Necrologia

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Frei Jacir Bachi

09/05/1961
20/06/1989

09.05.1961 - Machadinho/Rio Grande do Sul
20.06.1989 - Florianópolis/Santa Catarina

Nasceu aos 9 de maio de 1961, em Machadinho, distrito de Paim Filho, hoje município, no Rio Grande do Sul. Filho de Guerino Bachi e de Luiza Cassol Bachi, era o filho mais velho do casal. Viveu parte de sua infância na terra natal. Sendo sua família pobre e simples, começando a vida e encontrando enormes dificuldades com doenças, seus pais mudaram-se para Pato Branco, Paraná, em busca de melhores condições de vida, um futuro melhor. Nesta família simples e humilde, mas cheia de fé e amor, manifestou desde criança um grande sonho: ser padre.

Entrou no seminário menor de Céu Azul, Paraná, aos 10 de março de 1976, com 14 anos de idade, quando Frei Miguel Rodakowski era o diretor. De 1977 a 1981, estudou no Seminário Santa Maria de Riozinho, Paraná, onde concluiu o 2° grau. Em 1982, fez o Postulantado em Siqueira Campos, Paraná. Vestiu o hábito capuchinho aos 22 de janeiro de 1983, em Butiatuba, Paraná, como tempo forte de oração e conhecimento da vida capuchinha. Professou temporariamente em nossa igreja das Mercês, em Curitiba (22.01.1984). De 1984 a 1985, em Ponta Grossa e Curitiba, fez os estudos de Filosofia. Em 1986 foi transferido para Florianópolis, na Trindade, para realizar os estudos de Teologia, no ITESC. Concluiu o curso teológico e os últimos exames em 1989. Na igreja Matriz da Trindade, no dia 9 de outubro de 1988 fez a sua Profissão Solene, diante do Ministro provincial, Frei João Daniel Lovato.

Na fraternidade da Trindade, em Florianópolis Santa Catarina, além dos estudos e obrigações fraternas, exerceu também atividade pastoral. Fez amigos, foi irmão, lutador, trabalhador, prestativo. A música e o canto o tornavam uma pessoa animada e alegre.

Colocou este dom a serviço dos outros. Num encontro ou roda de amigos, pegava seu violão e tocava suas modinhas. Esteve presente no SOMISSAO (grupo instrumental e vocal de adolescentes) desde o inicio. Nos ensaios de canto e na animação litúrgica sua presença era animadora. Com as crianças tinha um carinho especial. Por todos era querido e amigo. Atuava também na pastoral da juventude. Acompanhou e auxiliou na coordenação da catequese durante todo o tempo.

Aos 15.06.89 Frei Jacir Bachi foi aprovado para receber os Ministérios de Leitorato e Acolitato para o dia 22.06.89 e deveria receber a ordenação diaconal aos 26.08.89. Porém, no dia 18.06.89 caiu de uma escada, em frente à casa paroquial da Trindade. Sofreu traumatismo craneano encefálico, vindo a falecer dois dias após, (20.06.1989) no Hospital Celso Ramos, Florianópolis.

Seu corpo está sepultado no cemitério de Butiatuba.

Frei Pedro Cesário Palma, companheiro de Frei Jacir, lembrou-o com este poema:

"Mas ninguém podia entender como fora acontecer um ato trágico incidente. Há poucos minutos passados tocando e cantando, contente. Era exatamente dez e trinta, uma manha de sol, bonita. A missa havia terminado. No pátio da igreja matriz, a criançada brincava feliz como acontece todo sábado. Frei Jacir na animação: jogando bola, enchendo balão, animando a criançada... de repente a bola subiu e em cima da marquise caiu e agora? quem tira a danada? Pra Frei Jacir foi «fichinha». Pegou a escada que ali tinha e a bola ele foi buscar. Quando na marquise chegou a escada se escorregou e ele caiu de lá... Foi tamanho o desespero ao ver o bom companheiro com seus vinte e oito anos caído ali, desmaiado... para o hospital foi levado: era traumatismo craniano. Os médicos foram dizendo: «O quadro dele é tremendo, não há mais nada a esperar». Ficou dois dias e meio em coma o tempo inteiro: dava pena de se olhar. Vinte de junho era a data, às vinte e trinta, hora exata, de oitenta e nove era o ano. Frei Jacir deu seu adeus, deixando os amigos seus com o coração chorando.

A missa de corpo presente com a igreja cheia de gente foi celebrada na Trindade, em Florianópolis, Santa Catarina. Depois foi levado para Butiatuba, Paraná, e sepultado no cemitério dos frades. Chegando no dito lugar muita gente a esperar celebrouse uma missa ali. Adeus. Frei Jacir Bachi. Muito, muito marcaste. Saudades que não têm fim!!!»

Frei Mansueto Bozic

05/08/1928
23/06/2007

* 05.08.1928 – Vipacco/Itália (hoje Eslovênia)

† 23.06.2007 – Santa Cruz de Aidússina/Eslovênia

Na noite entre 22 a 23.6.2007, fa­leceu em Santa Cruz de Aidússina (Eslovênia), frei Mansueto Bozic. Nasceu em Vipacco (território italiano, atualmente da Eslovênia) aos 5.8.1928, filho de José Bozic e Teresa Kete. Recebeu o batismo 8.8.1928 na paróquia de Budanje, diocese de Gorizia. Na mesma paróquia fez a primeira comunhão em 1935 e foi crismado em 1938 por Dom Carlos Margotti. Ingressou no seminário dos Capuchinhos de Veneza aos 30.8.1940 em Santa Cruz de Aidússina, tendo como diretor frei Nazareno de Rozzo. Em Bassano dei Grappa iniciou o noviciado aos 16.11.1944, tendo como mestre de noviços frei Vicente de Magredis e Ministro Provincial frei Clemente de Santa Maria in Punta. No mesmo convento fez, aos 18.11.1945, sua primeira profissão temporária nas mãos de frei Luquésio de São Martinho de Lúpari, e a profissão perpétua aos 6.1.1950, em Veneza, diante do frei Hermágoras de Premariacco, sendo Ministro Provincial frei Paulino de Premariacco

Recebeu todas as ordens menores e maiores na Basílica de São Marcos em Veneza (leitorado em 1950, acolitado em 1951, diaconato em 1952, conferidas por Dom Jacinto Ambrosi, e presbiterado aos 21.3.1953 por Dom Ângelo José Rocalli (o futuro papa João XXIII). Celebrou sua primeira missa solene aos 6.4.1953 em Noastier, na diocese de Treviso.

No Paraná - Passados dois anos como sacerdote na Itália, a 1.1.1955 partiu, em companhia do Ministro Provincial frei Zacarias Varalta, para o Brasil, chegando ao Paraná aos 23 do mesmo mês. Em Curitiba permaneceu até 18.8.1963. Depois de ter passado um ano em Oficinas na cidade de Ponta Grossa, foi transferido para Uraí-PR (1965-1968), para Londrina (1969-1973) e para Palmas com Dom frei Agostinho Sartori (1974-1981). Em seguida, trabalhou em Manaus-AM e em Cruzeiro do Sul no Acre (1983-1998). Aos 14.4.1998 retornou à Veneza (Itália) e, com o decreto de 8.1.1998, agregou- se à Província Capuchinha da Eslovênia, sua pátria, onde faleceu.

Encargos - Durante sua permanência em nossa Província quase sempre se dedicou aos estudos, desenvolvendo diversas atividades. Inicialmente foi vice-diretor dos estudantes teólogos em Curitiba, dando aulas na Pontifícia Universidade Católica e na Universidade Federal de Curitiba. Em Urai-PR, foi diretor de nosso antigo Ginásio Assunção e também professor nas Faculdades de Cornélio Procópio e Arapongas. Em Londrina, continuou dando aulas nessas duas últimas faculdades e principalmente na de Londrina. Na diocese de Palmas-PR exerceu o cargo de Chanceler do bispo Dom frei Agostinho Sartori e professor na Universidade do Sudoeste, mantida pela Diocese de Palmas.

Pertenceu ao quadro de fundadores do Colégio São Francisco de Assis e da Escola Técnica aos 15.1.1962 (Curitiba, Mercês); fundador e professor de Filosofia da Educação na Faculdade Estatal de Cornélio Procópio- PR (1966-1972); fundador e professor de introdução à filosofia na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Arapongas-PR (1967-1972); em Rio Branco, Acre, esteve ao serviço da Prelazia de Alto Juruê até a elevação à diocese (1998), onde também desenvolveu inúmeras atividades apostólicas e foi fundador, professor e decano dos cursos de Letras, Pedagogia e Direito na Universidade Federal do Acre 1988-1998). Nessa intensa vida de estudos, também surgiram dificuldades com fraternidades locais, com seus superiores maiores e até com as Faculdades onde lecionava.

Em todos os lugares onde residiu, desenvolveu atividades de vigário paroquial. Na Província, por alguns anos foi o responsável da OFS, auxiliou a capelania da RFPRSC em Ponta Grossa e diretor da CRB em Londrina. No entanto, frei Mansueto dedicou-se com intensidade aos estudos, tendo obtido 43 diplomas e certificados e cursos concluídos. Entendia diversas línguas das quais falava com fluência algumas delas. Visitou diversos países na América Latina, Europa e outros lugares. Orientou inúmeros retiros e cursos de renovação no Paraná, São Paulo e Minas Gerais.

O dia 14.4.1998 foi seu último dia passado no Acre, porque retornou à Veneza (Itália). Aos 5.1.1998 o Ministro Geral assinou o decreto que o agregava à Província da Eslovênia e, aos 4.5.1998, recebia a primeira obediência do Ministro Provincial da Eslovênia, nomeando-o pregador e confessor no convento de Santa Cruz de Aidússina. Foi também guardião desse convento. O bispo diocesano confiou-lhe o cargo de exorcista.

Funerais - Aos seus funerais, presididos pelo bispo diocesano de Capodístria, estiveram presentes 80 sacerdotes, frades da Província Eslovena e da Província de Veneza (de Trieste, Gorizia, Castelmonte, Mestre e Pádua). Também esteve presente frei Jaime Manfrin, que há pouco tempo tinha retornado do Brasil e Paraguai. A igreja estava lotada de fiéis. “Um coral polifônico dava toque de solenidade ao rito fúnebre e o canto do Aleluia ressoava insistente entre o perfume do incenso”, disse frei Manfrin. Frades e leigos falaram sobre o falecido. O bispo fez as últimas encomen- dações no cemitério. Enquanto o coral cantava um hino, todos os sacerdotes, religiosos e fiéis presentes passaram, um por um, ao lado do túmulo, aspergindo- o. Em uma tranquila tarde de verão, frei Mansueto foi sepultado no cemitério de Santa Cruz de Aidússina (a atual Vipavski Kriz).

Frei Bernardino (Ângelo) Galliano Tomat de Venzone

12/12/1910
30/06/1996

12.12.1910 - Údine/Itália
30.06.1996 - Curitiba/Paraná

Frei Bernardino (Ângelo Galliano Tomat), filho de Ângelo Tomat e Argenta Galligaro, nasceu aos 12 de dezembro de 1910, em Venzone, província de Údine, região do Friulli, extremo norte da Itália. São seus irmãos: Aurora, Mário, Iolanda e Quinto. Frei Bernardino é o penúltimo.

Com um ano de idade emigrou para a Iugoslávia, na cidade de Ragusa, hoje Dubrovnik, província da Dalmácia. O pai era construtor civil e trabalhava como emprenteiro em construções de edifícios. Viajava continuamente para a Itália, em função de negócios de material de construção.

Frei Bernardino estudou na Iugoslávia até o terceiro ano primário e desde cedo trabalhou como restaurador de obras ornamentais e modelador de imagens.

Aos 24 anos, sentindo o chamado para a vida religiosa, ingressou no convento Madonna della Grazia, dos freis capuchinhos, em Dubrovnik. Era o dia 13 de novembro de 1934. Vestiu o hábito (10.10.1935) no convento de Skoffia Loca (que significa lugar do bispo), província Ilírica, na Eslovênia. Seu mestre de noviciado foi Frei Maurício Teras e o Ministro provincial de então era Frei Lino Praka. Fez a primeira profissão aos 15 de outubro de 1936, também em Skoffia Loda. Emitiu a profissão perpétua no dia 15 de outubro de1939, em Karlobag, na Croácia. Naquele tempo a província capuchinha da Iugoslávia era formada por duas etnias: Eslovênia e Croácia. Com o início da Segunda Guerra Mundial, (1939), Frei Bernardino foi transferido para Spalato, (hoje Splitz), província da Dalmácia. Em 1941, perseguido pelos comunistas, fugiu para a Itália com outros capuchinhos iugoslavos, escapando assim das tropas de Estrela Vermelha de TITO (Terceira Internacional Terrorística Organização). Residiu nos conventos dos capuchinhos de Firenze-Fano e em 1945, no convento de Castelmonte.

Em 1946, por dificuldades políticas que lhe impediam de retornar à sua província de Iliria e para realizar melhor o seu ideal missionário, solicitou incardinação na província Vêneta, com o decreto generalício de 17 de dezembro de 1946.

Aos 21 de abril de 1947, com os freis Ambrósio de Bagnoli, Lúcio de Ásolo, Salvador de Megliadino, Vitório de Údine, embarcou no navio "Ravello" do Armador Acquille Lauro, no porto de Gênova, rumo ao Brasil. Passou pelo Rio de Janeiro, desembarcando em Santos no dia 7.05.1947. Dali foram de trem a São Paulo, Ourinhos, chegando em Santo Antônio da Platina aos 14.05.1947.

Em nossa província trabalhou como cozinheiro, hospedeiro e sacristão nas seguintes localidades: Santo Antônio da Platina (1947-1948; 1954), Butiatuba (1968-1968) , Barra Fria (1949-1953; 1954), Curitiba (1948-1949; 1968-1971; 1972-1981), Ponta Grossa (1971) e Palmas (1971).

Foi incardinado em nossa Província aos 14 de março de 1960 e naturalizou-se brasileiro aos 16 de julho de 1979.

Aos 29 de março de 1995 foi transferido para a Enfermaria Provincial. Seu quadro geral, aos poucos se debilitava e Frei Bernardino foi se entregando. Permaneceu internado por algumas semanas no Hospital Nossa Senhora das Graças, onde veio a falecer na manhã de domingo, dia 20 de junho de 1996, depois de muito sofrimento. As exéquias foram celebradas na capela do convento Santo Antônio, em Butiatuba, com a presença de Frei Atílio Galvan, ministro provincial, muitos freis, amigos e fiéis.

Atendendo a solicitação do vereador Mário Celso Cunha, o prefeito de Curitiba Rafael Greca de Macedo sancionou a lei nº 9.047, de 16.05.1997, denominando Frei Bernardino Tomat o logradouro pblico que margeia o Parque Tanguá, desta capital. 

Frei Jacinto Bernardo Govasky

23/04/1930
06/06/1991

23.04.1930 - Butiatuba/Paraná
06.06.1991 - Curitiba/Paraná

Faleceu no dia 6 de junho de 1991, no convento Nossa Senhora das Mercês, em Curitiba. Foi encontrado morto em sua cama, às 17h40 por frei Norberto De Carli. Chamado o médico, este constatou o óbito e deu como causa «insuficiência respiratória». Seu corpo foi velado por confrades, parentes e amigos, na igreja das Mercês. Na missa de sepultamento, mais de 20 confrades concelebraram sob a presidência de frei Moacir Busarello, Ministro provincial. Os parentes, amigos e frades da região lotaram a igreja. Frei Moacir falou do sofrimento suportado por frei Jacinto nos últimos anos por causa da doença. Seu corpo foi sepultado no cemitério de Butiatuba. Estava com 61 anos de idade.

Frei Jacinto nasceu aos 23 de abril de 1930 em Butiatuba. Após ter feitos seus estudos no seminário de Butiatuba, iniciou o noviciado no mesmo local (05.01.1947). No ano seguinte, fez sua primeira profissão (02.02.1948) nas mãos de Frei Henrique de Treviso e, durante seus estudos em Curitiba, sua profissão perpétua (15.08.1951) na igreja das Mercês, tendo como celebrante Frei Casimiro Czelusniak.

Antes de sua ordenação, passou um período em tratamento nas fraternidades de Engenheiro Gutierrez (1953), Barra Fria (1954), Ponta Grossa-Imaculada Conceição (1955), Santo Antônio da Platina (1955). Após ter recebido as ordens menores e o diaconato (este na capela do Lar das Meninas, em 1956), Dom Manuel da Silveira d'Elboux, arcebispo de Curitiba, ordenou-o sacerdote (26.05.1956) na igreja catedral.

Logo após a ordenação, trabalhou como professor nos seminários de Engenheiro Gutierrez (1956-1958) como professor, assistente do seminário e de Butiatuba (1958) com as mesmas funções. Dedicou-se intensamente em atender a vasta região de Itaiacoca (Ponta Grossa) e Reserva durante vários anos (1959-1975). Prosseguiu sua atividade em Santo Antônio da Platina (1976-1978), Florianópolis (1980-1981), Umuarama (1985) e, finalmente, nas Mercês.

Durante 11 anos atendeu os sertões de Reserva e Itaiacoca, muitas vezes no lombo de cavalo. Era homem de oração e reflexão. Com freqüência podia ser encontrado rezando. Aliás, escrevia a um amigo: "Nunca rezei e meditei tanto em minha vida como o faço agora em meu quarto". Quando falava do seu sofrimento (muitas dores) acabava sempre dizendo: "Jesus sofreu bem mais do que eu! E olha que o Homem era bom".

Era músico profissional, do gênero erudito e pertencia à Ordem dos Músicos do Brasil. Compositor e maestro, fundou vários corais, com mais de 300 composições. A última ele terminou três dias antes de morrer: a Missa "Saúde dos enfermos". Quatro missas de sua autoria foram traduzidas para o polonês. Com o coral de Ponta Grossa apresentou-se inúmeras vezes em Ponta Grossa, Curitiba, Lapa, Castro, Pirai do Sul e na TV canal 4. Gostava de cantar e apresentava-se, em público, como solista. Admirava e amava as óperas dos grandes compositores italianos.

Nos longos anos que atendeu o sertão de Itaiacoca (Ponta Grossa), muitos amigos gostavam de acompanhálo nessas maratonas de até 150 km, em terreno montanhoso, de difícil acesso e obrigando-o a utilizar cavalos. José da Silva, era um desses amigos: "Frei Jacinto nunca deixou de atender, ou de estar no local, no dia e horário pré marcado. O povo da região tinha por ele uma grande admiração, por sua simplicidade e a maneira de transmitir a Palavra. Apesar das grandes dificuldades, Frei Jacinto nunca reclamou, pois a todo momento se dedicara à sua vocação e sua missão de levar o evangelho. Conhecia a todos os membros das comunidades".

Um seu colega de seminário, Frei Luiz Alves de Souza lembra que «Frei Jacinto era muito comunicativo e alegre desde criança. Não tinha complexos pela sua pouca estatura. Seu otimismo tirava das provações motivos de hilaridade. Quando alguém lhe vinha com lamentaçes, dizendo 'se não fosse isso, se fosse aquilo outro...: costumava dizer: "Ah, bonitinho: se minha mãe fosse rainha da Inglaterra eu seria príncipe de Gales!".

Desde 1986, quando foi operado do fêmur, andou sempre de muletas e com fortes dores. Por isso, passava a maior parte do tempo no quarto. Aos 22 de maio de 1991, sofreu desmaio e teve forte hemorragia. Não soube direito o que tinha. Mas sabia sofrer sem se queixar. Morreu como sempre quis: sozinho e em silêncio, "pra não dar trabalho para ninguém".

Frei Dom Agostinho Sartori

29/05/1929
06/06/2012

* 29.05.1929 - Linha Bonita/Ouro-SC

+ 06.06.2012 - Pato Branco-PR

JOSE BENITO SARTORI nasceu aos 29.5.1929, em Linha Bonita, município de Campos Novos, hoje, Ouro-SC, filho de Antônio Sartori e Dosolina Rech. Eram 11 irmãos. Aos sete anos, seu pai resolveu vender a propriedade no interior e foram morar em Ouro, município de Capinzal-SC. Moravam próximos da pequena Capela de Nossa Senhora dos Navegantes, padroeiro do local até hoje. José Benito começou a frequentar a igreja, onde conheceu melhor frei Constantino Gozzo de Cellore. Deixou-se empolgar pela liturgia, gostava dos cantos e foi se afeiçoando cada vez mais ao frei.

Aos 9 anos, aceitou o convite de frei Constantino para morar na casa paroquial e, aos 13.04.1939, ingressou no seminário de Butiatuba-PR. Após um ano de seminário, sua mãe faleceu e não pode participar do sepultamento.

Cursou o primário em sua terra natal. No Seminário de Butiatuba completou o ginásio. Vestiu o hábito capuchinho e recebeu o nome de frei Agostinho de Capinzal, nesse mesmo lugar aos 24.12.1944. Emitiu a primeira profissão religiosa aos 25.12.1945. Cursou filosofia e teologia no convento Nossa Senhora das Mercês, em Curitiba-PR. Durante estes estudos, fez a profissão perpétua em Curitiba-PR aos 15.8.1951. Recebeu o Diaconato aos 29.3.1952, sendo ordenado sacerdote em 15.8.1952, por Dom Manoel da Silveira D’Elboux, também na igreja das Mercês.

A seguir, trabalhou em Irati (1952) e no Seminário Santa Maria em Irati (1953) e em Butiatuba (1954), onde lecionou filosofia. Em Curitiba (1955-1958) continuou lecionando filosofia aos freis estudantes e dirigiu pequena revista vocacional chamada “Jardim Seráfico”.

Em 1956, foi notário do Tribunal Eclesiástico da Arquidiocese de Curitiba.

Nos anos 1958 a 1961 cursou Direito Canônico na Pontifícia Universi­dade Gregoriana, em Roma. A seguir, prestou estes serviços: professor e diretor dos estudantes capuchinhos do curso filosófico e teológico, prefeito dos estudos (1961-1965), defensor do vínculo matrimonial (1962) na arquidio­cese de Curitiba e subsecretário da CNBB do Paraná (1964-1967). De 1964 a 1967, serviu a CRB do Paraná como secretário executivo e Presidente e, em 1968, eleito presidente da Conferência dos Capuchinhos do Brasil. Na condu­ção da CRB demonstrou dinamismo, entusiasmo, segurança, equilíbrio e competência naquele difícil tempo de atualização das congregações religiosas. Estas e outras qualidades demonstrou-as também em seus trabalhos com a CNBB do Paraná. “Soube agir muito bem organizando o Regional Sul II, como seu primeiro Secretário Executivo”, escreveu Dom Pedro Fedalto.

Os capuchinhos do Paraná e Santa Catarina o ele­geram como superior maior, que então se chamava Comissário Provincial, aos 25.10.1966. Em 1968 participou do Capítulo Geral dos Capuchinhos, em Roma, quando houve ampla revisão das Constituições, sendo promulgadas “ad experimentum”. Foi nesse período que Frei Agostinho, ajudado pelo Ministro Provincial da Província-mãe de Veneza (Frei Justo de Vigorovea), preparou a documentação com a qual o Comissariado Provincial passou a ser Província regular da Ordem. Retomou desse Capítulo Geral com o documento da elevação à Província e de sua nomeação, aos 9.11.1968, como primeiro Ministro Provincial, e confirmado no cargo aos 19.01.1970, durante o primeiro Capítulo Provincial da Província do Paraná e Santa Catarina.

Frei Agostinho foi o superior do período de transição: tinha acabado o Concílio Vaticano II e logo surgiu o grande movimento de atualizações na Igreja e na vida religiosa. Dotado de ótima inteligência e vastos conhecimentos, programou cursos e encontros, chamou conferencistas para apresentarem os novos temas do Vaticano II. Soube fazer uma transição relativamente calma diante das questões “quentes” daquele tempo. Com tenacidade e visão crítica do momento histórico, a presença de frei Agostinho, como superior, foi providencial para conduzir a caminhada do então Comissariado e, depois, da Província com segurança, sem atropelos e sem grandes hesitações.

Em 1967, 1968 e 1969, promoveu intercâmbio de estudo de filosofia e teologia com as Províncias de São Paulo, Minas Gerais e Bahia. Nossos teólogos foram para São Paulo (1967-1968) e alguns filósofos de São Paulo, Minas Gerais e Bahia vieram ao nosso convento Bom Jesus onde fizeram o curso filosófico. Em Siqueira Campos, em 1968, vieram alguns irmãos da Província do Rio Grande do Sul. Tentou intercâmbio de seminaristas do clássico com os de São Paulo em Nova Veneza-SP, mas a experiência não teve êxito.

Frei João Daniel Lovato, durante seus quatro períodos de Ministro Provincial, teve muitos contatos com Dom Frei Agostinho. Sempre o convidou para participar de nossos Capítulos Provinciais e até lhe ofereceu, quando bispo emérito, um lugar para residir nas Mercês, mas ele preferiu permanecer na Diocese.

Bispo - Um mês após sua eleição para Ministro Provincial, aos 26.2.1970 foi nomeado Bispo de Palmas- PR, com grande transtorno para nossa Província. Sagrado bispo em nossa igreja das Mercês em Curitiba (26.4.1970), tomou posse de sua diocese de Palmas aos 14.5.1970. Permaneceu à frente da Diocese até 24.8.2005, quando passou a ser bispo emérito. Antes somente chamada Palmas, esta diocese passou a chamar-se diocese de Palmas-Francisco Beltrão-PR.

Atividades - É muito difícil resumir 35 anos de atividades episcopais (1970-2005) de Dom Frei Agostinho em poucas linhas. Distinguiu-se nestas áreas: 1. Área educacional: Instituições de Ensino Superior em Palmas (FACIPAL,UNICS e hoje IFPR), Dois Vizinhos (VIZIVALI) e Barracão(FAF); 2. Área assistencial e pastoral: Escola de integração social de Palmas (Eispal), Lar dos Velhinhos Nossa Senhora das Graças em Palmas, Casa de formação Divino Mestre de Francisco Beltrão, Seminário de Filosofia Bom Pastor de Francisco Beltrão, Seminário Diocesano Jesus de Nazaré em São João, Catedral de Palmas, Concatedral de Francisco Beltrão; 3. Santuários Nossa Senhora de Fátima, de Nossa Senhora Aparecida, de Nossa Senhora da Salete, de Nossa Senhora da Saúde; 4. Organizou as paróquias em sete Decanatos; 5. Ordenou mais de cento e quarenta sacerdotes e diáconos e dois Bispos: Dom Luiz Vicente Bernetti, OAD e Dom José Antônio Peruzzo. 6. Área da comunicação: Fundou as rádios, Club AM de Palmas, Rádio Horizonte FM de Palmas, Rádio Difusora América de Chopinzinho e Rádio Onda Sul FM de Francisco Beltrão, estas rádios compõem a Rede Bom Jesus de Comunicação; 7. Fundou, em 1985, o boletim diocesano “Até que...” 8. Foi responsável pela Pastoral Rural no Regional Sul 2 da CNBB. 9. Bispo acompanhante da CRB do Paraná. 10. Bispo referencial da Pastoral da Criança do regional Sul 2, entre inúmeras atividades que desempenhou nos seus 35 anos à frente da Diocese de Palmas-Francisco Beltrão.

A escritora Lucy Salete Bortolini Nazaro faz esta síntese: “Dom Agostinho criou a Pastoral da criança, demonstrou preocupação com efetivas realizações na área do cuidado às crianças carentes e ao idoso, empenhou-se na fortificação da Diocese e de seus diocesanos, criou a Casa de Formação para o clero, religiosos e leigos, ampliou e edificou seminários, santuários, dedicou-se à área educacional do sudoeste, ampliando a atuação do CPEA (Centro Pastoral, Educacional e Assistencial Dom Carlos) e das Faculdades, iniciadas por Dom Carlos em Palmas, cujo projeto inicial finalizou com uma Universidade Federal (...). São inúmeras as realizações de Dom Agostinho’’.

Falecimento - Desde 2005, Dom Frei Agostinho viveu em Palmas como bispo emérito. Aos poucos foi acometido por achaques: Parkinson, Alzheimer, diabete, insuficiência renal, sendo hospitalizado por diversas vezes. Faleceu em consequências de falência de órgãos, especialmente de pneumonia aos 06.06.2012        no Hospital São Lucas de Pato Branco- PR. Contava com 83 anos de idade, 67 anos de vida religiosa; 60 anos de vida sacerdotal, 42 anos de vida episcopal dos quais 35 como bispo diocesano de Palmas.

Com a presença de nosso Ministro Provincial (Frei Cláudio Sérgio de Abreu), de diversos freis da Província, de bispos, sacerdotes, religiosos/as e fiéis, após a missa exequial na Catedral de Palmas, foi sepultado aos 08.06.2012        no cemitério daquela cidade.

Pronunciamentos: “Dom Agostinho sempre foi um exemplo de bispo comprometido com os desafios de seu tempo’’ (Roberto Requião); “Soube, com habilidade, estabelecer a comunhão com todos, incentivou vocações sacerdotais, ordenou muitos sacerdotes, crivou novas paróquias (...)” (D. Pedro Fedalto); “Lutou contra a unanimidade dos grandes proprietários em defesa dos pequenos agricultores, dos índios e dos pobres. Difícil lembrar-se de outro que tenha sido tão correto, tão digno, tão firme e tão amigo como dom Agostinho Sartori’(pe. Lessir Bortoli); “Dom Agostinho foi o grande pioneiro da renovação conciliar de toda a Igreja no Paraná”(D. Albano Cavallin); “Dom Agostinho nos deixou um edificante exemplo, através de seu incansável ministério” (D. Orani João Tempesta).

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