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Encontro

Publicado por Frei Venildo Trevizan | 28/05/2016 - 00:01

Na vida existem encontros e desencontros. Os encontros podem ser programados, mas os desencontros acontecem quando menos se espera. Os encontros são oportunidades para conferir os talentos suficientemente produtivos de confiança, diálogo e até mudança na maneira de encarar a realidade. Podem mudar certos conceitos e direções.

O modo de pensar, a maneira de direcionar idéias e comportamentos, são próprios a cada ser humano. Cada qual tem sua maneira própria de encarar e interpretar a realidade, tem sua maneira própria de conceber e de conviver no relacionamento com os demais.

Embora existam princípios morais e espirituais comuns, é preciso destacar que cada qual tem direito de escolher sua maneira de cultivá-los e vive-los. E isso sem desprezar o jeito dos demais, pois formamos um povo que caminha num mesmo caminho rumo ao mais perfeito viver.

E nesse caminho acontecerão constantes encontros e desencontros. Em cada um será preciso discernir o que poderá ser melhor e o que deverá ser evitado. Existem encontros felizes e encontros desafiantes. Existem encontros que fazem bem à alma e encontros dolorosos e sofridos. Existem encontros que confortam e existem encontros que deixam lacunas na alma.

Existe um encontro muito especial e muito marcante na vida de todo o ser humano. É o encontro com Deus. Esse encontro poderá acontecer num momento de grande alegria e de profunda emoção. Pode acontecer num momento de enorme sofrimento e terrível provação. Melhor seria que não fossem necessárias situações extremas. Melhor seria que fosse um acontecimento e uma maneira feliz de troca de atenções e agradecimentos.

Na Bíblia sagrada, mais precisamente no Evangelho de Lucas, capitulo sete, versículos de um a dez (Lc.7,1-10) apresenta um encontro muito edificante. Um centurião romano, que era pagão, tinha um súdito muito fiel e bom. Fora acometido de uma grave e dolorosa enfermidade.

Tendo ouvido falar que o Mestre dos mestres estava passando em seu território, enviou um emissário a fim de solicitar a cura desse súdito. Não teve coragem de fazê-lo pessoalmente. Julgava-se indigno. E o Mestre, sabendo disso, decide ir ao local.

Mas o Centurião manda dizer-lhe: “Senhor, não sou digno que entres em minha casa. Basta uma palavra e meu súdito será curado.”

Foi o que aconteceu. O desejo de cura fez com que o Centurião se fizesse humilde e pedisse ajuda a alguém que não conhecia e nem acreditava. Mas, por ter ouvido falar que o Mestre era alguém de bom coração, tudo mudou. Não houve encontro pessoal. Mas houve encontro de sentimentos e de corações em busca do melhor e mais perfeito.

Elogiável o gesto desse Centurião. Elogiável o gesto de quem se encontra em situação difícil e descobre um caminho de luz. Elogiável o gesto do Mestre que não olhou as diferenças e nem as divergências. Soube de alguém necessitado e vai ao encontro.

Elogiável a sinceridade de todo o ser humano que humildemente reconhece suas fraquezas e sai em busca do Mestre que cura e salva.

Sobre o autor
Frei Venildo Trevizan
Sacerdote. Nasceu no ano de 1939 em Paraí-RS. Filho de Ângelo Trevizan e Carmela Richetti.