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O verdadeiro Julgamento

Publicado por Frei Venildo Trevizan | 06/04/2019 - 00:01

Somos hospedes do universo. Caminhamos em meio a uma diversidade admirável de seres e de personalidades. São pessoas cultas ao lado de pessoas analfabetas. São pessoas de muitas posses ao lado de pessoas desprovidas de bens. São pessoas religiosas ao lado de pessoas sem nenhuma conotação religiosa.

Caminhamos lado a lado com pessoas de grandes conhecimentos e com objetivos definidos. Ao mesmo tempo encontramos pessoas andando por esse mundo sem objetivos, sem sonhos, sem definições e sem perspectivas para o futuro. São seres racionais misturados aos seres irracionais.

Estamos no planeta terra que aceita e permite espaço para todos os viventes. Mesmo assinalados por grandes diferenças, todos tem seu lugar e sua função. O ideal seria que todos se relacionassem com todos no mesmo respeito e no mesmo existir com aspirações próprias, mas sempre respeitando os limites e os espaços.

Infelizmente nem todos obedecem a essas normas e a essas leis estabelecidas desde a criação do mundo. Em toda a parte deparamos com pessoas agredindo pessoas, nações agredindo nações, crenças agredindo outras crenças. E tudo poderia ser maravilhoso se cultivássemos o respeito e a aceitação, a misericórdia e o perdão.

A Bíblia sagrada, revelação da bondade e da sabedoria de Deus, nessa oportunidade oferece um relato impressionante no seu conteúdo e na sua maneira de interpretar a realidade. O Mestre dos mestres estava ensinando a uma multidão que o cercava bem próximo ao Templo de Jerusalém. Um grupo de falsos religiosos se aproxima arrastando uma mulher surpreendida em adultério. E, de acordo com a lei, ela deveria ser apedrejada para exemplo daquilo que nenhuma mulher deveria fazer.

Jogaram essa mulher aos pés do Mestre. Sem demonstrar surpresa e nem indignação, olhou fixamente o grupo e olhou também a mulher. Num gesto que surpreendeu a todos os presentes, o Mestre abaixou-se e escreveu algo no chão. Em seguida ergue-se e olhou novamente para o grupo e proferiu essa sentença: “Quem de vocês estiver sem pecado seja o primeiro a lhe atirar uma pedra”.

Todos os do grupo de falsos religiosos estavam com as pedras em suas mãos, mas diante da sentença do Mestre guardaram suas pedras e foram se retirando um a um começando pelos mais velhos. (Jo.8,1-11) Essa lição deixa claro que ninguém deve julgar ninguém. Mais ainda: ninguém pode condenar ninguém. Só Deus. E o julgamento de Deus é de misericórdia e de perdão.

Mas o coração humano está longe de intender e praticar essa lição. Em lugar de perdoar busca vingar. Esquece que a vingança produz vingança, enquanto o perdão produz a paz. Cada qual escolhe seu caminho: o caminho do perdão ou o da vingança, o caminho do bem ou do mal.

São caminhos distintos que envolvem sentimentos de respeito para os que se perderam no vício e na maldade, ou no caminho do bem e da verdade. O importante é jamais perder de vista o Deus da misericórdia e do perdão. O Deus que aguarda um lugar no coração para transformar o mal em benção e salvação.

Sobre o autor
Frei Venildo Trevizan
Sacerdote. Nasceu no ano de 1939 em Paraí-RS. Filho de Ângelo Trevizan e Carmela Richetti.