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A Vida Religiosa Fraterna é Cristocêntrica ou Fraternocêntrica?

Publicado por Frei Edson Matias | 14/04/2019 - 16:51

A vida religiosa franciscana é cristocêntrica ou fraternocêntrica? De imediato podemos dizer, em forma de um disparo não muito refletido, que ela está fundada nos dois aspectos: em Cristo e na fraternidade entre os irmãos e que não existe um sem o outro, pois uma realidade alimenta a outra. Todavia, parece que necessitamos de um passo a mais na reflexão para não cairmos em uma espécie de pelageanismo na compreensão de fraternidade.

 

A vivência religiosa e fraterna tem como centro Jesus Cristo. Não exatamente como Cristo ‘modelo’. No sentido em que damos atualmente. Modelo, na compreensão do senso comum, se entende alguém que se tem como referência, para imitar. Nesse caso, termos um modelo externo a nós. No entanto, na fé cristã, ter Jesus Cristo como centro vai além desse entendimento de modelo. A centralidade de Cristo para a fraternidade é como que um arquétipo, uma impressão na alma – no mais íntimo de nós mesmo. Então, arquétipo, não é uma regra moral, como se alguém tivesse nos dito que assim tem que ser. Trata-se de antes, de uma experiencia profunda do próprio Cristo em nós. Em outros dizeres, se tentarmos viver a vida fraterna com as próprias forças, caímos no que chamo aqui de pelagianismo fraterno, ou talvez, psicologismo fraterno: “temos que viver bem”, “temos que dar certo uns com os outros”, “todos tem que se gostarem”, “basta esforçar para conseguir”, etc.  

 

Vida fraterna é um dom de Deus. É ação do Espírito Santo, que nos torna todos irmãos em uma mesma missão. A fraternidade evangélica é fruto do Espírito e não de esforços pessoais, grupais ou simplesmente afetivos. Por isso, que a intimidade com Deus (oração, suplica, etc) é o motor de todo desabrochar fraterno verdadeiro

 

A Vida Religiosa e fraterna não se funda no simples afeto das relações humanas. Se assim fosse, Jesus Cristo não precisaria ser o centro, bastaria nossos esforços. Nem sua remissão seria necessária. No esforço próprio, uma comunidade religiosa nada se diferenciaria de um grupo de amigos. Assim, a fraternidade não deve ser fraternocêntrica e sim cristocêntrica. A vida Fraterna não gira envolta de seu próprio eixo, mas da Graça Divina, Jesus Cristo Nosso Senhor.  

Sobre o autor
Frei Edson Matias

Frade Capuchinho, Sacertode. Naceu no ano de 1976 em Anápolis-GO. Filho de Baltazar Justino Dias e Genoveva Matias Dias. Ingressou na Ordem Franciscana em 25 de Janeiro de 1999, inicialmente nos Frades Conventuais - Província de Brasília. Depois fez a passagem para a Ordem dos Frades Menores Capuchinhos no dia 13 de Julho de 2009. 

Formação

Doutorando em Teologia na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia - FAJE. Psicólogo pelo Centro Universitário de Brasilia - UniCEUB. Mestre em Ciências da Religião pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás - PUC Goiás. Pós-Graduado em Psicologia Junguiana pela Faculdade de Ciências da Saúde de São Paulo - FACIS. Pós-Graduado em Teologia Contemporânea pelo Centro Universitário Claretiano. Teólogo Pelo Centro Universitário Claretiano. 

Áreas de atuação

Foi Professor de Psicologia e disciplinas afins na Filosofia e Teologia nos Institutos: ISB/DF, ITEO/MS e IFITEG/GO e na Faculdade Brasil Central/GO. Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em Psicologia clínica e psicologia da religião, como também em Teologia Pastoral e Espiritualidade. Presta assessorias às comunidades e congregações religiosas. 

Livros e Artigos

Possue diversos artigos publicados em revistas e livros. 

Contato

ed.matias@gmail.com
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