação de Urbano VIII com poderes do Prefeito Apostólico da missão, com dois outros frades partiu de Cádiz em 27 de novembro de 1630.

Depois de exercer o ministério em Mazagan por três meses, tentou chegar a Marrakesh, mas, em Azamor, foi preso pelas autoridades muçulmanas e levado para Marrakesh no dia 2 de abril de 1631. Apresentado ao novo sultão Mulay, corajosamente confessou a fé cristã.

Foi preso e açoitado várias vezes durante a sua última polêmica religiosa com o Sultão. Foi esfaqueado, ferido por flechas e condenado à fogueira na praça do palácio. Ainda sobre o fogo, quando ousadamente pregava a sua fé, foi apedrejado e veio a falecer no dia 24 de maio de 1631. Ele tinha 71 anos.

A terra de Marrocos, banhada pelo sangue dos franciscanos Protomártires e os mártires de Ceuta, São Daniel e companheiros, recolheu também o sangue deste ilustre confrade, que por longos anos havia exercido o apostolado nas terras da Espanha. Sua gloriosa morte foi acompanhada de muitos milagres e numerosas conversões.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, de Frei Giulliano Ferrini e Frei José Guilhermo Ramirez, OFM, edição Porziuncola

24 Dedicação da Basílica de São Francisco de Assis
24/05/2017

Imediatamente após a canonização, que ocorreu em 16 de julho de 1228, o Papa Gregório IX quis que em honra a São Francisco, o “Poverello de Assis”, fosse elevado um magnífico templo e ali seus restos mortais fossem preservados. O mesmo Pontífice abençoou a pedra fundamental em 17 de Julho de 1228 e, na festa de Pentecostes, 25 de maio de 1230, ordenou que o corpo do santo foi transportado da igreja de São Jorge para a nova basílica, a igreja-mãe da Ordem dos Ordem dos Frades Menores. Inocêncio IV a consagrou solenemente em 1253, elevando à basílica patriarcal e capela papal por Bento XIV em 1764.

São Francisco queria morrer perto da Porciúncula, onde havia iniciado a vida religiosa. Mas aquele que havia escolhido a pobreza como um caminho para amar e deixava-a como herança a seus filhos.

A construção da basílica superior começou logo após 1239 e foi finalizada em 1253. Sua arquitetura é uma síntese do Românico e do Gótico Italiano. As igrejas foram decoradas pelos maiores artistas daquele tempo, vindos de Roma, Toscana e Úmbria. A igreja inferior tem afrescos de Cimabue e Giotto; na igreja superior está uma série de afrescos com cenas da vida de São Francisco, também atribuída a Giotto e seus seguidores. A Basílica é administrada pelos Frades Menores Conventuais (OFM Conv). Os Frades Franciscanos Conventuais são os guardiães dos restos mortais do Santo de Assis.

No dia 26 de setembro de 1997, Assis foi atingida por dois fortes terremotos que danificaram severamente a basílica (parte do teto dela ruiu durante o segundo tremor, destruindo um afresco de Cimabue), que passou dois anos fechada para restauração.

A Basílica inferior, que representaria a penitência, consiste em uma nave central com várias capelas laterais com arcos semicirculares. A nave é decorada com os afrescos mais antigos da igreja, criados por um artista chamado Mestre de São Francisco. Eles mostram cinco cenas da Paixão de Cristo à direita, e à esquerda, cenas da vida de São Francisco. Esses afrescos foram finalizados em 1260-1263. São considerados os melhores exemplos da pintura mural da Toscana, antes de Cimabue.

Como a popularidade da igreja aumentou, capelas laterais para famílias nobres foram adicionadas entre 1270 e 1350, destruindo os afrescos na paredes. A primeira capela à esquerda é decorada com dez afrescos de Simone Martini. Esses estão entre os maiores trabalhos de Martini e os melhores exemplos da pintura do século XIV.

A nave termina em uma abside semicircular ricamente decorada, precedida por um transepto. Os afrescos no transepto direito mostram a infância de Cristo, feitos parcialmente por Giotto e seus aprendizes e a Natividade pelo anônimo Mestre di San Nicola. O nível inferior mostra três afrescos representando São Francisco ajudando duas crianças. Esses afrescos de Giotto foram revolucionários para a época, pois mostravam pessoas reais com emoções em uma paisagem realista.

Na parede do transepto, Cimabue pintou uma de suas obras mais famosas: Nossa Senhora com São Francisco, Anjos e Santos (1280). Esse é provavelmente o retrato mais assemelhado a São Francisco. A pintura estática em estilo gótico contrasta com as pinturas dinâmicas de Giotto. O transepto esquerdo foi decorado pelo pintor Pietro Lorenzetti e seus aprendizes entre 1315 e 1330. Os afrescos mostram seis cenas da Paixão de Cristo, sendo a mais impressionante a Descida da Cruz, onde se percebe a sombra em uma pintura pela primeira vez desde a Antiguidade.

 

Cripta com túmulo de São Francisco de Assis

 

Pela nave se pode descer para a cripta através de uma escadaria dupla. Esse local, que guarda o túmulo de Francisco foi descoberto em 1818.

O túmulo tinha sido escondido por Frei Elia para evitar que suas relíquias se espalhassem pela Europa medieval. Por ordem do Papa Pio IX, uma cripta foi construída embaixo da Basílica inferior. Foi projetada por Pasquale Belli com mármore fino em estilo neoclássico, mas foi redesenhada em pedra crua em estilo neo-Românico por Ugo Tarchi entre 1925 e 1932.

Ao lado da Basílica, fica o Sacro Convento, que se assemelha a uma fortaleza e que já era habitado em 1230. O Convento agora abriga uma vasta biblioteca (com obras medievais), um museu com obras de arte doadas por peregrinos pelos séculos e também 57 obras (principalmente das Escolas Florentina e Sienesa) da Coleção Perkins.

 

Nave da Basílica superior

 

A entrada da Basílica superior (que representa a glória) é pela arcada do convento dos frades. O estilo dessa área é completamente diferente da Basílica inferior. Grandes janelas de vidro colorido banham com luz as obras de Giotto e Cimabue.

A parte final ao oeste do transepto e a abside foram decoradas com vários afrescos de Cimabue e seus aprendizes (1280). Infelizmente, devido ao material usado na obra, os afrescos logo sofreram os efeitos da umidade. Estão hoje muito deteriorados e foram quase reduzidos a meros negativos fotográficos.

A parte superior, em ambos os lados da nave, muito danificada pelos terremotos de 1997, foi decorada em duas filas com um total de 32 cenas do Velho Testamento e do Novo Testamento. Como levava cerca de seis meses para que se pintasse apenas uma parte da nave, diferentes artistas romanos e toscanos, seguidores de Cimabue, trabalharam na obra, tais como Giacomo, Jacopo Torriti e Pietro Cavallini.

Mas a obra mais importante da Basílica é, sem dúvida, a série de 28 afrescos atribuídos a um jovem Giotto na parte baixa da nave. Giotto usou a Legenda Maior, a biografia de Francisco para reconstruir os maiores eventos da vida do santo. As pinturas são vívidas, como se Giotto tivesse sido uma testemunha ocular da história. Os afrescos foram executados entre 1296 e 1304. Contudo, a autoria da obra ainda é debatida. Alguns críticos acreditam que a série tenha sido feita por um grupo de artistas inspirados em Giotto.

25 Bem-aventurado Gerardo de Villamagna
25/05/2017

Ermitão da Terceira Ordem (1174-1270). Gregório XVI aprovou seu culto no dia 18 de março de 1833.

 

Gerardo Mecatti, nascido em Villamagna, ao longo do rio Arno, filho de camponeses, ficou órfão aos doze anos. Durante uma peregrinação à Palestina, caiu prisioneiro dos turcos, sofrendo duros maus-tratos. Assim que foi libertado, pôde devotamente visitar os lugares santos. Villamagna voltou e decidiu se mudar para perto de uma igreja, que ainda existe e leva o título do Bem-aventurado Gerardo. Em seu interior se conserva a arca com as relíquias do infortunado cruzado.

As aventuras do jovem não tinham acabado. Um ano depois, ele foi para o mar novamente com um grupo de vinte homens, indo para a Síria. Desta vez, quem tornou sua viagem difícil foram os piratas.

Voltou pela segunda vez à Palestina, consagrando-se totalmente à oração e ao exercício de caridade, especialmente para com os doentes e peregrinos. Ele permaneceu lá por sete anos até que percebeu era objeto de manifestações de veneração, as quais ele tentou fugir por humildade.

De volta à Itália, quis conhecer a São Francisco, de cujas mãos recebeu o hábito de terceiro franciscano. E, como terceiro voltou a Villamagna, onde no alto da colina florentina construiu um oratório dedicado a Nossa Senhora.

Esse foi o edifício da igreja original que ainda existe, construída dentro de um convento simples e sugestivo. Mas esse convento franciscano não foi construído por ele, mas por outro santo, Leonardo de Porto Maurício, quase cinco séculos depois, continuando e completando a obra do seu confrade.

Cada semana visitava em peregrinação piedosa três santuários, em sufrágio das almas do purgatório, para a remissão dos pecados e para a conversão dos infiéis. Com fama de santidade, ele faleceu em 25 maio de 1270 com 96 anos de idade.

Fonte: “Santos franciscanos para cada dia”, de Frei Giuliano Ferrini e Frei José Guillermo Ramírez, OFM, edição Porziuncola.

26 Bem-aventurados Estêvão de Narbona e Raimundo de Carbona
26/05/2017

Sacerdotes e mártires da Primeira Ordem (+1242). Aprovou seu culto o Papa Pio IX no dia 6 de setembro de 1866.

 

No início do século XIII, a situação da Igreja no Sul da França, especialmente na região de Toulouse, estava mais precária do que nunca devido à difusão da heresia dos albigenses. Em 22 de abril de 1234, Gregório IX nomeou William Arnaud, um dominicano de Montpellier, primeiro inquisidor na diocese de Toulouse e Albi, que, imediatamente começou a trabalhar diligentemente, encontrando sérias dificuldades. Raymond VII, conde de Toulouse, proibiu seus súditos de ter qualquer contato com o irmão William e seus companheiros inquisidores, colocando guardas nas portas dos conventos para que não recebessem nenhum alimento. Em 15 de novembro de 1235 foram expulsos da cidade todos os frades dominicanos, que saíram em procissão, cantando hinos sagrados. No ano seguinte, puderam retornar ao seu claustro, mas o ódio dos hereges contra os inquisidores cresceu e causou tumultos.

Raimundo de Alfar, de Avignonet, uma pequena cidade a poucos quilômetros de Toulouse, decidiu acabar com isso. Fingindo amizade e reconciliação, convidou Frei William e dez companheiros para o seu castelo e depois os levou a uma sala, fazendo-os prisioneiros. No dia 29 de maio de 1242, véspera da Ascensão do Senhor, tarde da noite, centenas de albigenses com espadas, machados e facas invadiram a cidade e seguiram direto para o castelo. O traidor Alfar Raymond abriu as portas para eles, que logo chegaram à sala onde estavam os religiosos. Quando chegaram, os religiosos compreenderam que havia chegado o momento do martírio.

Nenhum fugiu, mas todos, de joelhos, cantaram o “Te Deum”. Após a oração, os albigenses, como hienas ferozes, atiraram-se sobre as vítimas inocentes, que caíram como cordeiros mansos. Em seus lábios, só tinham palavras de oração e perdão: “Senhor, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem.” Deus glorificou o heroísmo de seus mártires. No lugar do martírio  e em seus túmulos aconteceram milagres. A crueldade foi implacável, principalmente contra Frei William, que teve a língua cortada.

Entre os 11 mártires havia também dois irmãos franciscanos: Santo Estêvão de Narbona e Raimundo Carbonario de Carbona.

Estêvão nasceu em Saint Thibery, na diocese de Maguelonne, na França. Sendo ainda jovem, tornou-se um monge beneditino, para seguir a regra de São Bento “Ora et labora” (oração e trabalho). Também foi abade de um mosteiro perto de Toulouse. A mensagem deixada em seu tempo por São Francisco, a vida pobre, humilde e simples dos Frades Menores, o zelo evangélico e apostólico dos primeiros santos e mártires o impressionaram profundamente que ele pediu a seus superiores para fazer parte do nova Ordem. Como San Antônio, no mesmo século, deixou a Ordem dos Cônegos Regulares de Santo Agostinho para se tornar um franciscano,  ele deixou a Ordem dos Monges Beneditinos para ser Irmão Menor. Homem culto e santo, trabalhou duro para defender a fé contra os erros dos albigenses. Com dez companheiros, incluindo o seu confrade Raimundo de Carbona, corajosamente deram suas vidas por amor a Cristo com o martírio de decapitação. Os Bem-aventurados Estêvão e Raimundo foram enterrados em Toulouse, na igreja dos Frades Menores.

Fonte: “Santos franciscanos para cada dia”, de Frei Giuliano Ferrini e Frei José Guillermo Ramírez, OFM, edição Porziuncola.

27 Bem-aventurado Mariano de Roccacasale
27/05/2017

Religioso da Primeira Ordem (1778-1866). Beatificado por João Paulo II no dia 3 de outubro de 1999 (sua festa é no dia 31 de maio)

 

Mariano de Roccacasale nasceu a 14 de Junho de 1778 em Roccacasale, Província de Áquila (Itália). Depois de ter ficado sozinho com os pais, por causa do casamento dos seus irmãos, Mariano encarregou-se de cuidar do rebanho e, no contacto com a natureza e a solidão dos campos, aprendeu a valorizar a reflexão e o silêncio. Percebeu, então, que a sua vocação não era para o mundo e, com vinte e três anos, decidiu dedicar-se com radicalidade ao seguimento de Cristo.

A 2 de Setembro de 1802 vestiu o hábito franciscano. Resumia a sua nova vida em duas palavras: oração e trabalho. Após alguns anos de serviço no convento de Arísquia, como carpinteiro hábil e valioso, jardineiro, cozinheiro e porteiro, pediu a transferência para o Retiro de Bellegra.

Ali foi nomeado porteiro do convento e desempenhou, durante mais de quarenta anos este serviço que se tornou um meio para a sua santificação. Para todos tinha um sorriso, sabia acolhê-los com alegria e simpatia, instruía-os nas verdades da fé, dava-lhes conselhos e com eles rezava, sem deixar de lhes dar até mesmo um pouco de pão. Jamais se lamentava do trabalho nem dava sinais de cansaço; era sempre sereno, afável, sorridente.

A fonte de tanta virtude era, sem dúvida, a oração intensa e recolhida. Eis o segredo deste humilde frade franciscano, que morreu a 31 de Maio de 1866.

Na sua beatificação, João Paulo II assim definiu o beato: “No que se refere à vida e à espiritualidade do Beato Mariano de Roccacasale, religioso franciscano, pode-se dizer que elas se resumem emblematicamente nos votos do Apóstolo Paulo à comunidade cristã dos Filipenses: “O Deus da paz estará convosco!” (4, 9). A sua vida pobre e humilde, vivida nas pegadas de Francisco e de Clara de Assis, foi constantemente dedicada ao próximo, com o desejo de ouvir e partilhar os sofrimentos de todos, para depois os apresentar ao Senhor nas longas horas transcorridas em adoração diante da Eucaristia.

O Beato Mariano levou a toda a parte a paz, que é dom de Deus. O seu exemplo e a sua intercessão nos ajudem a redescobrir o valor fundamental do amor de Deus e o dever de o testemunhar na solidariedade para com os pobres. Ele é para nós exemplo, sobretudo no exercício da hospitalidade, tão importante no atual contexto histórico e social e principalmente significativo na perspectiva do Grande Jubileu do Ano 2000.

A mesma espiritualidade franciscana, centrada numa vida evangelicamente pobre e simples, distingue Frei Diego Oddi, que hoje contemplamos no coro dos Beatos. Na escola de São Francisco, ele aprendeu que nada pertence ao homem a não ser os vícios e os pecados e que tudo o que a pessoa humana possui, na realidade é dom de Deus (cf. Regra não selada XVII, em Fontes Franciscanas, 48). Desta forma aprendeu a não se angustiar inutilmente, mas a expor a Deus “orações, súplicas e agradecimentos” por todas as necessidades, como escutámos do apóstolo Paulo na segunda Leitura (cf. Fl 4, 6).

Durante o seu longo serviço de esmoleiro, foi autêntico anjo de paz e bem para todas as pessoas que o encontravam, sobretudo porque sabia ir ao encontro das necessidades dos mais pobres e provados. Com o seu testemunho jubiloso e sereno, com a sua fé genuína e convicta, com a sua oração e o seu incansável trabalho o Beato Diego indica as virtudes evangélicas, que são a via-mestra para alcançar a paz”.

28 Santa Mariana de Jesus Paredes e Flores
28/05/2017

Virgem da Terceira Ordem (1618-1645). Canonizada pelo Papa Pio XII no dia 9 de julho de 1950.

 

Mariana de Jesus de Paredes e Flores é a primeira santa da república do Equador e foi proclamada heroína nacional. Nasceu em Quito a 31 de outubro de 1618, oitava e última dos filhos do capitão espanhol Jerônimo Flores de Paredes, nascida em Toledo e de Mariana Granobles Jaramillo, nascida em Quito. Cedo órfã de pai aos quatro anos e de mãe aos seis, foi educada por sua irmã maior, Jerônima, casada com o capitão Cosme de Casa Miranda.

Inclinada desde sua infância aos exercícios de piedade e de mortificação, fez a primeira comunhão aos sete anos, e fez o voto de virgindade tomando o nome de Mariana de Jesus. Fez os exercícios espirituais, e como Santa Teresa, quis fugir de sua casa com uma prima para ir a evangelizar os Índios Mainas.

Esta iniciativa não teve êxito como tampouco a de retirar-se a uma capela aos pés do vulcão Pichincha, para implorar a Virgem a proteção contra os perigos do vulcão. Sua família não a autorizou para entrar entre as irmãs Franciscanas; então ela decidiu ingressar na Terceira Ordem de São Francisco e se retirou para uma alcova de sua própria casa, se vestiu com um Saial marrom e começou uma vida de completo recolhimento, de largas orações e de duras penitências. Estas austeridades não mudaram seu caráter alegre: tocava o violão, consolava aos tristes, reconciliava a negros e índios e fazia até milagres.

Mas sua saúde se ressentiu com as penitências as quais se ajuntaram dolorosas sangrias da parte dos médicos. Com os terremotos e as epidemias que tiveram lugar em Quito em 1645, Marianita, como a chamavam seus contemporâneos, ofereceu sua vida por seus concidadãos. Em sua reclusão foi atacada por febre altíssima e fortes dores. Ao mesmo tempo que progredia a enfermidade da Santa, ia diminuindo a peste na cidade e o terremoto havia cessado no momento de seu heroico oferecimento. Nos últimos três dias perdeu a voz e só no último dia aceitou que a colocassem num leito.

Fazia tempo que havia expressado a seus familiares o desejo de que depois de morta a vestissem com o hábito franciscano que sempre teve em sua cela, enquanto por muitos anos levava o escapulário e o cordão da Terceira Ordem Franciscana, recebidos dos Frades Menores, por conselho de seu confessor. Predisse o dia e hora de sua morte, que teve lugar às 22 horas do dia 26 de maio de 1645. Tinha 26 anos, 6 meses e 26 dias de idade. Sua morte foi chorada por toda a cidade. Nos lábios de todos estava esta expressão: “Morreu a Santa”. Seus funerais foram um triunfo, uma explosão de agradecimento e de profunda veneração pela admirável concidadã, pela generosa vítima e sua salvadora.

29 Bem-aventurado Herculano de Piegaro
29/05/2017

Sacerdote da Primeira Ordem (1390-1451). Aprovou seu culto o Papa Pio IX no dia 29 de março de 1860.

 

Herculano nasceu em Piegaro, Província de Perusa, em 1390. Aos vinte anos vestiu o hábito franciscano, propondo-se a imitar Pobrezinho de Assis no ardor da caridade e no zelo apostólico. Teve como mestre o Beato Alberto de Sarteano, que com São Bernardino de Sena, São Tiago das Marcas e São João Capistrano foram as colunas da Observância, aquele providencial movimento para reconduzir a Ordem dos Frades Menores à genuína pureza da Regra.

Ordenado sacerdote, exerceu o ministério da pregação percorrendo povoados e cidades com grande proveito das almas, que voltavam para Deus com a prática da vida cristã. um dos argumentos que desenvolvia com preferência era a Paixão de Cristo. Numa sexta-feira santa pregou em Áquila com tanta veemência a Cristo sofredor morto sobre a cruz, que os fiéis prorromperam em pranto.

Depois de anunciar ardorosamente o Evangelho, chegava aos conventos destinados ao retiro e à solidão onde, em perfeito silêncio, em oração assídua, em penitência austera, refazia novamente o espírito de intenso fervor. Com frequência alimentava-se somente da Eucaristia, de pão e de água.

Em 1429, seu ilustre mestre, o Beato Alberto de Sarteano o quis como companheiro em uma missão especial na Palestina. Ali, por ordem de Eugênio IV ia para tomar posse dos Lugares Santos em nome da Ordem dos Frades Menores. A visita aos lugares santificados pela vida de Jesus, da Virgem e dos Apóstolos, deixou no coração de Herculano uma marca indelével. Depois de alguns meses retornou à sua pátria completamente transformado, pronto a retomar seu caminho apostólico.

Em 1430, enquanto pregava a quaresma na Catedral de Lucca, os florentinos assediaram a cidade. Herculano se ofereceu como mediador de paz, interessou-se em socorrer os sitiados e, faltando víveres, ocultamente fez introduzir no cerco da cidade o que era necessário para sustentar a povoação. Predisse a retirada das forças inimigas e a vitória dos Lucenses. Os cidadãos em sinal de agradecimento, cederam ao Beato o convento de Pozzuolo. Construiu outros dois conventos na Toscana: em Barca e em Castelnuovo, na Carfagna, onde foi sábio e zeloso superior.

A 28 de maio de 1451, aos 61 anos de idade adormeceu santamente na paz do Senhor. Os milagres glorificaram sua vida apostólica e também sua tumba.

Fonte: “Santos franciscanos para cada dia”, de Frei Giuliano Ferrini e Frei José Guillermo Ramírez, OFM, edição Porziuncola.

30 Santa Camila Batista da Varano
30/05/2017

Virgem religiosa da Segunda Ordem (1458-1524). Gregório XVI aprovou seu culto no dia 7 de abril e foi canonizada por Bento XVI no dia 17 de outubro de 2010.

 

Nasceu em Camerino a 9 de abril de 1458. Filha de Júlio César Varani, típica figura de um homem do renascimento, duque de Camerino, e de uma certa dama, Francisca de Mestro Giacomo de Malignis, antes das núpcias de seu pai com Giovana Malatesta, de Rímini (conhecida como beata Giovana ou Jane Malatesta).

Bem cedo Camila é levada ao Palácio dos Varani, família ilustre que desde a metade do século XIII dominava a cidade e o ducado de Camerino. É reconhecida como filha de Júlio César, e como tal, amada de modo particular. Também Giovana acolhe-a com maternal afeto: o relacionamento que as duas mantêm é uma das realidades mais belas da infância e da juventude de Camila. Entre os 8 e 9 anos foi imensamente atraída por uma pregação do franciscano Dominico de Leonessa (observante) sobre a Paixão de Jesus. Fez voto de meditar todas sextas-feiras os sofrimentos do Senhor e de verter ao menos uma “lagrimazinha”.

Depois de 1476, em contato com Frei Francisco de Urbino, começou a maturar sua vocação para a vida religiosa, diante da qual relutou muito. Depois de ter-se decidido, passa por sérias dificuldades e contrariedades vindas da parte dos parentes, de modo especial de seu pai, que não acolhem com bons olhos os planos de Camerino. Desejam para ela um casamento, que favoreça a política do ducado. Em 1481, ingressa finalmente no Mosteiro de Clarissas Urbanistas da cidade de Urbino. Tem então vinte e três anos. Ao receber o hábito religioso, recebe também o nome de Batista, tão corrente na época. Em 1482, faz sua profissão religiosa em circunstâncias para ela demais difíceis, tanto que ao escrever sua autobiografia, chama de “amarga profissão”.

Em 1483, redige “As Recordações de Jesus”, opúsculo com instruções e admoestações recebidas de Jesus enquanto ainda estava em Camerino no palácio paterno. O pai, Júlio César, e seus filhos, não suportando que Camila estivesse longe, constroem em Camerino um Mosteiro. A 4 de janeiro de 1484, Camila retorna a Camerino com oito irmãs para fundar uma comunidade clariana, não mais de Urbanistas, mas com a Regra própria de Santa Clara. No correr dos anos é eleita várias vezes abadessa.

É humilde, serviçal, atenta às necessidades de suas irmãs. Datam desses anos, fortes experiências místicas, visões de Jesus, da Virgem e de Santa Clara. Em 1488, Camila escreve “As dores mentais de Jesus na sua Paixão”. Em 1491, numa prolongada inspiração, redige “A vida Espiritual”, sua autobiografia, endereçada ao Beato Domênico de Leonessa, seu confessor. Seguem outras obras, entre as quais “Instruções ao Discípulo”, dirigidas ao padre Giovani de Fano, franciscano. Desde o ano de 1488 até 1490, passa por uma dolorosa crise espiritual. Sua autobiografia, redigida em fevereiro-março de 1491 data do final deste período. Em 1501, inicia-se uma nova crise: a familiar, que a envolve profundamente.

O Papa Alexandre VI excomunga o pai de Camila unicamente por motivos políticos. O exército de Valentino aprisiona seu pai e seus irmãos Aníbal, Venâncio e Pirro, que posteriormente são assassinados. Camila, para não ser envolvida nas turbulências militares, foge com outra clarissa, parenta dos Varani, para Fermo. Em seguida, a pé, segue para Atri, onde as acolhe em seu castelo a duquesa Isabela Picolimini Tedeschini. Do massacre ocorrido no ano de 1501, restou somente o irmão mais novo de Camila, João Maria e o sobrinho Sigismundo, filho de Venâncio, com sua própria mãe, por terem fugido com antecedência.

Após a morte do Papa Alexandre VI (que como cardeal levara uma vida devassa, tendo vários filhos com algumas damas romanas, sendo eleito papa por tramas políticas), o duque João Maria é reintegrado no Senhorio de Camerino pelo Papa Júlio II (1503). Então Camila e a companheira retornam também a Camerino. Daí seria obrigada a sair novamente para fundar um mosteiro de Clarissas em Fermo (1505), por ordem do Papa. Em 1511, morre-lhe a mãe adotiva, Giovana Malatesta, que lhe assinalou profundamente a existência.

Em 1521, empreende uma viagem a São Severino, nas Marcas, em busca de fundos para seu Mosteiro. Morreria em Camerino a 31 de maio de 1524, com grande dor de seu irmão João Maria e de toda a corte ducal, deixando uma preciosa herança de manuscritos, alguns em latim e na maioria em dialeto umbro. Suas obras tornaram-se famosas na literatura mística. As fundações de Camerino e de Fermo, realizadas com empenho da observância radical da Regra de Santa Clara, lhe deram também a fama de ter sido excelente reformadora da Ordem de Santa Clara. Foi beatificada por Gregório XVI em 1843 e canonizada pelo Papa Bento XVI a 17 de outubro de 2010 em Roma. Sua festa ocorre no dia 30 de maio.

Morreu com fama de santidade, em 31 de maio de 1524, nesse mosteiro. A cerimônia do funeral se desenvolveu no pátio interno do palácio paterno.

Segundo o Ministro Geral da Ordem dos Frades Menores, Frei José Rodríguez Carballo, ela foi uma luz para a família franciscana.

“Camila Batista manifesta-se como uma cristã capaz de viver com seriedade e intensidade a busca de Deus, radicando-se na experiência bíblica. Embora dotada de uma refinada e elevada formação cultural, o seu modo de ler a Escritura nunca assumiu o estilo de uma erudição árida. À luz da Palavra, relê o seu itinerário vocacional e toda a sua vida, servindo-se do modelo bíblico: os grandes acontecimentos da história da salvação estão na base da sua espiritualidade quase como profecias que se realizam.

Aproximando-nos de seus escritos, damo-nos conta de que a liturgia é o lugar privilegiado em que ela escuta a Palavra, alcançando aí a luz e a força para realizar as suas escolhas.

“Tu, Senhor, por graça nasceste na minha alma e me mostraste a via e a luz e lume da verdade para chegar a ti, verdadeiro paraíso. Nas trevas e escuridão do mundo, me deste a vista, o ouvir e o falar e o caminhar – pois que na verdade eu era cega, surda e muda – e me ressuscitaste em ti, verdadeira vida, que dás vida a cada coisa que tem vida”.

Camila Batista mostra-nos a via concreta para observar o santo Evangelho, para colocá-lo em prática e traduzi-lo na existência cotidiana. O voto de derramar a cada sexta-feira uma lágrima em memória da Paixão de Cristo, ao qual permanece tenazmente fiel mesmo imersa na vida da corte, testemunha-nos aquele envolvimento, aquela participação “física” e total ao mistério de Cristo que se torna relação viva e fecunda, segundo a mais genuína espiritualidade franciscana.

Na sociedade de hoje que favorece uma religiosidade intimista e frágil, reduzindo a fé a uma pulsão emotiva e desencarnada, Camila Batista sugere a toda a família franciscana uma via segura: viver o Evangelho com paixão e radicalidade e restituir “amor por amor, sangue por sangue, vida por vida”.

Somente assim poderemos ser uma presença significativa na Igreja e na história”.

31 São Fernando III
31/05/2017

Da Terceira Ordem (1199-1252). Canonizado por Alexandre VII no dia 31 de maio de 1655.

 

Fernando nasceu na vila de Valparaíso, em Zamora, Espanha, no dia 1o de agosto de 1199. Era filho do famoso Afonso IX de Leão, que reinou no século XII. Um rei que brilhou pelo poder, mas cujo filho o suplantou pela glória e pela fé. A mãe era Barenguela de Castela, que o educou dentro dos preceitos cristãos de amor incondicional a Deus e obediência total aos mandamentos da Igreja. Assim ele cresceu, respeitando o ser humano e preparando-se para defender sua terra e seu Deus.

Assumiu com dezoito anos o trono de Castela, quando já pertencia à Ordem Terceira Franciscana. Casou-se com Beatriz da Suábia, filha do rei da Alemanha, uma das princesas mais virtuosas de sua época, em 1219. Viúvo, em 1235, contraiu segundo matrimónio com Maria de Ponthieu, bisneta do rei Luís VIII, da França. Ao todo teve treze filhos, o filho mais velho foi seu sucessor e passou para a história como rei Afonso X, o Sábio, e sua filha Eleonor, do segundo casamento, foi esposa do rei Eduardo I da Inglaterra.

Essas uniões serviram para estabilizar a casa real de Leão e Castela com a realeza germânica, francesa e inglesa. Condizente com sua fé, evitou os embates, inclusive os diplomáticos, e aplacou revoltas só com sua presença e palavra, preferindo ceder em alguns pontos a recorrer à guerra. Sob seu reinado foram mudados os códigos civis, ficando mais brandos sob a tutela do Supremo Conselho de Castela, instituiu o castelhano como língua oficial e única, fundou a famosa Universidade de Salamanca e libertou sua nação do domínio dos árabes muçulmanos. Abrindo mão do tempo desperdiçado com novas conquistas, utilizava-o para fundar novas dioceses, erguer novas catedrais, igrejas, conventos e hospitais, sem recorrer a novos impostos, como dizem os registros e a história.

Em 1225, teve que pegar em armas contra os invasores árabes, mas levou em sua companhia o arcebispo de Toledo, para que o ajudasse a perseverar os soldados na fé. Queria, com a campanha militar, apenas reconquistar seus domínios e propagar o catolicismo. Vencida a batalha, com a expulsão dos muçulmanos, os despojos de guerra foram utilizados para a construção da belíssima catedral de Toledo. Durante seu reinado, cidades inteiras foram doadas às ordens religiosas, para que o povo não fosse oprimido pela ganância dos senhores feudais.

Com a morte do pai em 1230, foi coroado também rei de Leão. Em seguida, chefiou um pequeno exército, aos seus moldes, e reconquistou dos árabes ainda Córdoba e Sevilha, onde edificou a catedral de Burgos. Pretendia lutar na África da mesma forma, mas foi acometido de uma grave doença. Morreu aos cinquenta e três anos, depois de despedir-se da família, dos amigos e companheiros, no dia 30 de maio de 1252, em Sevilha.

Imediatamente, o seu culto surgiu e se propagou rapidamente por toda a Europa, com muitas graças atribuídas à sua intercessão. Foi canonizado pelo papa Clemente X, em 1671, após a comprovação de que seu corpo permaneceu incorrupto. São Fernando III é venerado, no dia de sua morte, como padroeiro da Espanha.

Fonte: “Santos franciscanos para cada dia”, de Frei Giuliano Ferrini e Frei José Guillermo Ramírez, OFM, edição Porziuncola.