Necrologia

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Frei Sigismundo de Canazei

09/04/1874
20/01/1961

* Canazei (Itália), 09.04.1874
+ Rovereto (Itália), 20.01.1961

Frei Sigismundo de Canazei (Ricardo Valentini) nasceu a 9 de abril de 1874. Era filho de João Batísta Valentini e Isabel Costa. Vestiu o hábito aos 13 de setembro de 1889; profissão solene aos 29 de abril de 1895; ordenado sacerdote a 16 de agosto de 1896.

Em 1907 veio para o Brasil, chegando a São Paulo a 17 de dezembro. Em 1908 já estava com Frei Boaventura de Aldeno e Frei José de Cassana em Santa Cruz do Avanhandava, atual Penápolis, quando de sua fundação a 25 de outubro desse ano. Com os demais, percorria toda a região Noroeste pregando as missões e catequizando o povo e as comunidades primitivas. Locais e povoados das atuais dioceses de Rio Preto, Lins, Bauru, Marília, Três Lagoas, eram visitados e percorridos pelos frades.

Dia 4 de setembro de 1911 Frei Sigismundo fazia sua primeira excursão apostólica por Aracanguá, Mata, Macaúbas, Palmeiras, Capitão Vicente, Santa Bárbara, São Jerônimo, Lagoa, Bela Vista do Chico Pereira, Salto e outros núcleos, permanecendo por cerca de um mês nesse apostolado que depois é prosseguido religiosamente por seus coirmãos.

No dia 4 de janeiro de 1912 parte, com Frei Boaventura, de Penápolis, para a Missão entre os Xavantes, no Mato Grosso, foz do Taquarussu. A missão foi transferida, posteriormente, para a embocadura do Ribeirão das Marrecas, em nosso Estado, próximo à atual cidade de Panorama. Frei Sigismundo ali ficou até 1915 quando vai novamente para Penápolis. Em 1918 foi nomeado primeiro capelão residente em Birigüi, onde, a 21 de novembro de 1915 Frei Ricardo de Denno celebrara primeira Missa. Frei Sigismundo ali trabalha, e muito, de agosto de 1918 a 2 de julho de 1919...

A 3 de maio de 1920 retorna à pátria onde foi por muitos anos professor de latim no “Liceu” de Rovereto e depois superior em Primiero. Faleceu aos 20 de janeiro de 1961. Segundo “Anais Franciscanos”, com ele tombou “um dos nossos pioneiros da evangelização dos habitantes de nossas selvas” (Fevereiro 1961, p. 90). Segundo o Necrológio de Trento, foi “vero francescano e uomo di Dio”... Seus 13 anos de Missão foram fecundos e marcantes para nossa Província.

(Cf. AOMC, 77, 142).

Frei Eugênio de Bocênago

06/01/1872
21/01/1944

* Bocênega (Itália), 06.01.1872
+ Rovereto (Itália), 21.01.1944

Frei Eugênio de Bocênago (José Pio Alberti) nasceu aos 6 de janeiro de 1872. Era filho de Pio Alberti e de Maria Ferrazza. Vestiu o hábito a 16 de setembro de 1887. Profissão simples a l7 de setembro de1888; solene a 25 de janeiro de 1893. Ordenado sacerdote a 14 de julho de 1895.

Quatro anos após sua ordenação veio para o Brasil. Segundo consta, veio a 6 de novembro de 1899 (como em outros locais, não se sabe se “veio” quer dizer chegou ao Brasil ou se quer dizer saiu da pátria)...

Voltou para a Província em 1904. Faleceu em Rovereto aos 21 de janeiro de 1944.
Nada consta de seus 4 ou 5 anos de Missão.

Frei Félix de Rio das Pedras

28/04/1893
22/01/1945

* Rio das Pedras-SP, 28.04.1893
+ Rio de Janeiro-RJ, 22.01.1945

Frei Félix de Rio das Pedras (José de Fáveri), filho de João de Fáveri e Fosca Eugênia Campagnol, nasceu a 28 de abril de 1893. Entrou para o Seminário São Fidélis a 8 de janeiro de 1908, quando ainda o seminário estava em Taubaté. Vestiu o hábito capuchinho aos 23 de maio de 1909, com 16 anos, e apenas um ano após a entrada no Seminário. Sua profissão solene foi a 8 de maio de 1914. Ordenado sacerdote aos 29 de maio de 1920, em Campinas, por Dom Joaquim Mamede da Silva Leite. Aos 8 de setembro de 1911 fora à Província para os estudos superiores, voltando em 1919, prosseguindo os estudos e a formação em Piracicaba, tendo como mestres Frei Liberato e Felicíssimo.

Frei Félix muito se dedicou ao magistério e à educação, seu campo preferido. Exerceu também os ofícios de cooperador em Penápolis, a partir de 24-12-1920; em Birigüi, 21-8-1921; capelão em Araçatuba, 1924, onde foi primeiro vigário dessa paróquia criada a 31 de maio de 1925. Aos 19 de julho desse ano, Frei Félix toma posse como vigário, estando presente o bispo Dom Carlos Duarte da Costa que lançou a pedra da nova igreja local. Como já vimos, desde 1915 os frades davam atendimento a Araçatuba. Frei Ricardo construíra ali a primitiva capela inaugurada a 25 de março daquele ano. A primeira missa fora celebrada no local pelos Frei Felicíssimo de Prada e Frei Bernardo de Vezzano a 5 de setembro de 1912. Em 1926 Frei Félix entregou o cargo, pois os frades deixaram aquela cidade.

De 6 de fevereiro de 1927 a 30 de janeiro de 1933, foi diretor e professor do Externato e Internato São Francisco em Penápolis, dando àquele instituto um grande impulso e desenvolvendo grande trabalho entre alunos e professores. Foi também professor e ecônomo do Seminário, em Piracicaba, de 30 de janeiro de 1933 a dezembro de 1941 (a função de ecônomo, apenas por certo tempo). Depois, foi guardião em Piracicaba, em 1942; como superior de frades bem mais velhos que ele, parece não ter sido bem aceito e foi substituído já em 1943; não tinha dotes para isso; igualmente parece não ter agradado como ecônomo no Seminário. Residiu também em Santos; em São Paulo foi vice-secretário da Custódia.

Em 1945 aceitou a missão de ir para a prelazia de Alto Solimões e lá fundar um Seminário, embora percebesse não ter boas condições de saúde. Partiu aos 10 de janeiro de 1945 com Frei Timóteo de Miranda e Frei Celestino Cristofolini, mas, em viagem, a morte veio colhê-lo na cidade do Rio de Janeiro, aos 22 de janeiro, morrendo nos braços de seu colega Frei Timóteo.

Frei Miguel Ângelo de A. Souza

18/12/1886
23/01/1971

* Évora (Portugal), 18.12.1886
+ Barcelos (Portugal), 23.01.1971

Frei Miguel Ângelo nasceu em Évora, Portugal, a 18 de dezembro de 1886. Era filho de Albino Martins Dias e Rosa Felícia da Conceição. Tendo vindo ao Brasil como tantos outros portugueses, aqui ingressou na Ordem, vestindo o hábito aos 4 de agosto de 1919, em Piracicaba, tendo por Mestre Frei Felicíssimo de Prada. Profissão simples a 15-8-1920; solenes, a 27 de janeiro de 1924 perante Frei Liberato de Gries, guardião em São Paulo. Aqui, Frei Miguel exerceu os mais diversos ofícios nos vários conventos. Em 1939, ao fundar-se a Ordem em Portugal, foi um dos frades enviados para aquele país, fixando residência em Barcelos onde passou a maior parte sua vida e onde faleceu. Esteve também algum tempo em Beja e em Fátima. Aos 20 de abril de 1958, por rescrito do Padre Geral Frei Benigno de Sant’Ilário e com anuência do Definitório Provincial de São Paulo, foi incorporado ao Comissariado de Portugal. Foi o segundo religioso daquela Província, com Frei João de Amareleja. Com as mudanças relativas a nomes, Frei Miguel passou a chamar-se Frei Miguel Martins Dias. Seu nome de batismo era Albino.

Em Barcelos exerceu os ofícios de porteiro, sacristão e alfaiate. De figura venerável, longa barba, deixava sempre uma impressão de respeito e veneração. Nos últimos anos começou a sentir-se alquebrado na saúde e vítima de vários achaques, sobretudo a partir de 1969, passando a viver recolhido em seu quarto, sem poder sair. Era exemplar na piedade, frequentando regularmente o sacramento da confissão. Assíduo à comunhão diária. Edificava pela devoção a Nossa Senhora, rezando diariamente o Terço, fazendo suas Via-Sacras e visitas ao Santíssimo.

A 15 de outubro de 1970 comemorou suas Bodas de Ouro de vida religiosa, sendo efusivamente cumprimentado pela Província toda. Em sua doença foi caridosamente tratado pela fraternidade, especialmente por Frei Lino Margarido dos Santos, que se desvelou em atenções fraternas pelo doente.

Faleceu a 23 de janeiro de 1971. O funeral deu-se na igreja de Barcelos, às 16 hs. do dia 24. A igreja estava repleta, tendo sido, sem dúvida, um dos funerais mais concorridos de quantos ali se realizaram. Presidiu às exéquias o Padre Provincial. Com ele concelebraram 17 religiosos.

Terminados os ofícios foi sepultado em jazigo privativo da Ordem, em Barcelos, sendo seus despojos transportados pelos Bombeiros. Dois sobrinhos e dois irmãos de Frei Miguel Angelo participaram das cerimônias.

(Boletim INFORMAÇÃO, Prov. Portuguesa, nº. 20, 1971, fls. 4 e ss.)

(Cf. também AOMC, 87, 62).

Frei Gilberto Patrocínio Ferreira

21/04/1920
26/01/1986

* São Gonçalo do Rio Abaixo - MG, 21.04.1920
+ Taubaté - SP, 26.01.1986

Frei Gilberto (José do Patrocínio Ferreira) nasceu no dia 21 de abril de 1920, em São Gonçalo do Rio Abaixo, Estado de Minas Gerais. Era filho de José Domingos Ferreira e Maria José Gonçalves. Foi batizado aos 26 de abril de 1920 por Mons. Manoel Torres, na igreja São Gonçalo e crismado em 1927 por Dom Helvécio Gomes de Oliveira. Fez a Primeira Eucaristia em 1928 na mesma igreja de São Gonçalo. Fez os primeiros estudos em São Gonçalo do Rio Abaixo. Entrou para o Seminário de Diamantina-MG, em 1937 e no de Mariana-MG, em março de 1940.

Noviciado e Profissão

Com vestição iniciou o noviciado no convento Santa Clara, Taubaté, dia 22 de abril de 1944. Foi seu Mestre Frei Epifânio Antônio Menegazzo. Findo o noviciado, fez a profissão temporária aos 24 de abril de 1945, no convento de noviciado, perante Frei Felicíssimo de Prada. Aos 3 de maio de 1948, no convento Imaculada Conceição, São Paulo, emitiu a profissão perpétua, perante Frei Anselmo Donei.

Filosofia, Teologia e Ordenação

Estudou Filosofia em Mococa nos anos 1945 a 1947 e Teologia em São Paulo, convento Imaculada Conceição, de 1948 a 1951. Em São Paulo, recebeu a Primeira Tonsura conferida por Dom Antônio Maria Alves de Siqueira em março de 1948. Recebeu as Ordens Menores em 1948 e 1949 . Foi ordenado Subdiácono e Diácono por Dom Paulo Rolim Loureiro em 1950. Recebeu a Ordenação Sacerdotal pela imposição das mãos de Dom Ernesto de Paula, na Catedral de Piracicaba, aos 8 de dezembro de 1950.

Ministério sacerdotal

Frei Gilberto exerceu o ministério sacerdotal em poucas fraternidades: Piracicaba, Botucatu e Taubaté. Concluídos os estudos, no dia 22 de janeiro de 1952 foi transferido para o Seminário São Fidélis de Piracicaba. Em 1969, deixou o magistério e foi ser vigário cooperador com residência no convento Sagrado Coração de Jesus, Piracicaba. Aos 26 de janeiro de 1972, recebeu “Induto de Permanência Fora do Claustro” por um ano para tratamento de saúde, retornando aos 22 de novembro do mesmo ano para o Seminário São Fidélis. De 1973 a 1974, dedicou-se à pastoral da saúde como Capelão da Santa Casa de Misericórdia de Piracicaba. Em janeiro de 1975, recebeu transferência para o convento Sagrado Coração de Jesus, Piracicaba, como vigário cooperador. Em 1977, foi transferido para Botucatu, sendo vice-superior do Santuário Nossa Senhora de Lurdes, em 1978. A partir de outubro de 1978 passou a fazer parte da Fraternidade do convento Santa Clara, Taubaté, para tratamento de saúde. Aí permaneceu até seu falecimento em 1986.

Professor e Diretor Espiritual

Frei Gilberto dedicou grande parte de sua vida, 17 anos, na formação dos seminaristas no Seminário São Fidélis, onde lecionou música e dirigiu o coral. Foi excelente professor de Latim e Música. Lecionou também Português, Geografia e História do Brasil. Por três anos, 1954 a 1956, foi Diretor Espiritual dos seminaristas e confessor.

Poeta e Músico

Destacou-se como poeta, latinista e músico. Escreveu dez livros de poesia, sendo um deles em latim. Músico de vasta produção. Muito inspirado nos primeiros anos de trabalho. Posteriormente tornou-se repetitivo nas suas composições. Sem um preparo musical clássico, conseguiu, todavia, excelentes resultados em muitas de suas peças. Compôs 12 missas em latim e muitas em português. Escreveu muitas cantatas, operetas, motetes e corais. Compôs muitos cantos litúrgicos e não litúrgicos. Animou e dinamizou a arte no Seminário.

Peregrinação encerrada

Desde sua última transferência para Taubaté, Frei Gilberto não passava bem. Sofria muitas dores e achaques que se agravaram após a última cirurgia em 1984. Certamente, grande parte de suas enfermidades eram de fundo psíquico. Com 65 anos e meio, dos quais 41 de vida consagrada na Ordem Capuchinha e 36 de serviço à igreja no Sacerdócio Ministerial, encerrou sua peregrinação neste mundo no dia 26 de janeiro de 1986.

Dia 27, às 16 horas, foi celebrada a missa exequial, presidida por Dom Antônio Afonso de Miranda, SDN, Bispo Diocesano de Taubaté e concelebrada pelo Ministro Provincial Frei Odair Verussa, por sacerdotes capuchinhos e do clero diocesano. Ao final da missa, antes do corpo ser levado para a Capela dos Frades Capuchinhos no Cemitério junto do convento, Frei Odair cantou “Teu nome suave, ó Maria!”, uma de suas mais belas composições dedicadas à Nossa Senhora - “a Virgem que tanto amo” costumava dizer.

Frei Joaquim Dutra Alves, O.F.M. Cap.

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