Coordenador da JPIC na Ordem visita realidades vulneráveis e projetos socioambientais no Brasil

Coordenador da JPIC na Ordem visita realidades vulneráveis e projetos socioambientais no Brasil

Após o encontro de animadores capuchinhos de JPIC do Brasil, no domingo, 27 de março, o coordenador da Justiça, Paz e Integridade da Criação na Ordem dos capuchinhos, frei Joel de Jesus, juntamente com frei Marcelo Toyansk e o pós-noviço frei Richard Maciel estiveram em visitas a comunidades muito vulneráveis na cidade de São Paulo, as quais têm sido acompanhadas pela solidariedade promovida pela JPIC da Província dos Capuchinhos de São Paulo, durante o tempo da pandemia.

“Direito à moradia: porta de entrada de todos os direitos”

Esta frase foi enfatizada pela liderança do Movimento de Moradia, Sheila Nobre, que os acompanhou.

Estiveram, pela manhã, em uma comunidade favelizada em Brasilândia (“Fazendinha”), cuja enorme população vive marginalizada em meio ao bairro popular ao entorno, com dificuldade de acesso até ao posto de saúde local e outros serviços básicos. As mais de mil famílias vivem em uma área de risco, com esgoto à céu aberto, muitos em barracos, sofrendo muito com o desemprego atual. Nesta localidade a JPIC tem auxiliado com uma campanha emergencial de cestas básicas e mediando o programa do Sesc “Mesa Brasil”.

À tarde desse dia, já na região de Grajaú e Parelheiros, estiveram em quatro comunidades favelizadas, todas apoiadas pela campanha emergencial de cestas básicas da JPIC da Província. Em uma dessas comunidades, chamada “Toca”, a população sofre com frequentes enchentes, por estar localizada próximo à represa Billings, além da falta de saneamento, do desemprego, inúmeras famílias sem moradia digna... nesta comunidade havia uma mobilização em vista da prorrogação da lei federal que proíbe os despejos durante à pandemia... Já na comunidade Linha do Trem, muitas áreas de encosta deslizaram durante às chuvas, deslocando várias famílias. E na comunidade Morro do Ketchup a JPIC tem acompanhado a criação de um grupo de geração de renda.

“Direito ao território às comunidades indígenas”

Em seguida, de 28 a 31 de março, frei Joel e frei Marcelo estiveram em várias comunidades indígenas no Mato Grosso do Sul, acompanhados por frei Klenner Antônio, capuchinho que atua há anos nesta realidade.

Foram a várias aldeias dos povos Terena, Kinikinau e  Guarani Kaiowá. Também visitaram os que estão em contexto urbano. Na sociedade sul-matogrossense é muito forte e presente o “racismo” contra os povos indígenas, que, neste estado, são mais de cem mil pessoas. No primeiro dia de visitas, em reunião com o CIMI estadual, constatam que praticamente metade das violações denunciadas contra os povos indígenas no Brasil são ocorridas no Mato Grosso do Sul.

O povo Kinikinau vive atualmente em uma pequena área “emprestada” pela aldeia Terena, uma realidade angustiante, não podendo ter autonomia para muitas coisas, carecendo de água e sofrendo frequentes pressões e até conflitos. Já o povo Terena vive em muitas aldeias de modo mais tranquilo e com mais dignidade, mas, mesmo assim, a marginalização é muito frequente.

Todavia, o território do povo Terena em grande parte não está demarcado, e isso traz sempre uma instabilidade e conflitos, por isso é fundamental a “demarcação” de seus territórios para que não sofram sempre violências, inclusive armada, de fazendeiros e da população local.

Essa situação de violência se agrava muito em relação aos Guarani Kaiowá. Povo que vivia em unidade no passado com os Guaranis do Paraguai, ainda hoje mantendo contatos, são mais numerosos e, ao mesmo tempo, um dos povos mais atacados, no Brasil, pelos fazendeiros e suas milícias. Realidade muito angustiante! São conflitos intermináveis, em vista de privá-los de seus territórios. No mês anterior, de fevereiro, em uma retomada de terra muitos deles foram agredidos pela polícia local. Essa realidade de não terem seu território leva também a um alto índice de depressão e suicídio entre eles.

Com essa permanência de alguns dias em meio à realidade injusta e de muita resistência em que vivem os povos indígenas, frei Joel de Jesus e frei Marcelo puderam buscar formas de apoiar concretamente, em nome da JPIC da CCB e da Ordem, aos povos indígenas do Mato Grosso do Sul e ao Conselho Indigenista Missionário, do qual frei Klenner faz parte. Após esses dias, frei Joel seguiu por mais alguns dias para conhecer algumas iniciativas na perspectiva de JPIC entre os capuchinhos do Rio Grande do Sul.

Visita às realidades dos capuchinhos no Rio Grande do Sul

Em Porto Alegre, frei Joel foi recebido pelos freis capuchinhos na ESTEF – Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana – onde dialogou com os professores e alunos, sendo apresentada a forma de atuação da instituição, como o trabalho de formação bíblica com os leigos. Depois conheceu a Pousada Convento São Lourenço e a Paróquia Santo Antônio, com suas ações sociais. Já na Casa Fonte Colombo, frei Joel conheceu todo o trabalho que é desenvolvido pelo Centro de Promoção da Pessoa Soropositiva, o serviço de acolhida, o trabalho social, a entrega de roupas e alimentos, bem como a prevenção do HIV/AIDS e a assistência às pessoas vivendo com HIV.

Em Bagé, visitou a fraternidade Imaculada Conceição e depois se deslocou à Comunidade Padre Josimo e ao Assentamento Conquista da Fronteira em Hulha Negra, onde são desenvolvidas atividades sociais e pastorais, experiências de agroecologia junto com os assentados, acampados, pequenos agricultores e camponeses em geral. Nesta presença interfranciscana, os freis buscam estar inseridos no meio dos pobres, no serviço da evangelização e na contribuição para uma vida melhor. Frei Joel esteve também no projeto que busca estimular a prática da medicina fitoterápica e natural, através de ervas e chás, de publicação de livros, receitas e remédios caseiros, para o cuidado com a saúde. Frei Joel conheceu o banco de sementes crioulas, organizado pelo Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), cujo objetivo é incentivar a preservação e a multiplicação das sementes crioulas e nativas.Coordenador da JPIC naOrdem visita realidades vulneráveis e projetos socioambientais no Brasil

Em Caxias do Sul, frei Joel conheceu o escritório corporativo, a Gráfica e Editora São Miguel, que possui certificação do Selo Verde em relação à questão ambiental com o papel utilizado. Esteve ainda na Cúria Provincial, na Tua Rádio São Francisco, na Casa de Saúde dos freis, no Museu e na LEFAN, onde é desenvolvido o Projeto Jovem Aprendiz em preparação ao primeiro emprego.

Para o Frei Luiz Carlos Lunardi, coordenador da Casa Fonte Colombo e que acompanhou frei Joel, a visita “foi uma presença fraterna. Uma pessoa próxima, demonstrou estar perto das pessoas que mais sofrem. Sendo o responsável pela JPIC da Ordem, pode-se ver que tem atenção especial ao setor, foi provocativo no sentido de encorajar, mostrar o quanto é importante esta ação para a Ordem, quanto é importante a atuação como franciscanos capuchinhos nas ações sociais”.

FreiMarcelo Toyansk e frei Matheus Fernandes

Autor:
Frei Marcelo Toyansk
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