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Quem não se comunica, se trumbica!

Publicado por Frei José Carlos de Oliveira | 31/05/2019 - 17:40

A comunicação é muito importante para a vida, era o que queria dizer o Chacrinha quando afirmava que “quem não se
comunica se trumbica”. Existem vários meios de comunicação: a palavra falada e escrita; a obra de arte; a comunicação com Deus através da oração litúrgica; o silêncio pode ser uma forma de comunicação; os gestos e sinais do corpo também comunicam.

Por que o ser humano, desde o ventre materno, precisa se comunicar? Porque fomos feitos à imagem e semelhança de
Deus. E como nós sabemos, Deus se comunica consigo mesmo através da relação do Pai, do Filho e do Espírito Santo e Deus também sempre se comunicou com o ser humano, sobretudo através de Jesus Cristo: é a Palavra Divina que se fez carne e nos revelou que o desejo mais profundo do coração de Deus é que todos tenham vida em abundância.

Do ponto de vista cristão, toda comunicação deve ter como objetivo a busca de construir a verdade e a paz, conforme nos pedia a Campanha da Fraternidade de 1989. Há mais de trinta anos, essa proposta continua vigente hoje, nos tempos atuais, marcados por fake news, pela indisposição para acolher e respeitar o ponto de vista dos outros, pela violência epidêmica, que desvaloriza as relações fraternas e pelo desmonte dos direitos dos pobres.


Quando estudava Comunicação através da arte, na PUC de São Paulo, aprendi uma coisa importante: que a redundância faz mal para quem quer se comunicar bem. O que é redundância? É a repetição preguiçosa de ideias e práticas já conhecidas, o que acarreta a perda de criatividade e imaginação. Às vezes, a gente não percebe que as situações do dia a dia, os sofrimentos e até mesmo os momentos celebrativos necessitam de novas palavras e de novas práticas, mas nós preferimos ficar acomodados em nossa zona de conforto. É como se a gente não tivesse interesse em aprender coisas novas, preferindo ficar ali parado, “chovendo no molhado”, aceitando a condição estéril da figueira, sem tomar a iniciativa de cavar em volta e colocar adubo (Lc 13, 6-9).

Queridos irmãos e irmãs, para aprender a se comunicar bem, é preciso estar com o coração aberto para a vida, não ter medo de desbravar o desconhecido, nem ter receio de partilhar, com os outros, novas idéias, novos sonhos e novas maneiras de viver a fé. O bom comunicador não é quem saber falar com desenvoltura, mas é aquele(a) que se posiciona com firmeza e franqueza, que sai de cima do muro e coloca as mãos à obra, colaborando com o Espírito Santo, que procura extrair de nós a timidez, o medo e o conformismo. Sem esses três inimigos da comunicação, podemos anunciar melhor a Boa Notícia do Reino, sem a preocupação de não sermos entendidos ou repetir a máxima de João Batista: “sou uma voz que clama no deserto”.


Publicado originalmente no boletim da igreja dos frades em Santo André, SP

Sobre o autor
Frei José Carlos de Oliveira

Franciscano Capuchinho de São Paulo