Tamanho do Texto:
A+
A-

Reflexão para o VIII Domingo Comum

Publicado por Frei Francisco Areque | 25/02/2017 - 06:01

Leituras: Is 49,14-15; 1Cor 4,1-5; Mt 6,24-34

Iniciando o Evangelho de hoje, Jesus diz: «Ninguém pode servir a dois senhores... Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro» (v. 24). O texto grego, no lugar da palavra «dinheiro», transcreve a palavra aramaica «mamona», que tem um significado mais abrangente; significa: bens, riqueza, posses, lucro. Além disso, Mamona era também uma divindade cananeia. A preocupação de Jesus é alertar contra a ganância, que leva as pessoas a acumular bens. E ao relacionar esse acúmulo com o deus Mamona, o Senhor está afirmando, sem meias medidas, que essa prática é uma idolatria. Acumular bens é o mesmo que prestar culto a uma divindade, servir a um ídolo; e esse ídolo, Jesus chama de «Mamona». Mas, aqui, há um detalhe importante, que, normalmente, passa despercebido. É que a ganância, a mãe do acúmulo de bens, não atinge só quem é rico. Ela acomete todo ser humano. Um pobre pode ser tão ganancioso e acumulador quanto um rico avarento. Se se colocasse esse pobre no lugar do rico, ele faria a mesma coisa. Por isso, o discurso de Jesus, em primeiro lugar, generaliza: «NINGUÉM pode servir a dois senhores». Vale para ricos e pobres. Depois, Jesus se dirige aos seus discípulos, que não eram ricos: «VÓS não podeis servir a Deus e ao dinheiro (Mamona)». É PRECISO SER LIVRE, EM RELAÇÃO AOS BENS. O discurso de Jesus pode ser mal interpretado. Pode ser entendido como se o Senhor fosse contra o dinheiro, a riqueza. Ora, o que está em jogo, aqui, é a liberdade das pessoas, em relação aos bens. Não é pecado ser rico. Possuir bens materiais. O problema está no apego, no acúmulo. Por isso, quem possui muitos bens materiais, corre o sério risco de se deixar escravizar por esses bens, ao ponto mesmo de adorá-los, servi-los, prestar-lhes culto. Assim, deixa de adorar o verdadeiro Deus, com suas exigências éticas e morais, para adorar Mamona, que não faze nenhuma exigência desse tipo; não exige renúncias nem sacrifícios, e oferece aos seus adoradores todo tipo de facilidades, bem-estar, prazeres sem limite e tudo o mais. Jesus afirma que no coração do ser humano só existe espaço para um único Grande Amor. Deus quer ser o Grande Amor no coração das pessoas. Mas, Mamona também. Nenhuma divindade quer menos do que isso. Todas querem ser o Grande Amor dos seus adoradores. Não aceitam dividir os seus amados com outro. É por isso que é impossível servir, ao mesmo tempo, a Deus e a Mamona. Ser livre, diante da riqueza, de modo a não fazer dela um deus, Mamona, é muito difícil. Mas não é impossível. Certa vez, os discípulos perguntaram a Jesus, se um rico podia se salvar. Jesus respondeu-lhes: «Para Deus, tudo é possível» (cf. Mc 10,25-27). EM PRIMEIRO LUGAR, O REINO DE DEUS E SUA JUSTIÇA. No v. 33 Jesus faz outra afirmação forte: «Buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais vos será dado por acréscimo». Aqui, também, pode haver confusão. Jesus não está dizendo que as pessoas devam ficar passivas, sem lutar para progredir na vida. O que ele diz é: «Buscai PRIMEIRO o reino de Deus e sua justiça»! O próprio verbo «buscar» sugere trabalho e persistência. «Buscar», também quer dizer «construir». O reino de Deus, não está pronto. É preciso construí-lo. Portanto, nada de acomodação. Os discípulos são chamados ao trabalho; a «arregaçar as mangas»! A base do reino de Deus é a Justiça. Não qualquer justiça, mas a JUSTIÇA DO REINO DE DEUS! Os discípulos de Jesus são os operadores da Justiça do reino de Deus. Ora, a justiça do reino de Deus, não é algo, meramente, jurídico. Aqui, justiça é, antes de tudo, colocar Deus em primeiro lugar. E quando se coloca Deus em primeiro lugar, automaticamente, se coloca as pessoas, no centro das atenções. É por isso que, buscando, isto é, construindo o reino de Deus e sua justiça, tudo de que se necessita virá como consequência. No Evangelho de hoje, os versículos 25 ao 32, todos falam do cuidado de Deus com as pessoas. É até comovente, ouvirmos estas palavras: «Olhai os pássaros dos céus: eles não semeiam, não colhem nem ajuntam em armazéns. No entanto, vosso Pai que está nos céus os alimenta. Vós não valeis mais do que pássaros.» (v. 26). «Vosso Pai, que está nos céus, já sabe do que precisais» (v. 32). 

Fonte: https://www.facebook.com/francisco.freiareque/posts/1406357742749637

Sobre o autor
Frei Francisco Areque

Custódia do Amazonas e Roraima

Facebook: https://www.facebook.com/francisco.freiareque/