

II Seminário Justiça, Paz e Integridade da Criação promove reflexão e compromisso por uma cultura da não violência
Com o tema “Justiça, Paz e Integridade da Criação: por uma cultura de não violência”, no dia 17 de julho, na Paróquia Santo Antônio do Partenon, em Porto Alegre, foi realizado o II Seminário JPIC, reunindo participantes em um dia de formação, reflexão, espiritualidade e construção coletiva. O encontro teve como objetivo aprofundar a compreensão das diferentes formas de violência presentes na sociedade e fortalecer o compromisso com a promoção da justiça, da paz e do cuidado com toda a criação.
O seminário iniciou com um momento de acolhida e abertura, seguido pela mística franciscana, conduzida pelas Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora Aparecida, que também realizaram a oração inicial e a oração final do encontro, iluminando o caminho de reflexão a partir da espiritualidade de São Francisco de Assis e do compromisso com a vida.
A primeira reflexão foi conduzida pelo frei Vanildo Zugno, que apresentou uma análise de conjuntura da sociedade atual, abordando a violência a partir de uma perspectiva sócio-histórica e cultural. O momento possibilitou compreender como diferentes estruturas e relações sociais contribuem para a manutenção de situações de violência e exclusão.
Na sequência, o frei Luiz Carlos Susin aprofundou o tema das raízes antropológicas da violência, refletindo sobre as dimensões humanas, sociais e relacionais que estão na origem dos conflitos e das práticas violentas. As reflexões foram seguidas por momentos de ressonância e partilha entre os participantes.
Durante a tarde, o seminário contou com oficinas e rodas de conversa, possibilitando um olhar mais específico sobre diferentes realidades de violência presentes no cotidiano. Foram abordados os temas: violência de gênero: gritos por vida e dignidade; violência contra a criação: meio ambiente e animais; violência nas redes sociais e na linguagem do cotidiano e violência racial e desigualdade social: rostos marcados pela injustiça.
As partilhas das oficinas fortaleceram a percepção de que a construção de uma cultura de não violência exige diálogo, conversão de atitudes e compromisso comunitário. No momento de plenária, os participantes puderam compartilhar aprendizados e apontar caminhos para a atuação pastoral e social.
Como fruto do encontro, foi construída uma Carta Compromisso, expressando o desejo de continuar promovendo ações concretas em defesa da vida, da dignidade humana, da justiça social e do cuidado com a Casa Comum.
O seminário foi encerrado com uma mística de envio, reafirmando que a espiritualidade JPIC não é apenas uma reflexão, mas um modo de viver e testemunhar o Evangelho, seguindo o exemplo de São Francisco de Assis no cuidado com os irmãos, com os mais vulneráveis e com toda a criação.
O II Seminário JPIC foi realizado em parceria com a ESTEF (Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana), com o empenho da equipe JPIC e a acolhida da Paróquia Santo Antônio. O encontro deixou como marca a esperança e o compromisso de seguir construindo caminhos de paz e transformação.
CARTA DO II SEMINÁRIO JPIC – POR UMA CULTURA DE NÃO VIOLÊNCIA
Nós, frades, religiosas e religiosos, leigas e leigos, representantes de pastorais, movimentos, instituições de ensino, comunidades, paróquias, organizações sociais e estudantes, participantes do II Seminário do Serviço de Justiça, Paz e Integridade da Criação (JPIC), promovido pela Província dos Freis Capuchinhos do Rio Grande do Sul, reunidos/as na Paróquia Santo Antônio do Partenon, no dia 17 de julho de 2026, refletimos sobre o tema "Por uma cultura de não violência". Sensibilizados/as e provocados/as pelas reflexões e experiências partilhadas, percebemos que há uma violência que se vê, se percebe, se sente e há uma violência escondida, que funciona do mesmo modo das raízes de uma árvore, ou seja, alimenta e sustenta aquela perceptível que encontramos no cotidiano. É importante salientar que a violência e os discursos ao redor dela também podem ser utilizados para o controle da sociedade. No caso do Brasil, podemos identificar as raízes da violência no autoritarismo que nos constitui enquanto cultura, na desigualdade, no colonialismo e no fascismo lúdico-empresarial. Além de ser uma questão cultural e social, a violência também tem um enraizamento na condição humana, pelo fato de sermos seres desejantes e, na busca de realizar nossos desejos, entrarmos em processos de violência com os outros. Cientes de que uma cultura de não violência começa com o envolvimento de cada um/a, comprometemo-nos a levar adiante os seguintes compromissos:
1. Desocultar a violência:
Para superar a violência, é preciso assumir que somos um povo violento, que mantemos vários tipos de violência. Também é preciso perceber que precisamos romper com o modelo que naturaliza a violência e educar para a não violência ativa.
2. Reduzir a desigualdade:
Isto supõe uma mudança do modelo econômico baseado na exploração e que alimenta as desigualdades. Para tanto são necessárias políticas públicas que contribuam para sanar as desigualdades históricas e ofertem serviços básicos para toda a população.
3. Conhecer os múltiplos mecanismos da violência: violência de gênero, racial e social, contra o meio ambiente e os animais e aquela que se manifesta nos meios digitais.
Esta realidade é que nos faz capazes de abrir espaços para a paz, para despotencializar a violência. Podemos fazer de nossas comunidades e onde atuamos, espaços de humanização, exercício de relações não violentas, de defesa dos direitos, possibilitando escuta e vez a quem não tem.
Concluímos o Seminário com a esperança de que todos/as os/as que se sentem provocados/as por essa realidade também se engajem em iniciativas que promovam a paz e ajudem a superar a violência.
Porto Alegre, 17 de julho de 2026.




