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Salmo Dominical / Frei Ribamar Gones (Salmo 33)

Publicado por Frei Ribamar Gomes | 03/07/2016 - 09:00

Salmo 33 O anjo do Senhor vem acampar ao redor dos que o temem

O salmo 33 surpreende a todos que se dedicam a estudá-lo de forma atenta. São varias as opiniões sobre a qual gênero literário pertence, alguns afirmam que é um salmo de louvor, de ação de graças ou de instrução. Este salmo é um acróstico alfabético que não traz a letra wav e no final adiciona um versículo extra que começa com a letra  peh. São mais ou menos doze poemas alfabéticos que encontramos no Antigo Testamento, é uma técnica para quem tem interesse nas formas e nos sons das letras e palavras. É uma técnica universal, pois Também a encontramos nos poetas gregos e latinos.  Os órgãos dos sentidos também desempenham um papel fundamental na relação do salmista com Deus, principalmente o sentido da audição.  No salmo também encontramos de forma quase que palpável o contraste entre o bem e o mal. Encontramos também uma gama de sinônimos para descrever  a quem vive um momento de aflição: santo, humilde de coração, espírito abatido, etc.

A composição do salmo é atribuída a Davi e a circunstancia histórica de sua composição se deu quando ele fugia do rei Gat, fingindo-se louco. O conteúdo do salmo levou alguns estudiosos afirmarem que este foi escrito em um período posterior ao exílio da Babilônia num tempo em que valorizava muito as instruções sapienciais. As exigências de estilo e do léxico que aparecem no salmo justificam esta afirmação.   

Provai e vede quão suave é o Senhor!  Este é um convite para que outros também possam buscar a Deus e confiar em seu cuidado protetor. As bênçãos de Deus vêm para quem evita as táticas do poder e confia inteiramente no Senhor como refugio. Duas citações diretas do salmo 33 encontramos na 1 Carta de São Pedro, onde aparece as regras para se viver a partir das instruções sapienciais. Pedro também usa o salmo para fazer referencia ao sofrimento dos cristãos que mesmo sendo honrados sofrem, por isso mesmo que sofrem. A Carta aos hebreus recolheu a referencia ao paladar, ao gosto, ao saborear, como símbolo do sabor espiritual que tem como objeto imediato a Palavra de Deus. Os santos Padres usaram em referencia a Eucaristia.

O Salmo, em seu começo, lembra-nos o Magnificat, ou seja, o canto de louvor que brotou da alma da Virgem Maria. Muitos autores chamam o Salmo 33 de “o Magnificat do Antigo Testamento.” “Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo, seu louvor estará sempre em minha boca. Minha alma se gloria no Senhor; que ouçam os humildes e se alegrem!” O salmista deseja louvar a Deus por todo o tempo. A palavra que designa louvar - bendizer (barak em hebraico) - significa também reconhecer o poder que uma pessoa possui. Para quem foi salvo, bendizer a Deus deve ser um fator determinante em sua vida.

O Salmo 33 expressa didaticamente algo universal. Não expressa como doutrina, mas como testemunho de uma experiência vivida, da experiência que nos diz que vale a pena caminhar pelo o caminho indicado por Deus. O universal que o salmo nos apresenta é que o ser humano sempre está em busca e em sua busca de antemão recebe a ajuda de Deus: o “buscado”. Com a ajuda divina, a busca já é o começo do encontrar e o encontrar é sempre um livre mostrar-se do encontrado, ou seja, o salmista reconhece que o espaço divino sempre esteve aberto ao ser humano. “Não te buscaria se já não te tivesse encontrado".

Sobre o autor
Frei Ribamar Gomes

Frei Ribamar Gomes, Frade Capuchinho, da Província Nossa Senhora do Carmo (MA-PA-AP-CUBA). Licenciado em Filosofia, Bacharel em Teologia, Licenciado em Filologia Trilíngue: latim, grego e hebraico e Mestre em Teologia Bíblica, pela Pontifícia de Salamanca. Com experiências em diversas áreas como: pastoral, formação e professor. Atualmente mora em São Luís, na Fraternidade de Nossa Senhora dos Capuchinhos, onde é Guardião e Mestre do Pós Noviciado de Filosofia.