Necrologia

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Frei Luís Maria de São Tiago

26/04/1862
24/07/1910

Frei Luís (Benjamim Zucalli) nasceu aos 26 de abril de 1862; vestiu o santo hábito aos 28 de setembro de 1877; no ano seguinte fez sua profissão simples, no dia 29 de setembro. Professou solenemente a 15 de maio de 1883. Ordenou-se Sacerdote a 21 de setembro de 1884.

Era filho de João Batista e de Catarina Zucalli.

Com apenas 5 anos de sacerdócio e 27 anos de idade, Frei Luís, ou Ludovico, foi escolhido para compor a equipe de fundadores desta Missão e partia de Trento aos 27 de julho de 1889 com seus colegas Frei Félix de Lavalle, Caetano de Pietramurata e Virgílio de Trento.

Em Roma foram recebidos pelo Papa Leão XIII que os animou e lhes recomendou difundissem a devoção ao Sagrado Coração de Jesus. Ao descer as escadarias do Vaticano Frei Luís comprou uma pequena imagem do Sagrado Coração de Maria e fez o propósito de propagar sua santíssima devoção juntamente com a de seu dileto Filho, imagem que se conserva no Lar Escola Coração de Maria.

Instalados em Piracicaba aos 16 de abril de 1890, os missionários se desdobraram em atividades apostólicas, máxime em missões populares, tanto em nosso Estado como fora dele. Frei Luís se distinguia pelo espírito entusiasta de jovem, inquieto, empreendedor, pela eloqüência, pelas ardorosas e inflamadas pregações.

No dia 1º de janeiro de 1896 fundou a Ordem Terceira em Piracicaba; entusiasmou seus membros para uma imitação do grande São Francisco e os incitou a um trabalho dedicado entre os mais necessitados.

Suas ardentes pregações, seu estilo apologético na pacata cidade, despertaram logo a atenção de Maçons e Metodistas que ali haviam se estabelecido há tempo: os metodistas, desde 1881, e os maçons, desde 1875. Numa evangelização ardorosa voltada para combate a seitas, suscitou reações até violentas da parte adversa, como podemos ler ainda hoje em jornais da época. O clima quente de discussões foi mais marcante até 1898 quando Frei Luís foi para Taubaté, sendo transferido de Piracicaba.

A 1º de janeiro de 1893 foi lançada a primeira pedra da nova igreja do Sagrado Coração de Jesus, quando Frei Luís fez fervoroso sermão alusivo.

Em 1892 e em 1893, juntamente com seus companheiros, pregou intensas missões em Taubaté e em Piracicaba, como podemos ver no histórico dessas casas e como já escrevemos em relação a Frei Silvério de Rábbi.

Frei Luís foi Guardião em Taubaté, desde 1892 até 1894. Foi o superior da primeira Família Religiosa que ali tomou posse a 15 de fevereiro de 1892 e que se compunha dos seguintes: Frei Gregório de Rumo, Frei Mansueto de Valfloriana, Frei Benjamim de Vigo, Frei José de Cassana.

Em 1895, Frei Luís vai como Guardião em Piracicaba. Ali, como acenamos atrás, fundou a Ordem Terceira e juntamente com D. Antônia Martins de Macedo (Irmã Cecília), lançou as bases da futura Congregação das Irmãs Franciscanas do Coração de Maria. Igualmente, para abrigar tantas meninas órfãs que havia pela cidade, construíram o “Asilo Coração de Maria Nossa Mãe”, que teve sua pedra fundamental benta a 2 de fevereiro de 1897 e inaugurado já a 2 de fevereiro de 1898...

Após dedicar-se totalmente a essas obras, repentinamente foi transferido para Taubaté, ali chegando aos 17 de agosto de 1898 para exercer os cargos de Mestre de Noviços, Diretor e Professor do Colégio Seráfico.

Aos 15 de julho de 1900 parte para a Itália em companhia do provincial Frei Inácio de Rovereto; finalmente, aos 24 de julho de 1902 deixa definitivamente o Brasil e a querida Missão com tudo o que semeara com entusiasmo juvenil e ardoroso. Conforme registrou seu colega Frei Ricardo de Denno, “uma série de graves incômodos o afligiam especialmente nos últimos anos, chegando a ponto de ameaçar sua preciosa existência”.

“Sinto muito – confidenciou-lhe Frei Luís quase chorando – sinto muito deixar o Brasil; mas quase não posso mais trabalhar, e este é para mim o meu maior incômodo e, portanto, com pesar devo regressar para a Pátria”.

Lá, Frei Luís prosseguiu sua missão entre os jovens aspirantes à vida religiosa, como diretor e professor muito querido. Mas, o antigo ardor e o antigo entusiasmo não se manifestavam mais. As transferências inesperadas para Taubaté e para a Pátria abalaram-no profundamente, embora tenha sofrido tudo calado, sem reclamações. Como observa Frei Damião no livro das CRÔNICAS de Piracicaba, esses reveses causaram “tão terrível e forte golpe em seu coração muito terno e delicado, que, sem temor de errar podemos dizer que foram a causa moral de sua morte prematura. Embora oprimido por suma dor, o ótimo religioso, de bom grado submeteu-se ao querer dos superiores. Sabia muito bem que se os superiores podem errar ao mandar, o súdito nunca erra obedecendo e sempre receberá a recompensa “...(fl.80)

E Frei Isidoro de Telve que o teve como mestre e muito o estimava, deixou escrito que Frei Luís, após esses fatos, “ficou desanimado, pusilânime, e até caiu doente e morreu prematuramente: Mais mata a gente a tristeza do que a espada, diz o Divino Espírito Santo, e foi assim mesmo. Isso, não por motivo razoável, mas para atender a críticas de invejosos e mal intencionados “... (Escritos esparsos).

Por volta de 1908 Frei Luís sofreu um derrame cerebral que o paralisou totalmente no lado esquerdo do corpo. Com dificuldades tinha a alegria de poder ainda celebrar o santo sacrifício da Missa, de onde hauria força e consolação. Aos 24 de julho de 1910, saindo da capela da enfermaria de Rovereto, às 16,30 hs. sofreu novo derrame. Recebeu com muita piedade os santos sacramentos e, às 23,15 entregou sua alma a Deus. Tinha 48 anos, 2 meses e 28 dias.

No Elogio Fúnebre por ocasião da missa exequial celebrada na Igreja do Sagrado Coração de Jesus em Piracicaba, Frei Ricardo de Denno, colega de Frei Luís no Noviciado, assim se expressou:

“Consummatus in brevi explevit tempora multa”- ( Sap. 4, l3).

“É profunda a dor da separação quase repentina, a dor no último adeus, a dor de um afeto despedaçado sobre esta terra que hoje reúne neste templo as três famílias franciscanas e todo este piedoso povo a chorar e pedir paz e descanso eterno a um humilde, mas zeloso filho do Pobrezinho de Assis. Sim, meus irmãos, o nosso caríssimo coirmão, o fundador desta congregação da Ven. Ordem Terceira e das beneméritas Irmãs Franciscanas, o nosso Frei Luís de São Tiago, depois de uma breve vida, porém cheia de amor e de fé, decorada de inúmeros e esplêndidos sacrifícios, acaba de deixar este vale de lágrimas, para ir receber na mansão celestial o prêmio de suas acrisoladas virtudes e trabalhos apostólicos. Consummatus in brevi explevit tempora multa.

Todo este aparato fúnebre é apenas uma pálida imagem da dor profunda que dilacera os nossos corações. Tudo é consternante neste momento e provoca o pranto doloroso. E quem diria, há dois anos atrás, que aquela mente ainda cheia de nobres e santas idéias Franciscanas, fosse em breve cortada quase de improviso pela foice misteriosa e inexorável da morte? Senhor, nós adoramos teus imperscrutáveis juízos, mas ao mesmo tempo Te pedimos conforto e alento na nossa amarga dor.

“Meus irmãos, não é só o liame dulcíssimo da fraternidade cristã e religiosa que nestes momentos tão dolorosos nos faz derramar lágrimas de amor e de compaixão. Naquele homem que a morte nos arrebatou, naquele irmão comum da grande e gloriosa família Franciscana, naquele digno sacerdote do Senhor, perdemos também alguma coisa mais que um irmão e religioso, perdemos um verdadeiro apóstolo do bem, um incansável missionário.

“Meus irmãos, embora o mundo classifique como quiser, ainda mesmo de supersticiosas as máximas da fé, embora ria-se das sublimes abnegações aconselhadas pelo Santo Evangelho, e escarneça um humilde burel cingido de áspero cordão, ele deverá emudecer e confundir-se diante das obras irradiantes da fé e de amor que silenciosa e talvez obscuramente desenvolve em prol do próximo um humilde filho do Serafim de Assis.

“A História da Ordem Franciscana é história de fé e de amor: de fé em Deus, de amor da religião, da família, da pátria; é história de compadecimento e de defesa dos fracos e oprimidos, à custa, às vezes, de perseguições; é a história de ternuras, de estima e de especial cuidado pelas criaturas que refletem a imagem do Criador; é história, enfim, de admiração para com todas as criaturas, que de qualquer maneira nos cantam a glória e o poder do Supremo Monarca do universo.

“Ora, é verdade que esta história escreveu-a primeiro e selou-a com o Seu Sangue Divino o adorável Redentor, mas, depois Dele , o homem que a escreveu mais completamente, quem mais altamente a fez ouvir aos homens e quem mais se conformou aos seus ditames, fazendo-a mestra de seus filhos, foi o Serafim de Assis, o nosso querido pai São Francisco. Pois bem, meus irmãos, esta história, ainda quando bem jovem, leu-a o nosso pranteado Frei Luís, e, de acordo com os sublimes ditames dela subiu sempre seguramente depois de muitas fadigas, até ao cume daquele apostolado que lhe devia custar muitos sacrifícios e abnegações.

“No dia 26 de abril, numa humilde aldeia dos Alpes Trentinos, nasceu o nosso Frei Luís, filho de progenitores pobres sim, mas verdadeiros católicos, os quais, cônscios do seu eminente dever, souberam transmitir-lhe, com a vida, a piedade que edifica o santo amor de Deus, que inspira a delicadeza de consciência e a pureza do coração. Esta obra cuidadosa e vigilante dos pais depositou naquela alma ainda tenra os primeiros germes da vocação religiosa, que bem cedo se desenvolveram; e na idade de 16 anos, o nosso jovem pediu e obteve entrar no santo noviciado da Província Capuchinha de Trento.

“Meus irmãos, Frei Luís foi por alguns meses meu co-noviço e recordarei sempre com muita edificação que ele era um dos noviços mais fervorosos e exemplares, destacando-se entre todos por uma terna e filial devoção para com Nossa Senhora, devoção que sempre professou até o ultimo alento de sua vida. Tanto é verdade que poucos dias antes de morrer, escrevera a uma respeitável pessoa desta cidade, dizendo que, se quisesse fazer-lhe coisa agradável, propagasse a devoção do Coração de Maria.

“Dotado de inteligência perspicaz percorreu brilhantemente o curso de seus estudos, e, no meio dos rigores da vida claustral, cheia de prática das virtudes religiosas, preparou-se para outra vocação que pedia maiores sacrifícios e abnegações. E, com efeito, dois anos depois de terminar os estudos, foi escolhido pelos Superiores juntamente com Frei Félix, de saudosa memória, para fundar a nossa Missão neste Estado de São Paulo. Em 1889, portanto na flor de seus 26 anos, abandona parentes, amigos e pátria, em demanda do Brasil o novo campo de ação que a divina Providência lhe tinha reservado.

“Meus irmãos, os sofrimentos e provações, as amargas desilusões que tanto ele como seus companheiros experimentaram, especialmente nos dois primeiros anos, são coisas que se podem facilmente contar, mas dificilmente experimentá-las sem ficar desanimados. O amor de Deus e do próximo, porém era a alma do seu zelo e dos seus sacrifícios, o sustentáculo da sua paciência, o estímulo da sua coragem, o único objeto dos seus pensamentos e desejos; e por isso não se deixou acovardar pelas dificuldades que se lhe antolhavam no caminho do seu caráter firme. Em Taubaté, o seu primeiro campo de ação, teve de sustentar duras e renhidas lutas para reformar a Ordem Terceira já existente, mas a sua paciência e constância foram coroadas de um esplêndido sucesso, deixando depois de 4 anos uma Congregação florescente pelo número, e bem animada de verdadeiro espírito seráfico.

“Mas, seu espírito não estava ainda saciado de tanto benefício feito a essa cidade. O “Charitas Christi urget nos” do Apóstolo, lhe fazia planejar e executar outro trabalho monumental, que constitui a mais bela página de sua vida, quero dizer, a fundação da Congregação das Irmãs Franciscanas do Coração de Maria, precioso rebento da Ven. Ordem Terceira de Piracicaba, que bem pode ufanar-se de ter dado à Igreja e à Pátria uma plêiade de Religiosas Virgens, exclusivamente dedicadas à própria santificação, a educação das crianças desprotegidas e a servir à humanidade sofredora nos hospitais. Verdade é que esta benéfica instituição parecia a princípio uma arrojada empresa; mas confiado naquele Deus por cujo amor trabalhava, confiado no dulcíssimo Coração de Maria e na proteção do Seráfico Patriarca agiu sem nunca desanimar. E Deus de tal modo abençoou seus esforços, que em breve lapso de tempo as Irmãs Franciscanas se multiplicaram tanto, que já possuem três casas, fecundos e ativos campos de instrução profissional e de educação moral e religiosa, para crianças órfãs e desvalidas, e dirigem duas casas de misericórdia, onde os pobres doentes encontram sempre anjos de caridade e de sacrifício, mães carinhosas e dedicadas.

“Mas tantos labores deviam abalar por completo aquela têmpera forte, aquele moço robusto. Uma série de graves incômodos que o afligiam especialmente nos últimos anos chegaram a ponto de ameaçar a sua preciosa existência:

“– Sinto muito, me disse ele um dia, quase chorando, sinto muito deixar o Brasil; mas quase não posso mais trabalhar, e este é para mim o meu maior incômodo e, portanto, com pesar devo regressar para a Pátria”. E realmente voltou em 1903. (Nota: foi 1902).

“Tendo-se lá restabelecido quase completamente, dedicou-se ainda com ardor à instrução da nossa mocidade e ao sagrado ministério. Mas Deus estava como que quase satisfeito de tantos atestados de amor sincero do seu servo fiel, e, portanto, quis dar-lhe a última prova para depois recompensá-lo definitivamente.

“Há quase dois anos foi surpreendido por um repentino ataque apoplético que lhe deixou a parte esquerda do corpo completamente paralisada. Plenamente conformado com a vontade de Deus, se preparou séria e santamente para seu último dia, que não ignorava ser próximo. E, com efeito, durou ainda pouco mais de um ano, confortando-se com a bela graça de celebrar quase diariamente com uma mão só, por benigna concessão apostólica. Mas, a sua alma purificada no crisol de tantos padecimentos, aformoseada por tantas virtudes, parecia esperar impaciente a hora suprema marcada pela recompensa.

“No dia 24 de julho último às 4 horas e meia da tarde, saindo da capela da enfermaria do nosso convento de Rovereto, foi acometido por um novo ataque; recebeu com muita piedade os últimos sacramentos e entre lágrimas e soluços dos co-irmãos que o assistiam entregou a sua bela alma ao Criador, que assim rematou seus méritos e recompensou suas virtudes.

“Sim, meus irmãos, Frei Luís morreu, mas a sua abençoada memória jamais se apagará, especialmente em Piracicaba e Taubaté, onde deixou obras imorredouras de sacrifício e de zelo apostólico. Nos poucos anos de seu sacerdócio soube ele acumular tais merecimentos que a sua memória será abençoada pelos pósteros: ‘Et memoria ejus erit in benedictione’.

“Sim, meu saudoso e querido co-noviço e co-irmão, Frei Luís, tu agora já deves estar na posse do prêmio eterno. Aí nessa região bendita para onde Jesus, a quem soubeste servir, te removeu, como fúlgido candelabro, pede a Deus por mim, para que, como fui teu companheiro de noviciado e trabalho, seja também teu companheiro de recompensa na bem-aventurada pátria dos justos. Pede por nós, teus co-irmãos, a fim de que possamos sempre imitar tuas virtudes, teu zelo pela salvação das almas na prática da caridade e no amor ardente pela nossa Santa Religião. Pede por estas Irmãs Franciscanas tuas filhas espirituais, que formam uma das gemas mais preciosas engastadas na coroa dos teus merecimentos, a fim de que seguindo sempre as pegadas do pobrezinho de Assis, constituam sempre honra da Igreja e da Pátria, e um dia tua coroa na Pátria celestial.

“Pede por esta Congregação da Ordem Terceira em prol da qual tanto trabalhaste, a fim de que nela nunca esmoreça o fervor Seráfico e o zelo pelas almas, que lhe soubeste imprimir, para que um dia também ela possa contigo cantar eternamente as misericórdias do Senhor. Pede, finalmente, por esta população católica, que na comunhão da mesma fé e da mesma gratidão, assiste piedosamente a esta fúnebre e tocante cerimônia, compartilhando os mesmos pezares e as mesmas homenagens das Famílias Franciscanas.

“Adeus, Frei Luís, adeus.”

Frei Luís deixou muitas cartas dirigidas a Irmãs da Congregação que fundou, como podemos ver na obra “Fontes Históricas da Congregação das Irmãs Franciscanas do Coração de Maria” - Campinas, 1985, pp. 68 a 100. Além de muitos outros dados sobre Frei Luís, essa obra traz a bela oração composta pelo missionário, consagrando Piracicaba ao Sagrado Coração de Maria aos 25 de março de 1893 e renovada em 1928.

(Cf. também “Os Missionários Capuchinhos no Brasil, de Frei Modesto Rezende de Taubaté e Fidélis Motta de Primiero, p. 553. Igualmente, a AOMC, vol. 26, p.371).

Fr. Anacleto de Coroados

13/07/1937
29/07/1966

Frei Anacleto de Coroados (Antônio Aguilar) nasceu em Coroados, diocese de Lins, SP, aos 13 de julho de 1937.

Era filho de Salvador Aguilar e Dolores Colo. Vestiu o hábito aos 17 de setembro de 1962, fazendo a primeira profissão a 19 de setembro de 1963. Estava em Mococa, onde atendia a portaria. Muito desejava professar solenemente, mas fôra aconselhado a renovar os votos por mais um ano a fim de preparar-se melhor para ato tão importante. Não realizou seu desejo, pois faleceu aos 29 de julho de 1966. A pedido de uma pessoa foi colher umas carambolas; subiu na árvore, um galho cedeu e o frei despencou com cesta e frutas, morrendo instantaneamente naquela tarde triste. Havia completado 29 anos a 13 de julho.

Frei Mansueto de Jaboticabal

18/03/1914
30/07/1970

Frei Mansueto de Jaboticabal (Heládio Varani Calvo) nasceu aos 18 de março de 1914, em Guariba, diocese de Jaboticabal; filho de Heládio Calvo e Olga Varani. Crismado aos 9 de dezembro de 1929 em Curitiba (PR), por Dom João Braga. Primeira eucaristia aos 12 de junho de 1921 em Jaboticabal. Entrou para o Seminário Seráfico aos 24 de dezembro de 1929. Vestiu o hábito em Piracicaba, a 21 de fevereiro de 1932. Foram seus mestres Frei Felicíssimo (10 meses) e Frei Tiago de Cavêdine (2 meses). Votos simples em Piracicaba aos 26 de fevereiro de 1933; solenes, em Mococa, a 19 de março de 1936, perante Frei Salvador de Cavêdine. Estudos filosóficos em Piracicaba (1 ano), em São Paulo (1 ano e meio) e em Mococa (meio ano) :1933 a 1935 - Teologia em Mococa (1936-1937) e em São Paulo (1938-1939).

Recebeu o Diaconato em São Paulo aos 24 de setembro de 1938, de Dom José Gaspar de Afonseca e Silva. Ordenado sacerdote aos 8 de dezembro do mesmo ano, pelo mesmo Dom José. Em 1939 concluiu os estudos. Exerceu os cargos de Lente, em Mococa, a partir de dezembro 1947; - vigário cooperador e assistente do Comissariato em São Paulo (dezembro 1950). Aos 7 de outubro de 1952 partiu para Roma, como vice-secretário geral da Ordem. Aos 31 de agosto de 1958 embarcava de regresso para o Brasil, sendo nomeado cooperador em Santos, em janeiro de 1959. Em janeiro de 1960 foi eleito Ministro Provincial, sendo reeleito aos 12 de dezembro de 1962. Terminado seu mandato, foi para Rio Preto, como cooperador na Basílica Nossa Senhora Aparecida (1965). Já estava bastante enfermo. Por ocasião do Capítulo Geral de 1968 submeteu-se a tratamentos no Hospital de Parma, Itália, sob orientação do Prof. Ferioli, melhorando bastante. Voltando para a Província foi novamente para Rio Preto onde a doença teve seus súbitos progressos. Em 1969 prossegue os tratamentos também em Ribeirão Preto e até no Rio de Janeiro, numa clínica de olhos, pois a cegueira aumentava com o diabete e complicações renais graves. Posteriormente, em setembro do mesmo ano é internado no hospital Santa Catarina em São Paulo, sem resultados.

Frei Marcelo de Assis Pereira

30/07/2011

Frei Epifânio A. Menegazzo

27/07/1906
01/07/2002

Frei Epifânio nasceu em Limeira no dia 27 de julho de 1906. Seu nome de batismo e civil era Antônio Menegazzo. Era filho de Agostinho Menegazzo e Letícia Cia. Foi batizado na igreja de Vila Americana, Tatu, em Limeira, aos 1º de setembro de 1906 e crismado na mesma igreja no dia 10 de fevereiro de 1909. Fez a Primeira Eucaristia na igreja de Santana, São Paulo, em setembro de 1915. Cursou os primeiros estudos no Grupo Escolar de Santana, em São Paulo.

Vocação adulta

Entrou para o Seminário São Fidélis de Piracicaba aos 29 de janeiro de 1930, com 24 anos de idade. Sua profissão era seleiro. Tinha uma selaria num sobradinho atrás da Estação Sorocabana em São Paulo.

Noviciado e profissão

Vestiu o hábito franciscano capuchinho, iniciando o noviciado no convento Sagrado Coração de Jesus, em Piracicaba, no dia 21 de fevereiro de 1932. Foi seu Mestre Frei Felicíssimo de Prada. Fez a profissão temporária perante Frei Jacinto de Prada no convento de noviciado, no dia 26 de fevereiro de 1933. Emitiu a profissão perpétua perante Frei Salvador de Cavêdine, no convento São José de Mococa, aos 1º de março de 1936.

Filosofia, Teologia e Ordenação

Estudou Filosofia em Piracicaba, Mococa e São Paulo, nos anos 1933 a 1935 e Teologia em São Paulo e Mococa, nos anos 1936 a 1939. Recebeu a Primeira Tonsura e duas Ordens Menores conferidas por Dom Alberto José Gonçalves, em São José do Rio Pardo, aos 17 e 18 de agosto de 1937 e as outras Ordens Menores conferidas por Dom José Gaspar de Afonseca e Silva, em São Paulo no dia 6 de março de 1938. Foi ordenado Subdiácono aos 11 de junho de 1938 e Diácono por Dom José Gaspar de Afonseca e Silva, em São Paulo aos 24 de setembro de 1938. Recebeu a Ordenação Sacerdotal pela imposição das mãos, de Dom José Gaspar de Afonseca e Silva, em São Paulo, no dia 8 de dezembro de 1938.

Mestre de Noviços

Concluídos os estudos em novembro de 1939, aos 7 de dezembro foi ser Vice-Mestre de Noviços no convento Santa Clara de Taubaté. Dois anos depois, em dezembro de 1942 foi nomeado Mestre de Noviços. Por oito anos desempenhou este serviço até dezembro de 1950, sendo nomeado Guardião do convento Santa Clara em Taubaté. De novembro de 1952 a dezembro de 1960 foi Mestre de Noviços em Barcelos, Portugal. De junho de 1955 a junho de 1958, Assistente do Comissário Geral de Portugal e Vice-Guardião do convento. Anos mais tarde, de 17 de janeiro de 1963 a 17 de janeiro de 1964, desempenhou outra vez o serviço de Mestre de Noviços, no convento Santa Clara, em Taubaté. Prestou serviços no noviciado por 20 anos, 3 como Vice-Mestre e 17 anos Mestre de Noviços.

Guardião e Pároco

Frei Epifânio foi Guardião em Taubaté nos anos 1951 e 1952. Em Marília foi Guardião e Pároco, de 1964 a 1969. Em Penápolis, foi Guardião e Pároco de 1975 a 1978.

Outros conventos e paróquias

Além do serviço de Mestre de Noviços, Guardião e Pároco, Frei Epifânio trabalhou em São Paulo, Imaculada Conceição, Piracicaba, no convento Sagrado Coração de Jesus, Santo André, Botucatu e Santos. Em todos estes conventos e paróquias foi Vigário Cooperador, confessor, orientador espiritual e sempre disponível para qualquer atendimento pastoral.

Obediência derradeira

Desde 1985 residia em Taubaté. Participou do último Capítulo Provincial no Seminário São Fidélis, de 13 a 16 de novembro de 2001. No início de 2002 foi para a Fraternidade Nossa Senhora dos Anjos, em Piracicaba, para tratamento de saúde. Aí recebeu a obediência derradeira, o chamado de Deus para a vida na eternidade. Frei Epifânio faleceu na Santa Casa de Piracicaba no dia 1º de julho de 2002, às 2 horas e 10 minutos da madrugada. O atestado de óbito deu como causa da morte: Septicemia, Arritmia Cardíaca, Broncopneumonia. Foi velado na igreja do convento Sagrado Coração de Jesus. Às 10 horas foi celebrada uma missa exequial. Seu corpo foi transladado para Taubaté a pedido de seus familiares.

Às 15 horas do dia 1º de julho, na igreja do convento Santa Clara, foi celebrada a missa exequial presidida por Dom Carmo João Rhoden, SCJ, Bispo diocesano de Taubaté, concelebrada pelo Ministro Provincial, Frei João Alves dos Santos, por vários sacerdotes capuchinhos, sacerdotes diocesanos, com participação dos pós-noviços, postulantes, grande multidão de fiéis, amigos e familiares. Após a celebração exequial, o corpo de Frei Epifânio foi sepultado na capela dos Frades Capuchinhos, no cemitério ao lado do convento Santa Clara, em Taubaté.

Estimado Confessor e Diretor Espiritual

Frei Epifânio era muito estimado como confessor e orientador espiritual, sendo considerado Pai Espiritual pelos fiéis, pelos sacerdotes e religiosas. Foi homem de verdadeira experiência de Deus em fervorosas e continuas orações.

Austeridade de vida

Viveu uma vida de austeridade mostrada em rigorosas abstinências, jejuns e práticas penitenciais, sendo prudente e zeloso com a saúde pessoal e dos outros. Manifestou austeridade na vida de pobreza e obediência. Até o fim da vida, em tudo dependia da obediência aos Superiores.

Gostava de fazer suas férias nos conventos da Província. Celebrava a santa missa de manhã ou nos horários permitidos, tomava refeições, lavava suas roupas pessoais e passava o dia na cela em oração.

Nos conventos onde morou era assim que vivia estando sempre atento ao chamado do porteiro ou ao toque da campainha para o pronto atendimento às confissões ou aconselhamentos na sala conventual.

Comprendia o trabalho como dom divino. Na segunda-feira, dia de folga para o descanso, ele atendia confissões, às vezes, o dia inteiro. Jamais se negava ao atendimento de quem o procurasse. A quem o questionasse sobre o cansaço respondia: “Se Deus me envia trabalho é porque sabe que darei conta”.

Apaixonado pelo Evangelho e por São Francisco

Nos Capítulos e Assembléias Provinciais, nos encontros regionais, reciclagens e retiros da Província, fazia eloqüentes intervenções em que demonstrava amor apaixonado pelo Evangelho, tendo como modelo nosso Seráfico Pai São Francisco ao escrever: “A Regra e Vida dos Frades Menores é esta: observar o Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo vivendo em obediência, sem propriedade e em castidade” (RB, Cap. I).

Em suas cartas e anotações pessoais afirmava com segurança que os Reitores, Diretores de Estudantes, Mestres de Noviços e frades nos conventos deviam ser exemplos vivos do Evangelho, da Regra e das Constituições, como fez São Francisco, Santa Clara e um exuberante catálogo de santos franciscanos e capuchinhos. Nas afirmações orais e escritas, com freqüência, fazia citações do Evangelho e das Cartas dos Apóstolos.

Escreveu e publicou “Opúsculo” sobre a vida de São Francisco, por ocasião do jubileu de sua morte (750 anos), mais uma novena de São Francisco de Assis.

Exemplo de vida capuchina

Frei Epifânio foi um exemplo vivo de simplicidade e alegria franciscana capuchinha. Acreditava e confiava na Providência Divina. Para ele, Deus, o único e supremo Senhor, é tão bom que liberta de todas as preocupações da vida aqueles que se põem ao seu serviço e se abandonam à sua Providência Divina. Nunca se deixava levar pela angústia. Não se inquietava, nem se afligia, mas “buscava em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça” (Mt 6, 33).

Os problemas da vida não lhe tiravam a alegria de viver. Acordava muito antes dos outros confrades, tomava seu suco de laranja e se dedicava ao seu cultivo espiritual nas primeiras horas da manhã. No convento onde morava e nos outros onde se realizavam encontros fraternos, era o primeiro a comparecer ao coro, à capela para o Ofício Divino e orações da comunidade.

Era muito compreensivo diante das mudanças provocadas pela renovação da Igreja e pelo progresso do mundo atual. Tinha capacidade de abertura ao novo, ao diálogo e de respeitar o diferente sem perder o que para ele era essencial. Participava intensamente de todos os eventos programados e de todos os encontros fraternos da vida da Província.

Gostava de futebol

Sem nenhum prejuízo para sua vida austera de observância regular, de orações e santas meditações, acompanhava o esporte de futebol. Conhecia tudo sobre times, jogadores, técnicos, árbitros atuais e antigos, sendo grande torcedor, especialmente da seleção brasileira quando havia copa mundial. Vibrava quando o Brasil ganhava e sofria com as derrotas. Não pôde torcer na copa de 2002 porque seu estado de saúde não permitia e foi comemorar o “Penta” no céu.

A cura pelo limão

Deixou uma pasta com muitas receitas de medicina caseira, tiradas de revistas, jornais e pequenos impressos. A principal delas, por ele fielmente utilizada, é a cura pelo limão, útil para tantas doenças, desde a simples gripe ao pior dos males. Acreditava que o limão é o remédio da longa vida, prolonga a juventude e afasta a velhice, rejuvenescendo as células do sangue e tecidos.

Frei Epifânio viveu 95 anos e 11 meses de idade. Faleceu no dia 1º de julho de 2002. No dia 27 do mesmo mês completaria 96 anos, sendo 69 de vida religiosa na Ordem Franciscana Capuchinha, 63 anos e 7 meses de ministério sacerdotal.

(Cf. “Vida Freterna” nº 237, 357 e 401. “Regra e Vida” nº 106, pag. 236-238).

Frei Joaquim Dutra Alves, O.F.M. Cap.

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