Tamanho do Texto:
A+
A-

Homilia Dominical / Frei João Santiago

Publicado por Frei José Lázaro Oliveira Nunes | 08/07/2017 - 15:24

São Pedro e São Paulo, Apóstolos.

Mateus 16, 13-19

"Chegando ao território de Cesaréia de Filipe, Jesus perguntou a seus discípulos: No dizer do povo, quem é o Filho do Homem? 14.Responderam: Uns dizem que é João Batista; outros, Elias; outros, Jeremias ou um dos profetas. 15.Disse-lhes Jesus: E vós quem dizeis que eu sou? 16.Simão Pedro respondeu: Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo! 17.Jesus então lhe disse: Feliz és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está nos céus. 18.E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. 19.Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus." 

 

Distância! Pedro e os demais discípulos serão levados para longe, para Cesaréia de Filipe. Todos nós passamos por “distâncias”! Imaginem um casal que por anos a fio veêm seus filhos crescerem. Um dia cada um dos filhos se distanciará, construirá, cada um, a própria família, irá para longe, terá a própria casa. Distância! Imaginem dois jovens apaixonados e um deles decide romper, terminar o namoro. Distância! A idade e os achaques trazem distância de quando se era jovem e forte. Mudanças de cidade, amizades que se rompem, decepções, perdas de entes queridos, problemas fianceiros e de realizações.... tantas distâncias! Nestas distâncias seremos perguntados sobre o sentido da vida e sobre o sentido de tantas coisas, tais como o sentido do amor, da amizade, da fidelidade, da dedicação, dos sacrifícios, da fé.

- “Quem é o Filho do Homem? O Filho do Homem pode ser João Batista, Jeremias ou um dos profetas, respondem alguns. É... diante das distâncias e desatinos tendemos a dar respostas “humanas” que basicamente dizem assim: “A vida é assim!”; “Busque superar as distâncias, faça uma faculdade, faça academia, busque uma espiritualidade, busque um outro amor, faça o que quiser”. São respostas que não provocam tanto e que sepultam o Vivente que nos pode fazer vivos.

Nosso Senhor, a um certo momento, provoca fortemente seus discípulos: “E vós quem dizeis que eu sou?”, isto é, qual meu peso, importância e significado em vossas vidas? Eu conto para vós? Eu significo algo para vós? Jesus provoca ser olhado, considerado. Ele quer entrar em comunhão e em diálogo. Jesus, o Filho de Deus entre nós, humildemente se expõe, mostra sua fraqueza, sua fragilidade, mostra seu amor, e quem ama deseja, quer ser aceito por aquele a quem ama. Amar é se expôr, é fazer uma declaração, é revelação, pois quem ama se revela e espera ser acolhido, reconhecido.

Pedro responde pelo grupo: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo”. Pedro estava dizendo: “Tu és o Vivente, Aquele que me faz vivo, o Esperado do meu coração, a Plenitude dos meus desejos e da minha ambiçao, a Realizaçao de todas as promessas. Tu és o meu Deus, o meu Tudo”. A partir daquele dia Pedro será Pedra, receberá um nome nome, uma missão, um destino, um futuro. Nasceu novamente, se fez nova criatura.

Quando Jesus Cristo, o filho de Maria e do Deus vivo, perde sua insiginificancia e passa a ser significante para minha pessoa, eu me torno “beato”, feliz, degustador dos segredos do Senhor: Feliz és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está nos céus.

O segredo. Pedro descobriu o Vivente no homem Jesus.

Aceitar que Jesus, o filho de Maria, seja o Messias? Só uma graça especial torna isso possível. Por quê?

Enquanto os judeus esperavam o “dia da vingança” (cf. Isaias 61, 2.5), Jesus apregoa o perdão e proclama a “esperança” também para os pagãos e invasores.

Esperar o “dia da vingança” é aquela satisfação que temos quando tudo acontece segundo o nosso planejado, o nosso desejo e também segundo o que achamos certo, correto e justo. Por isso é bem capaz que cada um tenha o seu Deus na própria cabeça.

Pedro não ficou petrificado, fanático e nem fixado em suas crenças. Pedro não se satisfez contente com o próprio mundinho e juízos. Não ficou ébrio de si. Ao contrário, se ateve ao novo, se rendeu àquelas palavras cheias de encanto que saiam dos lábios de Jesus. Aceitou que o Messias fosse humano, aceitou sua mãe, sua descendência; Aceitou que fosse filho de Maria. Não foi fácil para Pedro (de fato, cairá, trairá), não é fácil deixar o nosso “dia da vingança”. Mas, para conhecer a Jesus como Senhor, Vivente e Messias, urge adesão, confiança, entrega e abandono amoroso ao Jesus que Maria nos apresentou. 

Sobre o autor
Frei João de Araújo Santiago

Frade Capuchinho, da Província Nossa Senhora do Carmo. Licenciado em Filosofia, Bacharel em Teologia e Mestre em Teologia Espiritual. Tem longa experiência como professor, seja no Brasil, como na África, quando esteve como missionário. Por vários anos foi formador seja no Postulantado, como no Pós Noviciado de Filosofia. Atualmente mora em Açailândia-MA. Já escreveu vários livros e muitos artigos.