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Experiência pessoal

Publicado por Frei Venildo Trevizan | 04/05/2019 - 00:01

Vivemos cercados de interrogações e de propostas. São interrogações a respeito do momento presente com suas dúvidas e inseguranças. São interrogações a respeito de um futuro incerto quanto as aspirações e projetos. São propostas que podem engrandecer os sonhos, ou podem desviar dos objetivos desejados. Sabemos que nem tudo o que entra em nosso caminho é bom e verdadeiro. São muitas as tentações.

Mesmo causando empolgação poderá esconder algo desagradável e que irá pôr em perigo a tal felicidade prometida. Nada melhor do que a prudência diante de tais propostas e humildade perante os desafios

Sabemos que todos possuem algo a ensinar. Todos têm uma história própria, armazenam experiências pessoais e tem seus conceitos definindo seu futuro. Não importa a idade. O que importa é a capacidade de pensar e de organizar suas atitudes. Atitudes que levam a amar ou odiar, que levam a construir ou destruir, que levam a salvar ou condenar.

Essa experiência de amar talvez seja o ensinamento mais sagrado que a vida possa oferecer. E não será para qualquer pessoa. Pois a pessoa precisará querer-se bem a si mesma, respeitar as demais e conviver harmoniosamente com as diferenças de gênio e de formação tanto intelectual quanto moral.

Quando o Mestre dos mestres num encontro com seus seguidores mais próximos pergunta a Pedro se o amava não estava querendo agrado ou elogio. Estava querendo saber em que grau de conhecimento e de compromisso o levara a se encontrar em sua presença depois de tantos tropeços e infidelidades.

Certamente Pedro se viu em situação bastante constrangedora e nada agradável. Afinal, durante o julgamento do Mestre, ele esteve presente e acompanhara toda aquela cena que o deixara perplexo e triste. E mais triste ainda quando fora interpelado por pertencer ao mesmo grupo do Mestre. E ele negou. Rasgou a veste da dignidade e da fidelidade.

E agora precisa assumir algo que o Mestre lhe propõe. Apesar de saber-se indigno, sente em seu íntimo a força e a confiança daquele a quem negara, mas, mesmo assim, lhe oferece uma responsabilidade de confiança pessoal: cuidar e conduzir a comunidade dos eleitos de Deus.

Apesar da fragilidade que o envolve, aceita e assume essa tarefa e essa missão. Torna-se o primeiro animador da comunidade dos crentes e seguidores do Mestre. E, a partir dessa missão, criou coragem, empreendeu viagens missionarias, organizou comunidades, viu crescer a fé e o amor entre todos, enfrentou perseguições e aceitou morrer na cruz.

Foi uma experiência muito pessoal. Foi uma tarefa de altos e baixos que lhe garantiram o reconhecimento do povo e as bênçãos de Deus. Essa experiência precisa fazer parte da história da vida de cada um de nós.

Não ter medo das calunias e das perseguições. Não se refugiar no medo e na insegurança. Prontificar-se a assumir a missão de mostrar ao mundo a beleza do amor, a leveza da alegria e a sublimidade da fé como experiência pessoal em Cristo Senhor.

Sobre o autor
Frei Venildo Trevizan
Sacerdote. Nasceu no ano de 1939 em Paraí-RS. Filho de Ângelo Trevizan e Carmela Richetti.