Necrologia

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Frei Ângelo João Rozulen

30/10/1912
09/12/1982

30.10.1912 - Santo Antônio da Platina/Paraná
09.12.1982 - Curitiba/Paraná

Frei Ângelo nasceu aos 30 de outubro de 1912, em Santo Antônio da Platina, diocese de Jacarezinho. Vestiu o hábito em Curitiba, aos 2 de julho de 1935, sendo o seu mestre de noviciado Frei Barnabé Ivo Tenani. Emitiu a profissão temporária em Curitiba, aos 5 de julho de 1936 e, os votos perpétuos, nas mãos de Frei Tarcísio Mastena de Bovolone, aos 9 de julho de 1939, na igreja de Nossa Senhora das Mercês, Curitiba.

Com entusiasmo iniciou sua vida religiosa, passando por várias fraternidades da nossa Província. Curitiba (1940-1941; 1942-1947; 1949-1950) 1968, Barra Fria (1941, 1947-1948), Engenheiro Gutierrez (1951-1968), Santo Antônio da Platina (1969), Siqueira Campos (1970) e Butiatuba (1971-1982)

Frei Ângelo faleceu na noite do dia 9 de dezembro de 1982, em Butiatuba. Como não aparecesse na oração da manhã, os freis começaram procurá-lo. Foi encontrado morto, sentado numa poltrona, na sala da televisão. O médico julgou que teria falecido pelas 21h30 e constatou a causa da morte um infarto agudo do miocárdio. Conta-se que no dia anterior tinha ido a Curitiba para cortar o cabelo e confessar-se.

Comunicando seu falecimento no boletim «Atos» da Província, assim se escreveu: "Frei Ângelo, você partiu. Partiu e nos deixou assim, naquela sensação de devedores em atraso, com o cheque assinado na mão. Você foi. mas a sua imagem antitética de uma aparente fragilidade física e um espírito veemente vai demorar muito tempo para se esvair do nosso espírito. O seu perfeccionismo nas coisas, a eterna insatisfação do opus imperfectum. A angústia existencial, não pela explicação, mas pela conciliação dos contrários, na harmonia de uma graça que se anuncia, retardando, contudo, em fazerse presente. Uma distância quase cismática entre o ideal perseguido e a realidade disponível. O preço e o peso de alguma decisão obediencial": 'Quando eu era jovem, queria ser padre: não me deixaram. Agora que sou velho, me deixam; mas para mim é tarde. Por que será que a gente é assim' "?

Uma formação radical, mais a estoicismo que a cristianismo, com muito de anjo e pouco de homem, bem distante do Irmão de Assis. Era visão préconciliar da vida religiosa, mais empenhada na luta contra o mal do que na realização do bem. Se os votos foram todos eles para você uma opção desafiante, o desafio foi assumido: "Sei em quem acreditei".

Um dia Ele me mandou dar um salto no escuro. No começo hesitei, mas depois pulei. Um tombo, uns arranhões, mais susto que ferimentos. é que Ele também pulou e estava a meu lado. E caminhamos juntos, passo a passo, dialogando em silêncio...' "Três vezes roguei ao Senhor... e ele me respondeu: Basta-te a minha graça".

Esta foi a tua e a nossa história de Província emergente: inexperiência, tateamentos, procura do próprio caminho. Frei ângelo, adeus! E deixenos contemplar ainda por algum tempo a foto panorâmica, em preto e branco, da tua vida: Uma batalha renhida, alguns lances perdidos, aqui e ali mortos e feridos. Mas, no fim, o saldo positivo da vitória final. E para concluir, uma pergunta: Será que os santos não foram assim?"».

Está sepultado no cemitério de Butiatuba.

Frei Inácio Minali

16/02/1920
11/12/2007

*16.02.1920 Serra Negra-SP

+11.12.2007 Curitiba-PR

FREI INÁCIO, filho de Ângelo Minali e de Zefira Garutti, nasceu em Serra Negra-SP, então diocese de Campinas, hoje, de Amparo. Era de uma família composta por 12 irmãos e Frei Inácio era o quarto mais velho. Foi batizado na paróquia NOSSA Senhora do Rosário, em Serra Negra, aos 20.02.1920.   Recebeu o sacramento do Crisma na paróquia Santa Gertrudes, diocese de Limeira-SP, aos 29.07.1920.           Em Cosmópolis, capela da paróquia Santa Gertrudes-SP, fez a Primeira Comunhão em 1932.

Frei Inácio viveu até os 30 anos com seus familiares, trabalhando em diversas atividades. Tendo mudado para Bandeirantes, no Paraná, conheceu os capuchinhos e em setembro de 1950 foi recebido no convento Nossa Senhora das Mercês, em Curitiba, mas viveu seus primeiros anos na fraternidade de Butiatuba, onde pôde completar os primeiros estudos. Mais tarde cursou o ginásio em Almirante Tamandaré, concluindo-o em 1976. Foi considerado, tanto pelos professores como pelos colegas, um aluno exemplar.

Após três anos de preparação, foi para Barra Fria-SC (hoje, Lacerdópolis), onde, aos 17.7.1954 iniciou o ano de noviciado sob a guia do mestre, Frei Germano Barison de LioNossa Segundo a tradição de então, trocou o nome de Ângelo (nome de Batismo) por Frei Inácio, que o conservou sempre.

Emitiu a profissão temporária aos 25.7.1955, nas mãos de Frei Bamabé Tenani, e a perpétua aos 21.12.1958 na fraternidade do Seminário Santa Maria, em Riozinho- PR, em cerimônia presidida por Frei Mansueto Bozic de Vipacco.

Frei Inácio sempre viveu como religioso e residiu nestas fraterni­dades: Butiatuba (1956,1971-1985; 1988-1992), Riozinho (1961-1963, 1968-1970), Siqueira Campos (1957- 1961; 1963-1965), Curitiba (1965- 1968,1986-1987,1999-2007), Joinville (1992-1997). Em 1989, por ocasião de suas bodas de vida religiosa, fez uma viagem à Europa, visitando os lugares franciscanos na Itália, Lourdes na França e Fátima em Portugal.

Nos lugares onde esteve de­senvolveu estas principais atividades: auxiliar de cozinha, hortelão, cozi­nheiro, chacareiro, assistente de vo­cações adultas, à disposição do Ministro Provincial, recepcionista e responsável pelo parque de Butiatuba, diversos serviços gerais nas fraternidades. Passou os últimos anos de sua vida no convento das Mercês em tratamento e auxiliando em atividades de limpeza da quadra do convento das Mercês. Nos últimos anos, começou a perder, progressiva­mente, a noção do tempo e lugar por causa do mal de Alzheimer e necessitou, ultimamente, acompa­nhamento constante.

Antes de seu falecimento passou mais de um mês na UTI do Hospital Nossa Senhora das Graças, em Curitiba, e quase sempre sedado para deixá-lo mais calmo de suas convulsões provocadas, em parte, pelo mal de Alzheimer. Faleceu no mesmo hospital às 10h30 de 11.12.2007. 0 laudo médico constatou disfunção de múltiplos órgãos, broncopneumonia aspirativa, demência senil e con­vulsões.

Seu corpo foi levado ao nosso convento de Butiatuba e ali, velado. Às 9h30 de 12.12.2007, foi iniciada a missa de corpo presente, presidida pelo Ministro Provincial, Frei Cláudio Nori Sturm, com a presença de Freis que representaram as fraternidades de Butiatuba, de Curitiba (convento das Mercês, Cúria Provincial, Vila Nossa Senhora da Luz, capela São Leopoldo Mandic, Casa de Oração, Almirante Tamandaré), de Ponta Grossa (convento Bom Jesus, paróquia Imaculada Conceição, Equipe Missionária). Estavam presentes dois de seus irmãos: Luís e Jesus Minali, além de outras pessoas conhecidas. A encomendação final foi feita pelo Vigário Provincial (Frei Darci Roberto Catafesta) e Frei Luizinho Marafon (Definidor Provincial) benzeu o túmulo.

Durante a missa, o Ministro Provincial comentou, em sua homilia, a festa de Nossa Senhora de Guadalupe unindo-a a diversos aspectos desta devoção marial coma vida de Frei Inácio. Com suas reflexões e as de Freis e outras pessoas presentes, a vida de Frei Inácio pode assim ser resumida:

Como São João Diego, impul­sionado pelas mensagens de Nossa Senhora de Guadalupe, soube fazer sua caminhada e peregrinação de fé, assim foi com Frei Inácio. Com muita simplicidade, sempre serviçal e disponível ao serviço dos irmãos, Frei Inácio fez bela caminhada de fé na vida religiosa. Embora tenha entrado com 30 anos de idade, assimilou, com facilidade, os valores da vida capuchinha, traduzindo-os com simplicidade na vida das fraternidades onde viveu.

Foi jovial, alegre e constante em seus trabalhos, desenvolvidos com amor e simplicidade. Demonstrou en­tusiasmo e vitalidade impressionante tanto nos trabalhos como em horas de lazer. Amava o futebol, jogando, nos dias festivos, de manhã e de tarde, mas nunca faltava aos momentos de oração pessoal e comunitária.

Nas horas livres, mesmo ouvindo jogos pela rádio, ele tinha seu terço na mão e rezava. A devoção marial foi uma constante em sua vida. Amava a Ordem e a Província, demonstrando seu amor pela interioridade de vida, com a perseverança na oração, no trabalho e na vivência do carisma franciscano. Tomou-se exemplo de vida profunda na casa de noviciado e em outras fraternidades.

Revelava sempre uma alma aberta, livre, mostrando ser um frade feliz, realizado e com transparência que se assemelhava à infância espiritual. Frade satisfeito com sua vocação, testemunhando-a através do serviço e disponibilidade aos irmãos e à fraternidade.

Frei Inácio viveu a promessa desta bem-aventurança de Cristo: “Felizes os puros de coração porque verão a Deus”. Viveu de maneira simples, com inocência de mente e coração. Nele não se percebiam malícias ou segundas intenções. Viveu esta bem-aventurança que, agora, o toma mais feliz ainda na glória do céu. Como São Francisco de Assis, amou muito a natureza e está o elevava a Deus. Seu grande livro de oração foram o rosário e a natureza. Com eles se realizou, cumpriu as etapas da vida religiosa, tomando-se grande companheiro na vida fraterna, no serviço simples do dia-a-dia, que fazia com amor e dedicação. Esse amor à natureza manifestou pelas inúmeras árvores que ele plantou principalmente em Butiatuba e na antiga casa de noviciado, em Joinville-SC. Com seu trabalho, oração e coerência tomou- se exemplo de vida também para os formandos que, nas diversas etapas, estiveram ao seu lado.

No início de sua formação religiosa, Frei Inácio sofreu bastante com os ataques de epilepsia. Houve casos em que ele, sendo epiléptico e trabalhando em lugares perigosos, bastava ouvir a voz do superior, logo se retirava e até ia rezar na capela. Alguns frades aconselharam-no a fazer uma novena a São Leopoldo Mandic para que o libertasse desses males. Ele a fez com muita fé e devoção. O certo é que, depois da novena, nunca mais nele se repetiram esses ataques epilépticos.

Foi exemplo de humildade, oração, trabalho intenso, de obediência e pobreza. Tinha apenas o indispensável para a vida. Quando morava em Joinville e dormindo com a janela aberta, os ladrões entraram pelo quarto dele. Perguntado por eles porque deixou a janela aberta, Frei Inácio simplesmente respondeu aos ladrões que não tinha nada para ser roubado!

Seu irmão de família (Luiz) re­forçou a ideia que Frei Inácio, mesmo antes de entrar no convento dos Freis, gostava muito de rezar e o fazia com frequência. Percebia-se nele a necessidade de pertencer a uma Ordem, como a dos Capuchinhos. Luiz agradeceu os Freis por terem acolhido seu irmão, onde se sentiu

realizado como capuchinho.

Frei Inácio permanecerá em nossa memória e será nosso intercessor, confirmou o Ministro Provincial. Exemplo de frade simples, humilde e de devoção muito grande e espiritualidade ao qual se pode aplicar a frase de Jesus: “Quem se fizer como uma criança, tomar-se-á grande no reino dos céus”.

Frei Inácio repousa em nosso cemitério de Butiatuba, onde seu nome e seus exemplos continuarão a transmitir mensagens de vivência franciscana.

Frei Mário de Irani

02/12/1935
19/12/1963

02.12.1935 - Irani/Santa Catarina
19.12.1963 - Curitiba/Paraná

Frei Mário, filho de Luiz Galvan e Angelina Camuzatto, nasceu em Irani Santa Catarina, aos 2 de dezembro de 1935. Fez o ginásio no seminário de Barra Fria e de Butiatuba. Ingressou na Ordem com 18 anos de idade no dia 1º de fevereiro de 1954. Vestiu o hábito capuchinho a 1º de feverereiro de 1954, em Barra Fria, tendo por mestre de noviciado Frei Germano Barison de Lion. Emitiu os votos temporários aos 2 de feverereiro de 1955.

Em Curitiba, no convento das Mercês, estava concluindo o primeiro ano de filosofia. Ele mesmo descreveu o acidente, em sua autobiografia escrita no hospital Nossa Senhora das Graças: "Era o dia 11 de novembro de 1955 (...) Frei Amadeu de Capinzal e eu, marchamos torre acima (das Mercês) em busca de uma corda. (...) Partimos. (...) Chegamos, no pasto da casa dos pais de Frei Estanislau de Pilarzinho. Conversamos alegres até chegarem os portadores dos instrumentos. Amarrada uma pedra numa das pontas da corda, experimentamos lança-la por cima de alguns galhos do pinheiro. Falharam os primeiros golpes. (...) De novo... pegou! Fiz o sinal da cruz e toquei para cima. Parei numa forquilha, ali posta com antecedência. Naquele momento, um frei, da outra banda do córrego começou rolar pedras morro abaixo fazendo um barulhão danado. (...) por um triz não arrepiei caminho. (...) Enfim, abracei o pinheiro, agarrei a corda e subi. Fui indo. Parei. Não dava mais. De baixo, os demais gritavam: "Mais um pouco! Está perto! Força!". Qual o quê. Faltou gasolina. O único recurso era voltar. E voltei. As forças iam faltando. Procurei alcançar logo a forquilha. Naquilo me desprendi. Robei para baixo e cai quase de costas. Quis levantar... da cintura para baixo estava tudo amortecido. Quis falar e consegui gaguejar um pouco. Percebi logo que fraturara a espinha dorsal. O que senti no momento não sei descrever. Os companheiros queriam convencer-me que não era nada, mas estavam mais espantados do que eu. Transportaram-me um pouco mais para cima e fiquei deitado na grama. Dois estudantes correram para o convento das Mercês avisar o diretor. Logo depois chegou o jipe para me carregar ao hospital. Não foi possível. Uma hora depois chegou uma ambulância. Como foi horrível a viagem (...)".

Frei Mário nunca mais pôde levantarse, pois fraturara a espinha dorsal, tornando-se paraplégico. Tinha apenas 20 anos. Superiores e confrades fizeram de tudo com médicos e especialistas para reavivar os movimentos de Frei Mário. Um médico que o acompanhava suspeitou que a medula estivesse apenas comprimida e props ao guardião das Mercês, Frei Cassiano (Orlando Busatto), fazer uma cirurgia da vértebra, com esperanças de recuperação. A proposta foi aceita e Frei Orlando assistiu a cirurgia. Infelizmente, não obstante esta intervenção, o estado de Frei Mário continuou irreversível. Ao invés de lamentar-se, procurava ser útil, ocupando o tempo com aulas complementares, trabalhos artesanais e confecção de terços.

No Hospital, emitiu a profissão perpétua aos 2 de fevereiro de 1962.

Merece destaque especial o cuidado zeloso que as Irmãs Vicentinas dispensaram a ele durante os oito anos que permaneceu no Hospital Nossa Senhora das Graças.

Frei Mário faleceu neste hospital no dia 19 de dezembro de 1963. Tinha 28 anos de idade. Seus restos mortais repousam na capela-ossário de Butiatuba.

Frei Belino Pellin de Treviso

23/12/1885
01/12/1960

23.12.1885 - Santa Bona/Itália
01.12.1960 - Curitiba/Paraná

Nasceu em Santa Bona (Itália), diocese de Treviso, aos 23 de dezembro de 1885. Concluído o ginásio no seminário de Verona, aos 25 de maio de 1901 entrou no noviciado de Bassano, tendo como mestre Frei Alberto de Conegliano. Após sua primeira profissão religiosa (26.05.1902) na casa de noviciado, emitiu a perpetua (06.09.1905) em Veneza, sendo ministro provincial Frei Serafim de údine. Cursou filosofia e teologia em Pádua e Veneza. No dia 8 de novembro de 1908 foi ordenado sacerdote pelo Cardeal Patriarca Aristides Cavallari.

De outubro de 1912 a junho de 1914 foi professor no seminário de Verona. Sua índole vivaz e entusiasta lançouo à conquista do Reino em terra dálmata. Com a Guerra de 19141918 foi enviado pelos austríacos ao convento de Leibnitz (Áustria). No meio de sofrimentos e renúncias amadureceu seu ideal missionário.

Despediu-se de sua terra natal aos 16 de novembro de 1922 e, com Frei Leonardo de Fellette veio ao Brasil. Chegaram ao Paraná aos 5 de dezembro de 1922.

Inicialmente trabalhou em Jacarezinho (1923-1926) como vigário paroquial. Em seguida, foi nomeado pároco de Siqueira Campos onde permaneceu de 8 de março de 1926 até 29 de fevereiro de 1952. Tornou-se um apóstolo de Siqueira Campos durante 27 anos. Exerceu o cargo de superior local e pároco em Ponta Grossa, na igreja Imaculada Conceição (1953-1954) e em Guaratuba (1955-1960).

Desde 1925 até 1941 e de 1951 a 1954, além dos trabalhos paroquiais, desempenhou o encargo de 1 e 2 conselheiro da Missão e da Custódia. Em quase todos os lugares onde viveu, sempre foi superior local. Cultivou povo siqueirense no amor, com a paixão de um santo. Era tido em alta consideração pelas autoridades civis. Defendia sua gente das intrigas que os maus faziam para obstaculálo no bem. Vivia totalmente pelo seu povo e a todos dava acertados conselhos.

Assíduo confessor, passava muitíssimas horas no confessionário. Batalhou incansavelmente até conseguir que a imagem do Senhor Bom Jesus da Cana Verde permanecesse para sempre em Siqueira Campos. Cultivou uma intensa vida interior. Pelos seus merecimentos o povo e o Município de Siqueira Campos conferiulhe o título de «Cidadão Honorário Siqueirense».

Além do ministério pastoral foi um colaborador sincero, um conselheiro bem iluminado no governo da Custódia. Amava os confrades e sempre tinha uma palavra de encorajamento para os estudantes.

Uma longa enfermidade cardíaca o levou à morte no hospital da Santa Casa de Misericórdia em Curitiba, a 1 de dezembro de 1960. Foi sepultado no cemitério de Siqueira Campos e ainda hoje sua é lembrado com muita gratidão por aquele povo. Restos mortais – Segundo dizem, no seu sepultamento, houve certa confusão. Seu túmulo não estava preparado. Por isso, foi colocado em túmulo bem simples, perto do atual que aparece naquele cemitério. Após o término do mesmo, não se explica como não houve interesse de exumar Frei Belino e depositar seus restos mortais no novo túmulo. O povo visitava e continua visitando esse novo túmulo para orar por Frei Belino quando, na verdade, seus restos se encontravam em túmulo lateral. Neste ano de 2006, a Prefeitura de Siqueira Campos estava para limpar os túmulos antigos e abandonados. Os conveiros abriram também o túmulo abandonado de Frei Belino. Interessante também notar que, no registro do cemitério (que depende da Prefeitura local) não constava o falecimento de nosso Frei Belino. No caixão, ainda encontraram o hábito capuchinho e, por isso, fecharam o túmulo e avisaram que de direito. O caso foi conhecido pelos nossos freis que o relataram ao Ministro Provincial. Frei José Gislon (Min. Prov.), na viagem que fez ao norte do Paraná nesta semana, passou por Siqueira Campos. Os restos mortais de frei Belino foram exumados aos 12.04.2006, na presença de Frei Gislon, que os trouse para Curitiba. Permaneceram na Cúria Provincial apenas durante uma noite, porque, aos 13.04.2006, ele mesmo os levou para Butiatuba. A cerimônia foi bem simples,, com a participação dos freis da fraternidade de Butiatuba e dos postulantes. Lembrou-se a sua vida, seu trabalho em Siqueira Campos. Logo após, os restos mortais foram depositados numa urna no interior da capela de nosso cemitério de Butiatuba.

Frei Admir Matos de Souza

10/12/1948
02/12/1998

 10.12.1948 - Mandaguari/Paraná
02.12.1998 - Curitiba/Paraná

Frei Admir faleceu às 0h45m de 2 de dezembro de 1998, no hospital Nossa Senhora das Graças, em Curitiba, após longo sofrimento por causa do câncer que o preocupou e lhe provocou muitas dores, principalmente durante o ano de 1998.

Frei Admir nasceu em Mandaguari, aos 10 de dezembro de 1948, diocese de Maringá, Paraná. Entrou no seminário Santa Maria, em Riozinho, Paraná sendo reitor Frei Antônio Rodrigues de Lima. Após ter feito seu período de postulantado em Siqueira Campos sob a orientação de Frei Bernardo Frei Felippe, vestiu o hábito em Butiatuba, Paraná, aos 18 de fevereiro de 1968, tendo por mestre de noviciado Frei Guilherme João Potratz. No ano seguinte (15.02.1969) emitiu sua primeira profissão nas mãos do superior local Frei Beda Toffanello. Em Curitiba, em nossa igreja das Mercês, fez sua profissão perpétua aos 22 de fevereiro de 1976 diante do Ministro provincial Frei Clemente Vendramim.

Terminado o noviciado em Butiatuba, residiu em Siqueira Campos até 12 de fevereiro de 1970, prosseguindo sua formação religiosa e franciscana. Passou um ano na Cúria provincial, ficando à disposição do Ministro provincial (1970-1971). Aos 22 de março de 1971 foi transferido para o Seminário Santa Maria, em Riozinho, onde além de ajudar a fraternidade em diversos serviços, assumiu a fábrica de malhas, como técnico. Neste encargo permaneceu até 10 de janeiro de 1976, quando foi para o convento da Imaculada Conceição, em Ponta Grossa. Trabalhou como auxiliar em Butiatuba (1978), em Curitiba no convento das Mercês (1978), e em Ouro, Santas Catarina, como assistente do seminário. Aos 26 de novembro de 1979 foi enviado para Butiatuba onde, além dos serviços prestados à fraternidade e à paróquia, começou exercer a função de enfermeiro da Província. Em Curitiba (1981), cuidou de Frei Vital Hermenegildo Basso durante sua doença e ofereceu seus préstimos à paróquia. Aos 24 de janeiro de 1986 passou à fraternidade de Irati, onde fez o curso de Pedagogia na Faculdade de Educação, Ciências e Letras de Irati.

Aos 16 de janeiro de 1989 partiu para Roma. Serviu a Ordem capuchinha trabalhando no convento de Frascati, como sacristão, porteiro e trabalhos gerais da casa. Em 1993 residiu na casa de Acolhimento dos capuchinhos, em Roma, exercendo a atividade de recepcionista e freqüentando uma parte do curso de espiritualidade franciscana no Pontifício Ateneu Antoniano. Foi nesse período que começou sentir dificuldades em seu sistema urinário. Tratou-se em hospitais nos arredores de Frascati e os médicos já tinham proposto, naqueles tempos, de extirpar a bexiga. Frei Admir não consentiu mas continuou um tratamento rígido com medicamentos e infiltrações. Passou seus últimos meses em Roma em contínuo tratamento. Retornou à Província aos 25 de agosto de 1993, ficando ao serviço da Cúria provincial.

No ano seguinte (26.04.1994) foi enviado à Casa de Oração como superior local. Mas passou o ano de 1995 nas Mercês e na Cúria provincial como enfermeiro chefe de nossos freis doentes. Desde 14 de janeiro de 1996 viveu na Casa de Oração, quase sempre como superior local, até o seu falecimento.

Em todas as suas atividades, Frei Admir sempre se mostrou muito hábil, diligente e habilidoso tanto no Brasil como nos anos que permaneceu na fraternidade de Frascati, nos arredores de Roma. Gostava muito de saber todas as novidades da vida provincial e também da roda de seus amigos. Durante seus anos no seminário Santa Maria, em Riozinho, além de seu trabalho na malharia, auxiliou os freis formadores. Dedicou muita atenção à Casa de Oração no atendimento aos grupos de retirantes, na cozinha e no cultivo do jardim. Gostava e zelava para que os freis hóspedes e outras pessoas se sentissem bem e à vontade.

Nos últimos anos de sua vida, preocupou-se muito em vencer a batalha contra o cancer. Além de recorrer à medicina, demonstrou enorme confiança nos remédios naturais, dos quais muito se serviu.

Diante de seu problema, mostrou-se sempre otimista, mesmo após a cirurgia, que o privou da bexiga e de um rim. Nos últimos meses era assistido, dia e noite, por um de nossos freis, tanto no convento como no hospital. Seus familiares, freis, conhecidos e até o arcebispo de Curitiba (Dom Pedro Fedalto) visitaram-no com freqüncia. Apesar de saber a gravidade de seu mal, tinha enorme vontade de viver. Nos últimos dias, duas de suas irmãs (uma delas religiosa) ficaram ao seu lado.

Logo após seu falecimento seu corpo foi transladado à fraternidade de Butiatuba. No mesmo dia, às 20h, reuniram-se uns 20 freis, 11 religiosas, amigos e parentes de Frei Admir para uma missa de corpo presente, presidida por Frei Moacir Busarello. Aos 3 de dezembro de 1998, Frei Daniel Heinzen (vigário provincial) presidiu a missa das 8h com a presena de muitos freis de todas as fraternidades da região de Curitiba, representantes de Ponta Grossa, Itapoà, Siqueira Campos, Santo Antnio da Platina. A missa foi muita devota, participada e com interessantes depoimentos. A seguir, seu corpo foi levado à nossa capela-cemitrio, onde, após preces e agradecimentos, desceu à sua última morada: nossa mãe-terra.

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